quarta-feira, 29 de setembro de 2021

LUZ NA ESCURIDÃO









O VILAREJO
Uma viagem inimaginável do começou até o fim. AS TREVAS





     Fora levada para um pequeno chalé logo na entrada da cidade.                           A admiração de todos era insuportável, bem diferente da recepção de seu povo para com os mareantes e ela estava perplexa com tantas pessoas ao seu redor falando e tocando. A cada lugar que passava atraia cada vez mais pessoas que momentos antes as ruas que pareciam estar vazias e tranquilas. Ela seria a primeira mulher negra que aquele povo via. Além de tudo estava nua da cintura pra cima. A jovem se sentindo meio tonta sufocada indo por aquele caminho que parecia não ter fim e que ela não sabia onde iria parar. Na orientação daqueles dois homens que a levaram até que chegaram a uma pequena ryokan. Apenas um deles que mal conseguia se comunicar com ela de modo que ela compreendesse no seu dialeto de origem referia se ela com palavras dos dois idiomas misturados acompanhado de gestos tentando se fizer entender, querendo dizer para ela entrar naquela casa onde eles haviam parados. Mas não foi bem isso que aconteceu. Os dois embarcadiços pararam, a multidão parou e a jovem também parou. Só não pararam de falar e apertar a jovem. Os dois homens bateram na porta continuadamente, da ryokan, até que se abre, um deles entra. Havia alguém atrás da porta que não dá para ver bem quem era o segundo homem também consegue entrar fugindo assim da multidão que alvoraçava na rua parecendo até que uma catástrofe estava acontecendo, mas... A jovem não consegue entrar, fica por alguns momentos em pé, com os olhos arregalados respirando ofegante, justamente o que fala o que ela entende depois que entrar para a casa a chama para que entre também. Mas não era o que estava acontecendo naquela hora. A confusão estava generalizada. Até que dois policiais se juntam a confusão. Vão abrindo passagem pelo meio das pessoas para ver se chegava ao meio da aglomeração. E quando eles veem dois homens, um magro e baixo e outro baixo e gordo chamando de dentro de uma casa por uma jovem, alta magra, negra e seminua. Fica todos parados a porta de uma humilde família do vilarejo. A primeira reação dos policiais foi de monstruosa admiração. Ficaram atônitos por alguns instantes. Mas quando voltaram a si diante da porta que estava aberta e vê uma mulher sair de trás dela. A mulher olha toda aquela cena e principalmente não deixa de ficar hipnotizada pela jovem que se encontrava bem no meio da confusão, ela faz uma breve avaliação da situação em seus poucos instantes de congelamento, vê que tinha ate policias no cenário, toma logo uma atitude; se vira para os dois homens que chegara de vigem abaixa a cabeça e os cumprimenta, a mulher vai ao encontro dos três que estavam no meio daquele tumulto: os policiais e a forasteira, ela a dona da casa, olha para a jovem bem nos olhos e com a ajuda de um dos dois viajantes, a mulher tenta trazer a jovem consigo.

     Mas a jovem não saia do lugar, a população do vilarejo não parava de se ajuntar e de tocar na jovem até que um dos viajantes, era o mais exaltado e o que justamente falava o que a jovem não compreendia, veio em direção deles e a empurravam para sair do meio do povo; mas seus pés pareciam enterrados ao chão que não saiam do lugar por nada, o outro falava mansamente na língua natal deles e tentava falar também na linguagem da jovem para fazê-la entender o que eles estavam querendo; que era conseguir adentrar na casa.

     Entrando todos, fecham a porta após si, ficando de foram toda aquela multidão e os dois policiais. Que momentos depois de tentar dispensar as pessoas que ali estavam, são recebidos pelo dono da casa. Eles conversam entre si e os policiais vão embora e ainda vendo pessoais na frente da casa pediram que todos voltassem aos seus afazeres que saíssem da porta dos outros. Ou iriam ser presos por vadiação. Na a presença da dona casa, a jovem fica ainda mais estranha, como se estivesse entorpecida, com os olhos bem mais arregalados do que antes e ininterruptamente nela que nada falava mais ela a sentia tocando em seus braços e a conduzindo. Com o tumulto nas ruas por onde passou a jovem nem reparou que as demais mulheres eram semelhantes àquelas que estavam diante dela.

     O assombro a impediu de perceber que aquela imagem que aparecera de dentro da casa era ordinária das mulheres daquele país. Agora aquela efígie e a jovem estavam bem próximas e a moça então começou a reparar desde a cabeça ate os pés daquela imagem que a segurava pelos braços e ao mesmo tempo falava com pouquíssimas palavras com os homens que com a jovem viajava. Em meio à confusão se sentiu flutuando. Eram acontecimentos surpreendentes de mais para recém-chegada que acaba desmaiando.

     A Jovem acorda ainda pasma, vai voltando a si. O que ela percebeu ao descer da embarcação que tudo parecia muito tumultuado naquele país: as pessoas moravam muito próximas umas das outras, mas do que em seu país e ainda moravam em casas feitas de madeira totalmente surreal de tudo que a jovem conhecia e já tinha visto. Ela não imaginava que existissem tantas coisas, pessoas e acontecimentos extraordinariamente divergentes do conhecimento dela. Pensava que haveria isso ou aquilo algo um pouco diferente mais não tanto quanto estava vendo naquelas poucas horas que chegara aquele país. As casas das aldeias eram feitas de pele de animais ou de tecido ou palhas e ou de árvores. E poucos animais fazem casas de madeira como as que foram vistas nesse país pela jovem. Talvez a casa de um castor em um dique em um rio ou dos ninhos dos pássaros tecelão pendurados em um galho de uma árvore, mas nada assemelhava com o que ela estava vendo.

      E as pessoas! As pessoas eram baixas, magras e pálidas.

       Em tudo ela estava perplexa. Achava-se agora diante dela um ser cabalístico que em toda sua vida só tinha ouvido falar. Este ser falava, andava, fazia tudo como uma pessoa normal!

       Quando a jovem foi colocada naquele navio, seu marido tinha sido levado pelo pai dele, o rei da aldeia, para caçar. Mas nem era a época de caça. O esposo da jovem simplesmente obedeceu a seu pai e foi mesmo sabendo que o seu pai, seu rei, estaria separando ele da mulher com quem se casara e a prometera proteger e amar. A jovem se sentia tão encantada com sua linda vida de casada que nem percebeu que ao seu redor uma conspiração havia sido armada e ela encontrava-se desprevenida. A noite que antecedeu a sua viagem, já estava dizendo tudo, e mesmo assim ela não notou. O jovem casal fez um amor bem gostoso, não foi melhor do que no dia em que casaram. Mas aquela noite parecia muito especial. Estava diferente.

       E agora? A quem a nossa jovem poderia clamar por socorro. Se desde a sua entrada no navio ela gritava por socorro e ninguém veio ao sua égide. Seria aquela presença enigmática sua redentora? Por que estaria ela passando por todo esse sofrimento? Seria por sua cor, seu sexo, estado monetário ou por motivo de vir do país em que veio ela não poderia ir para outro país ou para uma família real ou ate simplesmente viver a sua própria vida. 

 

                                                                      

 

 




      Por que todos tem seu espaço ao chegar ao mundo; 
não é em vão a nossa passagem sobre a Terra,
 seja quem ou o que for tem um sentido para sua existência. 
O que nos falta é a legitimidade na interpretação do sentido da vinda a vida.







1ºcapítulo


A CHEGADA
Parecia ter caído em um interminável pesadelo. A ESCURIDÃO                                                                              
















 



 Descia diante dos olhos de todos, uma mulher com um tom de pele raramente visto. No corpo apenas um pano envolto da cintura para baixo, colares em seu pescoço e cabelo glutinoso com tufos untado em barro, argila. Ela tinha sido extraditada do seu país de origem, lugar esse muito longe, totalmente desconhecido e de costumes eminentemente diferentes dessa nova terra em que chegou. Os moradores mais antigos contam que quando ela desceu do navio não havia quem não olhasse espantado. E iam ao seu encontro. As crianças corriam se escondendo quando ela passava pelas ruas, mas a curiosidade ao mesmo tempo as fazia voltar para verem aquela imagem jamais imaginada. No porto quando desceu da embarcação todos pararam. Tinha ainda aqueles mais ousados que queriam toca nela, mas temiam. Mesmo tendo ela essa aparência bizarra, de porte frágil e todos viam que também estava assustada, desarmada. E era uma mulher. Mulher essa em que o próprio marido, príncipe da aldeia de onde nascera, a destinou para essa terra distante com o intuito de lhe salvar a vida. Pois sua insubordinação ao rei, seu sogro, lhe custou à permanência em seu país e a ida para esse novo e desconhecido mundo. A jovem viera de sua terra de origem com viajantes orientais que traziam especiarias e muitas mercadorias para o seu povo, eles causavam as mesmas reações de admiração, quando chegavam às aldeias de onde a jovem viera. Mas a receptividade de seu povo era completamente diferente. Faziam festas, cercavam os viajantes de sorrisos. Toda a aldeia os acompanhava com muita alegria. Ficava o mais próximo que podiam às vezes até os atrapalhavam de se locomoverem, por que todos queriam abraçar ou tocar nos viajantes como se os conhecessem e sentiam-se alegres com o retorno, tudo com alegria que causava um bem estar para os viajantes que acabavam de chegar. Se os visitantes chegassem pela manhã durante o dia tinha festa na aldeia e se chegassem à noite era o dia todo de festa na manhã seguinte. Os moradores da aldeia colocavam sua roupa de tagaté, fato esse extraordinário. Eles assavam um cordeiro. E vários outros animais em fogueiras feitas em buracos construídos em chão com legumes cozidos e farinha de milho amarelo e branco e tinha dança a noite toda. O que importava para aquele povo era festejar mesmo sem a participação da tripulação do navio que era o motivo da festa.

     No navio as comidas eram servidas rigorosamente nos mesmos horários. Mas a única coisa que a nossa jovem conseguia ingerir era o chá e comer algum legume cozido que não estivessem em nenhum caldo ou tempero, coisas essas que ela não estava acostumada. Por que fora isso só em vê os pratos de comida a jovem botava para fora o pouco que havia entrado, com isso até a chegada dela ao porto a jovem já havia perdido, mas peso que sequer desejara. Já estava parecendo com os homens da tripulação. Homens com a pele muito branca, a maioria, muitos magros, de olhos bem fechados e negros como um abismo, de poucas palavras e, mas rígido em sua disciplina.

     Na tribo se dizia que o rei da aldeia do marido da jovem, era aficionado pelo povo que vinha nas embarcações, a ponto de um dia entrar em uma delas para conhecer de onde eles vieram e como era o país daqueles estranhos homens que vinham dalém das águas flutuando sobre elas. O pedido de seu rei foi que não a mantivesse em prisão, mas que a deixasse distante da civilização, em cárcere privado e que se possível fosse a educassem como as mulheres orientais. Assim foi à chegada da primeira mulher negra em toda a terra Oriental. Os viajantes quando abastecido de tudo que lhes interessasse. Retornavam para seu país de origem sempre com seu navios transbordando e trazendo muitas riquezas de diversas formas. Mas dessa vez eles estariam levando uma mercadoria diferente, receberam o pagamento em pedras raras garimpadas no rio mais violento da África, onde que para se conseguir estar à beira dele teria que enfrentar peixes carnívoros e crocodilos ferozes, suas águas barrentas, escuras e traiçoeiras, mas suas margens são muito ricas em ouro e essa mercadoria seria princesa da aldeia, a esposa de seu único filho. A levariam para o interior, para um vilarejo em SHIRAKAWA-GO. Vilarejo esse que não era tão longe do porto, mas sua distancia era de umas duas horas de caminhada. Mas tudo o que aconteceu desde a saída de nossa jovem de sua humilde aldeia na exótica África até o seu retorno para onde nunca deveria ter saído.

   Por que todos tem seu espaço ao chegar ao mundo; não é em vão a nossa passagem sobre a Terra, seja quem ou o que for tem um sentido para sua existência.

   O que nos falta é a legitimidade na interpretação do sentido da vinda à vida. Nosso infundado julgamento sempre leva a consequências iguais a essas que sofreu a nossa jovem.

     A jovem só foi banida de seu lar por que seu sogro rei de sua aldeia ao retornar para sua casa a encontrou e sua convivência com a jovem o estava aborrecendo então nessa viagem que estariam carregada de todos os sofrimentos e proezas que causaria o castigo do jeito que o rei, seu sogro, tanto desejaria?       

      


              

                                                                                   












   














MAPALU       

O socorro antes tarde do que nunca... Ou não!   A CALIGEM




       A jovem tinha uma expectativa de que quem estava com ela naquela casa era MAPALU.  Paralisada não sabia se ajoelhava ou continuava a observar a divindade então pensou: "O socorro chegou. Ou eu estou morta!"

       A jovem então começou a perceber que aquela que estava à porta não estava olhando para cima, não estava olhando com altivez de uma verdadeira divindade. Ela respondia por grunhidos e com leve manear da cabeça. E o que mais chocou a jovem foi que a tal mulher, a dona da casa, se curvou perante aos homens que estavam a sua porta. Até mesmo perante a jovem. Mas sem perder a fé, pois ali poderia estar o seu auxilio. E ela continuava a observar MAPALU, mas a sua cabeça estava meio que confusa, assim como sua esperança. A jovem não conseguia pensar em nada ordenadamente. E o que pensava, achava ela que era ilógico. Então foi percebendo que era uma mulher com uma túnica de um tecido brilhante e cheio de desenhos que lhe cobria desde o pescoço até os pés e


também os braços. Seu rosto era branco ou pintado de branco. As mulheres de sua aldeia se pintavam com argila e enrolavam os seus cabelos com uma lama especifica do rio também usavam tinta branca feita de argila e fezes de pássaros.

       

  A jovem estava muito perturbada, a mulher meio que abraçou a jovem passando um dos braços de um ombro ao outro e com a outra mão lhe segurava o braço assim a conduziu para dentro da casa e os demais as acompanharam.

      E antes que entrasse na casa olhando em volta ainda para a rua cheia de gente no maior alvoroço não percebeu que havia muitas outras daquela MAPALU. Aí que na cabeça da jovem seus pensamentos deram vários nós. Pensava ela: 

"MAPALU se fez em várias para me socorrer?"

                               "MAPALU estaria em vários lugares?"

                              "Elas não são MAPALU!" .

O tempo ia se passando desde que entraram na casa e a jovem foi entendendo que "NÃO ERA MAPALU". Então desmaiou.

         Não era o socorro que a jovem pensava receber em resposta as suas rezas em meio o frio durante toda a viagem em que enjoava por causa da comida horrorosa e não via nada no escuro da noite e na imensidão do dia no espaço e tempo em que ela não tinha nem sequer conhecimento. E o cárcere da cabine do capitão (que era segundo a opinião de dos embarcados: um dos lugares mais descentes e mais seguros de todo navio).

        Pensava a jovem que a partir do momento em que ela viu aquela criatura voltaria imediatamente para os braços de seu marido e a alegria de sua aldeia. E que tudo não passou de uma peça dos deuses. Eles resolveram brincar com ela. Mas não. Aquela mulher com os braços envolta da atônita jovem que era conduzida para dentro da casa com os olhos arregalados observando tudo ao redor maneando a cabeça para um lado e para o outro que ia deixando ela ainda mais zonza e parecia que os seus olhos davam piruetas e a jovem ia ficando cada vez mais ludibriada. Voltando a si do desmaio ela dá um grito. Agita-se com violência e se desprende dos braços da mulher e de todos os que a seguravam que se afastam num susto. Como ela não consegue sair da casa, se joga em um canto vazio e fica ali, encolhidinha, parecendo uma fera acuada.

         A mulher ia ao seu encontro e foi impedida por um dos homens. O tempo vai se passando, o coração da jovem foi desacelerando assim que viu uma criança. Com uma boneca de pano nos braços e um olhar tão doce que ela até esqueceu que o povo daquele país tinha os olhos quase que fechados. Sua pele era branca como a papa de amido de milho, e também tinha pano por todo seu corpinho, a única diferença dos adultos que ela era gordinha. A presença daquela criança e a aparição de outros moradores da casa, pessoas, embora, estranhas, feias como todo morador daquele vilarejo, mas esses... Esses eram mais tranquilos. Com isso a respiração da nossa jovem ia se normalizando e mesmo que todos que estavam na casa ainda continuavam a falar e o pior do que falavam era falar o que a recém-chegada não entendia. Eles agiam lentamente e falavam manso entre si, parecia até que cochichavam. Quase não se olhavam e até esboçavam um sorriso, sem mexer muito os lábios. E apesar de tudo o que ela via era, uma bela ryokan, ou seja, uma pequena casa muito mais aconchegante do que toda tenda que já houvesse visto. Com tudo ela foi vendo que a casa era bonita, cheirosa, os olhos da jovem percorria a cada centímetro. Era de se admirar, tudo parecia ter seus devidos lugares. E tinha um aspecto de limpo! A nossa jovem sempre havia morado nas melhores tendas e nenhuma delas, nem mesmo a do rei da aldeia de seu marido, que era uma das tribos mais numerosa de pessoas e mais prospera de todo tipo de riqueza; se comparava com aquele pequeno e humilde chalé. A mulher que lhe acolheu era tão branca como jamais poderia ficar qualquer um da sua tribo por mais que passasse argila à vida toda e todos os dias, não ficaria igual. A jovem percebeu que o cheiro daquele povo bem como da casa era muito bom. Também observou que os olhos deles quase não se abriam, eram muito pequenos e estavam sempre olhando para baixo. Sua pele muito branca contrastava com seus cabelos e olhos bem negros, como um corvo. Aquele povo a todo tempo eles se curvavam entre si quando falavam uns com os outros, mas não se olhavam nos olhos. Chegavam a falar ou sorrir sem mover a boca. Parecia um povo transcendental. Os homens, que com a jovem chegaram de viagem, param a porta e tiram dos pés as alpacas, mesmo em meio a todo o tumulto eles não entraram calçados. Quando a jovem resolveu dar à mão a dona da ryokan que foi em sua direção com as mãos estendidas e a levantou do chão onde estava, as duas começaram a andar pela casa, para a nossa jovem que sempre andou com os pés descalços, ia pisando sobre o lindo piso de madeira de ipê que exalava um perfume maravilhoso foi deixando marcando a cada passo com os seus pés empoeirados, mesmo assim a dona da casa não verbalizou nada sobre o fato, não parou, foi apontando todos cômodos, que bem na verdade era cheia de novidades, ate que as duas chegaram a um desses cômodos que seria onde a nossa viajante dormiria. Deram uma meia parada e continuou por um corredor estreito, sempre a dona da casa como que se conduzisse uma criancinha, foi levando a jovem e em outro cômodo onde a anfitriã deixará a jovem em pé à porta e começou a encher com uma água fumegante em uma vasilha enorme o que mais parecia uma bacia de gigante, mas era uma banheira de ofurô outra peculiaridade para a nossa jovem. A anfitriã apontou para aquela banheira cheia de água quente e a jovem que nada entendia a sua reação permaneceu parada olhando! A senhora mencionava algumas palavras em sua língua natal e repetia o que falava e também os gestos. Mas isso não abalava a nossa jovem que ainda estava parada no mesmo lugar diante da porta do banheiro olhando para a banheira e para a mulher sem saber o que fazer. A mulher voltou-se para perto da jovem falou alguma coisa e percebendo que não estava adiantando falar, então àquela


senhora japonesa com suas mãos e o mesmo carinho repleto de paciência trouxe a jovem para dentro do cômodo em seus braços como que dando um abraço foi tentar tirar a roupa, se é que se podia chamar de roupa, era apenas um pano que tampava da cintura para baixo.

 Todo esse tempo a jovem estava com seus seios amostra. Uma coisa que não era comum de se ver no Japão.

        E a senhora com um gesto manso pensou em começar a tirar a única peça de roupa que havia na jovem. Mas isso rapidamente a jovem entendeu. E mais rápido ainda foi sua atitude de impedir. A senhora insistiu. Começando a falar e falar. Conforme a resistência da jovem a mulher falava mais ligeiro e não soltava a túnica da jovem que também a segurava. Como a jovem estava debilitada, mas mesmo assim ainda era mais forte que a mulher que mudou sua estratégia passando a pegar nos enfeites feitos de conta e sementes nativas que se arrebentavam caindo pelo chão. Só ai que a senhora conseguiu distrair a nossa jovem e a deixa completamente nua. Mesmo com toda a força da água que saía do cano de bambu, tudo o que a jovem tinha no corpo não conseguia ser removido tão facilmente, então à dona da casa resolveu esfrega-la tentando coloca-la dentro da banheira. A anfitriã procurava um jeito de puxar a jovem para dentro da banheira uma vez que ela já estava nua e sem seus penduricalhos. A dona da casa segurava a jovem pelas mãos com o intuito de chegar o máximo possível a jovem para perto da banheira, mas a jovem era muito mais forte e estava ficando furiosa. Toda essa luta das duas aconteceu de baixo de muito falatório das duas. A jovem falava, a senhora falava, cada uma em seu idioma e a luta pelo banho continuava. E nenhuma delas se entendia. Ate que aparece reforço. Os dois homens se deparam com uma cena sobrenatural. As duas mulheres estava se digladiando. A senhora jogava água na jovem mesmo estando fora da banheira e tentava passar na pele da jovem uma coisa que parecia com pedra de cachoeira, não que fosse dura, mas somente parecia no seu formato. Um dos dois homens fica parado pasmo e o outro consegue voltar do transe e levanta a voz dando ordem a jovem para que entrasse na banheira. A senhora já toda molhada mais suja do que a jovem seu belo penteado tinha se desfeito, ate seu rosto estava borrado, foi quando a jovem num susto entra na banheira sob o grito do viajante. Locomovendo-se para dentro daquela água que já não estava tão quente quanto no inicio de tudo, mas mesmo assim a jovem percebe que não tinha para onde correr mesmo. Isso não era comum em seus costumes, entretanto, foi percebendo que o que aquela mulher estava fazendo era muito bom e gostoso que era somente lhe dando um banho. Aquilo que a mulher passava em seu corpo tinha o mesmo cheiro que o dela e que entrar naquele negocio estranho com aquela água quente, parecia ser o jeito que aquele povo tomava banho. Só que não foi tão fácil e rápido assim esse banho, conforme está sendo para ler as minhas palavras.

      Esse acontecimento deu pano para manga, para os punhos, para cola, para um o quimono inteiro.



 

 

 










2ºcapítulo

  O BANHO               

Um algo que ficou forjado em seu coração . O VÉU


 


 





           Que coisa boa!

           A mulher não era MAPALU mas fazia milagre.     Era o que o rosto da jovem expressava, mas no momento em que a senhora começou a lhe tirar o pano do corpo, o clima no banheiro ficou tenso.                                                                                                               A senhora agarrada na roupa da jovem, e a jovem segurando a mesma.   A senhora puxando os enfeites do pescoço da jovem que iam se desfazendo nas mãos das duas, caindo por todos os lados: as sementes, os dentes de animais, as conchas do mar e pedras.    A senhora falando, a jovem também falando e nenhuma das duas se entendendo.    A senhora pegava a jovem pelas mãos para coloca-la na banheira e a jovem engrossava a voz para a mulher. Empurrando a para longe e muitas vezes ia parar até no chão.    A anfitriã que outrora parecia dócil agora mostrava-se uma valente guerreira.       Sua aparência na altura do combate era de uma mulher coberta de argila marrom, toda descabelada, seu rosto estava mais marrom do que branco, seu olhos estavam borrados, sua meticulosa pintura havia se desfeito.      E mesmo em meio a tanta dificuldade ela estava obstinada a fazer o que tinha proposto em seu coração, que era dar banho na recém-chegada.                                                              Que mediante a distância da viagem, o tempo no navio e outras coisas que fugiam ao conhecimento da senhora do ryokan, que só sabia que a jovem precisava tomar um banho, por que com aquele cheiro ela não poderia continuar.   O cheiro da jovem e principalmente tudo o que ela tinha e o que não tinha também, estava incomodando a todos da ryokan.      A jovem apresentava-se nua, ainda tinha aquela lama no corpo e seu cheiro! Não podia nem sequer colocar uma roupa por cima para se cobrir.                                                          Teria que se banhar primeiro. E não somente se banhar mais tentar tirar o máximo do barro e do cheiro do corpo da jovem para que pudessem conviver com ela.       A anfitriã começou tudo com gestos singelos, com muita mansidão desde o encontro com a jovem na rua no meio daquele alvoroço todo, a passagem pela sala à caminhada pela casa até a parada na porta do banheiro foi quando começo o ponto fatídico que a senhora da ryokan, teve que mostrar sua valentia.  Iniciou com a senhora desembolando da cintura da jovem aquele pano com que ela se cobria a jovem sem entender não concordou. A senhora explicou, chegou ate apontar para aquela água cristalina quentinha que estava na banheira, mas a jovem continuou sem entender e sem concordar.  Ate mesmo por que a senhora não largava a roupa da jovem e a jovem também não.                                                              Ate que a jovem com uma das mãos, pois sobre a cabeça da senhora e lhe empurrou, fazendo com que desse uns três passos para trás.                                             Mas a senhora voltou a segurar o pano que estava na cintura da jovem e ao mesmo tempo a impediu de sair do banheiro uma vez que a jovem ao empurrar à senhora virou se na intenção de sair do cômodo.                                                                   Foi aí que a jovem começou a perder a calma.  Já perdendo a calma a jovem também dana a falar.   Aí fala a jovem em seu dialeto e também fala a senhora em sua língua natal, uma sem entender o que a outra diz.  Conforme o tempo vai se passando a situação vai esquentando, as vozes vão se elevando.  Ate chegar a uma situação que parecia que as duas estavam brigando.   Mas bem na verdade quem estava agitada era a dona da ryokan,, que falava e puxava o pano da jovem e se sacudia, parecia louca, por que conforme a jovem ia se molhando o cheiro ia se agravando e isso deixava cada vez mais nervosa a dona da casa. Acreditem isso demorou horas. Quando um dos homens viajantes perguntava em alta voz o que acontecia no banheiro, a dona da casa só respondia que estava difícil o banho.  E acontece o grito como um trovão foi só assim que a jovem viajante obedece e o banho acontece.  Enquanto isso na sala, os moradores da casa almoçaram e continuavam as suas conversas falando sobre o sucesso da viajem, do povo daquela terra e de tudo mais que tinha naquele país.   Todos os gritos foram ouvidos do lado de fora da ryokan, onde as pessoas ainda se encontravam paradas, tentado saber quem era aquela pessoa tão estranha.    E os dois embarcados correm ao socorro da dona da casa e chegando lá se deparam com a cena que chegava ser hilária. Após a intervenção dos homens a jovem num susto entra na banheira por que um dos homens grita:

- JINAKI ASMAHANI.

       Ela olha e ele pede para que, por favor, entrasse na banheira se sentasse sobre as águas e fizesse calmamente tudo o que a dona da casa a pedisse para fazer. Que ela confiasse que a dona da casa não a machucaria. JINAKI ASMAHANI resolve ouvir e obedecer.   E de boa vontade entra na banheira, mas com o pano ainda na cintura.                                                           A dona do ryokan vai ate a jovem e metendo a mão na água da banheira tenta tirar o pano da JINAKI ASMAHANI que com isso peleja para sair da banheira, mas ia o pano já sai com facilidade e a jovem fica completamente nua que é melhor maneira de tomar um bom banho.   Foi uma visão estonteante para todos na sala e um dos dois homens que é despertado com a voz da dona da casa para que voltassem para a sala.    A senhora consegue coloca JINAKI ASMAHANI na banheira.                                                                                              A jovem se surpreende com a delicia do que ela estava vivenciando naquele momento e fica sentada.      Eles tinham no banheiro um fogão a lenha que aquecia a água e quando a senhora tentava molhar todo o corpo da jovem com mais água quente a jovem sentada na banheira resistia e se levantava. Sem contar a gritaria.     E novamente o vai e volta com as duas: "Mas mesmo gostando a jovem se recusava e tornava a levantar, depois sentava e levantava e reclamava e não era entendido o que falava".   Até que o homem que sabia um pouquinho do que as duas falavam no banheiro volta novamente, antes que chegasse a porta tampa os olhos, chama a jovem pelo nome e pediu lhe que se sentasse para que pudesse tomar o banho e voltou correndo para sala.  A jovem respondeu algo em seu dialeto e ninguém dá atenção ao que ela disse.        Ela perguntava se era para ser do jeito daquela mulher que ela deveria mudar?       Pois ela não via nenhuma diferença dela para aquela mulher que estava no banheiro com ela.   Então porque ela estava naquele país e porque estava passando por tudo aquilo?                              Todos que passavam na rua chegavam a parar e somavam com os que já estava ali desde a hora da chegada da jovem a cidade e agora ouvia o alto falatório dos dois idiomas e a intervenção da voz masculina.                                            O povo parecia que ia arrombar as portas e janelas da pequena casa.                    Ate que o outro homem que viajava com a jovem chegou abriu a porta e botou todos para correr a base de berros mais altos dos que das duas mulheres dentro da casa.   E assim foi o primeiro e marcante banho da jovem JINAKI ASMAHANI que terminou com lágrimas. E aí quando os ânimos se acalmaram o que só aconteceu depois de horas a fio de muita turbulência com a intervenção do viajante, o que falava o mesmo dialeto JINAKI ASMAHANI, a jovem sentiu em sua pele a água morna lhe acariciando, o perfume lhe chegando às narinas, mas tudo isso só aconteceu depois da intervenção do viajante e horas a fio, também foram muitas trocas de águas.       A jovem JINAKI ASMAHANI sentada naquela banheira de águas quentinhas fechou os olhos para se imaginar voltando em sua lembrança e indo a todos os banhos de rios e cachoeiras de toda a sua vida, não havia nada a comparar com o que estava vivendo naquela banheira de ofurô.            A cor da água perdeu sua transparência devido às argilas vermelhas que a jovem tinha em seu corpo. Teve que contar com a ajuda dos dois viajantes para trocar de águas várias vezes.           Por que só com o cabelo uma banheira cheia de água era pouco para deixa-lo na cor natural dele. Não dava para contar quantas banheiras foram cheias de água limpa só para aquele dia só para o banho daquela jovem.           O banheiro ficou em estado de calamidade.    Os que estavam ajudando naquele banho estavam todos molhados e exauridos.              Até que por várias trocas a água da banheira já não estava tão escura, a dona da casa pediu que os homens se retirassem e até mesmo ela resolveu deixar a jovem relaxar em seu primeiro banho de banheira.              Umas duas  horas haviam se passado e a dona da casa voltou para o banheiro, encontrado a jovem no seu banho, estendeu a mão em direção a ela como da primeira vez em que estava no chão com medo e a mulher a ajudou a levantar, dessa vez envolvendo a em um pano que a princípio era de cor branca, foi e trocou a água da banheira e novamente banhou a jovem visitante, até que chegou o momento em que a senhora novamente lhe toma pelas mãos e com outro daqueles panos brancos e macios ela envolve a jovem e faz uma nova troca de água da banheira para o que agora poderia se chamar "o banho de verdadeiro".                Foi assim que a jovem percebia maravilhada o tipo do pano que tocava sua pele... Ele era bem macio e a senhora começa a passar por todo o corpo que agora estava quase que na cor original.                Com aquele inesquecível banho e seus perfumes conseguiu esquecer o cheiro do mar que entranhava em todo o navio, e isso lhe causara tantos enjoos e os vômitos.                Foram esses momentos finais do seu primeiro banho de banheira que JINAKI ASMAHANI levou em seus pensamentos por quase toda a sua viajem, até aquele momento, sua saída de sua aldeia onde pensara que só sairia quando morresse. E dentro daquele tenebroso navio, onde não tomou nenhum banho por meses e esse primeiro dia. Todo aquele tumulto nas ruas e na hora do banho.                                     Já se sentia bem melhor.  Sem nem se quer supor do mal que viria...


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 





OS RUDES RUDIMENTOS

A primeira diástaseO ABISMO








  






    Ainda no banheiro mesmo molhado e muito sujo de barro por todos os lados, a dona da casa que havia se retirado e retornara trazendo em seus braços um tecido brilhoso e de muitos desenhos que abriu segurando com a ponta dos dedos e um sorriso no rosto, com muito cuidado para que não encostar-se ao chão sujo do banheiro.  Aquele pano era um quimono.            A jovem ficou olhando como sempre sem entender.   Por mas que era igual o que a senhora tinha em seu corpo a pretensão da jovem era torcer ate tirar toda água possível do pano com que ela chegou aquele país e ficar com ele mesmo que úmido, não seria a primeira, quando as chuvas chegavam a seu país era motivo de muita alegria uma vez que o ano inteiro é sempre muito calor e seca em quase todos os lugares, mesmo que nuvens pairem carregadas as que trazem as chuvas são repentinas e pegavam a muitos de surpresa. JINAKI ASMAHANI foi por muitas vezes surpreendida e ficando com a roupa molhada em seu corpo que ajudava a manter fresco por que mesmo com as chuvas o calor não parava. JINAKI ASMAHANI não sabe o que é frio. Suas roupas eram somente por costumes e não para se agasalharem, já que o que estava nas mãos daquela senhora não era da jovem.    Ela sabia o que era cuidar se, embora que de maneira diferenciado ao daquela mulher.

         Mas desde pequena ela sempre via que as mulheres de sua aldeia tinham suas obrigações a cumprir como sendo seus deveres e um de seus deveres era principalmente o seu direito de se cuidar.  As mulheres se pintavam com o intuito de acentuar a sua beleza naturalmente oque acrescentavam era para apontar aquilo que em si elas achavam mais bonito. Porquê acreditavam que quando estivessem sem os acréscimos continuariam belas. Então a extensão de seus cabelos, envolta de seus olhos, bocas e narizes e seus pescoços estriam sempre enfeitados.   Era quase um tributo, era diferente para os homens com relação a esse direito, não que os homens não o tivessem também, mas as mulheres e crianças tinha esse direito em porção dobrada.    Em sua tribo o homem que tivesse a criança mais linda e a mulher mais bem cuidada, em embelezamentos era o homem mais considerado.   E isso cabia sempre para os reis, suas rainhas e seus filhos.    Durante as gestações as atenções eram redobradas para que o bebê viesse perfeito e bonito.      Ate o cuidado em ver ou saber de certas coisas pela gestante era bem aferido para que a criança não nascesse fazendo ou com a cara de quem ou do que se falou.          E se o bebê nascesse com qualquer que fosse o defeito seria enterrado mesmo ainda estando vivo.     Porque eles acreditavam que a vida foi feita para ser bem vivida e aquele que tivesse qualquer que fosse a dificuldade além do normal não serviria para viver.    Então ao sair do banho e senhora ir a sua direção com o quimono em suas mãos, não foi tão assustador como o de colocá-la em uma banheira para tomar banho, mas mesmo assim a senhora foi cautelosa e em passos curto foi se chegando a jovem e balançava a cabeça e sorria.    Também falava e a jovem não entendia o que ela dizia, mas percebeu o que ela queria fazer.          Os braços da senhora já estavam se cansando assim como a sua paciência e com isso sua voz também mudava.                                      Por que a jovem não queria outras roupas a não ser, as que ela tinha, por isso ela se mantinha na mesma intransigência.     Ate que a dona da casa dá num grito fez a jovem arregalar de novo os olhos e de repente aparece um dos homens que chegou de viajem e falava o idioma da jovem.  O homem chega ao banheiro e com os olhos tampados conversa com a dona da casa e novamente pergunta o que estava acontecendo e ele de costa para as duas intervém pedindo a jovem que se levantasse da banheira, se segasse e vestisse a roupa que a senhora estava pedindo.                                                                                                                A jovem já estava fora da banheira e também já havia se secado, olha, vira o rosto para outra direção e não sai do lugar.      O homem continua com os olhos tampados e diz a jovem:

-  Você tem que usar as roupas das mulheres daqui.

- Por quê?

- Porque você está aqui agora.

- Mas eu tenho as minhas próprias roupas e vão ser elas que eu vou colocar.

- Não, estando aqui você sendo mulher não pode fazer o que quiser, é falta de respeito usar o que você usa como vestimenta. Desde que saímos de seu país os homens que viajavam conosco retornando para o nosso país, queriam nos matar por ter você, uma mulher e ainda vestida daquele jeito dentro do navio. Todas as vezes que tentamos te proteger na viagem e até mesmo quando chegamos aqui quase fomos linchados. Andar com esses tipos de roupas para nós é falto de juízo, é estar louca. Nem criança anda desse jeito aqui.

- Leve me de volta. Eu não sou daqui não andarei como os daqui sejam mulheres sejam crianças. Não me interessa.

- Seu rei, seu sogro, nos pagou para te trazer ate o nosso país e aqui você ver e aprender como são as mulheres e ser como elas são. Se não você nunca voltará para sua aldeia. E será infeliz por toda a sua vida.

       A jovem se levantou e pegou o mesmo pano com que ela tinha no corpo antes do banho, antes de chegar a esse país e colocou em sua cintura e disse:

- Eu sou JINAKI ASMAHANI. E estou aqui por que quero e farei o que eu quiser fazer. Não sou sua serva para receber ordens de você e saiba que ninguém manda em mim. Se eu não quiser fazer lutarei ate a morte.

- Não precisa lutar. Veja o banho, não foi bom? Melhor para todos será se você não lutar... Lembre-se aqui não é seu país você está muito longe de seu povo.

- Quando eu cheguei à porta desta casa via a dona dela pensei que fosse MAPALU que tivesse aberto a porta e vindo dos céus para me ajudar e vi que não era MAPALU. Então entendi que estou sozinha por minha própria conta e cuidados. E essa mulher é tão louca quanto eu. Ah! O banho! Mesmo sem eu saber o que era só tomei por que gostei. E que ninguém se atreva a colocar as mãos em mim sem que eu permita. Mas eu também sei obedecer, isso aprendi desde pequena em minha aldeia natal. Mas esqueça de eu sou JINAKI ASMAHANI.   Os dois ficaram olhando a jovem seminua que se despiu e foi em direção à dona da casa e tomando o quimono em suas próprias mãos se vestiu e com a ajuda dela estava pronta depois de um dia inteiro dentro do banheiro.



 

 

 

 

 

 










3ºcapítulo

 OS POR QUES?                                 

O desgosto fazia o coração gritar em silêncio.  A ESCURIDÃO







    





Vestiram-lhe seu primeiro quimono, não era a primeira vez que outras pessoas a vestiam, sendo assim não foi muito desconfortável.

    Também não foi a primeira vez em que todo seu corpo esteve coberto por roupa.  Ambos os acontecimento ocorreram por consequência de seu casamento com o príncipe de uma aldeia vizinha a sua. 

     Mas aqueles tamancos!!! Outra dura prova para a nossa jovem recém-chegada.

      Essas coisas só despertavam JINAKI ASMAHANI para a realidade que sua vida tomava outro rumo, ali ela não era a esposa do filho do rei, ela nunca seria vista como uma princesa e as novidades não eram do seu agrado e não paravam por aí.

      A anfitriã de nossa mais nova moradora do vilarejo, vestiu, calçou os tamancos, ensinou a dar os primeiros passos e consegue colocar a jovem de pé sobre eles, com o apoio do outro viajante é claro. 

     Vendo que isso não estava dando muito certo e o banho já lhe tomara toda a paciência a deixou descalça, afinal isso também era um dos costumes dos moradores daquele país: "dentro de casa estar descalço".

      E a noitinha já quase a hora da janta a anfitriã  a levou para outro cômodo da   ryokan, e se ajoelhou diante de uma mesa bem  baixinha com alguns utensílios e ficou olhando para a mesa como sempre de cabeça baixa, os demais moradores como também os viajantes voltaram à mesa para mais uma refeição. 

     Mas JINAKI ASMAHANI novamente paralisou se diante da porta. 

      A senhora falou em um tom mais alto uma só palavra que rapidamente acionou o mesmo homem que a socorrerá na hora do banho, automaticamente o homem veio à senhora  que lhe falou algo ainda com a cabeça baixa.

    Então ele se dirigiu a JINAKI ASMAHANI que lhe pediu para que se ajoelhasse e comesse.                    .

    JINAKI ASMAHANI observou o que tinha juntado à senhora: comidas e varias outras coisas que  a anfitriã ajoelhada gesticulava com as mãos para que a jovem se chegasse, serviu lhe  arroz com legumes e peixe em uma das cuias e lhe deu os seus hashi. Tudo o que estava na cuia JINAKI ASMAHANI comia com a mão, mesmo vendo que os moradores da casa usavam os hashi delicadamente.

    Admirada assistindo atentamente e tentou fazer do mesmo, mas não deu certo e voltou a comer como sabia.

    Seu rosto deixou perceptivo com um leve movimento da cabeça, um enorme bico e o levantar das sobrancelhas que estava gostosa a comida.  Só depois de tudo isso JINAKI ASMAHANI se ajoelhou.

     Durante  o jantar, JINAKI ASMAHANI  lembra-se das noites no navio "o mar e sua tão grande imensidão jamais imaginada”. Aquela densa escuridão mostrava para nossa jovem assim como ela não consegui ver durante o dia o seu inicio e o seu fim, nem a sua profundidade. E durante a noite nem a separação entre o seu e o mar. Assim seria a vida dela daquele dia em que entrou na aldeia seu o seu esposo estar ao seu lado. Sua vida agora seria fora do seu domínio e sem o seu controle.  .

      Ela percebia que a sua felicidade realmente havia se acabado, sentia que a partir do dia em  o seu marido prometido desde a infância foi lhe buscar da sua aldeia de infância para morar em outra aldeia em outra tribo, ela sabia  que iria ser muito difícil, mas sua valentia e determinação interromperam com que os seus dias de princesa, fazendo com que  se tornassem em um campo de guerra, causou o resultado inesperado que foi sua deportação, para ela o máximo que aconteceria seria a cara feia de seu sogro, rei da aldeia, mas não, a ida para uma terra tão distante, que  até se perdeu na contagem dos dias de viajem. 

       Um povo jamais imaginado que só em olhar para eles, a vida que eles levavam, falavam e agiam de maneira que ela não conhecia causou a certeza no seu coração que nunca mais seria feliz como em sua infância.      

       Acabado a refeição, a visitante foi conduzida ao seu quarto, a anfitriã se retirou fechando a porta após sua saída, as luzes de vela, outra novidade para nossa visitante, eram apagada por um sopro a cada cômodo que a anfitriã passava. 

       Mesmo assim ainda não ficava totalmente no escuro a   ryokan havia luzes na rua que iam até o rosto da jovem que ajoelhada retirou todas aquelas roupas que estavam em seu corpo e lhe incomodava tanto, e não conseguiu mais segurar as lágrimas porque nesse momento não precisaria esconder de ninguém quem era ela e como ela era. E por causa delas conseguiu adormecer      

        O dia amanheceu; coisa que para nossa imigrante poderia demorar muito mais para acontecer, pois há muito tempo que não dormia tão confortável; desde que saiu de sua aldeia e sabia que o dia não lhe traria no meio de todas as novidades coisas que lhe dessem  alegrias, como as que tinham deixado em sua terra natal. 

        Por isso abria, fechava os olhos e apertava as pálpebras bem forte como quem não acreditava no que estava vendo e se encolhia debaixo das cobertas. 

        O lugar onde estava era frio, sua terra natal era  o oposto ano todo até quando chovia não esfriava aí sim as águas nas praias que davam entrada para a aldeia de seu marido ficavam aquecidas, quase parecidas com a água do banho que a jovem havia tomado quando chegou.      . 

       A anfitriã abriu a porta que era de correr, feita de bambu e papel de arroz. 

       E quando JINAKI ASMAHANI se vira e olha para ela que está de joelhos e curvada, a jovem cobre a cabeça e torna a se virar dando as costas para a anfitriã.

       Falava rápido e ilegível causando assim um acesso de riso na jovem em baixo da coberta.        .

        Quando ela percebeu estava sozinha novamente, preferiu ficar ali mesmo deitada do jeitinho em que estava encolhidinha e sorrindo, até que novamente adormeceu.

          E mas uma vez a anfitriã aparecendo em seu quarto, ajoelhou se perto da jovem lhe descobriu e vendo que ela havia acordado disse: SASUKE, repetidas vezes e batia em seu próprio peito. 

         Entendeu assim a jovem que poderia ser o nome da anfitriã.              .

         Colocou se sentada, não como a japonesa, mas de lado do que  de joelhos,  e balbuciou também com os mesmos gestos o  seu nome JINAKI ASMAHANI.

         A anfitriã chamada SASUKE se levantou, estendeu a mão, levantando a jovem JINAKI ASMAHANI. e lhe vestiu o quimono.  Foram as duas  para a sala de refeições.

       JINAKI ASMAHANI novamente observou os moradores da casa, e estavam todos a roda da mesa da mesma maneira todos ajoelhados, com seus olhinhos muito fechadinhos e suas cabeças baixas, esboçavam um tímido sorriso que não dava nem para ver os dentes e automaticamente se encolhiam, falo das mulheres e crianças, os homens que dentre o morador da casa também se encontrava os viajante que trouxeram a jovem JINAKI ASMAHANI, esses mantinham aprumados e sisudos.
       Ela já sabia como se sentar a mesa e a anfitriã foi lhe servido um tipo de arroz com legumes bem picadinhos na cuia e omelete acompanhando uns peixes defumados outra novidade para JINAKI ASMAHANI dessa vez ficou olhando como eles lidavam com os hashi.
       Mas não se atreveu a usa-los e foi logo pegando a cuia e virando na boca com tudo que nela tinha.
       E depois do café cada morador da casa esperou para o seu momento de tomar o seu banho, JINAKI ASMAHANI foi à última, pois todos sabiam de sua demora, então ficou olhando SASUKE arrumar e lavar as louças.
       Então os homens que trouxera JINAKI ASMAHANI para SHIRAKAWA-GO depois do banho foram à rua e comprou uma carroça um deles se aproximou da jovem e lhe falou pausadamente:
- Vá junte suas coisas que iremos partir.
- E não quero ir partir, quero ir para o tal mosteiro que meu sogro pagou vocês para me levarem.
     SASUKE insistiu que JINAKI ASMAHANI calçasse tamancos para andar pelas ruas, dizia ela em sua língua que era desonroso uma mulher andar descalça. 
     Era normalmente difícil andar naquelas ruas de pedras e lama. 
Começaram a caminhada e logo um dos viajantes se aborreceu. 
      Então falou o homem que conseguia se comunicar com JINAKI ASMAHANI:
- Tire logo esses tamancos de seus pés. Tome use minhas alparcas.
       Mas logo o outro viajante que só falava na sua própria língua repreendeu SASUKE ordenando que ela tomasse conta da sua própria vida, que não se preocupasse mais com aquela jovem, pois SASUKE não iria mais vê JINAKI ASMAHANI. ···.

 



        



A REVOLTA


A revelação da verdadeira JINAKI ASMAHANI. A CERRAÇÃO







- Mas eu não tenho nada haver com sua punição, apenas sou um obediente servo. Por esse motivo te falo: se vista e vamos embora.
 Com murros e movimentos bruscos, JINAKI ASMAHANI arrancava do corpo o quimono e tudo mais que SASUKE colocara nela.                              .
- Não! Usarei meus tamancos! São meus!

- Você ainda não sabe andar direito!

- Estou andando!

- Está devagar e caindo!

- Não vou tirar!

- Então não te levarei!

- Volto de onde vim.            . 

     Mesmo com muitas dificuldades JINAKI ASMAHANI volta para casa de SASUKE, não que eles tivesse andado muito, mas é  que ela vestida de quimono que vai ate os pés e afunila nas pernas, e os tamancos com que torcia constantemente os pés, sem contar que caia muito e  tropeçava varias vezes.

     Assim dois passos depois chegaram à porta da  ryokan  de SASUKE onde bateu insistentemente, mas ninguém lhe abriu a porta. 

     Olhando para o viajante que lhe acenava e ordenando para que voltasse logo e tirasse o tamanco. 

     Voltou JINAKI ao encontro dos homens, chegando perto deles e deixou que trocassem os tamancos por alparcas.

     Ah! Agora sim estava um pouco mais confortável se não fosse tão junto às pernas do quimono que vestia a lama, as pedra de cachoeira nas ruas e a cara feia que ela estava diria que estava tudo bem.

     De repente começava a aparecer pessoas que já estavam se aglomerando em volta deles então se apresaram em entrar na carroça e irem embora daquele lugar.

     Os homens entre si falavam que a viajem iria demorar mais do que o normal porque mesmo com as alparcas JINAKI ASMAHANI andava muito lentamente.

"- Para onde  estariam me levando?"  Pensava a jovem ainda aborrecida. "- Por que não me deixaram naquela casa SASUKE que poderia me ensinar muitas coisas?”

      Os viajantes compraram uma carroça e dois cavalos. 

       Mandaram a jovem subir na carroça apearam uns dos cavalos e o outro atrelou a carroça.                .

    Em meio a viajem, já bem distante do vilarejo que a jovem passou a noite anterior, o viajante que conseguia se comunicar com JINAKI ASMAHANI  começou a falar:

- O seu sogro esteve aqui, em nossa penúltima viajem, esteve aqui conosco por um bom tempo e ficou impressionado com o nosso povo. Andou bastante por nossa circunvizinhança.

     Tentou arrumar uma mulher para ser sua nora, ele queria fazer um acordo com o nosso imperador de unir as nações e quando foi rejeitado tentou  comprar jovens da família real, mas o nosso imperador não permitiu. 

     Ele voltou para sua     aldeia muito contrariado, se sentindo ofendido e quando chegou lá encontrou você casada com um dos filhos dele.  .

     Respondeu JINAKI ASMAHANI, com fúria: 

- Como ele poderia querer uma das mulheres daqui para seus filhos, ele só tem um filho?  Temos a tradição de quando um rei  precisa de aliança com outros reinos mal seus  filhos ou  filhas nascem  são prometidos para se casarem, esperam apenas a primeira menstruação da  menina e que o rapaz tenha um corpo formado para manter um casamento, por que o maior objetivo é a procriação. BABU foi me buscar me tirou da aldeia de meu povo, da tenda de meus pais e me levou pra casar em CANDACE, me fez princesa de seu povo e seu pai não me aceitou. Mas eu já tinha sido prometida foi um acordo entre meu pai rei de  BARUNDI e o rei AKI de CANDACE.      BABU cumpriu o compromisso no tempo certo do  acordo quis honra  ao seu pai mesmo quando ele não estava no país, mas o rei AKI se  arrependeu de ter dado a sua palavra.  E não  deu o reconhecimento merecido  para o seu filho,  não pode me mandar de volta para o meu povo, para minha aldeia e mesmo por que não teria como voltar atrás eu já estava casada a mais de um ano. BABU me desvirginou. Se eu voltasse para minha aldeia descasada seria uma mulher sem honra. Porque uma mulher não pode ser abandonada por seu marido, a virgindade é muito importante em um acordo entre reinos, só quando se é viúva pode se  fazer um novo  acordo em cima de um que já foi feito, mesmo quando não se tem, mas a   virgindade. Quando os jovens se casam é provado à virgindade da moça com a roupa de cama. E mostrando a roupa marcada é a confirmação do acordo para a vida toda e os reinos nunca mais serão divididos. E quando o rei chegou e soube que eu não tinha ainda engravidado. Na mesma hora ele me odiou.  "Por que não engravidei? Por que BABU não fez nada para que eu ficasse com ele?   Por que o rei AKI me via como uma afronta para ele?  Por que eu estou aqui?   Por que tudo isso está me acontecendo?”.

     Toda essa conversa só serviu para deixar JINAKI ASMAHANI muito triste, jogou-se no chão de dentro da carroça e começou a chorar.    

     JINAKI ASMAHANI chorou por horas, ela levantou a cabeça com um olhar de desolação, foi  com  um andar que pareciam de uma pessoa completamente enlouquecida e colocou a metade do corpo para fora da carroça ela deu um grito que ate no pico da mais alta montanha do Japão dava para se ouvir oque ela dizia:      . 

- Sou JINAKI ASMAHANI. Quero voltar para casa da SASUKE e de lá voltar para minha aldeia, leve-me agora.

- Não podemos voltar.

- Eu quero voltar, não vou usar nada disso. Não sou desse povo para me vestir assim. Não quero ir para



onde estão me levando. 

  E  se jogou ao chão, completamente nua.                Rapidamente o viajante que conversava com ela  se jogou ao chão e coloca sua túnica sobre o corpo da jovem JINAKI ASMAHANI e tomou-a em seus braços, colocou-a  sentada na carroça, dizendo bravamente:                                        - Não está em seu país. Aqui você condena a nós dois a morte, agindo desse jeito.                                                                                                                - Não me importo, melhor seria a morte. 


       JINAKI ASMAHANI veste seu quimono e tenta prender o cabelo; as lágrimas não paravam de rolar em seu rosto por toda a viagem.              . 

     A viagem não era rápida e também não seria fácil não muito diferente da de navio que para chegar ao Japão levaram se longos e fastidiosos meses, que a jovem JINAKI ASMAHANI nem tinha noção de quantos eram. 

    Só que dessa vez não teriam os vômitos e  os enjoos que o mar lhe causou, nem o forte cheiro insuportável da maresia. 

    Era acostumada com o cheiro barrento das águas dos rios, da sua calmaria e sua cor tranquilizante, mesmo que a costa da aldeia onde fora morar depois de casada fosse banhada por um grande e lindo mar por onde os gigantescos navios se aproximavam trazendo muitas novidades e levando consigo muitas riquezas. 

    Cheiro de folhas, frutos e flores era justamente o oposto de todos os seus dias desde que entrara naquele navio depois da  discussão que tivera com seu sogro. 

    Nunca discutira com seu marido, sempre chegavam a um consenso, era admirável como sempre conversavam sobre tudo; menos sobre a sua vinda para esse país... O seu sogro determinou e acabou... Seu esposo simplesmente virou as costas e saiu de cabeça baixa em obediência a seu pai e rei.

    Anoiteceu e os dois viajantes resolveram parar em um lugar afastado entre um vilarejo e outro em um bosque afastado do vilarejo e da estrada; em um bosque; e JINAKI ASMAHANI que tinha pedido para voltarem para o conforto da casa de SASUKE, mas sua opinião   era dispensável a muitos ela já tinha percebido isso. 

    Pois já se vestia como e quando outros queriam, não pescava nem caçava para comer e muito menos ia ou não para onde quisesse.

    Sentada na carroça olhava aqueles homens falando, eles falavam rapidamente  que parecia que brigassem a todo o tempo ou como se  dessem ordens uns para os outros  com um tom muito engraçado e ao mesmo tempo áspero causando uma leve e instantânea  risada em JINAKI ASMAHANI e quando os homens se calaram e olharam para a jovem ela estava chorando. 

    Logo depois ainda chorando deitou se e pegou no sono. 

    Quando o viajante que conseguia se comunicar com ela se aproximou com um prato de comida nas mãos viu que a jovem dormia então virou as costa e voltou para junto do companheiro.                                    .

      Amanheceu e não tinha comparação com as noites de sono em que dormira na casa daquela senhora  embora o cansaço fosse o combustível para dois dias dormindo direto.  .

      Mesmo gritando em seus ouvidos, a jovem se recusava a sair do lugar para tudo, ou melhor, dizendo ela não saiu do lugar pra NADA.

    Ate que um dos viajantes resolve se ajoelhar e sacudir JINAKI ASMAHANI em seus ombros para que a jovem acordasse. 

    Mas ele faz isso com violência. E falando brutalmente e pegava ela pelos cabelos ate JINAKI ASMAHANI segura no homem pelo pescoço e com as duas mãos vão enforcando o homem o derruba no chão da carroça sobe em cima de sua grande barriga e vai apertando e o homem de branco vai ficando vermelho.

    Esses homens eram homens do mar desde nascença. 

    Escondem-se atrás de redes e se tivessem que tomar alguma atitude mais severa usariam os arpoes com muito medo.  .

    JINAKI ASMAHANI  tinha várias vantagens, ela era mais alta, embora debilitada por causa das intempéries que vinha enfrentando desde que saíra de seu país  JINAKI ASMAHAN era acostumada com armas e combates corporais e ela com os olhos arregalados diziam bem baixinho:

- Nunca mais toque em mim. Nunca mais coloque em mim as suas mãos. Não se esqueça disso que estou te dizendo agora, para que não te sobrevenha coisa pior.

     De repente sem nem esperar JINAKI ASMAHANI é surpreendida. 

 

 





OS CONFLITOS.





 
Ser quem ela é ou ser o que querem que ela seja? OBSCURIDADE










     Ficou tudo preto, JINAKI ASMAHANI não viu mais nada. Caída ao chão com uma pancada na cabeça, a jovem desmaiou.

      Acordou um bom tempo depois, muito revoltada pegou uma faca e partiu para cima dos homens que sentados de costa para a jovem conduziam a carroça. 

     Segurou no homem que lhe dera a pancada pelos cabelos e jogando a cabeça para trás colocou a faca em seu pescoço.

- Estou sendo covarde com você igual foi comigo só que você não me matou?

    O outro homem sentado ao lado do seu amigo que tinha  JINAKI ASMAHANI com uma faca em sua garganta  grita num susto e pula da carroça. E o jovem que JINAKI ASMAHANI estava  com a faca na garganta pede:

- JINAKI ASMAHANI não faça isso! Largue essa faca! Você enlouqueceu? Você estava enforcando aquele homem, foi por isso que eu te dei aquela pancada. Se não você o teria matado. Você não veio para o meu país para se tornar uma assassina. Você veio para se tornar uma pessoa melhor.

- Eu sou JINAKI ASMAHANI não tenho que melhorar. Eu sou o que sou e quem eu sou.

- Lembre se que foi seu rei, seu sogro quem te mandou para esse país. E quando o seu marido souber que você se tornou uma assassina, o que ele poderá fazer para te trazer de volta para seu país estando você presa?

- Nunca mais façam isso. Ou então me matem de uma vez. Nem me toquem se eu não pedir. Se não eu vou matar vocês

     A jovem caiu para trás largando a cabeça do homem e a faca que quase furou sua garganta, ficando acuada em um canto no fundo da carroça sem sair do lugar por muitos dias.

     Assim foram se passando os dias  e nada fazia com que JINAKI ASMAHANI se acostumasse com o que vestia, ate a maneira deles comer JINAKI ASMAHANI ainda tinha dificuldades por várias vezes ela jogava os hashi fora, o desconforto da pequena carroça com os três, JINAKI ASMAHANI  não entendia uma palavra sequer que o outro homem falava que a deixava mais e mais irritada por causa do conflito que era gerado na comunicação dos três e tudo isso em resumo era JINAKI ASMAHANI  se sentindo sufocada sem liberdade na verdade.

     Em mais uma daquelas  noites em que  JINAKI ASMAHANI não conseguia dormir estando ela  fora da carroça parecia ter sido atacada por formigas, mas era o desconforto e o fato de ter que ser  obrigada a   usar aquelas roupas, principalmente as  intimas. 

     Nas horas de fazer as  necessidades era mais como dar a volta ao  que mundo, chegava ser engraçado. 

    Mas com toda aquelas roupas, não demorou muito para que os homens que a acompanhavam vissem novamente JINAKI ASMAHANI vestida parecendo com o mesmo jeito que quando chegaram naquele país, com a metade do corpo nu e com o mesmo tecido de sua terra natal e mais algumas outras coisas, como cordões  que ela escondera debaixo do tal quimono que ela jogara longe ao tirar do corpo. 

    Com a própria lama da estrada, pois chovia forte desde que saiu da casa de SASUKE, a jovem enrolou os cabelos e estava    JINAKI ASMAHANI do jeitinho das mulheres de seu país.  . 

    Amanheceu os homens que ainda sonolentos estavam paralisados diante daquela cena, ficam sem atitude, afinal de contas JINAKI ASMAHANI fora escolhida para se casar com o filho do rei quando criança por causa da sua linhagem, mas foi a sua beleza que encantou o príncipe quando a viu pela primeira vez. 

    Teve em toda sua infância  o melhor tratamento por motivo de ser a futura princesa de CANDACE.

     E ali estava  JINAKI ASMAHANI seminua em um lugar que  poderia passar alguém. 

     Na cultura oriental uma mulher não pode nem sequer mostrar os pés mesmo com os tamancos elas usam meias. Só suas mãos ficam descobertas por motivo do trabalho. 

     Mas para a jovem JINAKI ASMAHANI vestir se era sinônimo de cerimonia, em seu povo só vestiam tampando o corpo todo em dia de  batismo, casamento, era razão de muita alegria e de festa. E essas eram justamente o contrário do que a jovem estaria vivendo. E ela não tinha motivos para estar assim.

      Os únicos pensamentos  que lhe vinham à mente era só de comparação. 

     Onde estaria a razão? Quem estaria certo realmente?

     Os dois homens ficaram admirando a jovem por uns minutos, ela indo em direção deles e parando e pergunta:

- O que que foi? Por que estão parados? Ate parece que nunca me viram!

-  JINAKI ASMAHANI... Por favor. Para o nosso bem e o seu também... Coloque o quimono.

   O homem desceu da carroça e se ajoelhou aos pés de  JINAKI ASMAHANI com o rosto no chão em meio à chuva e a lama.

    O outro homem na carroça salivava como um lobo seus olhos brilhavam.

    JINAKI ASMAHANI deu um grito virou as costas e voltou para buscar o quimono que jogara fora.

    Do meio do mato mesmo onde foi buscar o quimono  JINAKI ASMAHANI já voltou vestida entrou para a carroça e viu que sua razão na altura de sua vida não estava valendo nada.

    As viagens prosseguiam durante o dia, mas a noite JINAKI ASMAHANI não conseguiu dormir e durante os seus  dias era dentro da carroça dormindo, ate mesmo por que  ela não tinha nenhum motivo para fazer amizades com os homens que com ela viajavam. Principalmente porque ela já tentou matar os dois

     Ela agora aprendera o que era odiar.

     Os dias passavam como num piscar de olhos. Isso não interferia em nada na vida da nossa jovem, talvez para os homens fosse bom só assim encerrariam logo a viajem e voltaria para suas famílias.

     A carroça seguia viagem por vilarejos e campinas, por floresta e vales não só a paisagem ia mudando mais também o clima.

     Desde então eles não pararam mais em nenhuma estalagem nem tão pouco nenhuma casa que era justamente o lugar meio que incomum para nossa jovem mais ela dormia bem e tomava banho.

      Com a mudança de temperatura uma frente fria as chuvas se tornaram muito mais intensas.

      Foi mais uma noite os homens já nem se incomodavam com  JINAKI ASMAHANI fora da carroça.

       JINAKI ASMAHANI estava andando  e ela se deixou molhar.

       Andando sem rumo, se ela fugisse os dois homens nem iriam ver.        “Mas fugir pra onde?”

       Conforme ela ia se distanciando da carroça ate que a noite se tornava mais escura que já nem conseguia enxergar direito.

        A roupa foi ficando pesada em  JINAKI ASMAHANI que resolveu voltar para carroça e a cada passo ia tirando o quimono do corpo já todo molhado.

        JINAKI ASMAHANI chegou à carroça, mas não quis entrar.

        Sentou se abraçou os joelhos e ficou ali em silêncio.

        Teve um momento em que ela tocando na grama molhada pegou um pouco de barro e ficou apertando, não podia ver direito então ficou  com os olhos fechados lembrou-se de CANDACE, ele era mais claro do que BURUNDI que chegava a ser roseado.

         Onde ela foi morar com seu marido era uma terra muito árida, por isso tudo lá era marrom como o barro do chão as mulheres iam ate a beira do rio para buscar barro macio para colocar nos cabelo onde elas faziam grandes tranças e as revestiam de barro.

          Então ali naquele lugar e naquela hora  JINAKI ASMAHANI com as mãos cheias de barro começou a cheirar e passar por todo o seu corpo.

         Seus cabelos já não  estavam com o produto que SASUKE  tinha passado deixando eles mais finos e  mais  LIMPOS

         JINAKI ASMAHANI tentou com a lama faze cachos em seus cabelos que não agarravam mais o barro neles por causa da chuva. 

        JINAKI ASMAHANI com as duas mãos cheia de barro jogava na própria cabeça  e o barro caia e ela se jogava no chão rolando na lama e a chuva lavava a lama de seu corpo nu.    .

        Durante toda aquela noite  JINAKI ASMAHANI travou uma luta consigo própria e quando amanheceu a chuva estava ainda mais intensa e  JINAKI ASMAHANI cansada.

         Eles estavam em um bosque mais não era desabitado poderia alguém vê-los e a cor dela já chamava a atenção que dirá estando nua e cheia de lama.    . 

         JINAKI ASMAHANI estava no mínimo estranha.

- O que aconteceu com você? Perguntou o homem.

        Sem ter como explicar a verdade e ainda sentada no chão em meio à lama, disse:

- Estou a me banhar. Preciso desse banho. Gosto de tomar banho de chuva logo que acordo.                 

 - Mas você está mais suja do que antes.  . 

- É que eu estava há muito tempo sem tomar banho eu estava precisando e você não parava em alguma casa.

- Quando estávamos no navio você não tomou banho nenhum dia  e quando chegamos aqui você brigou com a dona da casa para não tomar banho você  não queria tomar banho por nada nesse mundo.            .

-  Estava assustada. Com medo. Ninguém falava comigo. Estava enjoada. Eram muitos os homens com aquelas caras assustadoras e magricelos parecia que iriam me devorar viva. E aquela mulher ficava falando e eu não entendendo.

- Então por que você não continuou igual você estava no navio?  Você dava menos trabalho no navio, aqui também tem homens com caras assustadoras e magricelas, e que não vão gostar de te ver sem roupas faz de contas que ainda está no navio ate chegarmos ao seu destino. Por favor!                             

- Onde é o meu destino? Que destino é esse? 

      E novamente JINAKI ASMAHANI que estava sentada e   ainda nua deita ao chão em prantos.

       Esse homem que fala a mesma língua que JINAKI ASMAHANI era muito paciente.

       Voltou à carroça e pega um quimono e coloca o quimono nas costas da jovem e calmamente a ajuda a se vestir e eles novamente entram na carroça onde a jovem deita em meio às lágrimas e a lama de seu corpo.

      Passando toda aquela cena resolvem tomar o café um dos homens convida JINAKI ASMAHANI para vir tomar café e a jovem se recusa.  . 

      Ouve-se a voz do outro homem que sempre parece estar recamando ou mandando em alguma coisa.

     Os homens não estavam mais montando  o acampamento por causa das chuvas  e seguem viajem, parando em algumas estalagens e compravam pratos de comida para as refeições, só JINAKI ASMAHANI quem não comia, mas seguia chorando. 

     Ela já estava chorando tão alto e por muito tempo dentro da carroça que um dos homens falando ou reclamando desceu foi para o lado de fora da carroça foi assim  até a próxima parada onde em uma aldeiazinha bem mais modesta que a primeira para em frente a uma porta de uma das casas  chamando por alguém que lhe atende.

     E quando a porta se abre  JINAKI ASMAHANI toma coragem de olhar e de repente.                          .

 

 

 

 

 

 

 







4º capítulo






JINAKI ASMAHANI EM CANDACE

 

As repentinas manifestação de insubmissão. 

      Desde os primeiros dias posteriores ao seu casamento o rosto do príncipe que agora era seu marido, mudou completamente, BABU já não era mais o mesmo, ele era só sorrisos. 

       O dia em que BABU tomou JINAKI ASMAHANI como sua esposa e celebrou a cerimonia de seu casamento com o consentimento de sua mãe a rainha da aldeia de CANDACE, cresceu nele uma destreza. BABU deixava de ser um príncipe menino para e tornara um príncipe homem.

       A jovem embora ainda uma menina soubesse fazer o filho do rei feliz. 

        Ela sempre foi muito decidida e ativa. Estava realizando um sonho “o de ser uma PRINCESA". 

        Foi criada para isso. Seu pai sempre a enchera de muita atenção e carinho.

        Seu pai o rei de BARUNDI não queria que  JINAKI ASMAHANI fosse com BABU uma vez que ele já era um rapaz e ela ainda uma menina. 

         JINAKI ASMAHANI ainda não tinha se formado e ela precisaria dar filhos para o príncipe futuro rei para que sua dinastia perdurasse. 

         O rei AKI não foi buscar JINAKI ASMAHANI como era de costume pois estava em viajem, mas chegou o tempo determinado e o próprio BABU, príncipe de CANDACE e sua mãe foram ate a aldeia e a buscaram.

      Mas trato é trato precisa ser cumprido. E os dois reis tinha um acordo a honrar.

      Antes mesmo que os inimigos batessem a porta o trato deveria ser cumprido.

     Mas aí o rei  de CANDACE pai de BABU, voltando de sua viajem.

     Chegou à aldeia e BABU não estava lá, tinha se casado e largado o posto de governante da aldeia para estar de lua de mel e não voltou mais.

      O rei foi em busca do seu filho. 

       JINAKI ASMAHANI porém não o deixou que fosse com seu pai na mesma hora ele destratou a jovem. Mas mesmo assim BABU não voltou com ele.

     Os dois só retornaram para a aldeia meses depois ficando em lua de mel.

      Para o rei, seu filho não deveria ter cedido a presa do pai da jovem em não esperar que ele estivesse na aldeia para que o casamento  acontecesse ou seja lá o que foi que os impulsionou a apressar essa união, seja sua mãe a rainha de CANDACE ou  o rei de BARUNDI ou a paixão que acendera em seus corações quando se conheceram. 

     Afinal era para ele como rei oficializar essa união e consolidar o acordo entre as tribos.

      Foi esse um dos motivos das brigas do jovem casal com seu pai, o rei da aldeia. 

      Para piorar ainda mais BABU o príncipe herdeiro voltou para aldeia, mas estava muito disperso, ausente das responsabilidades da aldeia e que isso estava acontecendo por causa de seu pai não aceitar o seu casamento. 

     O jovem príncipe estava consolando sua jovem esposa e passando todos os dias e o dia todo nos braços de sua amada.

      O rei achava que BABU estava fazendo muito as vontades de sua jovem esposa. 

       Então resolveu que seu filho o príncipe de CANDACE teria que arrumar mais outras esposas talvez da própria aldeia ou  de aldeias que interessasse ter aliança,   só para aprender a se abalizar melhor e ter uma prole que perpetue  o reino do rei AKI. 

        E o argumento que ele usava era que  JINAKI ASMAHANI ate agora não engravidara.

         Talvez fosse esse o motivo de toda a revolta de JINAKI ASMAHANI achando que agradando o seu esposo seria feliz mesmo ainda não estando gravida,, mas não foi nada disso o que aconteceu, talvez se o seu marido não fosse filho do rei e justamente daquele "rei", quem sabe se a nossa jovem poderia ainda estar nos braços de seu fascinado marido. 

        JINAKI ASMAHANI começou a responder ao rei. As primeiras discursões  foram só os dois, ela e o rei, depois, ela, o rei e seu marido. 

        Até que o rei passou a desafia-la em publicou. 

        Mas nem assim a jovem abaixou a cabeça. Era uma menina impetuosa.

        Tinha resposta na  ponta da língua. 

      Mas JINAKI ASMAHANI sempre foi confiante em si mesma eis aí o significado de seu nome. 

       E já que seu marido não a defendia com  respostas taxativas, mas somente foi morar bem longe de seu pai e da sua aldeia.

     Até que aconteceu a extradição.

      Ninguém mais ouviu ou viu BABU.

      Toda a aldeia de CANDACE nunca tinha visto casal tão feliz, era um casal bonito de se vê.

       Diziam em cochicho que o rei AKI tinha inveja da felicidade que o filho alcançou no casamento, coisa que ele nunca teve.

      Mesmo com toda sua beleza e inteligência e todas as esposas que tinha. Desde jovem AKI se destacava em perfeição. 

     Não era para ele ser o rei de CANDACE se seu irmão príncipe TAÚ não tivesse morrido em uma batalha defendendo suas terras e seu povo. Depois da morte de seu irmão, seu pai o rei AYO não fez mais guerra entre outras tribos e sim fez alianças.

Casou suas irmãs com príncipes de outras tribos  que reinam em harmonia até os dias de hoje.

       Logo que AKI casou sua esposa engravidou de suas irmãs, demorou muito para que ela desse um filho a AKI, são um total de nove filhas  que teve o rei AKI até que veio BABU.

      Suas irmãs já tinham crescido e ido embora morar com seus marido e seu pai tinha medo que outro viesse a reinar em seu lugar que não fosse um filho seu e que seu nome viesse a cair no esquecimento. 

      Parecia que BABU foi feito para  JINAKI ASMAHANI os dois combinavam em tudo.

     O povo os via cavalgando juntos e pescando sempre com sorriso em meio às brincadeiras.

      JINAKI ASMAHANI dançava ao escurecer em volta da fogueira. 

      Diziam que dançava lindamente como sua mãe. Diziam que também era estéreo também igual à mãe.

       Para o rei AKI de CANDACE,  JINAKI ASMAHANI de  BARUNDI não servia para ser esposa para o seu filho príncipe herdeiro de CANDACE . 

 

  
                                                                                
















A OUTRA MULHER



                           


 Tudo igualzinho.

      JINAKI ASMAHANI sentiu que a carroça parou levanta a cabeça interrompendo o choro toma coragem e vai olhar o motivo porque pararam, pensou que tivessem chegado ao tal mosteiro, mas viu que era apenas mais uma ryokan  e viu mais uma mulher em pé em sua porta.

      Uma mulher com SASUKE , vestida como todas que JINAKI ASMAHANI já havia visto naquele país e para não sair do costume ela estava em pé e se curvava mantendo a cabeça baixa olhando sempre para o chão.

       Eles entram na casa, são recebidos com cordialidade e indiferença coisa que deixou JINAKI ASMAHANI meio que admirada. Não era assim nos outros lugares por onde passou.

      A dona da  ryokan  não lhe dirigiu se quer um olhar foi ocupando-se de acomodar e atender aos homens que com JINAKI ASMAHANI viajavam.

       Até que um cômodo foi lhe apresentado, seria onde ela dormiria aquela noite. 

       Como ninguém dirigiu a palavra mesmo que incompreensível a JINAKI ASMAHANI ela também se mante em somente  fazer o que lhe mandavam isso poupava lhe esforço que sabia ela que mantinha a paz mesmo que não sendo do seu agrado.  

      Durante todo o tempo em  JINAKI ASMAHANI está no quarto só se escuta a voz dos homens que estavam viajando com ela.

       A dona da casa entra onde  JINAKI ASMAHANI esta sentada e a chama pelo nome estende a mão e consegue falar coisas que a jovem entende. 

- A janta esta servida.                                                                          . 

     JINAKI ASMAHANI sentada esboça um tímido sorriso, olha profundamente para aquela mulher e a abraça, mas  novamente começa a chorar. 

      JINAKI ASMAHANI pergunta a dona da casa:

- Você sabe fala como eu? Que bom isso.  Qual é o seu nome? Como sabe o meu nome?

- Sim. Sim.  JINAKI ASMAHANI. Sim

      JINAKI ASMAHANI começa a sorrir junta com a dona da casa e agora bem mais relaxada pergunta:

- Qual o seu nome?

- YUMI e o seu é  JINAKI. Vim te levar para jantar.  .

- Você sabe quem eu sou?  

- Sim. Você é  JINAKI.

- Sou JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE.

      E as duas ficam ali por um bom tempo conversando. 

     JINAKI ASMAHANI se levanta se afastando da mulher em soluços e responde que não quer jantar prefere dormir se sente cansada. 

      Então a dona da casa se retira apagando a luz da vela e fecha a porta.

      No dia seguinte a dona da casa entra novamente no quarto e chama JINAKI ASMAHANI para tomar um banho, ela ainda tinha lama no corpo. 

     JINAKI ASMAHANI a acompanha dava para nitidamente perceber que era isso que ela queria e precisava.

- Após o café vocês vão seguir viajem ainda hoje.

- Sabe para onde vou?      

- Para as regiões das montanhas onde tem o mosteiro dos monges budistas para onde os mercadores te levarão.

- Montanhas? Com essa chuva? Estou cada vez mais longe do meu povo, cada vez mais longe de aonde eu vim.

- Parece que sim. Mas agora se banhe e venha para o café. Não deixe os ronins esperando. Vou servir o café. Venha logo. Deixo roupas limpas para você.

- Obrigada.

     JINAKI ASMAHANI acaba demorando no banho, a dona da casa volta ao banheiro para chamá-la  e  novamente a discussão só que dessa vez foi para que  JINAKI ASMAHANI saísse da banheira.

      A água já tinha ate esfriado, aí aparece no corredor que dá para o banheiro o homem que consegue se comunicar com JINAKI ASMAHANI e manda-a sair imediatamente daquela banheira. 

     JINAKI ASMAHANI se levanta e enrola a toalha, que como sempre branca, em redor de sua cintura, apenas de sua cintura para baixo e sai andando, toda molhada.

     Saiu da banheira e foi em direção da sala e coloca a mão na porta que dá pra rua e ficam todos olhando aquela cena até um dos homens grita:

- Pare

      Foi só até aí que JINAKI ASMAHANI entendeu porque as demais palavras foram todas em japonês o homem parecia enlouquecido. 

      Segurando a jovem pelo braço e falando ferozmente com os olhos esbugalhados aterrorizando todos na casa.

     A atitude de JINAKI ASMAHANI foi empurrar o homem e ir para o quarto. 

      Os dois homens voltam a discutir.  O mais ignorante deles se dirige a dona da casa que toda encolhida vai ao encontro de JINAKI ASMAHANI e diz:

Baka janai no?

O que foi que você está dizendo?  Porque não continua a falar comigo de maneira que eu entenda?

- Você é estupido! Foi o que eu disse. Não pode fazer assim!

- Fazer o que? Já estou cansada. Não posso fazer nada do que sou acostumada. Tudo o que faço é errado. Dão-me ordens de tudo. Não posso fazer nada do que quero na hora que quero. Só posso fazer o que me mandam. E me mandam o tempo todo, não faço o que quero faço o que devo. É assim minha vida parece que estou sempre devendo alguém alguma coisa. Devo a você por me receber em sua casa, devo esse malditos homens que me levarão ao tal mosteiro e que me tiraram de meu país dos braços de meu amor.

     E chora JINAKI ASMAHANI.

- Empurrar um homem de honra como você fez é Oroka-sa. É estupidez.

- AH! Você tá falando de eu ter empurrado aquele homem. Mas eu estava no meu banho e ele me "mandou" sair. Eu não queria.  E o que ele me faz não conta? E o que ele fez? Desde que eu cheguei aqui todos me mandam até parece que eu sou um escravinha qualquer.

- Você está nua...

- É assim que eu vivo em minha tribo, qual o problema de vocês? Todo homem nasce nu, só os animais nascem todo coberto.


- Mas só os homens tem o dever de se cobrir.

- O que você disse quando entrou aqui?

- Não sei dizer... Perguntei se você estava... como dizer...desorientada... Doente da cabeça.

- Como sabe falar minha língua?

- Conheci seu sogro, ele fez questão de aprender muito de nossos costumes e a nossa língua  e   me ensinou as de vocês. Venha vou lhe contar enquanto visto em você o seu quimono.                           

As duas estavam conversando calmamente e de repente o homem que sempre esteve nervoso  parecia mais nervoso ainda levantando a voz na sala e daí a um pouco aparece o outro homem no quarto chamando JINAKI ASMAHANI para irem embora, mas que primeiro:  "ela se vestisse".               

     A dona da casa ajudou JINAKI ASMAHANI  a se vestir e lhe pediu que não tirasse mais a   roupa em publico não enquanto ela estivesse  aqui no  Japão, por que ela poderia arruma problemas seríssimos para ela e para os homens honrados que a acompanhavam, mas que se vestisse o mais lindo que lhe fosse possível.                                                                                               

- Esse é um dos costumes mais apreciados das mulheres orientais: “a linda maneira de se vestir”.  

     E JINAKI ASMAHANI prometeu para dona da casa que lhe hospedara e agradeceu com muito respeito, carinho e coração sincero lhe  disse:   

- O difícil não é vestir a roupa, vestir a roupa é complicado, mas não difícil. O difícil é fazer o que não se quer sem nenhuma vontadezinha se quer. Mas eu tentarei fazer o que me disse. Você ouvirá falar de mim, quando falarem de uma "mulher nativa que adquiriu tão bons costumes que superou até as mulheres do seu país".   

    As duas se abraçaram e a jovem foi para sala e de lá os três partiram em viajem.      

    Durante toda viajem os homens iam conversando, tinha momentos até que eles sorriam embora parecesse que um deles não soubesse o que era isso.     

    Mas a jovem JINAKI ASMAHANI seguia calada. 

    Observava tudo em seu redor à maneira em que os homens pegavam nos hashi e instintivamente passou a não olhar mais nos rostos dos homens que viajavam com ela; bem na verdade a ninguém mais JINAKI ASMAHANI olhou nos olhos. Ate estava ensaiando como andar igual à SASUKI e YUMI. Como se estivesse com vontade de fazer xixi e não tinha um lugar que pudesse ir e por isso estaria se apertando  .

      Começando ali o habito de JINAKI ASMAHANI a olhar para o chão ao invés de encara as pessoas nos olhos. 

     Sua viajem que já estava alagada de suas lágrimas e agora da chuva que não parava, também teria uma nova característica que seria: JINAKI ASMAHANI não olharia mais para cima com quem tem esperança, determinação ou um alvo. Olharia para o chão como sinal de submissão, de sujeição.

     Será que conseguiria a jovem JINAKI ASMAHANI mesmo antes de chegar ao mosteiro já ter mudanças em seu comportamento? 

      O que passava em seus pensamentos em quanto olhava para o chão?

       Então um dos homens perguntou a JINAKI ASMAHANI:

- Você passa muito tempo dentro dessa carroça olhando para o nada, isso não é bom.

- O que é bom?

- Mesmo estando chovendo seria bom você ver a paisagem conhecer um pouquinho do meu país não é tão bonito quanto o seu, mas nossas construções são belíssimas temos lindas casas.

- Quando chegaremos ao mosteiro?

- Não falta muito. Você está bem?  Está encurvada parece está sentido alguma dor?

- E se estivesse mudaria alguma coisa em minha vida?  Quando se está no meio da mata e não sabe o caminho para voltar  é só olhar para o alto por que enquanto você tiver esperança de ver  as estrelas você tem  fé de conseguir  voltar. Suas  mulheres não olham para o alto elas perderam a esperança, andam encurvadas já não tem mais fé. Nem sequer podem sorrir. Como me tornarei um ser desse jeito? Será conseguirei?

   

 

 

                                                                                   . 

                                                 . 

 

 

 









  

5º  capítulo


A MORTE VIAJAVA COM ELES



O tempo dos contratempos de JINAKI ASMAHANI 

 Era mais outro vilarejo um dos homens foi ao estabelecimento, comprou comidas e quando ele voltou; prosseguiu a viagem a fora tudo isso de baixo de muita chuva.    Até  que um dia ao jantarem após o cair da noite, estavam os três dentro da carroça e JINAKI ASMAHANI de cabeça baixa sem olhar para com quem falava, perguntou se poderiam dizer lhe  para onde a levavam?                    

        O homem que sabia o seu idioma respondeu  que eles a levariam  para receber os cuidados que o seu sogro disse em um mosteiro, onde os monges  a educaria como uma boa esposa oriental, do jeitinho que ela prometerá quando saíam da ultima  ryokan  onde esteve hospedada. 

       Eles passaram por vários outros vilarejos e agora sem paradas sem casa  onde tomar banho ou passar a noite até que  chegaram a um desfiladeiro. 

        Lugar inabitável e chovia fortemente naquele dia impossibilitando de prosseguirem com a viagem em risco de caírem ribanceira abaixo. 

        A chuva obrigava os três a ficarem dentro da carroça estava difícil até para os cavalos que estavam abrigados de baixo de umas árvores. 

       Aonde eles chegaram não dava para irem adiante nem tão pouco voltarem.

        Passaram se três dias em que os três estavam enclausurados sem sair da carroça, a não ser para as  necessidades fisiológicas.

        Até que em uma tarde; um dos dois homens ficou de pé do lado de fora, mas ainda estando na carroça com os olhos arregalados e fixos que chegou a assustar o seu companheiro que saiu para ver o que estava acontecendo. 

       Era  JINAKI ASMAHANI que tomava banho de chuva. 

       Com essa situação de muitos dias trancados dentro daquela carroça e chovendo torrencialmente a carroça já estava cheia de lama e cheiravam mal, ela resolver tomar logo banho, mas... Nua... 

       Parecia lembrar-se de sua infância. Chegou sentir o cheiro da floresta onde crescera, com os olhos fechados ela rodava e pulava, sorria e cantava. 

       Nesse momento o sorriso retornou ao seu rosto que estava voltado para o alto mesmo de baixo de chuva.

       Parecia que sua alma tinha voltado ao seu corpo. 

      Em meio à chuva em um céu cinzento cheio de nuvens carregadas até dava para ver uns raios cruzando o céu.

       Os dois homens parados na carroça a olhavam e um deles desceu da carroça e ele foi em direção a jovem ele já estava  desatando o nó de suas roupas. 

        E com um movimento brutal jogou a jovem ao chão. 

        Já tinha metade de seu corpo despido e excitado ele a agarrou jogando o seu peso sobre a jovem a levando ao chão. 

        Como que num susto JINAKI ASMAHANI caiu em meio à lama. 

        A chuva não lhe permitia abrir os olhos e depois de um grito de revolta ela conseguiu fazer  um  movimento rápido de alta defesa e  se posicionando em cima do seu agressor e lhe quebra o pescoço, levando aquele homem a uma morte súbita. 

       A chuva não parava, JINAKI ASMAHANI se afasta do corpo mórbido do seu atacante, quando o outro homem conseguiu chegar perto dos dois já havia acontecido o homicídio e JINAKI ASMAHANI está de volta à carroça, e agora sem ninguém pedir ela coloca o quimono.  .

    JINAKI ASMAHANI dentro da carroça pegou seu quimono, se vestiu e se sentou, olhando para fora da carroça onde estavam os dois homens. 

      O outro homem se  volta entra na carroça segurando a jovem pelos braços e a agitando fortemente pergunta:

- O que você fez? O que você fez? Você é louca. O que você fez?

      Ele chora como uma criança.

     Novamente com rápidos movimentos JINAKI ASMAHANI se desvencilha do outro homem também e lhe agarra em sua garganta. O homem grita:

- Pare. JINAKI ASMAHANI pare. Vai matar-me também.

- Eu não queria matar ninguém. Eu só me defendi.

- Você o matou! E ia me matando também.

- Ele me atacou! E você também... Eu tinha avisado que não tocassem em mim. Eu tinha falado antes. Coloquei ate uma faca no seu pescoço e vocês não acreditaram em mim. Ele queria abusar de mim. Ele estava querendo me agarrar.

- E agora o que faremos. Seremos presos e jugados a morte. Você é estrangeira. É mulher!

- Eu só estava me defendendo.

- JINAKI ASMAHANI, você não vai ter como se defender de nossas leis. Você é problema. Não deveríamos ter aceitado aquele dinheiro foi ele mesmo que insistiu para trazermos você. Ele ficou de olho no dinheiro, foi por causa do dinheiro... E agora está morto por tuas mãos. 

- O que você queria que eu fizesse? O que você faria em meu lugar? O que você faria se fosse uma irmã sua, sua mãe ou esposa ou filha?

- Aqui tem leis severas contra homicídio, mas não contra estrupo.

     Com essa resposta aquele homem ficou em silêncio. Abaixando a cabeça virou as costas e resmungou.                                                                                        . 

- Aqui não tem estrupo por que em nosso povo mulheres não ficam nuas pelo contrário andam até muito vestidas.                              .

- Eu sinto muito que fiz.    Os homens do povo de onde os vim não atacam mulheres. E meu sogro disse que o seu povo era mais bem-educado.

      O homem desceu da carroça com  uma pá na mão e foi em direção ao nada. Andou, andou até que parou em lugar nenhum e começou a cava. 

      Da carroça JINAKI ASMAHANI com seu quimono olha para o homem que cava de baixo de chuva que não cessava. O sorriso de seu rosto novamente se esconde atrás de um rosto abatido que não consegue mais segurar as lágrimas e em prantos ela grita se joga no piso da carroça. 

     O homem para o que está fazendo e olha em direção a carroça. 

      Mas novamente abaixa a cabeça e continua a cavar.

      Quando o homem acaba de ser enterrado pelo outro já era noite, de joelhos sobre a cova ele chora novamente. 

      E dessa vez, quem fica nu e toma banho na chuva é o homem. Tirando a roupa molhada do corpo da neve e da chuva.

       Ele nu chega à carroça e antes de entrar nela ele olha para JINAKI ASMAHANI que também fica parada olhando para ele que sobe para a carroça,  se seca e procura uma roupa para se vestir e vê que, mas uma vez JINAKI ASMAHANI adormecer em meio ao choro. 

       E deita bem longe da jovem e adormece.

       Com o amanhecer os dois despertam. 

       A chuva já não é tão forte e dá condições para os dois continuarem a jornada. 

      Envolvidos em um silencio fúnebre seguiram viagem. 

      Com que vivendo um pesadelo,  pararam mesmo assim para almoçar em uma estalagem. 

   E como em todos os lugares por onde ela passa os olhares de admiração chegavam incomodar a ponto de ela deixar a comida no prato e voltar para a carroça.

   O homem que a acompanhava não demorou muito a aparecer. 

    Entrou na carroça sentou se ao seu lado e disse:

-Sua vida não é fácil, não é mesmo? Tenho pena de você.

- Não tenha pena de mim. Não quero que tenham pena de mim. Não sou nenhuma miserável.  Faço de sua pena  motivo para minha força. Agora você vai acreditar quando eu disser qualquer coisa. Sou JINAKI ASMAHANI. Vamos, temos de chegar ao meu destino. Quanto mais rápido chegar ao meu destino mais rápido voltarei a minha aldeia ao meu povo, mais rápido voltarei ao meu marido, mais rápido voltarei ao meu sogro. E você fica livre de mim.

- Então vamos.

Seguiram viajem passaram por vilarejos onde só o homem descia da carroça; comprava comida e os dois comam na carroça mesmo.

Ate que chegaram a um lugar em que estava tão frio que começou a nevar.

Mas um grande susto acontece na vida da jovem JINAKI ASMAHANI. 

Uma assombrosa novidade. 

 

 

 

 

 

 










O VODU

O desconhecido sempre não é bem visto.



          Começou com uma forte geada durante e noite. E o frio fez com eles acordasse mais tarde. Sendo JINAKI ASMAHANI a que acordou primeiro. Abrindo a cortina da carroça e olhando para fora levou um suto, voltou correndo para o interior da carroça começou a sacudir o homem sem parar e em gritos o acorda.


- Olhe lá fora veja o que está acontecendo! Está em toda parte. É vodu.


           Em um pulo o homem corre olha para fora da carroça na direção dos cavalos e em toda direção e pergunta:


- O que foi? O que fizeram?


-Olha... Você não esta vendo... Olha como estão o mato, as folhas... Olha isso? Vamos morrer.


        JINAKI ASMAHANI colocando apenas um pedacinho do rosto para fora da carroça com os olhos arregalados, desesperada.


- O que? Eu não estou vendo nada!


- Não volte aqui para dentro. O vodu está te engolindo. Já cobriu toda a floresta.


          E JINAKI ASMAHANI aponta para todos os lugares e diz:


- Você não está sentindo? Não estava assim ontem. Este pó branco está te engolindo.


- De quem você está falando? Tem alguém aqui? Acharam o corpo do homem que você matou? O que é? O que é vodu?


 - Você não esta vendo isso! Você vai morrer!


-Você esta falando disso em minhas mãos?


-Sim. Sim. É vodu. Algum feiticeiro fez isso. Mas por quê? Que magia é essa? Como desfazer?


        Fala  JINAKI ASMAHANI desesperada e o homem que estava com ela  se joga no chão de tanto rir e pegando a neve e joga em direção a nossa jovem que entra mais para o fundo da carroça tentando se esconder e fazendo tudo isso aos berros. E o homem se divertindo diz:


- Ah! Isso é neve. 


      Fala  o homem se levantando e entrando na carroça. Indo em direção de JINAKI ASMAHANI, que continua se esquivando, mas só que mais calma agora.


- Neve! Sim. É efeito da própria natureza. 


       Aí ela se deixa tocar pela neve que estava na mão do homem que não tirava o sorriso do rosto e JINAKI ASMAHANI com o olhar ainda de susto e de desconfiança.


- Mas quem fez isso? Por que fizeram isso com as plantas, com o chão? Como fizeram isso? Está em todo lugar!


- É inverno. Isso é uma das estações que nós temos aqui. Você nunca tinha visto neve? Coloque na boca.


-Não. Eu não vou fazer isso.  O frio desse negócio já esta fazendo minha mão doe. Não tem cheiro!


- Neve é gelo. Você conhece? Coloque na língua?


- Não e não estou gostando. Isso é feio tira a cor da mata e é muito frio. Vamos embora.


- Temos que procurar um lugar para passarmos o inicio do inverno. Nenhum de nós aquentaria viajar com esse tempo, nem mesmo os cavalos e ainda estamos na metade do caminho.


    Continuaram a viajem ate onde dava para os cavalos. 


     Mas conforme os dias iam passados o frio aumentava e JINAKI ASMAHANI que não era acostumada com tão baixa temperatura, foi ficando doente.  .


     O homem conseguiu uma casa para eles alugarem, diferentes das outras vezes em que eles ficavam em ryokan, dessa vez o viajante não teve tempo de procura uma ryokan  como estava acostumado pois JINAKI ASMAHANI precisava de abrigo com urgência, seu quadro de saúde não estava bem,  depois foi ao mercado comprou comida e roupas mais agasalhadas para eles e sapatos fechados. 


     Acabou tendo que voltar ao vilarejo mas rápido que pensava para comprar remédios para JINAKI ASMAHANI que queimava em febre e com uma tose muito forte.


     A jovem não estava comendo e não conseguia se levantar da cama para nada.   


     Os seus dias foram só delírios:      . 


- Estou com muito frio.


     Mesmo com o fogo muito forte na lareira e de baixo de cobertores


      JINAKI ASMAHANI continuava a  reclamar:  


-Estou como muito frio.


- Venha. Vou lhe colocar  sentada aqui na poltrona.


     O homem tentou colocar ela em seu colo mais ela deu um grito tão profundo que ele a devolver rapidamente para cama. Então resolveu empurrar a cama para mais perto da lareira.


     E o homem com muito sacrifício conseguiu arrastar a cama de grossas madeiras para mais perto do fogo.


- Agora que se você conseguir se sentar na cama, vou preparar um banho para você tomar e bom um prato de sopa com umas ervas fazendo isso com certeza vão curar esse resfriado.


- Não sei se conseguirei.


- Temos que tentar.


     O homem levou JINAKI ASMAHANI até a porta do banheiro onde ela sentada em uma cadeira  começa a tirar a roupa e entrar na banheira e toma um banho bem quentinho. 


    Como JINAKI ASMAHANI estava demorando muito no banho o homem começo a chamar por ela.      Mas JINAKI ASMAHANI não  respondia, bateu na porta e nada. Arrombou a porta do banheiro. 


     E viu JINAKI ASMAHANI dormindo dentro da banheira como que desmaiada. A água já estava gelada.  JINAKI ASMAHANI só gemia e tremia muito.


- Acorda.


    Falava ele esbofeteando seu rosto.


- Vamos saia dessa água, ela já esta gelada e você também. Levante se. Acorde.


      Ele a tomou em seus braços a  enrolou em uma toalha de banho e a carregou em seu colo. 


       Foi levando ela ate a cama que agora estava mais perto da lareira.


      O homem a cobriu, antes tentou seca a jovem com a toalha que já estava  encharcada.


       Parando; olhou onde estava a sua mão... no corpo nu de JINAKI ASMAHANI e foi cobrindo a jovem lentamente sem nem pisca respirando ofegantemente. 


      Em um pulo saiu da cama deixando JINAKI ASMAHANI deitada, mesmo assim não parava de olhar a jovem. 


       Passava as mãos na cabeça, nervoso, Foi do lado de fora da choupana e gritou fortemente a ponto de assustar um bando de pássaros que se abrigavam em um arbusto só então resolveu entrar e pegar um prato de sopa e levar para a jovem que começava a abrir os olhos. 


        Colocou JINAKI ASMAHANI sentada e foi dando a sopa aos poucos, insistindo para que comesse o máximo que ela conseguisse. 


          JINAKI ASMAHANI estava na cama, enrolada em muita cobertas bem grossa e a sopa carregada de gengibre ajudou a aquecer ainda mais a jovem que mesmo assim dizia.


- Estou com frio


- Esse frio já vai passar assim que o remédio começar a fazer efeito.


- Estou sentindo dores em meus pés e mãos, meus braços doem. Todos os meus ossos doem.  Minhas costas estão doendo muito, já não aquento mais tossi.


        Ouvir JINAKI ASMAHANI se queijar de  dores; estava deixando o homem agitado. 


          Ele foi para o banheiro tomar seu banho e ao sair do banheiro tomou também um prato de sopa. 


          E JINAKI ASMAHANI tossia muito, reclamando do frio  e gemia. 


            Não aquentando mais o homem entrou debaixo das cobertas onde ela estava e se agarrou a ela. Alisando seu corpo no intuito de lhe aquece. 


           E  ele percebeu que JINAKI ASMAHANI se acalmaram e adormeceu. Mas ele não dormiu.


           Algo o perturbava a noite inteira, mas mesmo assim ele não largava a jovem.


           Quando vinha chegando os primeiros raios de sol, o homem acabou adormecendo.


          E já tarde daquele dia a primeira pessoa a despertar foi  JINAKI ASMAHANI que desperto num susto sentindo o homem  seus braços em volta de sua cintura.  Grita JINAKI ASMAHANI.


-Me solta!   


          Ele acorda assustado.


- Calma. Eu estou aqui para te aquecer. Eu não fiz nada de mais com você.


- Fez. Você fez. E eu avisei que não era para me tocar. Você são um povo maliciosos, pervertidos, aproveitadores e machistas.


- Não eu não fiz. Eu só toquei em você por que... A verdade é que...  Eu já não suporto mais.  JINAKI ASMAHIANI. Você é muito provocante muito linda, sempre ficando nua. É muito difícil  não olhar você, não pensar coisas com você e se segurar para não tocar em você. O que você quer que eu faça?


- Eu não sei. Eu só quero que não toque em mim. Eu não sou sua e principalmente... Sem eu querer. Respeite-me. 


       JINAKI ASMAHANI já estava um pouco melhor, sentou se na cama e olhou para o homem sentado em uma cadeira que segurado a cabeça que parecia que nela estava todo o peso do mundo.


- Dormíamos todos no mesmo espaço, banhávamos juntos, crescíamos na mesma aldeia e quando era para casarmos era escolhido com quem casaríamos. E  em toda minha vida nunca vi tamanho insulto como o de vocês, homens, daqui desse país com suas mulheres. Eu sinto que  não somente comigo que você diz que só ando nua, mas também com as do seu país que só vivem toda coberta e que falam baixo e que abaixam a cabeça em todo o tempo. 


- Sou ser humano como você, tenho desejos e necessidades. 


- Mas isso não é motivo para ultrapassar a liberdade de ninguém. Não sou eu que não tenho discrição é você que não tem domínio próprio. Isso é falta de docilidade. Respeitar aos outro é empatia.  Até os animais selvagem tem isso para com os outros de sua própria espécie.


- Eu estava deitado com você! Eu estava muito próximo de você! Eu estava vendo sua beleza! Sentindo seu calor. Chequei a ouvir seu coração. Você é muito linda.


- Mas você não me ouviu dizer "sim". Eu não sou sua propriedade. Eu não pertenço a você. Estou melhor vamos seguir para o meu destino.


       Mas uma decepção para nossa viajante, por que se ela pensava em confiar  em alguém era naquele que falava seu idioma que dormiam no mesmo lugar, comiam juntos?  


        Esse alguém poderia ser se homem. 


         Mas depois dessa atitude dele; esse pensamento se perdeu em meio sentimento de um tão grande e triste exílio.


         JINAKI ASMAHANI não se importa mais com sua febre e dor e pede ao homem que com ela estava para que eles pudessem prosseguir com estrapada vigem.


         O homem arrumou todas as coisas deles na carroça e pediu que a jovem tomasse  seu acento e foram em direção ao vilarejo a procura do dono do imóvel onde eles passaram aquelas semanas.


          De enfermidade de JINAKI ASMAHANI e de verdadeiro inferno para aquele homem, que via não somente o sofrimento da jovem que ardia em febre totalmente e agora totalmente vulnerável como ele jamais a vira antes.  


           E que mesmo doente não perdia sua formosura.


           Para aquele homem diferente e intrigante ver beleza naquela pele negra.


            Quando esteve no país dela, viu muitos homens da embarcação que se deitavam com as mulheres de lá.  Mas não via encanto em nenhuma nas nativas.


             Mas agora... Não parava de pensar e desejar JINAKI ASMAHANI como se fosse à última mulher do mundo.  


              E aqueles dias em que estavam somente os dois e ela fragilizada fez brotar nele o que diriam "ser amor".


              E seguiram viajem, ainda estava muito frio e a neve muito densa não facilitava para os cavalos.


            Essas foram as duas únicas viagens em que JINAKI ASMAHANI fazia estando cercada por alguma coisa, a primeira foi no navio além das paredes da embarcação JINAKI ASMAHANI se via cercada por um tão grande mar que juntava com o azul do céu parecia tudo uma coisa só e extensa e imensa. E agora nessa carroça e quando olhava para o chão e as arvores tudo com uma mesma cor. Branco gelo.


             Mesmo quando foi para a aldeia de seu marido ela foi montada em seu próprio cavalo. 


             Cavalo esse que ela ganhou de seu avô quando ainda era uma menina. 


             A amizade com o seu animal proporcionava uma liberdade que no cavalgar os dois parecia um só.


          As lembranças repentinamente apareciam e não lhe deixava esquecer quem ela era de onde veio e para onde voltaria. 


          Mas esse país era emulador. 


          Estava sempre com uma tática de guerra contra a jovem  JINAKI ASMAHANI. 


         Testando ao máximo sua resistência.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


QUANDO O MAL É O BEM


                                  
  Os infortúnios do caminho. 


       Eles teriam que atravessar por um desfiladeiro e nesse lugar tem uma caverna, onde viajantes costumam  para e pernoitarem.                                                                 

       O triste é que o  infortúnio nunca anda sozinho vem sempre acompanhado da surpresa e a surpresa era que  os dois  não seriam os únicos a intentar passar a noite  naquele lugar. 

        O Homem que viajava com JINAKI ASMAHIANI  quando viu um estranho na  caverna até pensou em voltar para segurança deles e dos cavalos. 

       Eles só pesaram em parar por que  não viram nenhum cavalo ou carroça por perto, mas lá estava àquele viajante desconhecido e o frio intenso, motivo suficiente para um conflito.      . 

      O homem que viajava com  JINAKI ASMAHIANI gritou da entrada da caverna  

Oyasuminasai 

       JINAKI ASMAHIANI e o homem que com ela viajava estavam ainda em sua carroça na entrada da caverna  viram a  resposta de longe que  foi um balançar com a cabeça meio que sem vontade. 

      JINAKI ASMAHIANI fitando bem os olhos para a figura que resistia o frio intenso sentiu quando achamou o homem que viajava com ela para descer da carroça era primeira vez que ele    segurou a fortemente em sua mão e caminharam juntos para um espaço bem ainda na entrada da caverna.

     O companheiro de viajem de  JINAKI ASMAHIANI colocou os cavalos para dentro da caverna os animais  ficaram entre eles e o estranho. 

      JINAKI ASMAHIANI e o homem que a conduzia pegou lenha na carroça para fazer fogo e uma panela com alguns legumes. Acedeu o fogo com rapidez e jogou tudo o que tinha dentro e deixou cozinhar e ficaram de pé perto do fogo. Um silêncio cético reinava entre os três e tornava o clima mais gélido e sombrio.

      A comida ficou pronta e o companheiro de  JINAKI ASMAHIANI grita 

- Tomodachi

- Por que você está gritando?

- Eu ia perguntar se ele gostaria de um pouco de sopa ele viu a gente fazer e para mantermos a paz eu resolvi oferecer.

      Novamente o estranho somente balançou a cabeça em sinal de negativo.

     Acabaram de comer  JINAKI ASMAHIANI e seu companheiro, ele então pegou as brasas, juntou a coisas do jantar e ele de novo grita: 

- Vamos dormir JINAKI ASMAHIANI. Sairemos cedo.

- Por que está gritando de novo? Enlouqueceu! Que chamar a atenção do estranho?

- Sim quero, quero que ele permaneça do mesmo jeitinho que ele está quando a gente dormir e quando a gente acordar e sair amanhã; quero que ele esteja do mesmo jeito. 

      Com a carroça na porta da caverna o casal JINAKI ASMAHIANI e seu companheiro se dirigiram para dentro da caverna com a panela cheia de carvão em brasa e pedra para aquecê-los dentro da carroça. 

      A carroça fechava a entrada e a saída da caverna. Assim ninguém sairia nem o frio entraria totalmente.

     Passaram se algumas horas e o estranho começou a gemer, isso foi motivo suficiente para o homem que viajava com  JINAKI ASMAHIANI não dormisse, mas ele também não saiu da carroça e resolveu despertar JINAKI ASMAHIANI que já havia pegado no sono. 

       E ela com os olhos arregalados perguntou  homem "o que estava acontecendo", mas ele sem saber o que responder continuou deitado ao lado de JINAKI ASMAHIANI também com os olhos arregalados.

      O estranho foi diminuindo a intensidade dos gemidos até que cessou  completamente. 

        O novo dia chegou o homem num salto levantou frenético começou a juntar a coisas e ao mesmo tempo chamava por JINAKI ASMAHIANI para que despertasse. 

         Descendo da carroça encontrou o estranho deitado, o companheiro de  JINAKI ASMAHIANI se aproximou, chutou lhe o pé de leve e disse gritando d novo:

-Amigo. Amigo. Você está bem? Amigo!

        JINAKI ASMAHIANI coloca o rosto para fora da carroça e vê o homem de joelho sacudindo estranho. E ele logo volta seu olhar em direção a carroça, solta de suas mãos o estranho que cai como uma pedra e grita para JINAKI ASMAHIANI dizendo;              . 

- Ele está morto!                                                      

- O que? O que você disse?    

      JINAKI ASMAHANI pula da carroça vai ao encontro dos dois homens.    

- Ele morreu.  

Fala o companheiro de  JINAKI ASMAHIANI se levantando e novamente desesperado. 

 - Mas como? Será que foi o frio?  

- Não. Não foi o frio, sei lá... Olha! É sangue. Veja ele tem um ferimento no peito.  Sangro até morrer. Mas uma morte em nosso caminho.

      O homem fala isso olhando para o chão cheio de sangue, depois se ajoelha outra vez  começar a olhar nos pertence do estranho  pegando todas as coisas dele e enfia tudo em uma das mochilas que  o estranho tinha consigo, até que encontra  algo surpreendente que muda completamente a vida dos dois.  

- JINAKI ASMAHIANI! Olha isso!

- O que?

- Você não está vendo isso?   JINAKI ASMAHANI, você conhece o que que é isso?                



 













6º capítulo




 A REVIRAVOLTA



O que hoje me faz chorar pode me fazer sorrir um dia.










 

     De desesperado o homem que viajava com  JINAKI ASMAHIANI se tornou em eufórico.

- Isso é dinheiro. Dá pra trocar por qualquer coisa com todo esse dinheiro. Com essa quantidade dá pra comprar muitas coisas.   É muito dinheiro. Você sabe o que é dinheiro?  Dá até para comprar uma pessoa.

      Na aldeia de JINAKI ASMAHIANI o seu povo não tinha o costume de fazer transações com dinheiro, a moeda de barganha de seu país ainda era a TROCA. 

    Dinheiro para eles era objeto de colecionador, coisa sem nem muito valor, poucos tinham e poucos queriam ter. 

     Por isso JINAKI ASMAHIANI não se importou tanto com aquela sacola repleta de dinheiro.

- Sim, sei. Mas o que você está fazendo?  Revirando o morto desse jeito. O espírito dele se enfurecerá com a gente, o espírito dele ainda esta aqui e vendo o que você está fazendo com o corpo dele. Pare com isso. O que você está procurando?

- Como assim? Você é indecifrável! Você se preocupa com um homem morto e não se constrange de tirar a vida de um homem. 

- Tem morto que merece muito mais respeito do que certos vivos. 

- Esse aqui não tem nada a não vê com essa sacola de dinheiro. Não tem nada que o identifique. Parece que estava fugindo. Mas não conseguiu fugir da  a morte. O que a gente vamos fazer?  Outro homem morto em nosso caminho. A parte do pagamento que seu sogro deu para que você fosse trazida para o meu país agora vai ficar tudo para mim eu sou o único porque estou cumprindo o acordo todo. Estou te levando ao mosteiro e voltarei para minha família com a parte do outro homem.   O que a gente vai fazer?   Eu já não aquento mais enterrar defunto nessa geleira. Nessa viajem já enterrei mais gente do que a minha vida toda.

- É melhor deixar esse do jeito em que está. Vamos ficar calmos e sair logo daqui.

     JINAKI ASMAHIANI não entendeu o desespero do homem e que ficou olhando toda aquela situação e andando ao redor, olhando para um lado e para o outro e se abaixava e se levantava. Uma cena bizarra.

- Venha suba na carroça e vamos embora.

     O homem que viajava com JINAKI ASMAHIANI, ficou um bom tempo parado olhando em direção as colinas cobertas de gelo, que brilhavam tão forte que chegava arder os olhos e uma lágrima rola dos olhos do homem que viajava com JINAKI ASMAHIANI por causa do clarão da neve e ele  volta ao normal entregando a sacola para a jovem que nem por um momento saiu da carroça e foi bem no fundo dela que a jovem jogou a sacola                                

     O viajante pega o estranho pelas pernas e o puxa ate bem no fundo da caverna com a mesma pá que enterrou o seu companheiro ele cava a parede vestida de gelo e cobre o corpo daquele  estranho. 

    Volta em direção a JINAKI ASMAHIANI  e diz:    

- Vamos sair daqui. Antes que alguém procure por ele ou por esse dinheiro.

      O homem pega os cavalo sai com eles atrelando novamente a carroça, JINAKI ASMAHIANI já estava dentro dela.

      Ainda com a pá o homem enterra as fogueiras, enterra o sangue e toda e qualquer vestígio daquela noite de dentro da caverna. 

    Ele sobe na carroça e andando com ela por um bom tempo, acha um bosque bem arborizado e   para com a carroça bem atrás de uns arbustos frondosos que ficava  distante da trilha por onde todos passavam e o homem resolve descer da carroça e outra vez mais tomando a pá em sua mão foi indo de retorno em direção à caverna. 

JINAKI ASMAHIANI aos gritos pergunta com meio corpo para fora da carroça:

- Aonde vai?

     O homem que já estava andando nem olha para trás coloca a pá em um de seus ombros e vai se distanciando  da carroça e de JINAKI ASMAHIANI que continua a gritar:

- Mas você tá indo a onde?

    JINAKI ASMAHIANI não espera pela resposta pula da carroça com aquele maldito quimono que acaba jogando ela no chão. 

    Ela que ainda não estava muito familiarizada com a neve demora um pouco para se levantar e quando de pé querendo correr mais bem na verdade parecia que estava nadando naquele mar branco de neve e nem assim conseguiu sair do lugar, então se põe de pé e tenta alcançar o homem.

- Espere!

Até que o homem para e mesmo de costa ele responde:

- Volte para carroça. 

- Onde você está indo? Não acredito que vai voltar lá? Nem quando seu amigo morreu você não ficou assim.

- O meu amigo que você matou?

- Fiz o que era preciso para me defender de vocês. Vocês são loucos. Meu sogro arranjou dois loucos para me conduzir ao mosteiro. Acho que a intenção dele era outra. Era para eu ser estuprada no navio ou aqui em seu país onde os homens lidam com as mulheres como se elas fossem propriedade deles ou morta por um de vocês, embora tendo tentado só que não teve bom êxito ou morta  pelo seu país maldito que hora é muito molhado, hora é muito gelado a ponto de ficar tudo branco. E faço de novo se tiver que me defender. E estou pronta para fazer agora se você não voltar para aquela carroça e cumprir o que você prometeu para o meu sogro que é me levar ao mosteiro. 

      O homem não se importou com a ameaça de  JINAKI ASMAHIANI  e continua a andar e direção à caverna.

- Volte para a carroça, não faça nenhum barulho, mantenha os cavalos calmos e quietos, não saia da carroça para nada, não deixe ninguém perceber que você está ali.

- Por que tudo isso? 

- Não quero que te aconteça nenhum mal JINAKI ASMAHANI. Eu te gosto de você. Talvez você não saiba o que é isso que eu estou sentindo por você. Você é ainda muito jovem e seu casamento não foi por amor, foi arranjado, foi um acordo entre dois homens que nem se conheciam somente tinham interesses políticos. Mas o que eu sinto por você é amor. Eu não te deixaria como BABU te deixou.

    Nessa hora JINAKI ASMAHANI  se levanta como uma fera e dá um soco na boca do viajante.

Gosta de mim agora?

    Ele cai ao chão com a boca sangrando e responde que sim.

- Eu sei o que é amor. E sei o que é ser amada. Pois eu fui amada por BABU. Infelizmente não gerei um filho dele em meu ventre, nem agradei ao seu pai, seu rei. Mas um dia ainda voltarei para ele que estará a me esperar com o mesmo amor que vivemos quando com ele me casei e consumei o acordo entre os nossos reis.

- JINAKI ASMAHANI, agora somos ricos e poderemos viver muito bem aqui em meu país. Poderemos esquecer tudo de ruim que nos aconteceu.  E viver como dois príncipes.

- Você me amaria mesmo se eu não tivesse relações sexuais com você? Se eu dissesse que não tenho nenhum desejo por você? Que nunca iria querer que você me tocasse? Viveria o resto de sua vida com uma mulher que só olharia e não a possuiria?

- Claro que não. Eu quero casar com você. E ser seu marido em todos os sentidos.

- O que você sente por mim é atração, é paixão. É por que eu estou aqui e você também.  Estamos há muito tempo sem relação com ninguém e por esse motivo...VOCÊ...acha que tem que acontecer, que tem que me ter. Mas não é assim o amor. Amor não nasce e nem acontece na pele mas sim no coração, é incontrolável porque não escolhemos quem amar, mas é dominável o suficiente para não violentar a ninguém. 

      JINAKI ASMAHANI,  depois de dizer essas coisas se volta e vai para dentro da carroça e se deita.

     O homem que a todo tempo falava sem olhar nos olhos de JINAKI ASMAHANI, continua com seu intento e prossegue adiante.

 

 

 

 

 

 



DESPROVIDA





E continua as turbulências.

- Vou encobrir nossos rastros.

- Mas por quê?

- Por que quem foi roubado por aquele homem que morreu naquela caverna vai vir atrás dele e de quem estive com o dinheiro.

-  Deixe que essa neve cubra os nossos rastros ela deve ser melhor do que poeira e até mesmo do que a chuva. Não vai ter batedor algum que nos encontre depois que a neve enterrar os corpos e nossas pegadas. Não vá, vamos seguir nosso caminho e ninguém vai consegui nos alcançar.

- Vou tirar a qualquer pessoa   do nosso encalço. 

- Você nem sabe quem seja.  Você nem sabe se tem alguém mesmo. Estamos perdendo tempo.

- Não sei e nem quero saber. Quem for...quero bem longe de nós. Volte para a carroça e pense no que te falei.

- Vou com você.

- É melhor que eu vá só e vá a pé do que com o cavalo ou do que nós dois com a carroça. Fique aqui volto logo.

     Essas foram às últimas palavras de   JINAKI ASMAHIANI e com o homem que com ela viajava. 

      Ele sabia o nome dela e ela não sabia o nome de nenhum daqueles três homens com que ela cruzara pelo caminho.

     Não conhecia nome de nenhum dos moradores das casas de SASUKI e YUMI só sabia o nome delas. Essa situação dava um pouco de desespero juntando com o frio.

    O tempo se passava e nada do homem retornar já era tarde. 

      O passar do tempo levavam  JINAKI ASMAHIANI para outro dia e mais outro e outro e nenhuma novidade com relação ao homem. 

      A jovem já estava mais que  preocupada com a demora do homem  e com razão. 

       Mas a luta para se manter aquecida ocupava toda a sua mente.

       De novo   JINAKI ASMAHIANI  estava com medo.

        E esse medo quase a impedia de sai da carroça e ate mesmo de acender o fogo.

        Muitos dias se passaram e nada do homem que viajava  JINAKI ASMAHIANI voltar. 

         Não era tão longe assim onde ela estava e a caverna. Eles não levaram  nem um dia para chegar ali naquele bosque, só saíram da trilha. 

        Novamente a angustia leva a jovem aos prantos e mais uma noite naquele lugar que não escurece o dia encerra suas horas sem a noite chegar e  JINAKI ASMAHIANI dorme mais outra vez sozinha.

       O homem que a acompanhava havia escondido a carroça em meio a umas arvores, e JINAKI ASMAHIANI perdera a conta de quantos dias o homem não voltava, mas de repente um cavaleiro passa em disparada e sem percebe a carroça de  JINAKI ASMAHIANI, que quase se manifesta ao ouvir o galope de cavalo em sua direção.

        Mas como ela estava aborrecida quis dá uma de que não estava feliz com a possível volta do companheiro de viajem. 

       JINAKI ASMAHIANI  estava ate ensaiando um sermão para dar em seu companheiro quando percebe que o cavalo passa direto. 

     Então ela recorda bem que seu companheiro de viajem foi a pé e não de cavalo.

     JINAKI ASMAHIANI continua sem sair do lugar por muito mais dois dias na expectativa de que o homem voltaria a qualquer momento. 

    A delonga faz com que a jovem subisse em um de seus cavalos deixando para traz a carroça e tudo o que eles tinham e voltasse à caverna.

    De longe ela vê um corpo deitado ao chão. Desce do cavalo, aproxima a pé e tem a terrível revelação de que o homem que a acompanhava desde o seu país agora  estava morto também.

   Foi ferido e também sangrou até morrer, o mesmo destino do homem na caverna.

   Que país amaldiçoado em menos de um ano   JINAKI ASMAHIANI  se deparado com a morte de três homens.

   JINAKI ASMAHIANI  se desesperou se jogou ao chão sacudindo o homem que já estava duro congelado.

    Fica por um bom tempo sentada abraçada ao próprio corpo e se balançando para frente e para trás como que se tentasse se acalmar até que se levanta e pensa que não seria seguro ela ficar ali , então sobe no cavalo e volta para sua carroça.

   Com a mudança constante no clima e as variações que aconteciam naquele país com dias com luz dose horas e muita lama e chuva ou dias com luz vinte e quatro horas sem sol, muita neve e frio intenso.

    Nos dias de chuva e sem noite a jovem JINAKI ASMAHANI usou de sabedoria: acendia em uma panela de barro o fogo dentro da carroça. Com isso ela não fica fora da carroça exposta.

    Dentro da carroça ela fica em um pranto tão grande  que até a noite resolveu aparecer.

     Depois daquela descoberta  JINAKI ASMAHIANI estava uns cinco dias sem acende o fogo a noite para não ser vista por ninguém. O seu lamento acabou fazendo com que ela pegasse no sono. 

     Mas antes de dormi   JINAKI ASMAHIANI pensava e falava em alta voz:

- Não acredito que o rei AKI fosse um homem tão meticuloso a ponto de arquitetar por tudo isso que estou passando. Passei vários dias nesse país e não escurecia e agora que estou sozinha está tudo escuro. Os únicos homens que eu conhecia um eu matei e o outro foi ao encontro com a morte. Estou com muito frio o pó da terra aqui é branco e gelado que chega doer os ossos; estou com medo que esse cavaleiro tenha matado o homem da caverna e o que viajava comigo e agora não posso nem acender um a fogueira ou algo parecido para fazer uma comida estou com fome vou acabar morrendo também, se esse era o plano de meu sogro me matar, tinha maneiras mais práticas lá na África mesmo. Com a minha morte BABU poderá ter filhos com outras mulheres e governa CANDACE conforme AKI sempre sonhou. 

     E quando ela acabou essa frase veio o choro com um uivo melancólico como a de um lobo solitário para a lua. E com isso ela dorme.

      E o que foi bom por que o homem que cavalgava misterioso ainda rondava com uma tocha em uma de  suas mãos, mas sem ver nenhuma fogueira ou movimento ou sequer barulho mesmo assim  ele ficou rodando a noite toda. 

    Será que ele estaria atrás dela?


















A SOLIDÃO


Nem sempre estar  mal acompanhada é pior do que  estar só. 

        Novo dia, JINAKI ASMAHIANI decide voltar para ryokan da YUMI.   Agora a viagem seria ela sozinha, rumo ao desconhecido.   

      Pega a carroça tenta se lembrar de onde passou com seu companheiro de viajem e o primeiro lugar de retorno é onde esta o corpo dele.   Ela reconheceu o lugar mesmo estando o corpo  do homem que viajava com ela já  completamente coberto em meio à neve.   E logo depois mais a frente à caverna onde está o corpo do o outro homem. Também entrada da caverna estava metade tomada de neve.   

    JINAKI ASMAHIANI segue adiante tentando voltar pelo mesmo caminho esforçando se ao máximo para lembrar-se de toda trajetória percorrida por ela e o homem que os conduzia.    Não vai ser fácil uma vez que JINAKI ASMAHIANI de pirraça passava maior parte do dia dormindo dentro da carroça ou era por causa da chuva ou por causa da neve. 

       Agora sozinha e sem entender o idioma falado por daquele povo. Passou por vários dos vilarejos que a lembrou de que em alguns deles pararam para abastecer de suprimentos, passou pela casa onde JINAKI ASMAHIANI teve febre e o homem aproveitou dela.   Ela foi seguindo adiante, sem parar nem sequer para dormir.                                                                                                            A neve não facilitava para os cavalos e por causa deles JINAKI ASMAHIANI se sentia obrigada a descansar, a escuridão que estava naquele país favorecia JINAKI ASMAHIANI que só assim muitas das vezes passava despercebida em um ou outro vilarejo.   Agora as noites eram intermináveis, não clareava mais durante o dia.                                                                                                                  Ela só parava nas proximidades de alguma casa, quando a neve a obrigava parar e fica até abaixar um pouco para que o cavalo pudesse seguir e continuava sem fazer contato com alguém.          Por que todas as vezes que desciam da carroça todos a olhava com um jeito de assombrado coisa que ainda a incomodava de mais.    Mas ela queria um pouco de luz e espaço e a qualquer barulho ela se preocupava. 

       Assim foram os dias se passando e meses começavam e se findar e JINAKI ASMAHIANI percorrendo novamente o caminho que foram os mais tristes e a viagem mais longa de toda sua vida.  Ela desejava em seu coração que o seu retorno para o seu lar, sua terra natal, para o seu povo, não fosse uma viajem tão longa como essa e que não demorasse tanto quanto agora e era o que ela falava consigo mesma e gritava às vezes, ate sorria e sempre acabava chorando.  Com toda essa luta cresceu nela a obstinação de: "CHEGAR À CASA DE YUMI". Foi então que como um sonho JINAKI ASMAHIANI avistou o vilarejo de YUMI sua casa era uma das primeiras.                                                                                     


      O rosto de  JINAKI ASMAHIANI até mudou de aspecto por que veio a memória os banhos deliciosos que tomara nas  casas das mulheres

 por onde passou, as roupas lindas e macias e o perfume! Nem o rei AKI cheirava tão gostoso assim. E a educação!

        Nisso seu sogro tinha razão com exceção  daquele homem que vieram com JINAKI ASMAHIANI de seu país a mando de seu sogro. 

        Bem na verdade o navio inteiro só tinha homens sujo, fedorentos, desnutrido e grossos.

        Ah! Seu sogro! Só em pensar nele e nas coisas que ele estava fazendo JINAKI ASMAHIANI passar   novamente fizeram decair a fisionomia da jovem.                                  .

       JINAKI ASMAHANI  estava perdida em meio aos seus pensamentos, suas tristezas e mesmo em meio à lembrança dos seus banhos na tão ansiada   ryokan  de YUMI.

        Ate que de repente ela volta a sua triste realidade.

        Os cavalos são  parados, a carroça para foi segura e ela escuta vozes bem próximas e percebe que foi  bloqueada por uns homens que seguravam os cavalos e falavam, falavam. E ela sem entender uma palavra se quer. Sentiu novamente o pânico que ela tinha daquele povo a sufocar. Era verdadeiramente a primeira coisa que paralisava JINAKI ASMAHANI.

Foi do êxtase ao reboliço num piscar de olhos.                                             

                                                                                                                                                              













7º capítulo






CONSEGUIU VOLTAR



 


Uma luz no fim do túnel. Ou não... 


        As pessoas estavam ao redor e a cada minuto que passava aumentava a quantidade de pessoas e se aproximavam cada vez mais de JINAKI ASMAHANI que  arregalava os olhos em direção a todas aquelas pessoas como quem visse monstros. 

        Ate que um deles subiu na carroça e pegou  JINAKI ASMAHANI pelo braço.      .

        JINAKI ASMAHIANI luta com o homem e consegue manter-se  na carroça e em gritos e meio confusa ela pronunciava o nome de SASUKE e varias vezes até que de súbito foi jogada da carroça ao chão.     

      Num impulso JINAKI ASMAHIANI se levantou e correu ate a  ryokan  da YUMI, batendo desespera na porta que  abri lentamente e JINAKI ASMAHANI se lança para dentro da casa e  fechando porta com veemência e o mais rápido que conseguiu. 

      Agarrada aos pés de YUMI ela pede: 

- Por favor. Ajude-me. Por favor, não deixe eles me pegarem. Eu estou sozinha. Ajude-me. Socorra-me.

      YUMI tomou um susto e mais ainda  quando  vozes masculinas aos gritos a mandou que abrisse a porta.

     JINAKI ASMAHIANI nunca tinha visto tanta gente na rua a noite quando ela viajava com aqueles homens. Aí ela lembrou que não era noite foi só o sol que não tinha nascido. 

     YUMI como sempre se mantinha calma e  conduziu JINAKI ASMAHIANI para o centro da casa e com a mão nos dois ombros da moça e lhe olhos fixamente em seus olhos e passando a mão em seu rosto a tranquilizava dizendo:

- Fique aqui. 

      Mas se dirigiu novamente  para a porta para desespero de JINAKI ASMAHIANI que tenta se opõe que ela abra a porta. Repetindo tudo o que tinha dito quando chegou.

Yasunjiru.    Disse YUMI empurrando JINAKI ASMAHIANI para longe da porta novamente e  colocando ajovem sentada no tatame.  Tocou lhe suavemente nos lábios. 

      Conseguindo YUMI chegar à porta e a  abriu. Depara-se com um policial em pé que já estava preparando umas pitombas para dar na porta, automaticamente YUMI se encurva, o policial também, mas a reverencia dele foi muito breve por que o homem parecia nervoso, como à maioria dos homens daquele país, deveria ser por esse motivo que a mulheres falavam baixo e com muito poucas palavras. O que as mulheres tinham de educação e gentileza faltava na maioria homens dali. 

       O homem passou por YUMI que permaneceu curvada foi ate JINAKI ASMAHIANI e a pegou pelos braços.

         JINAKI ASMAHIANI achou melhor não resistir assim como ela entrou naquela embarcação aos olhos de toda sua tribo segundo a ordem de seu sogro, estava mais uma vez indo ela contra vontade sem nem saber para onde. 

       Os olhos das pessoas a alfinetava. Até silêncio delas também a incomodava e tudo isso faz a jovem moça se derramar em lágrimas até a delegacia de policia.                                                          . 

       Entrando eles por aquele lugar onde as pessoas abriram espaço para os dois passarem e a assombro esbofeteava a jovem que já sem forças não conseguia nem caminhar mais.

-Senhora.

     Ouviu JINAKI ASMAHIANI, que levantou a cabeça em direção àquela voz.

-Senhora. O que está acontecendo?  

- Não sei. Eu só queria chegar à casa de SASUKE. Leve me a casa de SASUKE.

- Venha comigo. Venha. Depois você me diz quem é SASUKE

- A casa dela é pra lá... Ali está à casa de SASUKE. Leve para lá. Por favor.

      Quanto mais JINAKI ASMAHIANI falava o nome da mulher errado mais ela se via distante e sem forças nem conseguia reagir mas. 

      Envolvida nos braços daquele que falava com ela e em meio o tumulto da rua  os dois acabaram  chegando a delegacia e entrando direto  em uma sala que e o senhor que falava claramente com JINAKI ASMAHIANI a colocou sentada e a ofereceu um chá. 

      Era tudo muito rápido e automatizado. 

      O homem parecia um bonequinho de vodu só que branco.

       JINAKI ASMAHIANI consegue respirar agora que estava sentada e a multidão estava fora da delegacia

- Não. O que eu preciso é de ajuda. Cheguei aqui em seu país há quase um ano a trás. Meu sogro, rei de CANADE, contratou homens que me trouxessem para ser ensinada a ter bons modos assim como as mulheres daqui e ter regras como todo o seu povo. Essa foi à ideia de meu sogro. Pagou a dois homens que me transportasse em sua embarcação de mercadorias, eles me levariam a um mosteiro. Mas depois que chegamos aqui e estávamos indo em direção ao mosteiro na viagem os dois homens morrem e me deixaram sozinha. Sem saber o que fazer pensou em voltar.

-Bem eu não estou entendendo direito a sua história. Mas vamos começar no início. Sou o policial FUYUKI.  Você está dizendo que seu sogro com outros homens do meu país estão fazendo tráfico de mulheres?

- Não. Eu não disse isso! Preste bem a atenção, eu não quero repetir de novo. Meu sogro esteve em seu país e gostou da educação de seu povo e  me mandou para cá em um navio mercante para aprender a cultura de vocês.

- Porque navio mercante?  Você veio forçada.

- Forçada, forçada... Não é o caso. Mas eu não queria.

- Estou pensando como faremos para te levar de volta?

- Eu não voltarei agora.

- Mas foi você mesma quem disse que não queria vir.

- Sim. Mas só voltarei quando eu for ao tal mosteiro.

- Ah!... E fazer o que mesmo nesse mosteiro?    Você não quer voltar para o seu país? Para a sua família? Para casa? 

- Ainda não. Eu vim para chegar a esse mosteiro e aprender tudo o que eu não sei. Aí sim eu vou querer voltar para minha aldeia. Mas enquanto isso não acontecer. Ajude-me.                                          

 - Qual seu nome mesmo?   

 

 

 
















SOU JINAKI ASMAHANI


Saber quem somos mesmo quando  querem que mudemos






 - Sou princesa JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha do rei de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE  que me mandou vir para esse país com o objetivo de aprender bons modos e regras.  .

-Vou tentar leva-la para casa dessa senhora SASUKE, mas esteja sempre disponível para qualquer averiguação e assim que tivermos condições a levaremos para o mosteiro.   Então começaremos tentando descobrir quem é a senhora SASUKE para quem a senhora deseja voltar aqui em nosso país. Depois acharemos ao mosteiro e por ultimo, mas não menos importante, descobriremos quem foram os homens que viajavam com a senhora e morreram.

- Obrigada. Mas a casa da SASUKE foi de onde você me tirou. Ah! Não é SASUKE o nome dela. É YUMI.  Estou tão nervosa que confundi os nomes e acabei trocando.  Me desculpe e obrigada.

       A volta da jovem para  ryokan  de YUMI não foi diferente da primeira e segunda vez. Sua presença era marcante a ponto de um povo tão regrado esquecer a postura e saírem rua a fora parecendo carnaval. E os moradores da casa se assustarem  a cada chegada da jovem sempre de baixo de reboliço.

      Até que chegou a casa de YUMI que abriu a porta e a jovem caiu nos braços da dona da casa em prantos entrando junto com ela o policial.

     O policial FUYUKI pediu a YUMI que hospedasse a jovem até que ele arrumasse uma maneira de conduzir  para o seu destino.

      Com JINAKI ASMAHANI ainda em seu ombro em lágrimas YUMI concorda com um inclinar da cabeça e uma expressão de sorriso. 

     YUMI acompanhando a jovem para o seu dormitório, mas antes apontou para o banheiro e as duas abriram um sorrisinho e entraram no cômodo do banho e JINAKI ASMAHANI saltou de alegria e fez uma dancinha, cantando um hino da sua terra natal e indo em direção da banheira e tirando o quimono introduzindo-se suavemente na água daquela banheira que era a única coisa em todo aquele país que fazia JINAKI ASMAHANI dançar e cantar com leveza da alma.

       YUMI a segura pela mão com um gesto e pede que a jovem a espere. JINAKI ASMAHANI fica olhando sem entender mais mesmo assim... obedece. 

       YUMI pega uma vasilha com água quente e deposita na banheira, repetindo essa ação por muitas vezes  e com mais um gesto das mãos ela chama a jovem para o banho. 

       O banho era até agora a única coisa que lhe dava paz. 

         JINAKI ASMAHANI se sentou sobre os joelhos e fechou os olhos e novamente caiu em pranto.  

         YUMI ajoelhou do lado da jovem e a abraçou com um forte e quente abraço talvez até muito mais quente que a água da banheira que a esperava e assim YUMI conduz JINAKI ASMAHANI para a banheira onde com o toque da água morna seu corpo todo se arrepia e ela se assenta, fechando os olhos e respirando profundamente.   Até que adormeceu. 

      YUMI desperta  JINAKI ASMAHANI sempre com muito carinho a acolheu em seus braços, lhe seca o corpo e lhe vestindo outro e lindo quimono, foi lhe conduzindo para a área de refeições  JINAKI ASMAHANI,   sacode a cabeça que não e as duas abraçadinhas caminham pelo corredor da casa e vai em direção do mesmo aposento que JINAKI ASMAHANI dormira na outra estadia quando chegou à cidade pela primeira vez aquela casa.

        Parecia que a jovem tinha toneladas nas pernas e mais toneladas nas costas, quando olhou para o seu lugar de dormir já foi se ajoelhando deitando e rapidamente pegou no sono e balbuciou:                        . 

- Não me acorde pela manhã. Quero muito dormir até colocar todo o meu sono em dia. Ou despertar desse pesadelo.

        Assim se retirou YUMI do quarto de JINAKI ASMAHANI e pouco tempo depois reinou o silêncio na casa de YUMI, e passando mais um pouco da noite  o silêncio dominou aquela rua e depois toda a cidade que parecia dormir como JINAKI ASMAHANI em um profundo sono sem nem se preocupar com o que o amanhã pudesse estar lhe reservando.                                                                                    . 

        O importante era o ali e o agora.

 

     

 

 






















O QUE NÃO TE MATA TE FORTALECE



De tudo o que se passa nessa vida ter  alguma coisa para se aprender





     No outro dia JINAKI ASMAHANI não  saiu do quarto  já havia passado a hora do café da manhã e já era a hora do almoço, quando novamente YUMI abre a porta do quarto onde JINAKI ASMAHANI desperta lentamente e olhando para YUMI com apenas um olho e vira de costa para a anfitriã que permanece parada por alguns minutos em silêncio; torna a fechar a porta e fala com uma pessoa na sala de entrada da casa. E reina o silêncio e a paz para JINAKI ASMAHANI em seu sono profundo. 

    Passaram se dois dias e JINAKI ASMAHANI ainda dormia ate que é surpreendida com a porta se abrindo e o policia chamando o seu nome.

     JINAKI ASMAHANI torna a dar as costas também para o policial que entra no aposento ajoelha se e diz:

- Senhora. A senhora está há três dias nesse quarto sem comer, nem se quer ter ido ao banheiro. A senhora está bem?

- Quero dormir.

- A senhora precisa de se alimentar, beber água, pode acabar doente.

- Deixe me dormir. Estou bem.

- Precisamos conversar sobre sua viajem.

- Deixe-me em paz. 

    JINAKI ASMAHANI alterou a voz, mas no mesmo momento fechou os olhos voltou se para o policial em um repentino movimento se levanta  se curva e... 

- Me desculpe. Se o senhor puder me esperar lá fora já estarei pronta em alguns minutos.

   Quando o policial se ausenta do quarto, JINAKI ASMAHANI chora, sente que a cada situação de sua vida a revolta lhe causava muitas lágrimas por que dela mesma não poderia fazer mais nada além de chorar. Era a única coisa que ela ainda fazia quando sentia vontade.

     Demorou, demorou bastante, a casa toda em suspense dava para se ouvir seu choro e por muitas vezes o policial quis voltar ao quarto mas YUMI o impedia rogando lhe que tivesse paciência com a jovem moça que estava passando por momentos muito difíceis.

     Chegou a hora do jantar daquele dia e foi só aí que JINAKI ASMAHANI aparece. 

    Sentou se a mesa junto de todos e começou a perguntar ao policial:

- Então... Estou aqui. Fala-me sobre a minha viagem ao tal mosteiro.

- Perdão. Mas a hora das refeições é sagrada e o silêncio honra essa hora.

- O que?

- Não temos o costume de conversamos na hora das refeições. Não se deve falar com a boca cheia, faz mal a digestão.

- Tá falando sério? 

    O policial não respondeu mais. E durante o jantar reinou o silêncio.

     Acabaram de jantar o policial foi com JINAKI ASMAHANI para a varanda onde ele disse a jovem:

-Podemos conversar agora, senhora JINAKI ASMAHANI. A senhora falou que dois homens foram a sua terra em  navios mercante e a trouxeram para o meu país contra a sua vontade?

- Sim.

- Então foi um sequestro?

- O que?  E eu não consigo falar com ninguém sem olhar nos olhos. 

E JINAKI ASMAHANI senta no degrau da varanda sendo seguida pelo policial que também se senta ao seu lado.

- Quero entender tudo o que lhe aconteceu, se a sua chegada aqui foi um sequestro e sequestro é quando a pessoa é levada a força, amordaçada, acorrentada, entorpecida para onde ela não pediu nem permitiu ser levada. Por que se foi isso que te aconteceu nosso país te retornará para o seu país o mais rápido possível. E foi isso que lhe aconteceu?

- Escuta. É muito bom falar com quem entende e fala a mesma língua. Em meu país tem suas tradições e costumes muito diferente do seu.  Que também são muito bonita mas rustica.  Meu rei   impôs que eu viesse para seu país para estar com seu povo e aprender o modo em que suas mulheres se comportam. São mulheres como as de vocês que ele desejava para ser sua nora e futura rainha de sua aldeia.     A sua pergunta foi se eu vim sem querer? Sim, eu vim sem querer.    Não fui amordaçada nem acorrentada para chegar aqui.  Não foi boa a viajem de navio nem os meses que estou aqui não tem sido nada nenhum deles bons para mim.   Mas eu não vou voltar sem antes acontecer comigo tudo o que o meu rei e sogro planejou para mim.   Ele pagou dois homens que eu nunca soube os nomes deles, para me levarem ao tal mosteiro que não sei para onde fica e nem por quanto tempo eu ficaria lá.   Temo que quando eu voltar meu marido tenha outras mulheres e ate filhos e não me aceite mais. Mas voltarei como as mulheres daqui e me sentarei naquele trono. Então somente te peço leve me para o tal mosteiro.  O de mais é irrelevante para mim.

- Ótimo. Iremos para o mosteiro.   

- Sim. Leve me o mais rápido que você puder?

- Sim. Mas primeiro teremos que investigar as mortes dos homens que lhe trouxeram do seu país.

- Leve me ao mosteiro. E eu farei o que o senhor quiser. Mas leve me primeiro ao mosteiro. 

-Vou mandar um mensageiro ao mosteiro que contará todo o seu caso e quando chegar à resposta eu volto para lhe comunicar.  Enquanto isso fiquem bem. YUMI  é uma ótima anfitriã.

    Gritando pelo nome da dona da casa o policial se dirige para porta, logo YUMI aparece e eles se despedem.                                                            .

     JINAKI ASMAHANI volta para seu quarto.

      YUMI vai ao encontro da jovem e lhe pega pela mão levando a para a mesa de refeições, antes de se ajoelhar para comer JINAKI ASMAHANI para bruscamente e sacode a cabeça e todo o corpo, soltando das mãos da anfitriã e voltando para o seu quarto puxando a porta de papel de arroz que fechava para o lados.


      Passaram se mais dois dias e em que JINAKI ASMAHANI não sai do quarto a não ser para suas necessidades fisiológicas. 

     Só fazia dormi. 

    Todas as vezes que YUMI chegava a seu quarto ela estava dormindo. 

     Enquanto isso o policial investigava as misteriosas mortes que cercavam a nossa jovem e também a ida dela para o mosteiro. 

     A jornada de JINAKI ASMAHANI já poderia ter acontecido se o policial não quisesse primeiro solucionar as mortes. Até que em um dia ele aparece na casa de YUMI com uma pasta e um ar preocupado.

     Chega à casa de YUMI e falando em sua língua natal aponta para o quarto de JINAKI ASMAHANI. YUMI imediatamente se dirige para o quarto e se surpreende com JINAKI ASMAHANI já de pé e arrumada para sair então as duas vão para a sala ao encontro  do policial.

     Aí fala o policial na língua africana:

- JINAKI ASMAHANI você tem que me responder sinceramente algumas perguntas que vou lhe fazer.

- Sim

- Quais eram os nomes  que você ouvia os homens se chamarem?

- O que! Pensei que fosse me perguntar sobre a minha ida para o mosteiro! Você está brincando comigo! Eu tenho presa de sair desse país eu tenho presa de sair dessa casa eu tenho presa de sair do meio desse povo eu tenho presa de sua presença insuportável.

- Não grita JINAKI ASMAHANI.

- Eu ainda não estou gritando. Mas eu já estou desesperada. Me leve daqui. Tire-me daqui. Se você não tem condições de me levar para o mosteiro você nunca terá condições de me leva para o meu país. e se você não tem, não perderei mais tempo com você como foi com aqueles dois homens. De mim mesma voltarei para meu país para minha aldeia e pedirei a meu pai que me traga de volta e me leve a esse tal mosteiro. Por que vocês daqui não tem serventia para tal.

- JINAKI ASMAHANI preciso que você compreenda. Dois homens morreram e não sabemos de nada. Você é a única pessoa que conhece o que aconteceu. Só quero que você me conte de tudo pois sou um policial!

- Eu te conto. Mas indo para o mosteiro. Quando eu estiver no mosteiro. Quando eu for sair do mosteiro. Mas primeiro me leve para esse bendito mosteiro. Quanto mais tempo eu levar aqui mais tempo eu vou demorar em chegar de volta ao meu país. Então  tira-me daqui  e eu lhe conto tudo.

- Tá bom JINAKI ASMAHANI eu voltarei para te levar ao mosteiro e você me conta no caminho durante a viagem. Amanhã bem cedo estarei aqui para começarmos a nossa viajem.

   JINAKI ASMAHANI se levanta do chão vai em direção ao quarto e cambaleia tentando se segurar nas paredes de papel arroz que acabam se resgando e a jovem cai desmaiada no chão. 

    Os moradores da casa correm para socorre a jovem. 

    O policial a toma em seus braços e a conduz para ao aposento. YUMI vai para a cozinha e em um breve tempos depois volta com uma tigela de sopa. 

   Os dois a colocam sentada e dando em sua boca aos pouco água e forçam a jovem a tomar a sopa.

   YUMI fala algumas coisas e o policial traduz o que ela diz:

- YUMI está dizendo que você tem que repousar um pouco para a sopa fazer efeito e restaure as suas forças e também tomar um banho. Já está precisando muito.

    E todos caem em um lindo coro de risadas ate a jovem JINAKI ASMAHANI. 

    YUMI e o policial deixam JINAKI ASMAHANI  no quarto e os dois saem falando em um tom bem baixinho como se JINAKI ASMAHANI pudesse entender o que eles falavam o policial se despede e vai embora.

      JINAKI ASMAHANI vai ao encontro de YUMI e pede a ela que lhe prepare um banho, como não sabia como dizer apontava para o banheiro e passava a mão pelo corpo. YUMI abaixa a cabeça e passa pela JINAKI ASMAHANI vai para o banheiro começa a pegar as lenha para aquecer a água e tudo muito rápido quando JINAKI ASMAHANI percebe YUMI já está com o banho pronto toalhas e quimono limpo em seus braços chamando JINAKI ASMAHANI para  tirar a roupa e entrar na banheira. 

   A cada dia que passava dava para se notar que a personalidade de JINAKI ASMAHANI estava diferente daquela mulher nativa que chegara ao Japão que dirá daquela menina que  viveu um dia o sonho de casar com um príncipe e de ser feliz para sempre. 

    E o ”sempre” muitas das vezes é “’ indefinido” assim como o “feliz” também não é muitas das vezes “divertido”.

    Então o que seria da nossa jovem JINAKI ASMAHANI?



  

















8º capítulo




A DURA E BOA VERDADE

 

MAPALU é deus e Mas SASUKE é apenas uma mulher.








    A primeira vez que  JINAKI ASMAHANI viu SASUKE, ela estava tão desesperada que pensava ter chegado um socorro divino; a própria entidade MAPALU estaria à porta para lhe receber e a conduziria para outro cosmo ou para sua casa  aos braços de seu marido. 

    Mas o que ela viu foi uma mulher que era tão subjugada, que nem esperou   JINAKI ASMAHANI  se lançar aos seus pés mais foi logo se encurvando a presença todos que estavam ali.

   Que decepção!

    Era uma mulher com aparência de uma deusa!  YUMI não era diferente de SASUKE e de todas as mulheres daquele lugar.

     JINAKI ASMAHANI  ficou pensando será que o seu sogro também se enganou com aquele quimono lindo e a pintura do rosto que deixava YUMI mais branca que leite? 

    Talvez como ele visse que todas as mulheres  se vestia como deusa ele deve ter achado  que era uma tribo só de deusas.

     Pensava   JINAKI ASMAHANI  em meio a sorrisos de ironia.

      Os dias iam se passando rapidamente; e foram voltando à normalidade: "o dia tinha o sol para iluminar e a noite a lua estava lá no céu". Já dava para se andar nas ruas a neve tinha indo embora e com uma paciência admirável toda manhã YUMI abria a porta do quarto de  JINAKI ASMAHANI e quando a jovem abria um dos seus olhos via YUMI de joelhos a sua porta e com movimentos repentinos  JINAKI ASMAHANI cobria a cabeça e virava se de costas para sua anfitriã que gentilmente fechava a porta e saía da mesma maneira que chegou.

      Mais um dia amanheceu na casa de YUMI, mas dessa vez a luz da manhã trouxe JINAKI       ASMAHANI  para fora do quarto mais cedo do que todos os outros dias em que a jovem esteve na casa, quando YUMI abriu as portas do quarto JINAKI ASMAHANI já estava de pé. 

     E uma cena que ela viu lhe fez parar e admirar. YUMI estava limpando o seu quarto, e fazia sinal com os braços e a cabeça para que JINAKI ASMAHANI pudesse transitar sem que incomodasse, mas JINAKI ASMAHANI permanecia no mesmo lugar e via que com varridas delicadas e cadenciadas YUMI limpava o chão, depois de joelhos e com as mãos encerrava o todo com isso mantinha um brilho e um perfume de cair o queixo. 

   YUMI assim também fazia com as paredes de madeira e as paredes de papel arroz, deixava invisível os vidros e a todos os objetos de decoração da casa ela lavava com muito carinho. 

    Por que fazia JINAKI ASMAHANI não entendia embora achasse tudo muito bonito . E causava uma sensação de prosperidade. 

   Diferente do que JINAKI ASMAHANI tinha em sua aldeia era tudo organizado ou parecia ser. 

    As coisas tinham os seus lugares ou ficam onde se deixava ficar. Na aldeia tinham as prioridades e limpar onde se pisava  era   apenas mais uma delas.

    Aquele dia JINAKI ASMAHANI tirou para observar YUMI.  .

     YUMI olhava JINAKI ASMAHANI, e continuava ao seus afazeres dava umas risadinhas.

      Mas JINAKI ASMAHANI não falava nada, só olhava.

     Após limpar a casa YUMI tomou de um cesto e foi para rua.

     JINAKI ASMAHANI até pensou em acompanhar a anfitriã, mas ao ver as pessoas lhe olhando, correu para dentro de volta e fechou a porta o mais rápido que pode.  

    Dentro da casa JINAKI ASMAHANI avistou por uma das janelas a direção em que YUMI fora. 

     Viu que não muito longe da casa passava  um riacho cheio de pedras e YUMI com outras mulheres usava daquele riacho para lavar as roupa da família.

     De onde JINAKI ASMAHANI estava dentro da casa dava para especular bem o que fazia YUMI ela não batia as roupas nas pedras para deixá-las limpas, mas passava umas plantas que mesmo sendo verdes não tingia as roupas de verde e sim as  limpava e as perfumava de verdade.

     JINAKI ASMAHANI levou muitas horas de pé naquela janela olhando aquelas mulheres lavando suas roupas e mesmo sem ter homens por perto se mantinham de cabaças baixas e em silêncio.

      Voltando YUMI para casa e percebeu que JINAKI ASMAHANI ainda não tinha comido nada, então oferece o dejejum para a jovem com um movimento das mãos em direção as louças e JINAKI ASMAHANI  demostra aceitar com um manear da cabeça.

     As duas caminham para um cômodo  chegando nele  YUMI ajoelha se e aponta para JINAKI ASMAHANI que se ajoelha também. 

    YUMI se vira para o lado e pega uma mesa baixinha e um fogareirozinho que o acede e com um bule coloca água para esquentar. E começa o ritual do chá.

      JINAKI ASMAHANI presta tanto a atenção que parecia que ela nem respirava, seus olhos estavam vidrados nas mãos de YUMI, que quando YUMI lhe entrega a xicara de chá ela fica como quem sonha. YUMI começa a beber do chá e JINAKI ASMAHANI repete todos os movimentos de anfitriã.

Após o primeiro gole as duas começam a sorrir.

- Acho que você está sorrindo mais comigo aqui do que é o seu costume. Por que vi você lá fora com as outras mulheres e você nem sequer lhes dirigiu o olhar. Assim como eu não tenho costume de rodar a cuia de chá ou tomar banho em banheiras, você também não tem o costume de sorrir. Não é mesmo minha amiga? É uma pena que nem tudo oque eu falo você não me entende. Mas para você não tem problema algum por que você quase não fala mesmo não é? Olha essa casa... Nem parece que tem crianças... As pessoas nas ruas só se viam com vidas nelas mesmas quando estavam me aferrando. É nisso que me tornarei? Uma mulher sem alma. 

     YUMI não entendeu tudo do JINAKI ASMAHANI falava, mas quando os olhos de JINAKI ASMAHANI perderam o brilho ela entendeu e fez o que fazia de melhor “abaixou a cabeça".

   YUMI se levanta começa a recolher as louças do chá e vai para a cozinha coloca sobre a pia alguns legumes, o arroz e prepara todo para cozinhá-los. 

    Vai para o fundo do quintal e tempos depois  volta com uma galinha morta e depenada que coloca em uma taboa em cima da pia e a esquarteja colocando em um caldeirãozinho para cozer. 

    Horas depois a comida está pronta. JINAKI ASMAHANI pensa consigo mesma que nunca tinha cozinhado em sua vida. Nem na maneira deles de cozer dava para se assemelhar. 

    YUMI lava muito tudo e tirava a casca de todos os legumes e frutas. 

     À tardinha YUMI estava no banheiro com a porta aberta coisa que ela não tinha o costume de fazer. Sentada ao chão YUMI estava somente cuidando dos cabelos. 

    Foi aí que  JINAKI ASMAHANI percebeu que os cabelos de YUMI eram enormes e muito lisos, que só viviam envoltos em um tipo de coque algo que também era tradicional nas mulheres dali.

Ela passava produtos e usa instrumentos que os deixava mais liso ainda.

Penteava os longos cabelos varias e varias vezes. E todo esse tratamento deixa os com  mais brilhos, lisos e cheirosos. Ela havia tomado banho primeiro e depois penteado os cabelos. 

   Coisa que era estranho para JINAKI ASMAHANI, YUMI tinha tomado banho ontem e feito o mesmo com os cabelos, tantos o banho fora de ocasião importante e o tratamento com os cabelos. 

     Na aldeia de   JINAKI ASMAHANI  todos os dois eram feitos diferente quando o banho não era na cachoeira, lagos e rios, ou de uma maneira diferenciada na própria tenda onde colocavam ervas aromáticas para torra em brasas e as mulheres banhavam-se com a fumaça. 

     E o cabelo! Oque para os daqui o  que era um cabelo sujo como o da jovem JINAKI ASMAHANI quando chegou, para a nativa era alto estilo.

    JINAKI ASMAHANI volta para o seu quarto e medita em tudo o que ela viu  faz um cara feia enrugando todo o seu rosto e tem a consciência da que vai ter que fazer muita força para ser como se quer uma delas mesmo sendo todas iguais que até nisso diverge do seu povo  e tentando entender o porquê de seu sogro ter se apaixonado por essa beleza gélida desse povo! 

    Por que ele não aceita as coisas naturalmente como elas são? 

Eu sou JINAKI ASMAHANI de CANDACE. Princesa de CANDACE, filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. 

      Falou JINAKI ASMAHANI em alta voz e se ajoelhou encurvada totalmente ao chão que molhava com suas lágrimas de tanto a chorar.

      E era cada vez que  JINAKI ASMAHANI chorava algo crescia dentro dela.

 

















AS RUAS











Enfrentar os temores  começando com os primeiros passos.

















    Novamente JINAKI ASMAHANI passa o dia todo trancada dentro do seu quarto. 

    Por mais que as crianças da casa já tivessem acostumadas com ela ainda tinha olhares travessados quando ela se locomovia, isso incomodava JINAKI ASMAHANI, chegava lhe causar arrepios e ate ânsia de vomito.  

   Quando isso acontecia JINAKI ASMAHANI parecia sentir na pele o toque das pessoas e suas falas confusas e seus olhares por mais que eles tentassem arregalar ainda sim continuavam pequenos e bem pretos parecendo duas centopeias. 

   A rua se tronara um lugar aterrorizante para JINAKI ASMAHANI. 

   Por causa suas dificuldade de comer, JINAKI ASMAHANI estava fraca para andar  então tudo isso e muito mais coisas estavam tirando a paciência dela parecia já não ter nenhuma.

   O melhor era ficar trancada no quarto e não sair para nada. Ou não...

    Quando caiu a tarde JINAKI ASMAHANI sai do seu quarto abriu a porta que dá pra rua e deu um profundo respiro e tomou um impulso e sai para o lado de fora. 

    YUMI está na cozinha fazendo a janta, e escuta o caminhar desengonçado de JINAKI ASMAHANI com os tamancos e estranha não vê-la passando em direção ao banheiro, continua nos seus afazeres, mas prestando a atenção no que está acontecendo e resolve ir até o quarto da jovem, não a encontra. 

    Chega à sala e encontra a porta aberta. Pergunta em alta voz se alguém da casa tinha vista a estrangeira e uma das crianças responde que a viu sair e indo rapidamente para o final da rua.

    Na mesma hora YUMI sai rapidamente pela rua para ver se alcança JINAKI ASMAHANI. 

   Vai   olhando andando rápido para um lado e para o outro.  .

    Até que encontra a jovem entre um tropeço e outro. 

   YUMI tenta parar  JINAKI ASMAHANI mesmo sem saber para onde ela ia. 

    YUMI em seu desespero pensou milhares de coisas enquanto tenta achar a jovem pelas ruas. 

Doko ni iku no? doko ni iku no? Modorimashou? Quero dizer: Onde você está indo? Vamos voltar?

-Estou indo falar com o policial FUYUKI que foi em sua casa. 

Modorimashou?

- Não. Não entendo o que você diz. FUYUKI.  Leva-me a FUYUKI.

    Como JINAKI ASMAHANI era mais forte e teimosamente irredutível YUMI não teve o que fazer a não ser acompanha a jovem até FUYUKI. 

    YUMI conduziu JINAKI ASMAHANI por ruas que ela não conhecia ruas essas que estavam mais vazias. 

      JINAKI ASMAHANI ficou mais tranquila na companhia de YUMI porque ate o momento em que as duas se encontraram JINAKI ASMAHANI parecia acuada. 

      As duas vão andando, o mais rápido que elas conseguiam pelo motivo de JINAKI ASMAHANI estar de tamancos isso dificultava bastante o progresso da caminhada por que YUMI tinha que carregar a jovem que era bem mais alta do que ela  ate chegar à delegacia, entrando as duas, todos os que estão naquele lugar olham para elas: duas mulheres, de  cores diferentes, abraçadas, de olhos arregalados, tremulas de andar lento, em passos pequenos.

      E um dos policiais grita pelo nome do policial FUYUKI e dizendo mais algumas palavras logo a seguir aparece o policial FUYUKI  e vai ao encontro das duas, as levando para uma sala, sala esse que  JINAKI ASMAHANI já tivera antes.

- YUMI!  JINAKI ASMAHANI! O que fazem aqui?

     Na mesma hora YUMI se ajoelha aos pés do policial FUYUKI e vai falando sem parar e  JINAKI ASMAHANI de pé diante deles estava de pé continuou; olhando para os dois com um olhar assustado sem nenhuma atitude da mesma forma estava FUYUKI com a presença das duas mulheres na delegacia.

     FUYUKI as conduz para sua sala, fecha a porta   e faz a mesma pergunta apontando para duas cadeiras e sentando atrás da sua mesa de trabalho.      .

-  JINAKI ASMAHANI! YUMI! O que vocês fazem aqui?                

- Vim falar com você. Já não aquento mais a expectativa de suas   respostas sobre a viajem para o mosteiro. O tempo vai se passando e não estou vendo nenhuma novidade, eu ainda estou no mesmo lugar que quando cheguei nesse país. 

- Mas estou procurando saber onde fica o endereço de um mosteiro para levar você pra lá e ainda estou envolvido no caso das mortes dos viajantes que te trouxeram até aqui. Esses casos estão sendo um grande mistério por falta de informações. Falando nisso vamos aproveitar a  sua vinda aqui  então me responda algumas perguntas, pois você é a única testemunha das mortes; de como e onde foram.

- Não... Esse não foi o nosso trato. Eu combinei com você que durante a nossa viajam eu te contaria tudo o que vivi desde que cheguei aqui nesse lugar. 

- Mas eu preciso saber o que aconteceu para redigir nos autos. Bem, ate agora nenhuma família ainda não procurou por nenhum deles, mas a justiça tem que ser feita. E tudo tem que ser resolvido. 

- Concordo mas eu não quero sair de nada do que nós conversamos. Eu acreditei  em você e em tudo o que você me falou. Não crie em mim duvidas ou inseguranças.

- JINAKI ASMAHANI continue a acreditar em mim. Eu te prometi leva-te  ao mosteiro e lavarei pode ter certeza.

- Certeza?

- Que sou um homem de palavra e que cumpro o que minhas palavras dizem. Não volto atrás de um compromisso. Viajaremos daqui a três dias.

- Não. Viajaremos amanhã. Só até amanhã esperarei por você na casa de YUMII. A partir de amanhã você não me encontrará mais na casa de YUMI estarei indo você sabe para onde se quiser saberá o caminho onde me achar.

- Você não poderá ir sozinha. Não sabe como chegar lá.

- Sou JINAKI ASMAHANI. E eu chegarei lá.

- Você não pode viajar só. Não conhece o caminho nem tão pouco nosso idioma.

- Os homens que me trouxeram a esse país morreram e mesmo assim  consegui voltar sozinha para casa de YUMI. Eu sou JINAKI ASMAHANI.

     JINAKI ASMAHANI nunca tivera medo da floresta mesmo com todos os animais selvagem que viviam livremente por onde andavam a qualquer hora do dia e da noite  ou dos rios  com suas águas mais turvas depois da temporada de chuva onde não se poderiam ver a nenhum palmo de distancia  nadando em meio a crocodilos, hipopótamos  e até peixes assassinos . 

     Mas ali naquele país    que uma hora está tudo branco e frio ou molhado e enlameado, aonde o sol nem sempre vai embora para nos dá a escuridão para dormir ou quando a noite fica por mais tempo nos deixa confuso, onde os homens são mais selvagens que as piores bestas feras e as mulheres andam curvada como a mais frágil das flores. 

     Era isso e muito mais coisas que assustavam a nossa  JINAKI ASMAHANI. 

     Mas será que era isso que fascinava o rei de CANDACE sogro de JINAKI ASMAHANI?

 












9º capítulo



AS PALAVRAS





Pequenas coisas para nos agarrar.










   No dia seguinte a ida de YUMI e  JINAKI ASMAHANI na delegacia de  policia nas primeiras horas do dia FUYUKI vai da delegacia  a casa de YUMI.

    Batendo na porta é surpreendentemente, pois foi  atendido por JINAKI ASMAHANI com todas as suas coisas já em mãos.

   Ele ficou pasmo com a quantidade de bagagem da jovem  que ela fazia questão dela mesma carregar.

- Sabia que você viria cedo. Por isso já estava a seu aguardo. Melhor que comecemos a viagem logo para recuperar o tempo perdido.

- Não estamos atrasados. Você é que está ansiosa. Chegaremos mais rápido do que   pensa.

- Você  que   se engana de pensar que não estamos atrasados. Só em ter que voltar aqui para te buscar foi um atrasado para mim e ainda ter que ficar te esperando decidir se iria ou não foram mais dias que se passaram e nós não saímos do lugar. .Continuarei acreditando em sua palavra policial FUYUKI. Elas me deram esperança. Então vamos. Já me despedi de YUMI. Ela é a única em sua casa com quem falo, seu irmão que agora é o homem da casa, ainda não sabe falar comigo por mais que tente e os demais que aqui moram somente me olham e abaixam a cabeça.

- Iremos de carroça. Dessa vez com a carroça do falecido marido de YUMI, já falei com seu irmão e ele permitiu.  Ela está logo ali em frente com os cavalos e a provisão que usaremos durante toda a viagem.

- Viajaremos de carroça de novo? Não tem medo? Os últimos que viajaram comigo não conseguiram chegar ao fim?

- Se foi você quem os matou então terei medo.

- Vai que eu seja de uma tribo de índios canibais, posso ter comido eles e coma você também.

- Não sou tão apetitoso assim.

   Caminharam os dois em direção à carroça e em meio a sorrisos os olhares das pessoas das ruas que nem incomodaram a jovem JINAKI ASMAHANI dessa vez ou era mesmo a mistura de sentimentos:   a ansiedade da viagem e a vontade de chegar logo ao mosteiro, que lhe faziam passar pelas pessoas como se elas nunca tivessem existido.

   A carroça era diferente, subir nela  parecia muito difícil e FUYUKI se apreçou para ajudar a jovem JINAKI ASMAHANI que sem nem pedir  ajuda subiu rapidamente, arrumou um lugar para ficar e colocar suas coisas.

   O policial FUYUKI a acompanhava também muito entusiasmado e achando tudo muito interessante, pois JINAKI ASMAHANI era muito diferente das mulheres de seu país. 

   Apesar do jeito hostil de JINAKI ASMAHANI podia se perceber que ela ao mesmo tempo era muito autoconfiante, defensiva, domável e conciliatória.

   Tudo isso quando ela queria ser.

   Mas quando mudava de opinião, bastava um segundo, e se tornava o oposto de tudo isso, era o que fascinava o jovem policial que na maioria das vezes era levado a uma grandiosa letargia envolvida pelo sorriso no rosto e um brilho no olhar da jovem companheira de viajem.

   Quando ele congelava desse jeito JINAKI ASMAHANI o olhava com duro semblante e se  estivesse perto o bastante  também levaria uma cotovelada bem doída em uma das costelas.

   Ela só queria que ele cumprisse o que prometeu. Pois  acreditou em suas palavras. 

   JINAKI ASMAHANI não sabia ao certo onde era o tal mosteiro, pois não tinha conhecimento se tivera chegado perto do fim ou pelo menos no meio na primeira viagem.

   Assim novamente JINAKI ASMAHANI começa sua sequente viagem, com expectativa melhores do que as que ela trazia em seu coração quando saiu de sua terra natal. 

    As coisas que   carregava no coração era  a ordem de seu sogro de que só voltaria para os braços de seu marido se estivesse totalmente mudada e a esperança de voltar para o seu casamento.  .

    Ela queria chegar a esse tal mosteiro que acreditava ter poder para  mudar quem ela era.

   Então pensava a jovem que se ela andasse direito com os malditos tamancos e se curvasse tanto quando um homem chegasse perto dela seria isso o tal melhor que seu sogro esperava ou  que ela acabaria lambendo os pés deles.

    Esses pensamentos faziam  JINAKI ASMAHANI balançar da cabeça  fazendo uma cara de nojo e depois ela acabava rindo sozinha. 

   Ela estava num país que dele ela não sabia nada e para fazer o que ela também não sabia como e nem sabia onde ou com quem faria.   Ela só sabia que tinha um por quê.

    “Agradar   mesmo que  forçada e pela primeira vez ao seu sogro, que talvez assim ela pudesse viver tranquila com seu marido até o fim daquele velho tirano rei”.

     Quem é o homem que não quer ter ao seu lado uma mulher que o acompanhe seja nas casadas, seja nas lutas, seja nas guerras, seja nos trabalhos?

     Talvez tenha sido isso que assustou o seu sogro, JINAKI ASMAHANI não somente falava o que pensava e quando queria mais fazia com perfeição o que pensava e com total capacidade.  

     JINAKI ASMAHANI voltaria para seu país uma perfeita princesa, seria uma mulher normal? 

     Mas o normal de quem?

  De súbito um silêncio em meio a um semblante de preocupação caiu sobre   JINAKI ASMAHANI nesse inicio de viagem, não diferente de nenhuma das outras vezes desde que saiu da aldeia de seu marido. 

    A primeira, naquele fétido navio com aqueles negociantes e mercadorias vindas de seu país o enjoo do mar o balanço do navio os olhares esdrúxulo cadavéricos juntando tudo não teria nada para construir um bom assunto. 

   A segunda, com aqueles dois homens bizarros tratantes e tudo mais que ocorreu pelo caminho que aquela pequena carroça percorreu não inspirou a nenhuma conversa e a volta para casa de YUMI completamente desamparada jogada a  própria sorte. 

   Agora... Voltado praticamente a um novo inicio.

   O que acontecerá dessa vez? Talvez  um novo recomeço.


   Dessa vez era apenas os dois na carroça, já algo melhor do que da outra viajem eram três e a carroça parecia menor do que ela era verdadeiramente. 

    Os dois não tomavam banho, o que já era ruim, dormíamos todos juntos, mas não próximos.

   Era raro JINAKI ASMAHANI descer da carroça por causa da hostilidade das pessoas.

    E os acontecimentos peculiares do próprio país tais como: chover   por muitos dias até o chão ensopar e quando o chão consegue ficar completamente ensopado de uma noite para o dia ele fica incondicionalmente BRANCO do céu ao chão. 

    Não dá nem pra saber quando um começa e o outro acaba quando vai a paisagem mudar de cor, melhor dizendo ela perde a cor. 

    Tiveram noites que demoraram a chegar e dias que pareciam que não iam voltar mais. 

    Lembrava  mais um mar que  JINAKI ASMAHANI enfrentava como o primeiro era azul e o sol brilhava como  era acostumada no fim do dia anoitecia e começava tudo outra vez a ciranda do dia e da noite.

     Mas nesse mar branco que chamavam de inverno nevoento foram vários dias sem  noites e quando anoiteceu ficamos vários dias sem ter dias o frio era constante e atroz.

     Nada disso era bom.

- Não tenho nada para contar de bom das coisas que passei aqui nesse país.

Falou JINAKI ASMAHANI, mas foi só um pensamento em voz alta.

- O que você disse?

Perguntou FUYUKI,   não que ele não tivesse ouvido, ele queria entender. 

- Não eu não estava falando com você. Só pensei alto. Foi um suspiro.

- Imagino que não tem sido fácil para você.

- Fácil foi casar com BABU.

     Essa foi a primeira vez que FUYUKI viu JINAKI ASMAHANI sorrir.

- Ele chegou a minha aldeia e eu estava treinando com os meninos para uma competição que eu me meti era só de menino mais pra mim nunca teve restrições. Depois de eu ter vencido ele ficou me olhando. Eu nunca tinha visto homem tão lindo. Meu pai é o rei da aldeia isso constantemente me favorecia.   E toda a aldeia sempre me mimou. Depois de dois irmãos eu nasci; mas minha mãe morre quando me deu a luz.   Fui criada por uma maravilhosa avó. E eu falei para BABU que ele não precisava esperar mais para que eu tivesse  idade suficiente eu queria ir com ele naquele exato momento. Avisei para o meu pai que o acordo que ele havia feito com rei AKI estava sendo cumprido a partir daquele dia.

- Você era mesmo a prometida ao filho do rei?

- Sim; antes de eu nascer. Minha mãe teve complicações quando o meu irmão mais novo nasceu e  minha mãe não dormia mais junto com meu pai. Mas ele tinha que  unir a tribo de seu irmão com a nossa, teria que dar continuidade a família no reinado. 

- Por que um de seus irmãos não se casou  com uma das irmãs de seu marido?

- Não é tão simples assim. Cada família já tem o pretendente para cada filho. BABU já estava ficando velho e nada de meu pai aparecer com uma noiva para ele. Minha mãe pediu a meu pai que engravidasse qualquer mulher da aldeia, de qualquer jeito acabaria sendo filha dele. Mas ele não quis. Mesmo contrariando minha mãe eles  sempre dormiram juntos, mas não tinham mais sexo. Então ela se deixou engravidar e morreu para me trazer ao mundo.  Essa era a história mais contada em minha aldeia. Todas as crianças nascidas depois de mim conhecem essa história de frente para trás e de trás para frente. Em minha aldeia me consideravam como um milagre. E você sabe o que é um milagre? Vou te contar por que toda a minha aldeia me viam como um milagre.

 

 




















   

 

 

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O MILAGRE





Tudo começa com a mais linda história de amor.







    Por meses os homens se preparam para a “grande caçada”, é quando as tribos de várias aldeias são abastecidas de uma farta variedade de carne por um bom período e os meninos se tornam homens e trazem o seu primeiro cervo para aldeia. 

    É um evento muito importante  os meninos enfrentarem seus medos se programam por anos e é grande a ansiedade de suas famílias e de toda a tribo. 

    Assim é selecionado o chefe da casa e o responsável pela estabilidade da família, o menino deixa de ser criança e passa ter voz ativa e participação em tudo juntamente com os adultos.

    Boa caça é sinal de abundancia para ano todo. E um rei de cada tribo é escalado paulatinamente para chefiar a “grande caçada de cada ano e o ingresso do mancebo s vida adulta”. 

    Aquele era o ano de pai. E os caçadores que já conheciam as táticas dele diziam que se divertiam muito quando meu pai liderava.

    Sem contar que era noite de festa em nossa aldeia era a noite do churrasco, para queimar a carne antiga para a chegada da nova.

    Era muito engraçado por que os homens bebiam a noite toda e quando tocavam a alvorada eles saiam cambaleando, atordoados e tinha até aqueles que não conseguiam nem acordar e perdiam a caçada. Para esses só restava a zombaria de todas as mulheres e até crianças. Até chegar a próxima caçada o individuo fica conhecido como “o que perdeu a caçada”.

   E naquele ano minha mãe tinha discutido com o meu pai e o mandado ir embora. Mas ele não foi então foi ela.

    Ela foi morar em uma tapera bem no meio da mata, foi lá que eles tiveram sua lua de mel.

   Quando meu pai partiu para a grande caçada, minha mãe não se despediu dele.

   Naquela noite meu pai bebeu muito, coisa que ele não costumava fazer. Pois sabia que tinha que estar bem para comandar.

   E no crepúsculo da grande caçada meu pai continuou a beber.

    Logo depois que os homens partiram o XAMàde nossa tribo desmaiou e quando acordou pediu que chamassem minha mãe de volta e que esperassem por ele.

    Três jovens que conheciam bem a mata e que eram as mais ligeiras partiram com a incumbência de trazer minha mãe para a aldeia e aguardar o  XAMàretorna de sua viagem espiritual. 

    As moças conseguiram trazer minha mãe. E como ninguém sabia o que o XAMÃ tinha visto, toda a aldeia estava em suspense.

    Minha mãe nunca foi de ficar parada principalmente quando ansiosa.

    Ela resolveu reformar toda a sua tenda. Derrubou toda ela no chão e reconstruiu de novo.      Ficou linda! Fez isto para matar o tempo esperando o retorno do XAMÃ e dos homens da grande caçada.

   De repente ouvisse barulho na mata, os bichos estavam alvoraçados era como se uma multidão estava vinda em nossa direção. Só tinha mulheres, mas todas nós somos treinadas em lutas para defesa pessoal e da aldeia.

    Mas era os nossos homens chegando antes do tempo do fim de temporada de caça.

    Os dias se passaram e ainda não era o tempo dos homens retornarem.

    Mas os homens que tinham saído de nossa aldeia cantando voltavam em silêncio. Só se ouvia o som das pisadas quebrando galhos e as folhas secos na mata.

   Todos de cabeça baixa e carregando em uma maca improvisada... meu pai.

    Os homens levaram  ele para sua tenda e toda a tribo procurou o XAMÃ que nesse fatídico dia, ele estava retirado com suas crenças.

      O XAMÃ chegou naquele mesmo dia e durante dez luas fizeram de tudo para salvar a vida de meu pai. Mas não era só pela vida de meu pai que eles estavam lutando.

     Quando amanhecia tudo parecia tranquilo na aldeia as pessoas iam para os seus afazeres.

     As crianças brincavam e as criações soltas no quintal só que ninguém dava nem um pio. Nem a vaca mugia, nem os cavalos relinchavam. Foram dias e mais dias de total silêncio nem pássaros cantavam. Não havia som em nossa aldeia. Era só expectativa para a cura de meu pai.

    E até mesmo chorar quando minha mãe já não aquentava o sofrimento de meu pai ela caminhava até a cachoeira onde a força da queda d’água não respeitou o silêncio da aldeia e minha mãe se juntava com ela e chorava e gritava. Quando se sentia aliviada e forte como a cachoeira ela voltava para cuidar de meu pai.

    Anoitecia e todos ia dormir mais cedo, o XAMÃ pediu que fosse ordenado toque de recolher para todos principalmente crianças do sexo masculino.

    Por que era a noite que os espíritos dos  ancestrais iam ser invocados, e isso poderia ser perigoso para os meninos. Os espíritos da floresta e dos animais. Os espíritos das montanhas e do mais profundo azul do céu. Os espíritos dos tranquilos rios e dos bravios mares. Para ajudarem a meu pai. O veneno teria que sair do corpo do meu pai. E só os espíritos conseguiriam parar a circulação do veneno no nosso rei de BARUNDI.

    Porque o resultado desse veneno é só a morte.

    Passaram com meu pai pelo fogo.

     De baixo da queda d'água.

     Cobriram-no de pele e sangue de animais.

   Deitaram-no solo onde meus avós, que o amavam muito, foram enterrados.

    Retornaram com meu pai para a aldeia com dez luas.

    Durante todo o caminho minha mãe não chorou nem disse nenhuma palavra.

    Mas quando ela viu que não teria outra coisa a fazer a não ser cortarem a perna de meu pai. 

    Ela subiu em uma montanha  e gritou:

“- Eu sei que Tu poupaste o corpo dele com vida. Mas desse corpo Tu levaste um pedaço. Agora te peço compense o pedaço que ele perdeu.”

    Minha mãe voltou e pediu ao XAMÃ e as pessoas que estava com eles ajudando com lavagem de roupas e comidas e vigílias que o levassem para a tapera no meio da mata. A mesma onde foram as nupciais deles.

     E os deixasse lá a sóis.

     E de lá, contam os moradores da aldeia.

     Que eles só voltaram quando meu pai estava andando novamente.

     Mas agora, com uma muleta, feita de madeira de umbuzeiro.

     Antes de eles voltarem minha mãe veio à aldeia pediu permissão ao irmão mais novo de meu pai, que estava chefiando a aldeia nesse interim para que reunir todas as pessoas que estivessem na aldeia na próxima noite de lua cheia.

    Todas as pessoas  pequenas e adultas novas e velhas.

     Não poderia faltar nem se atrasar ninguém. 

    Programou uma grande noite de dança para a próxima lua cheia, onde todas as mulheres da aldeia foram convidadas    a dançar com minha mãe. 

     E antes da lua nascer minha mãe chegou com o meu pai na aldeia e seu irmão mais novo que estava sentando em seu trono por todos aqueles dias

em que meu pai e minha mãe estavam se tratando, ele levantou e deu as honras ao meu pai com seu irmão mais velho e seu rei. 

    Dizem que meu pai ainda brincou perguntando ao meu tio:

- Não tá me dando o lugar não é só por que eu estou sem uma perna, não né? É por que eu ainda sou o rei não e?

    E quando a dança acabou levaram meu pai e minha mãe  para a sua tenda e os dois fizeram um amor tão forte e bonito que todos da aldeia ouviram e aquela foi à noite mais longa da história. 

     Foi à noite que eu fui concebida.

     Minha mãe fez meu pai feliz e nove meses depois seu ultimo suspiro ela me deu a luz.

     E meu pai nunca mais casou. Acho que até hoje ele ainda ama minha mãe.

 

 













A CONFISSÃO 






O rosto da bela esconde a cara da fera.





- Que história mais interessante!

- Você não acredita em nada do que eu te contei, não é mesmo?

- Não! Eu acreditei...

- Ah! Com essa cara que você está fazendo? Com esse tom de voz... Você tá querendo me enganar?

- Não; eu estou sendo sincero.  Bonita mesmo. Então você é uma lenda de sua aldeia?

- E se eu te disser que matei os homens que viajavam comigo, você também acreditaria?

- Agora você está testando a minha confiança.

- Você acreditaria ou não?

- E você os matou? Teria algum arco e flecha escondido no quimono?

- Não precisaria de nenhuma besta para tirar uma vida eu sou a própria besta. 

     JINAKI ASMAHANI que estava sentada ao lado de FUYUKI se levantou depois da declaração e se deitou no fundo da carroça.

- O que você quis dizer com isso? JINAKI ASMAHANI. JINAKI ASMAHANI. Acho bom você começar aquele depoimento que você era pra ter dado na delegacia, mas você prometeu dar em caminho do mosteiro. Bem estamos a caminho. Então pode começar.

-Começarei meu depoimento quando estivermos em um caminho que eu ainda não tenha passado. E se você for por algum caminho diferente ao que aqueles homens me levarão e que eu consegui voltar sozinha; eu saberei que você não começou a nossa viagem no percurso certo. Mas quando eu passar do caminho de onde eu voltei aí sim  começarei a lhe contar tudo o que você precisa saber para o seu depoimento. Mas agora vou dormir. Por que essas viagens são muito chatas. 

- Não, não; venha aqui e conte-me mais, essa foi sua palavra: que me contaria o acontecido quando fossemos para o mosteiro. Estamos indo para o mosteiro então sente se ao meu lado e fale, estou ouvindo.

-É melhor a gente conversar mais tarde.

   Primeira tarde e noite do primeiro dia e sem muitas mudanças a rotina dos viajantes  era a mesma como no inicio da outra.

     FUYUKI conduzia a carroço e preparava a lenha, acendia o fogo e fazia as refeições desde o café da manhã até a janta. 

      Enquanto JINAKI ASMAHANI nada fazia a não ser reclamar do calor que subia a cada dia e isso estava acabando com a paciência de nossa jovem.

- Não dá!

       Grita JINAKI ASMAHANI em um salto da carroça ao chão de pé e vai em direção ao policial que descascava uns legumes e faz uma revelação.

- Não consigo mais. Acabei de ver que mesmo estando aqui nesse país com essas roupas eu nunca serei uma de vocês. Não sei o que vocês falam, não como iguais a vocês nem consigo ficar vestida do mesmo jeito, até a roupa em mim não fica bem. Eu me sinto mal e muito feia.

        JINAKI ASMAHANI se joga ao chão como lhe é de costume. E olhando para o céu fala  sussurrando:

- Deixe me ser eu mesma, ate chegarmos ao mosteiro? Prometo não causar nenhum problema e ninguém nem se quer verá minha sombra. Não te incomodarei.

       FUYUKI de olhos arregalados parando o que estava fazendo, pensa no que responderia para JINAKI ASMAHANI diante aquele pedido. Ele teria que pensar rápido, pois ela se levantara e estava indo em sua direção. A saída que ele encontrou foi:

- O que você falou?

- Não me obrigue ser quem eu não sou. Não me obrigue mais a entender o que vocês falam ou abaixar minha cabeça toda vez que um homem vier falar comigo, está acabando com minhas costas. Eu não fui feita para estar inclinada e nem me lembro de nenhum animal que viva desse jeito.  Isso não é para mim:  estar toda coberta, olhe o calor que está fazendo!  Quando estava tudo pálido e gélido concordo de me aquecer e agora que tá tudo quente... o que faço?

- Não sei!

- Eu sei.

       Falou a jovem e aproveitou que estava fora da carroça tirou toda a roupa do corpo. Fazendo o  policial ficar estático. Ele não saiu do lugar a não ser seu queixo... que caiu.

         Diferente dos outros viajantes que enlouqueciam com JINANKI ASMAHANI e ia correndo em  sua direção com os braços erguidos pedindo que   JINAKI ASMAHANI voltasse a se vestir.

       Mesmo sem a reação de FUYUKI, JINAKI ASMAHANI já estava preparada.

- Não venha. 

     Gritou mais alto ainda JINAKI ASMAHANI armando os punhos. E fazendo o jovem policial ficar ainda mais admirado.  Porque ele arregalava os olhos e sacudia a cabeça com quem tentasse acordar de um pesadelo ou sonho.

- Não ficarei totalmente descoberta. Mas nunca pense em me tocar. Bem na verdade não me toque nem sem pensar.

      JINAKI ASMAHANI pegou o seu quimono e rasgou algumas tiras e fez umas vestimentas que cobria o seu corpo, algumas partes dele.

       FUYUKI para por alguns minutos tendo diante de seus olhos uma cena suntuosa que lhe tirou a reação e as palavras.

       JINAKI ASMAHANI passa pelo jovem, volta para dentro da carroça e de fala em alta voz diz:

- Não ficarei totalmente nua. Mas também não  ficarei totalmente coberta. E nem precisarei sairei daqui para que ninguém se assuste comigo.

       Acredite FUYUKI ainda estava do mesmo jeito.

        Agora JINAKI ASMAHANI passara a comer na carroça, dormir na carroça e só descia dela quando não aquentava mais porque tinha de ir fazer suas necessidades.

          Isso era para não causar espanto a ninguém além de FUYUKI o homem desde aquele dia ele não  abriu mais a boca, vivia quieta, pelos cantos e sempre de cabeça baixa. Parecia fugir de JINAKI ASMAHANI.






 








   

 








10º  capitulo

O REGRESSO



Mais um volta no seu labirinto.








     E os dois  passam os dias calados, FUYUKI levava comida para  JINAKI ASMAHANI  todo o tempo sem olhar para ela. 

   Agora era ele quem tinha a sua cabeça baixa. 

    JINAKI ASMAHANI no fundo da carroça e FUYUKI sempre nos acento de condutor só entrava para dormir.

   Até que um dia ao entrar em um vilarejo FUYUKI  para diante de uma ryokan

    JINAKI ASMAHANI  levanta meio corpo do chão da carroça onde estava deitada e não reconhece.

   Seria uma parada para um banho e comida caseira,  isso alegra  JINAKI ASMAHANI que levanta num salto desce da carroça em outro e FUYUKI bate na porta, era casa de outra jovem mulher.

    Esquecendo se do que havia prometido a YUMI e ao FUYUKI. 

    E estava JINAKI ASMAHANI de pé na rua e semivestida.

    O sorriso logo saiu de seu rosto quando novamente se sentiu incomodada pelos olhares dos moradores daquele vilarejo.

    JINAKI ASMAHANI  insiste em ser a primeira a passar pela porta. FUYUKI volta à carroça e desce trazendo em suas mãos um quimono que joga sobre as costas de JINAKI ASMAHANI que o aceita como se fosse um abraço a lhe amparar. 

   JINAKI ASMAHANI  ainda não consegui superar essa situação, bem na verdade essa não era a única.

    A jovem mulher abre a porta e antes que ela se curvasse JINAKI ASMAHANI lhe dá um abraço bem forte, demorado e alegre.

    A jovem mulher  fica sem ação no meio daqueles braços fortes que a sacudia de um lado para o outro e quando consegue se desvencilhar percebe que a JINAKI ASMAHANI está semivestida em sua porta uma vez que o quimono tinha caído quando JINAKI ASMAHANI  abre os braços e os circunda em volta da jovem mulher, a dona da casa.

    A jovem mulher ao invés de se curva como de costume, se abaixa e pega o quimono e diz:

- Vista se. Você não era para estar desse jeito. 

- Desculpe. Mas pedi ao policial FUYUKI que me permitisse vestir dessa maneira. Estava enlouquecendo com aqueles tamancos e quimono. E  meus cabelos presos e panos por todo meu corpo. Já não comia direito, não fazia cocô direito, não mixava direito, nem dormia...

     Em pé a porta, pálido estava  o calado  policial.

     A jovem mulher  só então dentro da casa quando a porta se fecha olha para o policial e os dois trocam cumprimentos.

     Que imediatamente é interrompida por JINAKI ASMAHANI que pede a  jovem mulher que lhe prepare um gostoso banho.

      A jovem mulher  automaticamente obedece e os moradores da casa vão aparecendo cumprimentando o policial  JINAKI ASMAHANI logo se dirige para um aposento. E com gesto de negação o policial repreende a JINAKI ASMAHANI:

- Tomaremos banho e depois continuaremos nossa jornada. 

      Esta é mais uma estalagem exclusiva para viajantes, chamadas de ryokan, assim como a casa de SASUKI e YUMI. Elas são mulheres que ganham a vida recebendo estrangeiros em suas casas. 

      YUMI há mais tempo que sua irmã mais nova SASUKI. Seus maridos morreram e seus filhos ainda são pequenos por isso recebem auxilio cuidando de viajantes de seus vilarejos.

       A jovem mulher  vem e busca JINAKI ASMAHANI para seu banho, fala alguma coisa com o policial que confirma agradecendo.

- Obrigado. O meu banho pode ser frio mesmo está calor demasiado para banho até mesmo que seja morno.

Exige JINAKI ASMAHANI enquanto FUYUKI  se justificava com sua brandura conformada:

- O meu banho poderia ser frio também. Mas tudo bem. Vamos lá o importante é eu chegar nessa banheira.

     Mas quando JINAKI ASMAHANI entrou no banheiro deu de cara com aquela banheira cheia de água morna que ela tanto amava e dessa vez tinha "espuma".

    Como a jovem mulher  conseguira fazer isso! JINAKI ASMAHANI  só vira espuma em águas da cachoeira onde a queda d'água era altíssima e produzia essa maravilha. JINAKI ASMAHANI  estava espantada.

     O policial que não queria um aposento para relaxar resolveu mudar de ideia. Por que JINAKI ASMAHANI  demorou tanto no banho que a água esfriou e o homem em seu quarto adormeceu, a tarde chegou e aí que se lembraram da jovem na banheira. 

     A jovem mulher  foi buscar JINAKI ASMAHANI que estava dormindo, toda enrugada na banheira.

- JINAKI ASMAHANI!

- Ah! O que foi?

- Esqueceu que estava na banheira?

- Ah! Acabei adormecendo. Mas não venha me tirar daqui.

- O senhor  policial também quer se banhar e vocês  terá que comer alguma coisa, ele quer seguir viajem ainda hoje.

- Ele que fique sem tomar o banho dele. Quem esta há vários dias sem, um banho a mais ou  menos não fará diferença. Volte pra sala e diga que não conseguiu me tirar da banheira.

    Com toda paciência a jovem mulher  se aproxima de JINAKI ASMAHANI  trazendo a toalha e fala baixinho.

- JINAKI ASMAHANI. Você bem sabe que não pode fazer tudo o que quer e na hora em que quer. Que ser civilizado é obedecer; seguir regras e normais. Isso é bom para a ordem das coisas, para que tudo vá bem.

- Bem... Para quem? Bem para alguns e não para todos. Bom é você fazer o que quer na hora que estar com vontade. Diferente de nascer e morrer. Nascesse na hora em que é para nascer, e isso é bom, e se morrer na hora que não se quer, e isso é ruim, por que ninguém quer morrer. Também ninguém quer viver fazendo somente o que os outros querem, não tem graça fazer o que agrada somente o que outros te mandam fazer todo o tempo. Você deixa de ser você e quem vive te mandado também deixa de ser ele para ser você. Não tem sentido viver assim.

- Mas é o certo a ser feito. Veja em meu país a evolução, o progresso, a harmonia e a beleza. Aqui tudo é bonito. Isso é a perfeição. Todo imperador, rei quer isso para o seu povo. Todo líder quer isso para os seus e todo chefe de família quer isso para sua casa.

- Isso é frio e sem afeição.   Sem liberdade. Chega ser um desafio fácil de fazer, por que não precisa usar o coração somente a razão, com isso se torna mecanizado.  Existe beleza na imperfeição.

     Falou JINAKI ASMAHANI se levantando da banheira se deixando secar pela jovem mulher que logo em seguida começou a lhe vestir um novo quimono que ela lhe trouxera.

- Então faça e será uma ótima rainha e uma perfeita mulher.

A jovem mulher conseguindo fazer  JINAKI ASMAHANI desocupar o banheiro e ainda por cima vestindo novamente roupas que lhe cobrissem todo o corpo.

     E o policial mais que rapidamente correu para o banheiro, e os planos dele de  continuar a viagem para aquele dia. Só amanhã! 

    A demora de JINAKI ASMAHANI condicionou aos dois uma noite de sono bem melhor do que na carroça, mas em compensação os atrasaram em meio dia de viajem.

    E encerrou se mais um dia na vida de JINAKI ASMAHANI foi quando depois da refeição ela se sentou nos fundo da casa da jovem mulher e FUYUKI foi ao seu encontro procurando interrogar a jovem imigrante sobre as mortes que só ela tinha conhecimento.

    E mas uma vez JINAKI ASMAHANI consegue escapar das perguntas do policial e se retira para o seu quarto, dizendo:

- Você é um homem de palavras. Mas eu ainda quero ver se as suas palavras são todas verdadeiras. E o teste será quando ultrapassarmos ate onde eu fui e eu sei bem ate onde eu fui por isso consegui chegar ate a casa de YUMI.  Aí eu vou ver se esse teste será mesmo da sua paciência ou da sua sinceridade.

- Você não confia mesmo em mim?

- Como vou confiar não te conheço.

- Mas confiou para falar de seus pais.

- Essa é uma história contada em toda a África qualquer um pode ficar sabendo ate um branco como você. 

- Como assim... "Um branco como eu"?

- Essa é uma história de raiz, é uma história de origem africana, da minha tribo e você não tem nada haver com isso.

- Pelo o que você faz questão de mostrar o contrario quando me contou, mas você não é tão diferente das mulheres do meu país.

- Como não sou? A primeira vez que você me viu ficou de queixo caído e só falou qualquer coisa quando eu já estava dentro da casa de YUMI.

- Era minha primeira vez com uma mulher negra em minha frente.  Então demorei a assimilar. Mas agora estou aqui.

- Você tinha estado com meu sogro antes, ele e eu temos a mesma cor de pele. Por que o espanto?

- Por que você é linda. 

    Sussurrou o jovem policial falando sem nem pensar bem no que disse.

- Na verdade para vocês eu sou uma aberração ou como você disse igual às mulheres de seu país só  que com uma peculiaridade sou exótica.

     Com essa declaração o som da noite é abafado por um súbito silêncio e   JINAKI ASMAHANI se levanta e vai para o seu quarto.

       Amanhece na vila onde mora a jovem mulher e os moradores daquela casa começam seus afazeres o dono da casa faz e vende chapéu de palha em uma fabrica pequena, as crianças mais velhas vão para a escola e a pequenininha fica cirandando pela casa. 

      A jovem mulher estava limpando a  ryokan  e cuida da criação no fundo do quintal onde também tem plantação de boa parte  dos alimentos que eles consumiam, quando recebe os visitantes é ela quem os hospeda e ainda ajuda as crianças na escola e na venda de chapéus que o próprio  marido fabrica na fabrica.

     Nenhum dos moradores da  ryokan  a ajudam e é ela é a primeira a  acordar e a última a dormir e mesmo assim encontra tempo pata cuidar de seus enormes e lindos cabelos, bem como confeccionar os seus próprios quimonos e todas as roupas dos demais moradores.

 

 

 


  
  















AS REVELAÇÕES




O que toda alma deseja ? LIBERDADE.






      Naquela manhã, antes que todos acordassem, ate o vilarejo ainda  estava silêncio, a jovem mulher começou a andar na casa de um lado para o outro, juntando algumas coisas em seus braços, saiu sem falar com ninguém.

     JINAKI ASMAHANI  a seguiu sorrateiramente como bem sabia fazer, em suas caçadas esportivas,

     E ao mesmo tempo ainda sentia medo de andar pelas ruas, mas  a curiosidade foi mais forte, e era muito cedo mesmo.

    Ate que quando chegaram à beira de uma lagoa de águas límpidas e quentes sem nenhum movimento de pessoas.

    JINAKI ASMAHANI  continuou escondida observando a jovem mulher que escolhe um lugar e de repente para surpresa de JINAKI ASMAHANI,  a jovem mulher  tira suas roupas entra com cuidado para o logo e começa a se banhar, a céu aberto.

    A surpresa maior foi para as duas, quando JINAKI ASMAHANI   entra na água junto com  a jovem mulher.

- O que está fazendo aqui?

- Parece que o mesmo que você.

- Mas eu venho aqui para cuidar dos meus cabelos, banha os meus cabelos com os minérios desta água.

- Ah tá!  Então é verdade o que o policial  FUYUKI falou: as diferenças entre nós não são tão grandes assim. A diferença do seu banho para o meu, é que a gente da minha tribo só se toma banho assim em água de rio, mares e logos ou em banho  de fumaça de ervas, quando não se pode sair da cabana, ou em ocasiões muitíssimo importante.  Agora olha  você! Também está nuazinha e não é dentro de um banheiro.

- Sim. Mas é uma combinação entre nós mulheres desse vilarejo, cada uma tem um dia para tomar banho e é sempre nesse horário, nós mantemos o silêncio para que o vilarejo só acorde depois do horário do banho e asseguramos que os nossos familiares só saíram de casa quando o banho tiver acabado e o sino for tocado. Mas estou infligindo à lei  dos homens se for pega serei  castigada.

- Os homens são pessoas como as mulheres e todos  são como qualquer um em qualquer parte do mundo; só negam que temos as mesmas origens. Até que se levanta um dentre todos e se acha o dono da verdade, se julga a si mesmo melhor, superior aos demais. Querendo controlar tudo mais ao seu modo ditam o que é certo e o que é errado  de acordo o que  pensam. Errado ou certo depende do ponto de vista vê.

- Não é assim é regras que tem que ser obedecidas para se ter um equilíbrio. É para isso que existe o imperador, o rei. Ele tem a palavra da verdade e a autoridade. Assim como um pai de família que é o chefe da casa, ou a mãe. É como se fosse uma escada que sempre terá um acima.

     Enquanto a jovem mulher falava JINAKI ASMAHANI tirava a roupa e se aproximava entrando n' água. E ao colocar os pés logo sente:

- Ah! A água é quente? Então é por isso que você pode estar nua por aí é por causa do banho quente com minérios, né? 

    As duas caem na risada em uma gostosa descontração. Começam a jogar águas umas nas outras com se não estivessem  na rua.

    Ate que se escuta na voz de homem o pronunciar do nome de JINAKI ASMAHANI. Era FUYUKI.

    Ao ouvir a voz que a chamava JINAKI e a jovem mulher se encolhe chegando ate a  mergulhar dentro da água.

    Ele vê as duas dentro da água e se admira e fala em sua língua natal virando as costas:

- O que ele disse?

- É para irmos embora agora mesmo. A vila já acordou e o banho acaba. 

- Mas agora que está ficando bom?

- Vamos temos que obedecer é o melhor a fazer.

- Melhor para quem?

      Os três quando chegam  a  ryokan  de volta e o sino toca as duas mulheres cada uma toma um destino  a jovem mulher  corre para cozinha vai preparar o café, JINAKI ASMAHANI vai para seus aposentos e FUYUKI vai atrás dela:

- Se prepare vamos seguir viagem, precisamos ir o quanto mais cedo possível.

- Por que tanta pressa?

- Esqueceu que temos que ir a um mosteiro?

- Não. É que eu estou tão bem aqui que só estava com medo de isso tudo acabar.

- Eu não te entendo. Tem hora que você quer e depois já não quer mais.

- Então eu vou te explicar: "Não é que eu quero e depois não quero. É que como toda pessoa sã eu só quero o melhor, mesmo que o melhor para mim não seja para os outros e esse melhor eu vou querer a todo o tempo e querer que dure mais tempo. Simples assim".

     A conversa estava muito animada durante o desjejum. JINAKI ASMAHANI acompanhava tudo com os olhos e ate esboçava algum sorrisinho quando eles também sorriam. 

     Quem olhasse diria que ela estava entendendo alguma coisa do que era falado entre os moradores da  ryokan.  Só que não.

    Ate que FUYUKI se levanta e chama para irem embora.










AS CONFIÇÕES

 

   Coisas nunca ditas a ninguém mas que muitos conheciam





     JINAKI ASMAHANI seguiu viajem com o policial FUYUKI com tranquilidade e paz até parecia que os dois se davam muito bem, o que na verdade mascarava a ansiedade do jovem policial que astutamente não queria acuar a moça e obter a mais pura verdade dos acontecimentos.

    Para  JINAKI ASMAHANI  a viajem simplesmente continua; o objetivo dela era chegar ao mosteiro e algo dizia em seu coração que isso aconteceria. Por isso ela estava em paz.

    Acabaram saindo da casa de da jovem mulher   à noite, pois o povo do vilarejo ainda especulavam em frente a casa e queriam saber o que tinha acontecido com aquela pessoa estranha; se foi doença ou acidente que deixou a pele daquela cor.

     As crianças da  ryokan  eram as mais entrevistadas constantemente, o homem daquela casa não teve como correr, pois o clã dos homens da cidade marcou um encontro com ele logo na primeira noite depois que os visitantes chegaram, e não foi só, o policial FUYUKI foi junto e assim   esclareceu tudo para o bem de todos e a  felicidade geral da nação e prometeram que  iriam embora o mais rápido possível.

     Um homem de palavra.

     Após percorrerem uma boa distância a noite já estava mostrando como seriam os dias dali para frente, pois a lua não mostrou, mas seu brilho e como tudo volta para onde começou estávamos nós de novo com  JINAKI ASMAHANI indo para os mesmos lugares antes passados com aqueles dois viajantes e o clima se manifestando do mesmo jeito que na primeira vez.

     Como na primeira vez as noites foram se tornando mais fresca ate que vieram às chuvas e a tão sustadora neve.

     Mas como que dessa vez ela havia começado não do mesmo inicio que seria da  ryokan  de SASUKI e sim da  ryokan  da segunda mulher que seria YUMI e muito mais perto dos primeiro acontecimento fatídicos.

    Então quando eles pararam para dormir junto ao fogo de lenhas, a comer o jantar que trouxeram da ultima casa que pernoitaram  estavam os dois na carroça olhando o fogo e FUYUKI pediu:

- Por favor  JINAKI ASMAHANI  conte-me o que aconteceu na primeira viajem que só voltou você?

- Eu nunca soube o nome daqueles dois homens, eles nunca se preocuparam de se apresentar para mim e eu também não tinha nenhum prazer em conhecê-los. Sentia que o que importava eram eles me levarem para onde estava combinado, uma vez que eles já tinham recebido para isso. Meu sogro me chamou no dia em que o navio iria zarpar, estranhei por que BABU havia ido caçar sozinho e não era tempo de caça. Meu sogro me mandou entrar no navio. Recusei-me é claro. E o que consegui foram essas marcas. Trancaram-me na cabine e dali eu não saia para nada me alimentava duas vezes ao dia e olhe lá. Até que abriram a porta da cabine estava eu aqui em seu país.

- Mas que marcas são essas em seu corpo?

- São marca de luta. 

- Então foi um sequestro?

- Não chegou a ser um sequestro.  Por que eu  lutei muito e só me rendi.  Eu  só parei quanto matei um dos soldados de meu sogro. Então ele me baniu em alta voz e disse que  só  queria me ver de novo se fosse transformada. Pedi a ele que me mandasse de volta para o meu pai. Mas ele disse que se eu tentasse ir para a minha aldeia de origem ele me jogaria em um tronco para morrer de fome e de sede diante dos olhos de todos e BABU não poderia fazer nada, pois eu havia matado um homem.

- Meu Deus! Você matou um homem! Você nem sequer teve um julgamento?

- Meu sogro me deu o direito de ter apenas o julgamento dele. Fiz toda a viagem chorando muito,  mal comia e ate agora não entendi o porquê de tudo isso ter vindo contra mim.

- Sinto muito por tudo o que você passou estou vendo que foi muita injustiça.

- Sim. E depois daí eu só pensei em sobreviver. Tenho que voltar e voltar transformada naquilo que o meu sogro quer para poder ter meu marido de voltar e a minha vida, a minha alegria que me foi arrancada. Agora quero tentar dormir, é o que eu faço melhor  nesse país para fugir da minha tristeza. Eu fecho os olhos e começo a pensar em que eu poderia ser e o que poderia estar acontecendo em minha vida e o que eu estaria fazendo se estivesse em meu país. Às vezes me imagino como um nosferatu que amaldiçoado por Deus; vivo através de fazer o mal para todos que se aproximam de mim e o meu fim é ser morta da pior maneira possível nas mãos de meu amado. Ou simplesmente sou uma linda menina branca de uma família de imperadores que governam há anos e me permite ir às guerras e me casar com o homem mais lindo e viver no mais belo castelo. E sem  esquecer que tanto para as lutas como em meu castelo eu só me visto como uma nativa da África.  E assim consigo dormir.

- Mas isso é utopia?   E depois que você chegou aqui?  E os dois homens misteriosos?   

     Insistiu FUYUKI querendo continuar a conversa.

     E distraidamente   JINAKI ASMAHANI   continua  a conversa com o policial.

- Os dois homens dormiam a noite e eu dormia somente de dia  e  à noite eu... Vagava em redor da carroça, algumas vezes ia ao vilarejo sorrateiramente e espionava as pessoas do lugar. Mas logo que eles desceram do navio os homens me levaram para casa de uma mulher chamada  SASUKE.

- Sim você quando chegou ao vilarejo você falou esse tal nome: SASUKE.

- Eu estava atordoada quando nos conhecemos. Tínhamos muitas pessoas nos cercando e aquele povo  parecia que iam me lixar.

- É verdade nunca vi meu o povo tão eufórico. Você tem que perder o medo e se apresentar a eles, para que eles se acalmam e te vejam com você verdadeiramente é.  Com toda clareza.

     E os dois começaram a sorrir.

- Como eles me verão com clareza se eu sou negra como a noite?

- Não é da cor que eu estou falando. Sua boba. Estou falando de  te observarem com mais tranquilidade e poderem ver que você é normal. Uma pessoa como eles só difere da cor. Dos costumes e que pode ser...

- Melhorada... Como diz meu sogro?

- Não. Não termine a frase por mim você não tem como saber o que vou falar. 

- Não tenho como saber o que você está pensando por que nem sempre vocês  falam de verdade  o que estão pensando. Estou cansada de falsidade.

- Eu não estou sendo falso com você estou cumprindo tudo o que tratamos.

- Sim por que você também tem interesse na minha viajem. Todos estão ganhando com minha desgraça seja o bem, ou seja, o mal, mas estão recebendo o que merecem.

- Você está falando dos dois homens?

- Deixe me dormir é melhor que eu vá me deitar antes que eu fique nervosa. Você não vai querer me ver nervosa.

    A noite foi curta para o policial que insatisfeito por achar que a investigação não está tendo progresso evitou acordar    JINAKI ASMAHANI ao amanhecer, que acordou por si só com o andar da carroça.

- Deixei chá para você no bule e legume cozido.

     Mas    JINAKI ASMAHANI   não quis responder e muito menos falar com FUYUKI qualquer coisa. E fez assim por muitos dias. Até que veio às chuvas e das chuvas que trouxe o seu companheiro "o frio" e veio também à neve. 

-Você não sabe como eu cheguei aqui; não é mesmo?

- Você me disse que foi em um navio mercante, forçada pelo seu sogro. 

- Nem nunca você me viu do jeito a que eu vim parar aqui nesse país. O que eu não acho nada de mais uma vez que meu povo todo anda desse jeito. Eu não cheguei aqui vestida desse jeito.

- Ah! Tá. Essas roupas são das mulheres daqui; não é isso?

- Sim. Em minha tribo nenhum homem mata o outro, nenhum homem abusa do outro, nenhum homem oprime o outro, por isso é que eu não estou entendendo o meu sogro. Acho  de todo o meu coração com quase toda a certeza  que foi a vinda de meu sogro para o seu país que  o influenciou por que meu pai não me entregaria a essa família tendo um chefe desse jeito. 

- Sim. Eu também pensei nisso, mas achei que uma vez que um acordo entre vocês tivesse sido feito tinha que ser cumprido.

- Não. Nessa vida não somos obrigados a fazer nada que não queremos ou permitamos.  Tudo tem uma solução. Cheguei ate aqui por que me permiti e permiti aos que estão ao meu redor que me trouxessem onde estou até o dia de hoje. Eu nasci e aprendi desse jeito e muitos outros costumes que diferem dos de seu povo; é o que eu quero te dizer.

- Como assim?

- Não é apenas a diferença de cor. Quando eu cheguei aqui eu me vestia como as mulheres do meu povo.  E isso incomodava a vocês quando me viam, não apenas a minha cor. Assim também aconteceu com o meu sogro. Ele também se incomodava com a minha pessoa, não me aceitando como eu sou.

- E como era isso? É tão diferente das mulheres que eu conheci aqui?  

-  Sim. Com liberdade de vestir, ser o que é e como se gosta. Ser quem você é vestido ou nu.

- Um animal usa sua aparência para impressionar seu oponente ou seu par. Nós somos seres humanos não precisaríamos usar da aparência sensibilizar, nem tão pouco para ser aceito, somos todos seres humanos.

   JINAKI ASMAHANI  estava com FUYUKI sentada dentro da carroça por causa da neve que caia, ela olhava para fora via a natureza como estava ficando do jeito que ela não estava acostumada a ver e seus olhos brilharam quando ela falava descrevendo a tradição e o costume de se vestir e de se arrumar das mulheres de sua tribo.

- Desde muito nova, as mulheres levavam seus bebês a beira do rio e os untavam de lama para proteção.     Da pele e assim passávamos a nossa vida toda nesse costume; cobertos por uma lama roseada sobre todo o nosso corpo e conforme os cabelos das meninas iam crescendo e até os dos rapazes são feitos tranças com a lama e quanto maiores às tranças maiores é o charme para minha tribo.  Tudo para a proteção do sol que é muito forte durante o dia e ate mesmo do frio da noite.
- Então é por esse motivo que você não gosta de tomar banho?

- Eu gosto e muito!  E o que ocorreu comigo e no meu primeiro banho de banheira.  Foi que eu não sabia que aquele lugar era para banho. Eu não sabia o que SASUKE queria comigo. Eu só via aquela mulher branca falando o que eu não entendia e querendo tirar minha roupa. Eu tinha acabado de saiu do inferno que foi o navio, enfrentado o povo enlouquecido nas ruas e logo a seguir a mulher maluca no banheiro. Foi de mais!  Só que os nossos banhos não são todos os dias, são quando queremos. Só quando se quer se vai a um rio, a uma cachoeira e se banha.  Na aldeia dentro de nossas cabanas não se toma banho. A não ser banho de fumaça quando o tempo de chuva chega e demora a passar.

   JINAKI ASMAHANI   começa a chorar.

- Por que você chora?

- Estou com medo de não ver nada disso outra vez.

- Iremos até o mosteiro onde você terá aulas de educação, ética e dos nossos costumes e quando você estiver pronta, nós te levaremos para sua aldeia de novo.

     Quando se estava no tempo de nevasca a viajem não parava até quando os cavalos não pudessem mais cavalgar 

     FUYUKI não cozinhavam e sim compravam comida pronta nas tavernas. 

      E naturalmente comiam na carroça uma vez que    JINAKI ASMAHANI   ainda com medo não queria enfrentar o publico.

     Com isso seguindo viajem iam eles conversando do passando e do presente da vida de    JINAKI ASMAHANI.  Mas nada sobre o ocorrido com aqueles dois homens.

   Tinha momentos em que os dois caiam na risada e em outros case que os dois choravam, mas isso acontecia sempre com    JINAKI ASMAHANI.

- Eu tenho muita pena de você.

- O que? O que você quer que eu faça com a sua muita pena de mim ou o que você vai fazer com ela?

- Não, eu não queria te ofender. Eu só queria dizer que eu compreendo o seu sofrimento.

- Seja mais simples e diga apenas o que você quer dizer. Então por que você não diz o que não vai ofender ao invés de dizer o que você não queria?

- Não sou desse jeito. Não sou manipulador.

- Vai ver que você pensa não ser, mas é. E diz aquilo que você quer que a pessoa pensa. Isso é induzir alguém a algo. Isso é manipulação.

- Não julgue toda a sua vida pelo que você já viveu; as coisas mudam e temos que manter viva a esperança. As pessoas não são iguais.  Acreditaria que muitas das vezes sofremos por que não estamos compreendendo a maneira em que o destino está nos conduzindo?

- Não. Não estou te entendendo?

- É isso que estou te dizendo.  Quando você cai você aprende muitas coisas. Como se levantar, como cair de maneira que doa menos, a dor que  a queda faz e seus hematomas. E principalmente que não deve repetir o que te fez cair.

- É... Nisso você tem razão.

 

 

 

















11º  capitulo




 A COVA







Exumando o passado.







- Aqui é exatamente o lugar onde enterramos o homem mais gordo. O primeiro a morrer.  Ele pode ter caído e torcido o pescoço. Ele era gordo de mais e muito rude. Eu não gostava dele, bem na verdade eu não gostava de nenhum dos dois.  E agora estão todos os dois mortos.  E eu os havia ameaçado, um de cada vez.

- Mostre-me onde ele está enterrado. Quem o enterrou?

- Como já te falei eu não sei bem o que aconteceu. Com aqueles dois eu não tinha assunto. Eles não tinham educação e não queriam ter nenhuma gentileza comigo. Viam-me como uma mercadoria, uma encomenda, uma carga. Então eu passava durante o dia dormindo e a noite eu andava, cantava, dançava, espiava o seu país quando não estava chovendo ou quando estava tudo branco eu tinha que ficar mais presa ainda que nem à noite eu pudesse sair.

- Você então não sabe como ele morreu ou onde o enterrou?   Pelo menos onde ele está enterrado?   Vamos lá?

- Não.  Já te disse acho que caiu era gordo e desengonçado. Só sei que quebrou o pescoço, o outro homem o enterrou. Eu não sei onde  e não vou lá procurar.

- Você não sabe o nome dele?

- Não. Nunca perguntei e se perguntasse ele não saberia o que eu estaria a dizer e nem eu saberia o que ele responderia. O outro ate que falava mais ou menos a minha língua. E tinha um pouco mais de paciência comigo.

      FUYUKI insistiu na caça ao cadáver e foi por vários dias em uma busca inútil. Pois era a segunda vez que nevava naquele lugar e se houve alguma possibilidade de encontrar o corpo quando degelou agora coberto novamente de neve estaria muito mais difícil.

-  Não interrompêramos o descanso do  pobre homem.

- Ele não morreu tão pobre assim.

- Por que você diz isso? 

- Ele teve o que mereceu.

- Nunca deseje mal a ninguém nem ao seu pior inimigo.

- Então eu vou desejar mal para quem?

- Para ninguém, já disse. Minha madrasta tinha o costume de dizer: "aquilo que vai um dia volta".

- Quem era essa? O que quer dizer madrasta?

- Quando não se tem a sua mãe e ainda se é muito pequeno precisa de alguém que lhe tome conta e esse alguém é chamado de madrasta. Ou quando seu pai resolve casar com outra mulher e você não quer chama-la de mãe chama se de madrasta.

    JINAKI ASMAHANI entrando na carroça e se deitando.  O jovem policial FUYUKI ao entrar faz pouco barulho, começa guiar a carroça com os cavalos pelo caminho e um silêncio reina entre os dois por muito tempo ate que ele pergunta:

- Você disse que ameaçou aqueles homens?

- Sim eu ameacei os dois homens que viajavam comigo.

- Sim você disse isso, só não disse o porquê. O que aconteceu entre vocês?

- Eu me tornei violenta como nunca fui. Quando desci daquele navio. Eu sabia que estaria só,  nem SASUKE era MAPALU como eu pensava para me socorrer. Eu tinha que sobreviver por minha conta própria.  Eles não me respeitavam.

- O que eles fizeram a você? Alguma coisa horrível? 

- No meu povo quando uma criança deixa de ser menina e passa a ser uma moça; só é tocada quando ela permite. Fora isso nem por sua mãe ou amiga muito menos qualquer outro homem se não for seu marido ou de sua permissão: "ninguém toca". Embora nós não nos vestíssemos iguais às mulheres de seu país  da cabeça aos pés e nem vemos que a integridade de uma pessoa está no que ele veste  ou possui. Porque aprendemos que coragem você demostra matando um leão e aí você é uma pessoa de coragem, força você demostra desafiando uma pessoa maior que você e aí se você vencer você é uma pessoa forte. Mas para ver se uma pessoa tem respeito é só você lidar com ele com respeito que ela vai te retribuir o mesmo respeito ou ate um respeito melhor que o seu, mas se a pessoa não consegue ver a qualquer pessoa com respeito sempre julgando que é o mais importante e melhor do que todos ao seu redor e que as pessoas que o rodeiam são para servi-lo essa pessoa nunca conseguirá respeitar a ninguém seja um homem ou mulher bem velhinhos ou de meia idade,  jovem até mesmo se for uma criança ele vai se achar na liberdade e direito de desrespeitar seja com palavras seja com atitudes. A maior parte do ano; andamos quase que sem roupas, dormimos todos juntos em nossas cabanas, convivemos todo tempo unidos, são inusitados os casos de exilio ou de um homem tirar a vida de outro a não ser em caso excepcional.

- Assim como aconteceu com você e aguarda do rei AKI?

- Sim. As fatalidades eram julgadas pelos anciões de cada tribo. Exceto o meu caso. Eu saí do meu país do jeito em que eu estava acostumada a me vestir e isso incomodou a todos aqui desse lugar. Hoje ate que sei conviver um pouquinho melhor com todas essas roupas, com os tamancos ate hoje eu ainda não consegui andar direito.  Mas em uma noite eu estava tomando banho de chuva e aquele homem gordo nojento veio em minha direção se jogou em cima de mim tentando me violentar... E fui eu quem o matei.

- O que!

    Perguntou FUYUKI puxando com força os arreios dos cavalos que pararam imediatamente.     Ele largou os arreios e olhou fixamente para JINAKI ASMAHANI e perguntou novamente:

- O que? Você matou um homem japonês?

- Sim matei um homem japonês no Japão e um africano na África e o africano não é mesmo do que o japonês.

- Claro que não é... Mas é tudo muito assustador. Você é uma assassina nos dois países.

- Eu diria que nos dois países o que eu fiz foi me defender.

     E agora! A cabeça de FUYUKI dava voltas, ele não esperava por essas revelações. O que ele tanto queria saber e que era de sua obrigação saber estaria colocando em xeque a sua palavra.

     Dessa vez quem entrou para o fundo da carroça foi o jovem policial que com as duas mãos sobre a cabeça começa a falar em japonês e  JINAKI ASMAHANI vai ate ele e diz:

- Ei! Fale somente o que eu entenda.

- Mas eu não estava falando com você, estava falando comigo mesmo.

- O que você estava falando?

- O que eu deveria fazer agora?

 
















  A DECISÃO




Caminho de mão dupla, seguir em frente ou ir a lugar algum.



- O seu sogro te privou de um julgamento justo, mas eu não poderei fazer o mesmo.

- Como assim?

     Depois de um bom tempo em que FUYUKI meditava no que havia ouvido e ter tomado folego e postura de policial, mas acima de tudo levou em conta a sua promessa.

- Sou um policial e não posso acobertar a morte desse homem por suas mãos então te levarei de volta e daremos entrada em um boletim de ocorrência, e julgamento, você é réu confesso de   um assassinato de um homem japonês que você matou aqui no Japão. 

- O que você quer dizer com tudo isso? Eu não compreendi nada.

- Não poderemos seguir viajem. O motivo é que você matou um homem.  Não colocarei na conta o homicídio na África.

- Sim. Confessei. Não omiti. E disse também que não sei o seu nome e nem tenho ninguém que diga em meu favor que estava me defendendo. O meu sogro precipitou a minha saída de meu país por que sabia que eu era inocente e que todos iriam a meu favor e aqui? Só estávamos nós três naquela carroça; olha onde nós estávamos! Fala para mim o que a sua justiça fará comigo? Você mesmo falou que eu havia matado um homem JAPONÊS. Porque se vai me prender é porque não vai cumprir o que me prometeu de me levar ao mosteiro.   Fala-me logo se você vai ou não me levar para o mosteiro?

- Você vai mesmo se tornar em outra pessoa? Você acha que no mosteiro tudo o que você fez vai ser apagado? 

- Vou tentar melhorar. No mosteiro eles trabalharam na minha conduta e maneira de ser e falar e tudo mais. Eu não sei. Eu não sei de mais nada.  Meu sogro tinha esperança que sim. Tudo o que eu passei de ruim aqui nesse país me levaram a pensar que realmente tenho que mudar, que o meu rei tinha razão sobre eu ter que mudar para ser uma princesa melhor para o filho dele e para que eu venha a ser uma rainha eu tenho que ser de um jeito melhor. Não tenho como fugir disso. Não tenho como fugir de seu país. Me leve ao mosteiro, deixe que eles mudem meu jeito de ser e depois me leve a julgamento.  Mas eu preciso mudar primeiro.  Eu quero mudar.  Já te falei: se é o melhor para mim, eu quero.

- Eu te levarei a delegacia e lutarei para que tenha um julgamento justo. Mas também cumprirei minha palavra de que te levarei ao mosteiro,  eu  sempre tive essas curiosidades, mas quis esperar pelo tempo oportuno para lhe fazer as perguntas.

- Uma de suas respostas você já teve. E quais seriam as outras? Você vai aquentar saber?

- Mas é claro. Se vocês eram três como três morreram e você está aqui, falando comigo, comendo comigo eu não somente te vejo, mas toco em você? Então você não é um fantasma.

- O que é fantasma?

- É o espirito de quem morreu.  E você não morreu.

- Sim por que estou viva, não sou nenhum lakaretis, nenhum fantasma.







12º  capitulo


O JULGAMNTO



O mal continua sendo o mal.



     Dessa vez a nevasca veio mesmo embora eles tenham começado a viajem bem mais que a metade do caminho do mesmo jeito ela ainda os atrapalhou os nossos viajantes estariam bem mais lento e não iriam poder continuar viajando com os cavalos afundando na neve.

    FUYUKI ficou em duvida se voltava ou se parava em uma hospedagem qualquer no próximo vilarejo por que bem na verdade a neve não os permitia nem ir para frente nem para trás.

    Os dias agora estavam mais longos e a luz do dia não sumia no céu e com isso os dois levavam mais tempo conversando e mais cansados, pois pouco e desregular era o sono deles principalmente o de JINAKI ASMAHANI.

-  Quando eu saio do navio; dois homens que me acompanhavam; um deles eu matei; o que eu queria na verdade era só me defender, mas em um único golpe que dei naquele homem lhe quebrei o  pescoço.

- Ah! Foi assim?  Tá! Você já disse isso e deixou bem claro que não queria matar aquele infeliz, que você não quer que o chame de pobre, não é mesmo?  Mas até então eu ainda não entendi a sua contabilidade: como morreu os outros dois? E quem são eles? Como o outro homem que viajava com você morreu?

-  E você fica me enrolando e nada de me conta de tudo o que aconteceu naquela bendita viajem.

-  Vamos continuar a jornada tem uma caverna mais a frente e lá está o corpo do segundo homem.

- Será que os cavalos aquentam as estradas estão a quase um metro de altura de gelo. Não é aconselhável que prossigamos.

- É, mas se você quer saber algo mais teremos que avançar.

    E assim foram os dois;  de baixo de uma forte nevasca e FUYUKI reclamando pela estrada que os próprios moradores abriram entre a montanha de neve do caminho todo.

- Diga-me onde é essa caverna  e se falta muito para chegarmos ate ela?

- Não me deixe nervosa, com suas perguntas. A verdade é uma só: Eu vim por aqui com um dos homens e voltei sozinha então não errarei o caminho.

     Os dois erraram o caminho e acabaram na casa que um dos homens alugou e onde   JINAKI ASMAHANI  teve sua saúde restabelecida, na primeira vez foram poucos meses que passaram ali, mas o bastante para   JINAKI ASMAHANI  ter o que falar, e dessa vez também, tornaram a alugar a casa e esperar um pouco a nevasca diminuir.

    Do que   JINAKI ASMAHANI  viveu ali naquela casa ela realmente não se lembrava de tudo por causa da febre que a cometera.

- Eu lembro que um dia acordei eu e o único homem que restava vivo; estava com seus braços envoltos de mim e deitado comigo na mesma cama, ele não respeitou nem a minha doença.

- E você o matou também?

- Mesmo fraca e tonta de febre eu sai dos braços dele me  levantei e ele também depois se ajoelhou e começou a chorar. Implorou pela vida.

- Se não você o teria matado?

- Em nenhum momento eu pensei em fazer tal coisa. Eu não gostei de todas as vezes que fui obrigada a fazer o que fiz.

- Mas faria de novo? Se eu não estivesse te levando para o mosteiro você tentaria me mataria?

- Eu não sou tão selvagem quanto você pensa.

- Não é? Não consegue estar vestida, mata a quem lhe incomoda,  só faz o que bem quer, não é assim que vive um animal na mata?

     JINAKI ASMAHANI  não teve resposta desceu da carroça entrou na casa e se deitou na cama e ali ficou por muito tempo até que adormeceu.

     FUYUKI  acorda JINAKI ASMAHANI para comer da sopa que ele havia feito e aproveitou para perguntar sobre o terceiro homem.

- Viajava vocês dois ate a caverna? Porque o outro homem você já tinha matado, né? E como apareceu o terceiro homem?  Tinha mesmo um terceiro viajante além dos que saíram do navio com você?

-Sim. Já tínhamos enterrado o primeiro homem e seguindo viajem em meio à neve, quando não dava mais, paramos na tal caverna onde não tinha carroça, nem cavalos a mostra. Entramos e vimos uma fogueira acessa e um homem sentado, avisamos que também pernoitaríamos ali. 

- A tal caverna que você não conseguiu achar?

- Sim. Eu me perdi. Aqui as coisas mudam constantemente com essa neve os lugares sempre aparentam estar diferente. Tive sorte e os cavalos me levaram direto para casa de YUMI se não também não acharia o caminho de volta.

- Mas não foi o que você falou!  Você disse que sabia o caminho e que só me contaria depois que eu passasse de onde você tivesse ido.

- Estava te ameaçando.

- E o homem o que fez?

- Quando nos aproximamos ele não fez nada. Quando falamos com ele nem respondeu e quando acordamos no dia seguinte ele estava morto.

- Mas como assim? Quem matou o homem?

- Ele tinha um ferimento e sangrou a noite toda ate morrer.

- Verdade?

- É claro  que é verdade eu não vou mentir.

- Claro. Mas quem feriu o homem?

- Quando descobrimos que o homem estava morto o que viajava comigo surtou e fomos embora, mas ele quis voltar dizendo que quem feriu aquele homem iria ver os rastros da nossa carroça e iria nos alcançar e tentar nos matar também. Ele voltou com a mesma pá que enterrou o primeiro homem e não voltou mais. Como eu não sabia para onde ir  fui atrás dele, mas antes disso um homem em um cavalo branco passou por mim onde eu estava  escondida com a carroça várias vezes, mas ele não me viu.

-Você viu quem era ele?

- Se eu o vê de novo eu o reconheço. E quando cheguei perto da caverna lá estava o corpo do meu acompanhante. Aí quem ficou desesperada fui eu. Por que quem iria me tirar dali? E quem o matou? Por que o matou?  Resolvi voltar de onde eu tinha saído. Bem na verdade eu não sabia para onde eu estaria ido eu estava perdida. Não era eu quem conduzia a carroça e sim os cavalos e eles me levaram  ate o vilarejo de YUMI. Foi quando te conheci. Em meio aquele tumulto todo.   E foi desse jeito a morte do segundo homem, assim morreram os dois homens que viajavam comigo e o terceiro homem que também eu não conhecia.

    Os dias iam se passando, e dessa vez   JINAKI ASMAHANI  estava mais resistente ao clima e suportou bem ao frio.

    Até que em uma manhã FUYUKI olha pela janela e vê que a nevasca não estava tão intensa e o dia estava bem claro. Então ele acordou JINAKI ASMAHANI com uma xicara de chá e a chamou para que o levasse na tal caverna, hoje estava tão claro que não teria como errar o caminho.

    Mesmo contra vontade JINAKI ASMAHANI  resolveu obedecer, os dois desatrelaram a carroça e cada um foi montado em um cavalo.

    Ate que  JINAKI ASMAHANI   avistou a caverna.

- Olhe lá está à caverna. Antes mesmo de irmos  além de  onde eu havia ido já te contei tudo o que me aconteceu durante quase esse ano todo que estive aqui em seu país. Foi a partir daqui que eu voltei e tudo continuou a mesma coisa até agora minha vida não melhorou em nada.      Não cheguei ao tal mosteiro, nem sei para que direção ficasse. Com isso vejo que a verdade é a seguinte... ”minha vida está amarrada ao troco que meu sogro prometeu que me amarraria para morrer.”

- Você me falou que acreditava que iria mudar quando você chegasse ao mosteiro iria ser outra pessoa totalmente mudada.

-  Eu acreditei que no tal mosteiro as pessoas de lá fariam coisas comigo tal como ensino e cuidados, sei lá, mais me mudaria para melhor. Foi nisso que eu acreditei. Mas vejo que sou eu sozinha cuidando de sobreviver e tentando  mudar a mim mesma.  Se fosse para eu mudar eu mesma não precisaria sair de meu país. Acreditei tanto que o que tem lá no tal mosteiro iria me mudar. Talvez tivesse nele alguma  magia, vodu, algum retiro espiritual.  Acho que você me trouxe aqui por que queria saber o que aconteceu para aqueles homens terem perdido as suas vidas e que agora que você viu os lugares em que eles foram enterrados e que o terceiro é verdade também. Vai me levar de volta e me prende como falara e me julgar por que os homens eram japoneses e eu sou uma imigrante, mulher e negra.

- JINAKI ASMAHANI você não me conhece. Não se pode fazer nenhum tipo de julgamento sem conhecimento das causas.  E você está me julgando sem nem conhecer a minha causa.  Primeiro eu te confesso que não acredito que no mosteiro você conseguirá mudar alguma coisa de sua vida. Se um ano longe dos seus costumes não mudaram nada em você não serão homens carecas com teorias e meditações que mudaram esse gênio forte que te domina.  A segunda coisa é que eu acredito que quando você responder pelas consequências de seus impulsos e conseguir pensar e se controlar antes de agir.  Você verdadeiramente estará mudada.

- Para tudo isso que você me falou eu não precisaria estar aqui em seu país.

- Sim. Você terá que responder por seus atos.

- Responder pelos meus atos!  O que você quer dizer com isso?

- Você terá que ir a julgamento.

 

 

 

 

 

 








A CHEGADA NO FIM DO QUE NEM COMEÇOU




Um sonho ou um pesadelo?




    O retorno dos dois para a cabana foi triste como a vinda de um funeral de alguém muito amado que tenha morrido antes do tempo.

    E os dias se passaram  rapidamente,    JINAKI ASMAHANI foi revelando mais coisas a FUYUKI ate o momento em que a declaração dele vem sobre a jovem como uma "forca" que movida pelo  peso de quem a estar usando e mais a falta de chão culmina a qualquer um a morte.  . 

   JINAKI ASMAHANI se recusava a aceitar o que FUYUKI havia anunciado, verdadeiramente ele já tinha premeditado a ida dos dois até as sepulturas de cada um dos mortos, extrair a confissão da jovem e voltarem para que ela viesse a ser conduzida conforme diz a lei.

   Mas o engraçado era que a carroça não voltava, eles sempre estavam seguindo em frente em direção oposta de onde eles vieram.

    Eis que surge naquele cenário gélido, silencioso e sombrio uma construção no meio do nada, sem nenhum sinal de vida.

    Os dois ficam por um bom tempo admirando a belíssima propriedade da carroça. 

    Ate serem despertados pelos cavalos que incomodados com o frio começam a se mexer e a relinchar.

    Eles descem da carroça e o jovem policial FUYUKI vem  puxada pelos arreios os cavalos e trazendo junto à carroça e a JINAKI  ASMAHANI em sua outra mão.

    Param em frente a uma grande  porta depois de atravessarem a uma ponte sobre o rio congelado. 

    Imagens jamais vistas por JINAKI ASMAHANI, um cenário de cair o queixo de deixar qualquer um deslumbrado. 

Até mesmo o jovem policial que já tinha visto lugares cobertos pela neve.

    Mas a chegada aquele mosteiro parecia ser algo divino.

    Praticamente  JINAKI ASMAHANI  ficou alguns passos para trás por que parou e ficou olhando aquilo que para a jovem era sobrenatural. 

     Ela estava vendo diante de seus olhos dois seres mais fortes de toda a natureza serem dominado por algo que parecia ser mais frágil do que eles: "a  cachoeira com sua queda magnifica d'água e o rio com sua maestria, ser totalmente imperado pela tão singela neve com seus minúsculos flocos".

    FUYUKI foi andando nem percebeu que   JINAKI ASMAHANI  tinha ficado para trás subiu as escada e bateu na porta com tanto receio que parecia ate impossível de ser ouvido.

    FUYUKI bateu novamente e de novo te que resolveu gritar foi ai que   JINAKI ASMAHANI  despertou e recomeça a andar.

    A porta se abre   JINAKI ASMAHANI  que estava andando para e fica olhando.

     Um homem atende e cumprimenta FUYUKI, os dois fazem as suas formalidades e quando o jovem à porta aponta para dentro vem outro em direção da carroça e a toma pelo arreio e a conduz para os fundos do mosteiro. 

    É quando FUYUKI dá o primeiro passo para entrar que ele se volta para trás olhando para   JINAKI ASMAHANI, o jovem também a olha e FUYUKI a chama.

    JINAKI ASMAHANI  caminha em direção aos dois que ainda estão parados  a porta ela sobe as escadas que leva a varanda onde eles estão olhando fito para a jovem.

    Parecia que ela estava contando os passos, dava para ver a dificuldade que ela tinha em caminhar pela  neve. 

     Mas na verdade ela estava a pensar como seria a recepção daqueles do mosteiro. 

      Por que todas as vezes que   JINAKI ASMAHANI  esteve em publico foi  hostilizada. 

     Então o medo a impossibilitava de se aproximar do mosteiro com mais rapidez.

     FUYUKI vai ao seu encontro, pois nota que  JINAKI ASMAHANI estava quase desfalecendo.

      FUYUKI com um abraço conduz   JINAKI ASMAHANI pelas portas do mosteiro adentro os dois vão seguindo o jovem monge ate chegar a um cômodo aonde um senhor muito velhinho vai ao encontro dos dois, fica olhando para   JINAKI ASMAHANI por algum instantes e depois virasse para FUYUKI e o cumprimente.

     O senhor bem velhinho pede ao jovem monge que estava diante deles para que conduzisse   JINAKI ASMAHANI a algum lugar onde ela pudesse se aquecer e os dois homens pudessem conversar em particular.

     Como sempre por onde a jovem JINAKI ASMANHANI passa quase arranca olhares; quase mesmo, porque os olhos das pessoas que a veem não param de segui-la.

    Mas dessa vez foi reciproco, por que a aparência dos monges também não era algo assim visto comumente em algum outro lugar que JINAKI já havia andado. 

     Que vale que naquele país a maioria do que acontecia era de forma anormal. 

     Aqueles homens se vestiam diferente dos de mais da cidade, raspavam  todo o pelo da cabeça ao contrário da maioria que usava seus lindos cabelos negros e lisos preso em um coque e outros até abusava em  rabos de cavalo.

     FUYUKI mesmo tinha o seu coque bem acima na cabeça, JINAKI quando o conheceu seu cabelo era curto mais não muito, como todo bom militar. E foi crescendo a ponto d ele já ter que usar coque.

       FUYUKI chegou falando sem parar e o senhor bem velhinho olhando para o nada, seu olhar estava tão perdido como quem está embriagado.

       Até que FUYUKI percebe que estava falando sozinho e resolve esperar por uma resposta qualquer que seja de tudo aquilo que ele havia falado.

      Então reinou o silêncio por alguns segundos e o senhor bem velhinho aponta para o lado de dentro de um salão onde tem uma lareira acessa,  FUYUKI  resolve obedecer a uma vez que o velho monge parecia não lhe compreender.

      Para surpresa de FUYUKI e  JINAKI ASMAHANI, antes que ela fosse levada da presença dos dois, o monge mais velho se dirige a   JINAKI ASMAHANI e lhe fala em seu idioma natural:

- Qual o seu nome minha jovem?

    JINAKI ASMAHANI  que não se curvou nenhum momento se quer, mas que se manteve todo o tempo olhando para o chão automaticamente levantou a cabeça e encarrou o velho monge assustada.

    Os três ficaram em silêncio sem entender ao certo o que estava acontecendo.

    Os jovens monges do mosteiro estavam alvoraçados, andando pelos corredores cochichando e dando risinho.  Mas sem perder a compostura.

- Você está despertando a curiosidade em nossos monges.

     Falou novamente o velho monge para   JINAKI ASMAHANI e olhou para FUYUKI e  falando inclinou se logo após.

Kanojo no iu koto o rikai shite imasu ka?

- Sim, senhor. Entendo a maioria do que a jovem africana fala e vejo que o senhor também fala o dialeto dela?

      Respondeu FUYUKI se inclinado, reverenciando o monge em sua frente.

- E ela fala o nosso idioma?

- Não senhor, somente sua língua natal.

     E novamente após a resposta FUYUKI se inclina diante do velho monge, a cada inclinar de FUYUKI, JINAKI ASMAHANI fechava os olhos apertando bem as pálpebras.

-  Então falarei de maneira que os dois entendam.  Sou monge EISHIN, me falem seus nomes meus jovens. Para podermos começar o nosso assunto que os trouxe até aqui nesse tão grande frio.

Gozen keikan FUYUKI, sore ka JINAKI ASMAHANI.

- Por que não fala o dialeto da jovem com eu farei jovem rapaz?  Perguntou  monge.

    FUYUKI  respondeu emocionado em sua língua natal e JINAKI ASMAHANI sacudiu a cabeça porque não entendia o que FUYUKI dizia.

- Então... Falemos todos de maneira que todos entendam. Fale-me seu nome minha jovem, se você quiser falar comigo ficarei muito satisfeito.  .

    Insistiu o velho monge com JINAKI ASMAHANI que tornou a baixar a cabeça e olhar para o chão como quem procura a menor pequena pepita de ouro.

     Mesmo com a voz doce do velho monge dava para se vê que  JINAKI ASMAHANI não estava confortável de estar ali, parecia que a qualquer momento ou ela sairia dali correndo ou desmaiaria.

- Você meu jovem disse ser o policial FUYUKI e a moça a jovem JINAKI ASMAHANI?

- Sim somos quem eu disse que somos.

     Falou FUYUKI olhando para JINAKI ASMAHANI no idioma dela.

- E por que um policial e uma jovem africana tímida estão aqui em um mosteiro?

    O silêncio tomou a conversa de novo foi ai que JINAKI ASMAHANI fala em alta voz:

Eu sou JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Sou princesa de CANDACE.

- Muito prazer  JINAKI ASMAHANI; sou o monge EISHIN. O que vocês vieram buscar aqui.

 Em meio esse frio todo que está fazendo lá fora? 

     Falou o velho monge se inclinado em direção a JINAKI ASMAHANI.

       FUYUKI quis levantar a voz mais foi interrompido por  JINAKI ASMAHANI.

- Meu sogro esteve aqui anos atrás e disse ter ficado muito maravilhado com o seu povo, seus costumes e seu progresso. Voltou para nossa  aldeia almejando que eu me tornasse igual a uma de vocês. Mandou-me para o seu país e para o mosteiro para aprender a cultura de vocês.

- Mas quem disse para o seu sogro que em um mosteiro poderia uma jovem aprender alguma coisa?

-Ah!

      Agora com silêncio parecia que tinha faltado ar para FUYUKI e  JINAKI ASMAHANI que ficaram paralisados olhando para o monge com os olhos arregalados.

- Vamos fazer o seguinte. Prepararemos aposentos e banho quente para vocês ficarem conosco e um bom prato de sopa   e conversaremos no outro dia depois do repouso de vocês.

     O monge falou o que falou e foi se retirando deixando os dois viajantes estáticos, na companhia do jovem que mostraria os aposentos de FUYUKI e  JINAKI ASMAHANI.

      JINAKI ASMAHANI olha para FUYUKI, o empurra contra a parede e o agarra pelo pescoço quase o enforcando.

- JINAKI ASMAHANI, o que você está fazendo?

       E num gesto rápido ele consegue segurar as mãos de JINAKI ASMAHANI  e diz:

-JINAKI ASMAHANI, pare com isso eu não tenho culpa, não se esqueça disso. Estou aqui somente para te ajudar. Parei a minha vida por sua causa.

      Todo o mosteiro vê o acontecido e ficam com que congelados olhando aquela cena de violência entre os dois recém-chegados. 

      Ate o  monge velho  fica parado olhando, mais num piscar de olhos ele some.

       E o mesmo jovem que os recebeu a porta aparece  e os chamou com gestos das mãos apontando para um corredor por onde os eles caminham ate chegar ao primeiro quarto que o jovem monge mostra para JINAKI ASMAHANI que fica parada olhando.

- Entre JINAKI ASMAHANI esse é o seu quarto.

       A jovem dá três passos ficando depois parada  no meio do quarto e os dois se vão.

       No quarto havia pouquíssimas coisas e muita penumbra por ser o mosteiro feito de estuque, muitos lugares  poucas luzes das tochas não eram suficiente para clarear, assim como na vida de JINAKI ASMAHANI.

        Parecia que nesse túnel nunca haverá uma luz nem que seja de um trem vindo de sentido contrário.

 

 

 

 

 

 

 



A DECEPÇÃO





Tudo não passou de um  ENGANO



       No quarto JINAKI ASMAHANI caiu ao chão de joelhos ficou silêncio com quem evitasse até mesmo  pensar, com os olhos fechados parou por alguns minutos de respirar.

      E numa atitude brusca de sovar o ar e quando ela expira solta uma melancólica gemida do fundo de sua alma.

     Não foi muito diferente com FUYUKI que durante todo o caminho para o cômodo onde ele iria dormir chegando muitas vezes ate cambalear diante do desnorteamento em que estava metido. Os seus gemidos não se podiam ouvir, mas seu abatimento era nítido.

      Ele seguia o jovem que apontou depois de abrir a porta de um grande salão, indicando o local de  banho e onde se guardavam os pertences e disse que a refeição não iria demorar a ser servida, mas não era tolerado atraso e ela seria a última refeição do dia. E o banho era frio.

Ojōsama wa dokodesu ka? 

    O rapaz nada respondeu deixando FUYUKI só no aposento.

    Horas depois o rapaz apareceu no aposento novamente onde estava FUYUKI e o chamou para a refeição e de novo FUYUKI pergunta por  JINAKI ASMAHANI.

Ojōsama wa dokodesu ka?

    O silêncio era algo quase que irritante daquele jovem, e foi em silêncio que os dois chegaram a outro salão onde muitos outros jovens estavam de joelhos esperando a refeição e um pouco mais destacado estava o velho monge chamando FUYUKI com gestos da mão.

    Logo ao chegar perto do velho monge FUYUKI pergunta sobre  JINAKI ASMAHANI:

Ojōsama wa dokodesu ka?

    O velho monge insiste em falar no dialeto de   JINAKI ASMAHANI mesmo ela não estando perto.

    E o velho monge revela para FUYUKI

- Sente-se, não se preocupe “onde está a jovem?”   Vamos fazer a nossa refeição é um momento sagrado e a ansiedade não faz bem em tempo algum e a preocupação só faz tirar o sabor das coisas. Comamos em paz.

     Isso seria impossível para FUYUKI que acabou logo sua refeição e ficou olhando para o monge.

    Esse percebendo a aflição do policial não se demorou também o seu desjejum e pedi um de seus jovens monges que retira se os pratos, pois os dois iriam continua ali mesmo para conversar.

- Gostaria de saber o porquê um policial acompanhado de uma jovem de uma terra tão distante chega ao nosso humilde mosteiro, com o pedido feito pela própria jovem de que a ensinássemos  a nossa cultura para ela?

- Monge EISHIN. Tudo o que aquela mulher lhe falou é a verdade. O sogro dela  a baniu de seu povo para que aqui em nosso país em seu mosteiro ela viesse a ser ensinada  como ser uma pessoa melhor. É desse jeito que aquela jovem fala: "que ela para voltar para o seu marido e seu povo e seu país ela tem que ser melhor".

- Mas por que a trouxeram aqui? Como ensinarei a ela a ser melhor? Para ela mudar ela tem que ser outra pessoa. É por isso que os monges que você vê aqui eles deixaram suas vidas, suas famílias e tudo mais para viveram restritos aqui, vivem Buda. Que é a nossa conduta de vida.  Se ela quer voltar para seu povo, marido e tudo mais, para ela não terá mudança Nós não temos internato para mulheres aqui é só para homens. Praticamos o celibatarismo a risca.

 - Sumimasen  

- Sim te desculpo.  É claro. Você não sabia, nem o sogro dela se não a teria enviado nessa viajem inútil.

Imanani o subeki ka oshietekudasai

- Como posso eu dizer o que você deve fazer! Nem eu sei o que eu devo faze nessa situação. Volte com ela; que ela volte para o povo dela, ela tem marido, ele que a eduque.

      Parecia que não era aquela resposta que FUYUKI estava esperando de ouvir  permaneceu de joelhos a mesa de refeição, com os olhos marinados e a cabeça baixa.

- A jovem fará suas refeições em seus aposentos eu estarei indo ate ela. Você vai querer me acompanhar?

- Não.  Eu não tenho nada para dizer para ela. Vou me deitar se o senhor não se importar? Pretendo acorda bem cedo e viajarmos o quanto antes.    .

 





HOMEM DE GELO

Gelo perfura como punhal a desilusão mata como um projétil.

     O monge EISHIN vai aos aposentos de JINAKI ASMAHANI, chama a jovem pelo nome, ela não responde.

- JINAKI ASMAHANI, posso entrar para falar com você?

A jovem não estar muito para amigos e o silêncio está dizendo isso.

- JINAKI ASMAHANI, Você quer  conversar  sobre o que vocês vieram fazer aqui?

A jovem pensou que se ela não abrisse a porta o monge também não abriria, mas não sairia de lá. Com sua paciência já era pouca então resolveu poupar o que restava. Abrindo a porta e deixando o velhinho monge entrar.

O monge entra encontra JINAKI ASMAHANI   ajoelhada olhando para o chão como quem não acredita no que estava acontecendo.

JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE. Você nos deu a honra de vir a nosso país. Mas até agora ainda não entendi o que veio fazer aqui em nosso mosteiro?

 JINAKI ASMAHANI mantém calada e por alguns minutos o monge também.

- Minha jovem eu trouxe uma sopa bem quentinha para aquecer a sua alma abatida. Todos temos um destino. A vida é como se fosse um caminho para percorrer, assim como existem vários tipos de caminhos também existem variações na vida. Umas melhores do que as outras e outras nem tão ruins assim. A gente é que aprende como andar com a própria vida pelo caminho que é o destino traçado para cada um. Quando o outro dia chegar será tudo diferente, minha jovem.

Não sei se o velho monge EISHIN esperava mesmo por essa reação da jovem JINAKI ASMAHANI ou se ele estaria preparado para as explosões de emoções que muitas das vezes a arrebatava.

O monge que nem se aproximou muito dela  resolve sair do mesmo jeito em que chegou e do outro lado JINAKI ASMAHANI também permanece da mesma maneira em que estava.

Sim e um novo dia chegou, agora que o clima daquele país estava passando novamente por suas metamorfoses severas, porque naquela noite  verdadeiramente anoiteceu e ao amanhecer clareou o dia.

E logo que alvoreceu o jovem policial FUYUKI despertou com os barulhos que os internos faziam ou bem na verdade ele nem consegui dormir direito, pois por várias vezes os internos se levantavam e faziam meditações, era um grupo seleto por vez e bem cedo todas se reunião em uma grande meditação.

 Mesmo assim estando todos em meditação FUYUKI andou pelo mosteiro em busca de ajuda.

 Só quando acabou o ritual de meditação que encontrou o jovem que os recebeu quando chegaram ao mosteiro.

Ele junto com outros estavam fazendo exercícios.

Mas foi interrompido por FUYUKI que o sacudia o chamando e o levantando pelos braços.

O jovem não sai da posição em que estava. FUYUKI desiste dele e por si próprio resolve dar seu jeito.

Sai andando pelo mosteiro parecendo agitado já cedo.

Vai em direção aos fundos do mosteiro e acha o que estava procurando: “sua carroça e seus cavalos”.

FUYUKI se aproxima como que com muita saudade, alisa os cavalos por algum tempo, entra na carroça. Começa a ajeitar as coisas para a viagem.

Os pensamentos estavam fervilhando em sua mente ele chegava estar vermelho e não era de frio.

Deveria estar organizando o que falaria para JINAKI ASMAHANI.

Acaba parecendo que a responsabilidade seria só dele, pois foi em seu país que ela veio parar e foi ele quem a levou ate o mosteiro e nem procurou saber antes se ela seria aceita ou não.

Embora convencer JINAKI ASMAHANI de não ir até o mosteiro seria com certeza bem mais difícil!

E agora ele terá que concerta tudo isso.

Bom seria se aparecesse um sábio para lhe dar um bom conselho que é o que o jovem policial FUYUKI está realmente precisando nesse momento tão turbulento de sua vida.  Um Buda talvez.

FUYUKI foi surpreendido em meio aos seus pensamentos pela chegada súbita do jovem monge que o chamava para ir ter com o velho monge EISHIN naquele exato momento e o café da manhã já estava servido essas duas coisas não esperaria pelo policial. 

EISHIN chama FUYUKI aparte para conversarem depois do café que foi em total silêncio, não somente entre os dois mais todos os que estavam no mosteiro estavam supreendentemente calados.        . 

EISHIN se levanta do joelho e pedi FUYUKI para o acompanhar, os dois andando vão em direção a um jardim e chegando lá EISHIN fala com FUYUKI:

- Meu jovem amigo já sabe o que você fará ao sair deste mosteiro com sua vida e a dessa jovem?

De cabeça baixa FUYUKI responde ao velho monge:

- Voltarei com ela para o porto e a embarcarei no primeiro navio para a África e me certificarei de que ela chegue até seu povo, seu esposo.  Tentarei fazer de contas para eu e ela que nada aconteceu, que  JINAKI ASMAHANI  nunca esteve aqui nesse país.  Pelo menos aqui eu apagarei tudo e qualquer acontecimento dela aqui nessa terra. Não terei como ajuda-la em seu país nem tão pouco como fazer dela uma pessoa melhor.

- Mas você pode fazer por você... fique conosco. Afinal aqui é um mosteiro para homens e você é um homem de coração bom que gosta de ajudar. Nós precisamos de pessoas assim aqui.

- Não. Muito obrigado pelo convite. Mas eu também acreditava que aqui era um lugar para a pessoa mudar de vida.

- Sim, mas aqui você mudará a sua vida. Aqui não há roubos nem assassinos para prender. A sua vida já começará tendo a mudança de profissão e muito mais. Que você tenha melhor sorte da outra vez.

O velho monge fazia questão de falar com o jovem policial no idioma da jovem JINAKI ASMAHANI mesmo não estando ela por perto.

- Onde está JINAKI ASMAHANI?

- Em seus aposentos, creio que já esta te aguardando, ou ainda dorme.

E antes mesmo que o monge acabasse de falar, aparece JINAKI ASMAHANI sendo seguida pelos monges do mosteiro e com isso a serenidade e o silêncio foi desconstruído.

JINAKI ASMAHANI agarra no braço de FUYUKI e o puxa para a carroça.

- Me tire daqui agora.

- Sim, sim JINAKI nós iremos; eu já estava preparando as nossas coisas para podermos ir. Só quero agradecer ao monge EISHIN.

- Agradecer pelo que? Vamos embora. Se você quiser ficar e aproveitar para meditar da nossa perda de tempo. Fique a vontade eu voltei uma vez até a casa de YUMI eu volto outra.

- Calma. JINAKI, agora nós não temos mais presa para nada.

JINAKI ASMAHANI ouviu o que o jovem policial falou e seu semblante mudou.

Enquanto os dois conversavam, o velho  monge EISHIN tentava acalmar os ânimos no mosteiro.

E conforme eles vão subindo na carroça e falando entre si, FUYUKI se volta para o velho monge e agradece:

Arigatō

- Não me agradeça, meu jovem policial. É como JINAKI ASMAHANI disse: eu nada fiz.

JINAKI ASMAHANI subiu e foi bem para o fundo da carroça com quem dissesse que dali ninguém a tiraria e que ela também não queria ver, nem ouvir e nem falar  ninguém.

Saíram de lá deixando o mosteiro um pandemônio, mas na carroça um silêncio mortuário.

E esse silêncio foi com eles por vários dias.

FUYUKI ainda tentou quebra-lo oferecendo algo para JINAKI ASMAHANI comer, mas ela só respondia com um breve balançar da cabeça.

Anoiteceu e os dois voltaram a dormir na carroça e os dias iam se passando e o clima mudando como as horas.

 Reiniciou a viajem com eles dormindo na carroça por que ainda estava a neve derretendo e  o clima ainda era frio.

E nos dias seguinte por estar muito calor, FUYUKI dormia no chão fora da carroça.

Desde que saíram do mosteiro FUYUKI não cozinhou, eles compravam comida pronta e também JINAKI ASMAHANI não estava muito animada para comer e nem para conversar.

E a viagem continuava os dois percorrendo os mesmos caminhos que os levou até o tal mosteiro, e que agora levaria os dois até o porto marítimo. Esse era os planos de FUYUKI.

Ele sempre fazia  planejamentos para sua vida e tentava ter tudo sobre o controle, bem organizado.

E quando chegou naquele mosteiro e tive a decepção de ver o seu principal plano de ajudar ser levado pelo vento como poeira , ele se sentiu sem chão.

JINAKI ASMAHANI não falava muito com FUYUKI a maioria das respostas era com gestos da cabeça.

Até que eles se aproximaram de onde estava enterrado o segundo corpo que era próximo da caverna e assim também o clima voltava a esfriar trazendo as chuvas que os manteriam mais tempo dentro da carroça.

- JINAKI ASMAHANI, você está acabando comigo com esse silêncio. Deixa eu te esclarecer. Já me foi dito que eu deveria ter me informado se no mosteiro aceitaria ou não mulheres. Mas veja bem! Eu parei a minha vida, abandonei os meus afazeres, acreditando também em tudo o que você me disse. O que poderia dar errado?

- Tudo.

JINAKI ASMAHANI falou aquilo e ela que já estava deitada virou para o lado oposto o do policial e não respondeu mais nada.

O outro dia não amanheceu muito claro por causa da tempestade.

FUYUKI já não tinha mais argumentos com JINAKI ASMAHANI.

Então os dois seguiram assim passaram por cada tumulo e por todos os mesmos caminhos que das outras vezes.

A neve retornou e foi se tornado difícil continuar a viagem, eles teriam que parar por causa dos cavalos, a carroça já estava com grandes dificuldades.

Uma fazenda de arroz foi o lugar mais próximo.

- Eu não vou sair daqui.

- Mas JINAKI ASMAHANI vai morrer congelada. A carroça não é suficiente para nos abrigar. Vamos até aquela fazenda? Eu vou pedir que nos deixassem ficar no celeiro por alguns dias e depois retornaremos para a estrada de volta. Não temos mais lenha seca e nem onde pegar.

- Deixe-me ficar aqui! E onde é aqui?  Passei pelo mosteiro, casa de YUMI, de SASUKE. E onde eu chequei?. Não sei para onde ir. A verdade é que eu não tenho para onde ir. Meu sogro me mandou vir para cá baseado em uma grande mentira. Era para eu ter lutado muito mais ainda, matado quantos fossem preciso até mesmo ele. Lutado pela minha personalidade. Lutado pelo o que sou quem sou e pelo o que era meu. Eu abri mão de tudo. Não fiz como minha mãe. Não honrei a meu pai. Sou uma vergonha. Não poderei voltar para meu país. Não sou digna de dizer ou me vestir como uma de BURUNDI. Tenho mesmo é que ficar calada, de cabeça baixa toda coberta por que eu tenho vergonha de mim. Sou motivo de vergonha para o meu povo, não sou digna de voltar meu marido.  Não honrei minha cor por isso tenho que me tampar toda, não honrei minha opinião por isso tenho que me calar, não honrei quem eu era por isso tenho que andar de cabeça baixa.

E JINAKI ASMAHANI chorou desesperadamente, seu pranto foi tão grande que até FUYUKI chorou.

Com isso os dois ficaram aquele dia na carroça em frente aquela fazenda de arroz.

O inverno foi ficando mais intenso e com isso as noites foram deixando de escurecer.

FUYUKI observou um movimento na fazenda, desceu da carroça e foi lá. 

 







13º  capitulo


A FAZENDA







Quantas voltas o mundo dá para não sair do lugar? 
 


       Os dois foram viajando por vários dias e tudo o que se  ouvia era o choro de JINAKI ASMAHANI.

      FUYUKI estava bastante preocupado com o estado dela, pois por todos esses dias ela não saia da carroça, não comia ou bebia e nem falava.

     No caminho FUYUKI avistou uma fazenda e perguntou a JINAKI ASMAHANI:

- Vamos até aquela fazenda pedir ajuda, pagaremos para pousar por uma semana ou mais e quando você melhorar a gente vai embora?

     JINAKI ASMAHANI continuou sem falar. Mesmo assim FUYUKI se aproxima da fazenda e ficou observando tudo do lugar onde estava parado com a carroça, permaneceu o dia todo de tocaia ate que apareceu uma senhora.

     FUYUKI desceu da carroça, ficou parado em frente ao portão da fazenda acenando com a mão e pedindo ajuda aos berros.

     Quando viu que a senhora estava olhando para ele, acenou mais enlouquecidamente que conseguiu.  

       A senhora que estava com um carrinho de madeira  cheio de hortaliças ficou olhando e os dois cachorros que latiam saíram correndo em direção do jovem louco em sua portaria.

      Os cachorros botaram FUYUKI para subir na carroça e eles ferozmente começaram a atacar os cavalos que se agitaram partidos desenfreados.

     Com um assovio da senhora da fazenda chama os dois cachorros que corriam atrás da carroça, mas voltam no mesmo momento.

      FUYUKI que havia entrado na carroça rapidamente cai por cima de JINAKI ASMAHANI que começa a ri do jovem policial.

- Bem feito! Isso acontece com quem fica no portão dos outros gritando feito um maluco.

- Ah! Quando a desgraça é dos outros, você sabe falar e até ri do mal alheio? Não é mesmo dona JINAKI ASMAHANI?

     A senhora da fazenda se aproxima do portão, acompanhada é claro, de seus fieis guardiões.

     FUYUKI vê que os cavalos se acalmaram, mas os cachorros ainda ladravam zelando pela sua dona e seu patrimônio.

     Quando ele realmente consegue domar os seus animais já está numa distância bem longe da fazenda.

    Ele para com a carroça desce e olha a lonjura que ficou a fazenda e se tinha alguma outra ao redor que poderia ser a mais próxima.

     E não vendo nada resolve dormi por ali mesmo pensou que enfrentar aqueles cachorros a noite não iria ser coisa fácil. Nada como um dia após o outro.

     Na manhã seguinte resolve voltar àquela fazenda bem cedinho.

    Mal ele vai se aproximando  avista a senhora no portão com um de seus cachorros em uma coleira e o outro na varanda da fazenda.

   Então bem de vagar FUYUKI vai se achegando para perto dos portões daquela fazenda de arroz.

     Ele só vê a senhora e seus cachorros e nenhum outro movimento na fazenda a não ser dos próprios animais da fazenda, tais como galinhas, patos, bois e vacas.

    FUYUKI para com a carroça não muito perto porque os cachorros já estavam bem agitados.

    Então ele sem descer da carroça e aos berros se apresentou como policial, que estaria viajando ele e uma mulher que não estava bem de saúde e pergunta se eles poderiam se abrigar no celeiro da fazenda, um pequeno espaço de tempo, só para que a jovem que com ele viajava se reestabelecesse. Por causa da forte nevasca.

    Aquela era uma japonesa diferente; porque ela não se inclinou como é a tradição do cumprimento japonês.

     Ela olhava FUYUKI bem nos olhos e os dois ficavam se estudando.

     Ele conseguiu explicar tudo o que eles estavam precisando e quem ele era e como era JINAKI ASMAHANI e de onde viera e porque estavam ali.

    Os dois ficaram conversando por um bom tempo, ele gritando da carroça e a dona da fazenda respondendo da varanda.

     E depois desse bom tempo de conversa a dona da fazenda ficou calada a maior parte diante de tanta informação que o jovem policial passara para ela, olhando em direção à carroça como se esperasse algo sobrenatural fosse sair de lá.

     FUYUKI desce da carroça e estendeu a mão para a senhora. O cachorro avança. E ela num assovio consegue chamar o que estava na varanda.

    Então ele viu que o melhor a fazer era voltar para a carroça.

     Foi nesse momento que ele lembrou que estava tão ansioso que nem tinha perguntado o nome da senhora.

    Tornou ele a descer da carroça e estende novamente ele a mão, mas dessa vez ele fica perto da carroça e perguntou:

-Namae wa nandesu ka?

- HANA.

     Foi à resposta logo após ele ter perguntado qual era o nome da senhora da fazenda.

     FUYUKI pede a HANA que entrasse na carroça para conhecer a jovem.

    FUYUKI chamou por JINAKI ASMAHANI ao chegar à carroça com HANA, embora JINAKI ASMAHANI continuasse sem nem sair do lugar.

   FUYUKI entrou na carroça e levou com ele a fazendeira que ao ver a jovem arregalou os seus pequenos olhos.

- JINAKI venha conhecer a dona da fazenda. HANA.

    JINAKI nem levanta a cabeça, nem sai da posição em que estava, nem se manifesta.

    Mas HANA ficou olhando a jovem admirada e se ajoelha falando em seu idioma e exclamando em alta voz com as duas mãos unidas em frente ao seu rosto:

Waga kamiyo!

- Sore ga nandatta?

- Ā, tasukatta.

- Sore ga nandatta?

    Nessa hora JINAKI ASMAHANI se levantou e pediu:

- Se vão discutir onde eu estou que pelo menos fale de maneira que eu entenda.

- Eu só perguntei “porque ela está dando graças a DEUS?” Foi só te ver que ele se ajoelhou e agradeceu a DEUS. Você não percebeu isso? 

   Aí JINAKI ASMAHANI resolve se sentar e as duas ficaram se olhando.

   A mulher tornou a falar e o policial traduziu com admiração:

- Ela disse que está vendo a Palavra de DEUS diante de seus olhos.

- Como assim?

      FUYUKI pergunta em japonês e repassa em africano para jovem depois da resposta da dona da fazenda:

- Um homem evangelizou HANA com a Palavra de DEUS; ele tinha vários livros muito antigos e em um deles falava sobre uma história de um amor onde a mulher dizia ao seu amado que não reparasse a sua pele morena do sol; igual a sua. Confirmando que todo ser humano foi feitura das mãos de DEUS e não uma evolução de alguma outra criatura. DEUS formou o primeiro homem a Sua semelhança e esse homem que povoou a Terra de outros semelhantes a ele mais não parecidos, altos, baixos, gordos, magros, brancos, amarelos e agora ela conheceu... Negra.

- Ela está dizendo que ouviu de um amor em um livro que falava do meu povo?

     FUYUKI fez a mesma pergunta a HANA.

     HANA respondeu e FUYUKI falou a JINAKI ASMAHANI:

- Não. Mas um livro que fala de uma pessoa com a pele igual a tua.

 Então meu povo não veio do macaco? E ele deve ter falado com ela o quanto eu amo o filho dele, BABU.

   FUYUKI perguntou a HANA de quem ela tinha ouvido sobre essa mulher de cor escura?

    HANA falou que falaria tudo que eles gostariam de saber, mas, depois que eles entrassem para sua aconchegante casa da fazenda e tomassem uma sopinha bem quentinha.

   FUYUKI atravessou pelos portões da fazenda com a carroça e as duas mulheres dentro dela.

   Os cachorros os acompanhavam e latindo faziam aquela festa.

   A primeira a descer da carroça foi à senhora dona da fazenda que foi logo prendendo os cachorros.

   A curiosidade fez com que JINAKI descesse da carroça dessa vez FUYUKI nem teve que insistir foi só a carroça parar e JINAKI ASMAHANI já estava pulando e indo à da direção à porta de entrada da casa.

   Mesmo depois que todos entraram na casa as duas continuava a se encarar. JINAKI ASMAHANI assustada e curiosa. HANA curiosa, mas, surpresa.

   Era uma fazenda de plantação de arroz e aquela mulher morava sozinha e ela mesma plantava, colhia e vendia, mas não somente o arroz mais tudo o que ela precisasse e até criação de animais para gerar renda para sobreviver.

   Tudo para seu sustento e para comercialização era do suor de seu rosto, sem a ajuda de nenhuma outra pessoa, e contava apenas com a companhia de seus cachorros que também a protegia.

   HANA ainda manteve a fazenda funcionando mesmo depois da morte de seu marido e seus filhos por uma epidemia que acabou isolando ela de todos os de mais do vilarejo.

   E por esses motivos ela aprendeu a viver sozinha e fazer tudo na fazenda.

    Mas não era sobre a HANA que estava acusando a curiosidade dois dos viajantes, mas sim sobre o que ela ouvira falava desse amor  e  da mulher de pele negra como a pele de JINAKI ASMAHANI. 

    A dona da fazenda acomodou os dois em sua casa, essa não era tão diferente das casas das outras mulheres onde JINAKI ASMAHANI já tinha passado.

     E nessa também tinha banheira de banho quente para alegria de JINAKI ASMAHANI.

           FUYUKI falou com HANA e depois repassou o aviso da dona da casa para JINAKI que logo após o banho e da sopa ela falaria tudo o que sabia sobre o livro que ela tinha em casa que foi escrito na mesma época que o livro que falava sobre a mulher negra, embora fosse outro, esse livro que HANA tinha falava sobre um homem branco chamado JÓ.

- Porque ela não nos fala agora sobre o que sabe desse tal amor? Será que existe mesmo tal livro?  Depois da decepção do mosteiro está difícil acreditar em tudo o que se diz aqui nesse país. Meu sogro saiu daqui falando que no tal mosteiro mudariam minha personalidade lá nem me aceitarem aceitou!

     FUYUKI fala da duvida que JINAKI ASMAHANI tivesse com relação à informação que HANA   havia passado.

    HANA sorrir e diz que vai preparar um bom banho para jovem e que ela precisa se desestressar.

    E com isso pela primeira vez JINAKI ASMAHANI tomou o banho, mas breve da sua vida; todos tomarão a sopa rapidamente e nem repetiram.

    Os três foram para o cômodo mais amplo da fazenda se ajoelharam em um tatame depois que a dona da fazenda pegou um livro enrolado em uma toalha de renda que ao abrir ela primeiro  forrava em seu colo a mesma toalha que o enrolava e ajoelhada junto com JINAKI ASMAHANI e FUYUKI abriu a única página de um pergaminho.

    HANA fechou os olhos e ficou balbuciando alguma coisa. Que incomoda JINAKI ASMAHANI.

- O que ela disse? 

-Não é com a gente.

- O que?

- Ela está falando com DEUS dela.

- Mas simples assim? Onde ELE está? Quem é ELE? Para quê ela está chamando ELE? Como sabe que ELE está ouvindo?  Ela fecha os olhos e dobra os joelhos e está falando DEUS?

- É o que ela tá fazendo. Para o DEUS dela deve ser desse jeito que se faz, cada um tem o seu deus e os seus rituais de falar com ele.

         Então HANA abriu os olhos e começou a ler o que estava escrito naquele livro que ela segurava com tanto carinho.

    Ela começa falando do que estava escrito em um dos outros livro que o evangelista possuía. O livro narrava sobre a criação do mundo e das coisas que nele existe tal como o homem. O evangelista explicou para HANA que um SER superior arquitetou e fez o mundo. Mas esse SER viu que sua obra estava inacabada, estava sem forma e vazia, com isso esse ser foi dando forma e vidas para estarem nesse mundo que ELE acabara de fazer onde estava escuro ELE colocou luz, onde estava seco ELE colocou também a água, fez plantas e um método  de irrigação, dividiu as planícies e os oceanos, decorou o céu com estrelas que governariam as noites e os dias e ainda daria direção para cada ponto da Terra. Criou animais que voassem nos seus surfando nos ares e peixes diversos para as profundezas aquáticas. E animais que vivessem sobre a terra e sobrevivessem alimentando-se de toda a flora que esse SER maravilhoso criara meticulosamente. E como cumeeira de sua criação ELE formou o homem. Assim como a Terra o homem foi formado do barro e o excelente SER colocou nesse homem um pouquinho d'ELE. .   Soprou em suas narinas Sua essência, colocou esse homem para dormir após a um organização previa no mundo e tirando da costela daquele homem e formou uma mulher para ser sua companheira por que cada casal de animal tinha seus respectivos parceiros para que viessem a multiplicarem e povoarem toda a Terra e para isso acontecer o SER sublime criou a mulher e fez assim o primeiro casamento. E esse mesmo evangelista também me contou  sobre outra linda união que fala dessa mulher que sua descendência era proveniente desse primeiro homem mas ela tinha a cor de sua pele negra. Assim como há varias espécies de peixes no mar, no mundo a partir daquele casal foi se formando varia espécies de ser humano. Mas esse livro que HANA tinha consigo fala de um homem. Essa história fala sobre o fundamento da vida.

- Ah! Eu não sabia disso!

       HANA parou de falar por alguns instantes e com a cabeça baixa e o livro no colo ela o desenrolava como se fosse uma massa foliada bem delicada.

      Então HANA abriu os olhos e começou a ler o que estava escrito naquele livro que ela segurava com tanto carinho.

  FUYUKI se preocupou logo de traduzir o que HANA estava lendo em sua língua natal. 

   E HANA automaticamente pausava para dar oportunidade para FUYUKI traduzir e JINAKI ASMAHANI ouvir bem o que os dois diziam.

   Quando JINAKI ASMAHANI ouviu o que FUYUKI disse depois da HANA, ela diz:

- Cale a boca FUYUKI.

- Você não quer saber o que HANA está lendo?

- Não é isso.  Mas ouvi o que ela disse e olhei ela estava lendo  o livro e eu entendi o que ela falava. E você repetiu as mesmas coisas que ela falava.   Ela disse que o livro começa assim: “Um homem chamado JÓ da terra de Uz, homem bom, sincero, reto e temente a DEUS e que se desviava do mal.”. E você repetiu exatamente o que eu entendi.

- O que! Você está dizendo que; “o que HANA lê em japonês você entende em seu idioma”? Ou você já está entendendo o que se fala em japonês!

- Não e sim. Tudo que ela está lendo eu estou entendendo perfeitamente.  Tudo o que ela está lendo do livro não parece que ela estar a falar em japonês.

- O que?

     HANA parou por causa da conversa dos dois que estava atrapalhando a leitura e também ela estava querendo saber o que os dois falavam juntamente com ela e perguntou ao FUYUKI se JINAKI ASMAHANI não estava entendendo o porquê o livro não estava falando da mulher negra que ela tinha comentado, é porque ela não tinha o  livro e sim outro que foi escrito na mesma época e FUYUKI explicou para HANA o que eles falavam e JINAKI ASMAHANI disse em alta voz:

- Ela disse que ele se desviava do mal. Como ele conseguiu? O mal está em todo lugar, o mal me persegue e como ele conseguiu se desviar? Como ele conseguiu ser reconhecido como um homem reto integro temente a DEUS e que se desviava do mal?

- JINAKI ASMAHANI. Você não está assustada de você ouvir perfeitamente o que essa mulher lê nesse livro? Você está admirada do personagem? É apenas um personagem.

- Esse homem tem o que eu preciso ter, ele é como eu preciso ser. Peça a ela que leia mais.

FUYUKI a traduzir para HANA tudo o que JINAKI disse.

    Com as duas mãos sobre as páginas do livro, HANA conversou com FUYUKI, levantando a cabeça olha para JINAKI ASMAHANI como quem falasse para ela diretamente que não seria uma coisa extraordinária o que estaria acontecendo com ela, HANA disse que o livro era sagrado. Então coisas sobrenaturais poderiam acontecer.

- FUYUKI, dá para você traduzir o que ela acabou de dizer?  Voltei a não entender o que ela fala.

- Ela está falando japonês naturalmente assim como estava lendo o livro no mesmo idioma! Só que ela não está lendo  nesse momento, ela está explicando o que pode ter acontecido com você o fato de você entender o que ela lê e não entender o que ela fala. Você me compreendeu?

     HANA dá um singelo sorriso torna a abaixar a cabeça e fala para FUYUKI que as palavras do livro têm  poder de se revelar para quem o ouve de coração, também de convencer de muitas verdades, mais esse poder é para os que creem.

    Então HANA continuou a ler toda aquela página e FUYUKI perguntou a JINAKI:

 










O LIVRO




Uma chave para uma possível porta.




- Olha como a história de JÓ se parece com a sua?

- JÓ era um homem bom, verdadeiro, justo, respeitava a DEUS e se desviava do mal. Você disse que a história dele parecia com a minha? Na história dele, ele se desviava do mal, mas eu não me desviava do mal, o mal é que me persegue.

- Mas ele também perdeu tudo injustamente.

 Depois do que FUYUKI falou JINAKI foi para seu aposento e não quis ouvir mais nada e dormiu chorando.

       Diferente de FUYUKI que pediu HANA para que o explicasse o que aquele primeiro capítulo queria dizer.

       Então ela falou que esse homem chamado JÓ aconselhava a muitos em nome de DEUS, não importava a dificuldade  ou ate mesmo adversidade que ele não somente  aconselhava, mas também usava de uma notável sabedoria em seus ensinamentos. Ele ia muito bem em todas as áreas de sua vida. E por isso ele chamou a atenção de tantos.

      JÓ convivia com pessoas que agia completamente diferente dele, começando por seu pai que não temia ao mesmo DEUS.

      E todos que o conheciam e o admiravam; não entenderam e nem acreditaram no que lhe havia acontecido.

      Mas JÓ conseguiu se mantiver sincero, bom, reto e ainda se desviava do mal.

       Então FUYUKI se lembrou do propósito de JINAKI no Japão e quis saber como aquele homem conseguiu adquirir uma personalidade e caráter que ninguém na terra tinha semelhante a ele. FUYUKI pensava se alguém conseguiu escrever em um livro uma maneira de viver bem esse alguém deveria viver desse jeito e como deu certo escreveu para aconselhar a outros para viverem bem também. Ele não acredita que JÓ tinha sido uma pessoa e não um protagonista. OU se era realmente possível alguém ser assim ou esse era mais um livro das lendas e mitologias do Japão?

     HANA disse que aquele livro não era japonês. E se retirou para o seu quarto.

      FUYUKI também foi para o seu quarto, mas pensando: “quem sabe se JINAKI poderia aprender com esse livro”?

       Todo livro ensina alguma coisa, esse poderia ensina  JINAKI ASMAHANI a se tornar uma mulher melhor até que as mulheres japonesas.  Que ninguém se assemelhará a ela na terra.

      Antes que ele fechasse a porta de seu quarto bateu na porta do quarto de HANA e a pediu que continuasse com a leitura.

      E assim eles passaram toda a madrugada.

        Amanheceu o dia e bem cedo HANA já estava ocupada com os seus afazeres da sua fazenda e ela não foi à única que acordou cedo, JINAKI levantou e foi para a cozinha e da janela ela observava HANA e foi para a varanda e ficou olhando por muito tempo ate FUYUKI acordar.

        Quando FUYUKI acordou, parecia uma criança de tão entusiasmado:

- JINAKI venha ouvir o que aprendi ontem.

- Não quero. Quero ir embora. Quando partiremos? Chego a achar que nunca mais sairei desse país. Fiquei dando voltas e voltas e não cheguei a nenhum lugar e não aprendi nada.

- Quero te provar que está enganada. Estamos no lugar certo. Essa mulher tem muita sabedoria ela está com uma copia do livro mais velho do mundo, um dos primeiros a ser escrito. E ela pode ler para você. Nós lemos e conversamos muito sobre o que está escrito nele e me esclareceu muita coisa da vida. E pode fazer o mesmo com você.

- Não quero.

- Escute. Você não veio para o Japão para aprender a ter boas atitudes?

- Vim aprender a ter educação como uma mulher de seu país. Você sabe por que vim. E não quero, mas falar sobre isso, só quero saber se a gente pode ir embora. Se você quiser ficar que fique eu vou embora.

- Espere. Esse homem também viveu a dor da perda, assim como você.  Se for para ter uma personalidade melhorada agora você poderá aprender com esse homem. A vida dele vai ser um exemplo para  você, que também quer o seu objetivo conquistado. Eu ainda não desisti de te ajudar. Eu prometi e sou um homem de palavra. Vou continuar tentando.

- Está bem. Que homem é esse que você está falando?

- Escutar e aprender. HANA é sábia e autossuficiente como todos gostaríamos de ser. Olhe para ela... Ela é diferente; nem quimono ela usa.

HANA é um homem?

- Não!

     E os dois caíram em uma gargalhada gostosa como há muito tempo JINAKI ASMAHANI não sorria.

- Venha que eu te conto durante o café o que ouvi de HANA nessa madrugada.

- Vocês não dormiram?

- Sim, eu dormi igual a um bebê.

      Assim ficaram os dois até a hora do almoço e depós toda à tarde.

      Já começava a escurecer, o inverno estava acabando, mas ainda estava acontecendo o degelo da neve em alguns lugares.

Tudo estava muito molhado e com lama por todo lado.

       Andar pela fazenda não era uma boa opção e FUYUKI também não iria deixar JINAKI ir a lugar nenhum antes que ele passasse para a jovem moça tudo o que ele aprendera.

      Foi uma madrugada muito intensa e o aprendizado de FUYUKI gerou no policial uma expectativa de ajuda para JINAKI que faria com que ele cumprisse a promessa que havia feito a jovem de leva-la a aprender como mudar a sua maneira de agir, conseguir ser a pessoa que seu sogro queria, em toda a maneira de viver.

    JINAKI ASMAHANI ainda não estava tão convencida assim, mas a alegria de FUYUKI era contagiante e ela não tinha outra coisa a fazer mesmo, a não ser: quem sabe ir embora da fazenda, talvez voltar para o seu país ou ficar no Japão para sempre?   Ela já nem sabia mais qual seria seu destino.  Todo o tempo em que JINAKI ASMAHANI passou no Japão já estava mexendo com sua forte personalidade. JINAKI ASMAHANI já não agia tão bravamente. JINAKI ASMAHANI agora chorava e publico, se lançava ao chão e sentia o que nunca sentiu antes em sua vida que era o medo.

- Então ela falou que esse homem chamado JÓ aconselhava a muitos na sabedoria igual a um DEUS, e a sua conduta era observada por todos ate o próprio DEUS testemunhava de seu caráter e seu temor.    Ele temia a DEUS esse era o seu segredo.  Mas infelizmente, JÓ também temia outras coisas e foram essas outras coisas que justamente lhe sobrevieram.  E mesmo assim ele se manteve integro, reto, continuou se desviando do mal e em nada ele pecou contra DEUS.

      Então FUYUKI comparou do propósito da vinda de JINAKI ao Japão e a vida daquele homem que conseguiu adquirir uma personalidade e caráter que ninguém na terra tinha semelhante a ele. 

      E também a curiosidade dele era saber o que HANA havia lido naquele livro antigo para mudar seu jeito de ser, isso criou tantas esperanças que talvez realmente pudesse ajudar  JINAKI na personalidade ou a viver sozinha naquele país como a própria HANA ou quem saber mudar e voltar para seu marido e ser aceita pelo seu sogro.

- JINAKI, eu quero-te falar sobre um santo homem de DEUS, o mais velho já narrado. Ele só conseguiu ser descrito e lembrado por tanto tempo assim porque ele fez a sua esposa uma pergunta que paira sobre todo ser vivente:

“recebemos o bem de DEUS, e não receberíamos o mal?"

      Adoramos e servimos aos nossos deuses, santos, entidades, mestres, protetores ou coisa parecida só pelo o que ele pode nos dá? Se aquele que nos atender a esse serviremos. Então adoração é "barganha, troca de favores"? É assim que um deus é para ser tratado? 

      O próprio DEUS falou de ele ser bom, reto, integro que se desviava do mal e O temia.

- E lá vem você de novo falando desse DEUS. Mas você não diz que DEUS é esse!  Eu não estou entendendo nada do que você esta tentando me explicar.  Ele era santo ou era homem ou era um deus? Por que eu pensei quando viu SASUKE pela primeira vez que ela era MAPALU e não era, SASUKE era apenas uma mulher tão submissa quanto uma escrava.  .

- Porque você acha que SASUKE agia como uma escrava? Só porque ela reverencia as pessoas com uma grande estima? Quando nos encurvamos diante de uma pessoa estamos dizendo que essa pessoa pode ficar em paz que a trataremos melhor do que a nós mesmo. E que não vale a pena debater por que na realidade não somos dono da verdade. E tem mais, o pudor é uma arte para nós assim como a ordem que produz o progresso. Tudo são coisas que temos grande apreço. E tudo bem coordenado hierarquicamente, cada um em seu lugar e respeitando o lugar de cada um e o seu respectivamente.

- Mas acaba que vocês perderam o verdadeiro sentido da cordialidade. A cordialidade e empatia são para todos.  Tanto homem com mulher.  Por que ele temia tanto a esse DEUS?  E que DEUS é esse que não tem nome? De onde ele é: “da floresta, do mar, do fogo”? Como pode um homem viver com medo? Você não esta sabendo me contar. Vamos pedir HANA para que ela nos conte.

      FUYUKI foi atrás de HANA para pedir que ela lesse para JINAKI sobre o homem do livro.  Por que para FUYUKI o importante era saber como o homem do livro foi bem resolvido depois de toda aquela catástrofe que lhe sobreveio. Para FUYUKI seria essa a lição de vida para JINAKI ASMAHANI. No ponto de vista dele era nessa circunstância que a vida de JÓ e JINAKI ASMAHANI tem que ter em comum: “o depois da tragédia”.

     HANA na mesma hora parou o que fazia e pegou o livro chamou todos para o tatame do cômodo mais amplo da casa.

    Todos de joelhos dobrados ao chão, um de frente para o outro em total silêncio e atentos aos movimentos de HANA, que fazia gestos com aquele livro parecendo com um cerimonial, ela colocou o livro sobre o colo e debaixo dele estava uma pequena e linda toalha bordada à mão.

     E novamente fechou os olhos e estava falando sem som em suas palavras só se via o mover dos lábios com esse tal DEUS,  o mesmo DEUS de JÓ.

     Então HANA abre o livro que é um pergaminho, feito de papiro, e lê as primeiras frases, quando ela dá uma pausa para respirar e JINAKI repete do seu jeito, parecendo que ela tinha conseguido memorizar a cada palavra dita por HANA:

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.
E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente
.”.

     HANA tinha lido apenas algumas linhas  do livro, mas dessa vez o que chamou a atenção de JINAKI ASMAHANI foi que “ele era o maior de todos do oriente”.

- Ele era um deus? Era o maior de todo o oriente e tinha muitas riquezas em animais, filhos e por isso fazia o bem para os outros, o mal fugia dele, ele era poderoso. Como deus ele ajudava as pessoas; ele era o deus daquele lugar.

FUYUKI traduz a afirmação de JINAKI. HANA ouve e responde e ele transmite para JINAKI:

- A verdade é que nenhum filho de outro homem poder ser DEUS de verdade.

- Como assim? FUYUKI. Pergunte para ela. Como uma pessoa pode se tornar um deus ou uma deusa?

- O verdadeiro e único DEUS não foi criado, não foi inventado. ELE nunca foi feito por ninguém mas ELE existe. Nós é que o reconhecemos ou O desprezamos. Mas ELE existe desde antes da fundação do mundo ELE é DEUS. ELE não precisa de ninguém para ser feito nem tão pouco para existir. ELE é autossuficiente. Tudo foi feito por ELE e para ELE. E ELE não precisa de nada, mas é dono de tudo. É único, inigualável , incomparável, imutável. ELE é DEUS de verdade.  Assim como você perguntou de JÓ se ele era deus. Assim muitos deuses foram formados: "homens bons que por sua bondade foram chamados de deuses, homens maus foram também chamados de deuses por suas maldades, ou por serem bonitos ou feios ou ricos ou pobres, doentes.  Por todo e qualquer motivo são autodenominados de deuses.  o ser humano ficou tão confuso que ate animais existentes ou imaginados para esse eles também se curvam e adoram. Tudo por que não querem ser submissos a UM SER SUPREMO.      

     FUYUKI impulsionalmente traduz tudo para JINAKI o que HANA falou. 

JINAKI ASMAHANI  torna a perguntar e agora mais agitada:

- Por que JÓ  temia a essa DEUS? Era por ELE ser tão supremo a ponto de subjugar ao ser humano e por isso o ser humano construiu para si um deus que seja menos proeminente?

HANA responde afirmando e confirmando que um verdadeiro DEUS tem que ser temido não por ELE ser ruim mais por ELE SER onipotente, onipresente, onisciente. E por isso nunca pode ser derrotado, nem d'ELE ser oculto e muito menos ser enganado ou surpreendido. ELE sabe o limite te cada criação SUA, ELE não tenta e não prova a ninguém além de suas forças. Não precisamos que ninguém nos justifique diante DELE, nem tão pouco interceda por nós. ELE é tão completo, perfeito e é por isso que é único e suficiente por que além de Criador ELE é Pai.  E novamente lê o mesmo capítulo.

“Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; e era este homem íntegro, reto e temente a Deus e desviava-se do mal.
E nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
E o seu gado era de sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; eram também muitíssimos os servos a seu serviço, de maneira que este homem era maior do que todos os do oriente.
E iam seus filhos à casa uns dos outros e faziam banquetes cada um por sua vez; e mandavam convidar as suas três irmãs a comerem e beberem com eles.
Sucedia, pois, que, decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó, e os santificava, e se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; porque dizia Jó: Porventura pecaram meus filhos, e amaldiçoaram a Deus no seu coração. Assim fazia Jó continuamente.
E num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles.
Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.
E disse o Senhor a Satanás: Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal.
Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?
Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoou e o seu gado se tem aumentado na terra.
Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.
E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor.
E sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam, e bebiam vinho, na casa de seu irmão primogênito,
Que veio um mensageiro a Jó, e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pastavam junto a eles;
E deram sobre eles os sabeus, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.
Estando este ainda falando, veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu, e só eu escapei para trazer-te a nova.
Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Ordenando os caldeus três tropas, deram sobre os camelos, e os tomaram, e aos servos feriram ao fio da espada; e só eu escapei para trazer-te a nova.
Estando ainda este falando, veio outro, e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa de seu irmão primogênito,
Eis que um grande vento sobreveio dalém do deserto, e deu nos quatro cantos da casa, que caiu sobre os jovens, e morreram; e só eu escapei para trazer-te a nova.
Então Jó se levantou, e rasgou o seu manto, e rapou a sua cabeça, e se lançou em terra, e adorou.
E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor.                                                                                       

Em tudo isto Jó não pecou, nem atribuiu a Deus falta alguma.                                                    E, vindo outro dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o SENHOR, veio também Satanás entre eles, apresentar-se perante o SENHOR.
Então o Senhor disse a Satanás: Donde vens? E respondeu Satanás ao Senhor, e disse: De rodear a terra, e passear por ela.
E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa.
Então Satanás respondeu ao Senhor, e disse: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará pela sua vida.
Porém estende a tua mão, e toca-lhe nos ossos, e na carne, e verás se não blasfema contra ti na tua face!
E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida.
Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de úlceras malignas, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
E Jó tomou um caco para se raspar com ele; e estava assentado no meio da cinza.
Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre.
Porém ele lhe disse: Como fala qualquer doida, falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? Em tudo isto não pecou Jó com os seus lábios
. ”


- Mas mesmo assim ele acabou perdendo tudo?”

      FUYUKI traduz a pergunta de JINAKI e automaticamente foi falando para JINAKI entender o que HANA ia respondendo:

- JÓ era homem como FUYUKI, como eu, como você. Como qualquer homem que pode vir a adoecer um dia e no outro ficar rico e no outro casar e no outro morrer... Que por si só não pode livrar da catástrofe nem os filhos, nem tudo o que tinha. Mas o que JÓ tinha de diferente era a sua sabedoria e Inteligência que começava temendo a DEUS. E essa sabedoria deu gerou  nele a confiança que o fez alcançar a vitória, a virado de seu cativeiro e a restituição de tudo em dobro do que ele perdeu.

- Mas mesmo assim ele perdeu tudo o que tinha! Então o que lhe serviu ser tão reto, ser tão sincero, se desviar do mal se o mal lhe alcançou?

    Em desespero JINAKI fala e FUYUKI traduz. 

    A resposta logo vem de HANA  e na tradução de FUYUKI:

- HANA lembra a resposta que JÓ deu a sua mulher:

 ”recebemos o bem de DEUS e não receberíamos o mal?”

 

 -  E o que isso quer dizer?  

 

 

 

 

 







A REDENÇÃO

 

 Fazenda de arroz que produzia  esperança.


 

 

 

 

   Perguntou JINAKI ASMAHANI preocupada e FUYUKI fez a mesma pergunta a HANA que vai respondendo e FUYUKI traduzindo para JINAKI ASMAHANI, igual a um jogo frenético de pingue e pongue:

- De que adiantou DEUS vê que ele era reto, bom, sincero, se desviava do mal e temia a ELE?

  Nesse momento FUYUKI toma a liberdade de falar por si mesmo:  

- Você nunca se perguntou por que te sobrevieram, tantas desgraças, por que você está sofrendo tanto assim?

-  Perguntar várias vezes eu me perguntei. Mas nunca tive a resposta e se tive eu nunca entendi.

  E por mais uma vez HANA lê no LIVRO SAGRADO e todos os que estavam na sala acompanham em silêncio ouvindo atentamente e entendendo cada palavra que saía dos lábios de HANA.

O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida.
Se podes, responde-me, põe em ordem as tuas razões diante de mim, e apresenta-te.
Eis que vim de Deus, como tu; do barro também eu fui formado.
Eis que não te perturbará o meu terror, nem será pesada sobre ti a minha mão.
Na verdade tu falaste aos meus ouvidos; e eu ouvi a voz das tuas palavras. Dizias:
Limpo estou, sem transgressão; puro sou, e não tenho iniquidade.
Eis que procura pretexto contra mim, e me considera como seu inimigo.
Põe no tronco os meus pés, e observa todas as minhas veredas.
Eis que nisso não tens razão; eu te respondo; porque maior é Deus do que o homem.
Por que razão contendes com ele, sendo que não responde acerca de todos os seus feitos?
Antes Deus fala uma e duas vezes; porém ninguém atenta para isso.
Em sonho ou em visão noturna, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama.
Então o revela ao ouvido dos homens, e lhes sela a sua instrução,
Para apartar o homem daquilo que faz, e esconder do homem a soberba.
Para desviar a sua alma da cova, e a sua vida de passar pela espada.
Também na sua cama é castigado com dores; e com incessante contenda nos seus ossos;
De modo que a sua vida abomina até o pão, e a sua alma a comida apetecível.
Desaparece a sua carne a olhos vistos, e os seus ossos, que não se viam, agora aparecem.
E a sua alma se vai chegando à cova, e a sua vida aos que trazem a morte.
Se com ele, pois, houver um mensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão,
Então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à cova; já achei resgate.
Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade, e tornará aos dias da sua juventude.
Deveras orará a Deus, o qual se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça.
Olhará para os homens, e dirá: Pequei, e perverti o direito, o que de nada me aproveitou.
Porém Deus livrou a minha alma de ir para a cova, e a minha vida verá a luz.
Eis que tudo isto é obra de Deus, duas e três vezes para com o homem,
Para desviar a sua alma da perdição, e o iluminar com a luz dos viventes.
Escuta, pois, ó Jó, ouve-me; cala-te, e eu falarei.
Se tens alguma coisa que dizer, responde-me; fala, porque desejo justificar-te.
Se não, escuta-me tu; cala-te, e ensinar-te-ei a sabedoria.

Ouvi, vós, sábios, as minhas razões; e vós, entendidos, inclinai os ouvidos para mim.

Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida.
O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom.
Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.
Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios?
Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!
Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.
Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo?
Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,
Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.
Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?
Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?
Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos.
Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana.
Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos.
Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
Porque Deus não sobrecarrega o homem mais do que é justo, para o fazer ir a juízo diante dele.
Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar.
Ele conhece, pois, as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos.
Ele os bate como ímpios que são, à vista dos espectadores;
Porquanto se desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos,
De sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.
Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,
Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.
Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.
O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?
Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.
Os homens de entendimento dirão comigo, e o homem sábio que me ouvir:
Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.
Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.
Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.

Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
Porque disseste: De que me serviria? Que proveito tiraria mais do que do meu pecado?
Eu te darei resposta, a ti e aos teus amigos contigo.
Atenta para os céus, e vê; e contempla as mais altas nuvens, que são mais altas do que tu.
Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás?
Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?
A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.
Por causa das muitas opressões os homens clamam por causa do braço dos grandes.
Porém ninguém diz: Onde está Deus que me criou, que dá salmos durante a noite;
Que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?
Clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso.
E quanto ao que disseste, que o não verás, juízo há perante ele; por isso espera nele.

- Mas eu não entendo, se há juízo perante DEUS e ELE julga a JÓ como sendo um homem bom, reto e que se desvia do mal. Como os amigos de JÓ  viram erro nele se DEUS não viu? Existe nas tribos da África um povo que realmente são ruins, que comem gente ou matam pessoas e animais para o sacrifício essas não são apenas consideradas pessoas de coração ruim mas elas são de verdade. Vivem isoladas, não prestam para nada, não plantam, não criam nem tipo de animal, só sabem rouba, sequestrar, furtar e matar. E esse homem era desse jeito? Esse homem também sacrificava seus filhos e filhas para o deus dele?

- Não JINAKI! Quando aqui está dizendo que se os filhos dele pecava ele  sacrificava, não era os filhos. Os filhos morreram por causa das calamidades que lhes sobreveio. 

   O dialogo entre FUYUKI e JINAKI ASMAHANI sempre ficava acalorado e HANA interrompia os dois com a continuação da leitura do livro.

   E o interessante é quando HANA lia  JINAKI ASMAHANI entendia tudo o quanto era lido, mas se HANA comentasse alguma coisa que não estava escrito no livro JINAKI ASMAHANI logo arregalava os olhos em direção a FUYUKI que o forçava a traduzir o que HANA falara. 

    Parecia que JINAKI soubesse o que estava escrito naquele livro sagrado e quando não.

    Então HANA foi explicando e FUYUKI traduzindo, ela deu um respirou profundo e começou a falar pausadamente para que FUYUKI conseguisse interpretar simultaneamente e dizia:

- Ela disse que não era isso que ela leu. Terminado um período de banquetes, Jó mandava chamá-los e fazia com que se purificassem. De madrugada ele oferecia um holocausto em favor de cada um deles, pois pensava: "Talvez os meus filhos tenham lá no íntimo pecado e amaldiçoado a DEUS". Essa era a prática constante de Jó. Mas é assim que está escrito que DEUS viu que aquele homem era diferente de todos na terra de UZ. Ele não poderia matar a ninguém, sendo ele bom e reto. Ele não poderia matar os próprios filhos, nem mesmo a sua tola mulher sendo ele sincero. O que ele sacrificava era alguns de seus animais; se levantava de madrugada, e oferecia holocaustos segundo o número de todos seus filhos se porventura tivesse feito alguma coisa de errado e transgredido às regras do seu único DEUS.

    HANA parou a explicação, FUYUKI a tradução e JINAKI ASMAHANI ficou em silencio olhando para o tatame e entre um sorriso aliviado e um suspiro e depois disse e FUYUKI traduziu para HANA:

- Ah bem! Pensei: "por que um homem tão cruel que mata os filhos seria exemplo"? E até imaginei que se esse DEUS  via esse  homem como correto e que se desviava do mal mesmo ele  matando seus próprios filhos mesmo que em sacrifício para ele! Então esse DEUS não veria mal em mim, ELE seria igual aos que eu já conheci e que HANA disse que não eram deuses.

- Mas JÓ não matou seus filhos e  nem ninguém. Você não entende nada do que ela leu?

 - Entendi. Mas eu pensei que era por isso que você quisesse tanto que eu conhece esse tal de JÓ. Por que se JÓ pode matar e mesmo assim se elogiado por esse DEUS. Talvez esse DEUS também não me achasse tão ruim assim. 

   - Você está tentando se defender usando o que nem está escrito sobre JÓ?

FUYUKI traduziu para HANA o dialogo dos dois daquele momento, e parecia que ele já estava perdendo a paciência. E olha que isso era uma coisa rara de acontecer. Porque ate cara de pacifico FUYUKI tem. E para ele perder o equilíbrio era para os acontecimentos além da imaginação.

    HANA falou que nesses dois primeiros capítulos retrata três hemisférios: o de DEUS, o do homem e o de satanás. E é justamente isso que o LIVRO SAGRADO quer ensinar que DEUS tem um plano para a vida do homem que acontecerá custe o que custar pois ELE não mente. Mas muitas das vezes o homem com suas restrições e fraquezas, acaba dando espaço para satanás levantar hipóteses para tentar desvirtuar e dificultar o plano de DEUS para a vida do homem, causando no homem dor, morte, destruição e distanciamento do próprio DEUS. O que temos que entender é: "Não temos que  ter medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.".

    HANA que falava olhando para JINAKI ASMAHANI, virou seu rosto em direção ao livro e tornou a ler e nesse momento os dois somente ouviam sem dar nem um sequer suspiro mais alto. 

    Já era noite quando HANA parou e foi preparar um banho para JINAKI e enquanto JINAKI tomava banho HANA correu para a cozinha e arrumou uns pratos com yakisoba que seria a refeição mais rápida para ser feita já que era bem tarde.

      E sem dizerem nenhuma palavra depois do jantar cada um foi para os seus quartos em silêncio todos foram dormir.

      Era o que parecia, mas no quarto escuro JINAKI ASMAHANI olha para o teto como que vendo o rosto de FUYUKI lhe perguntando: “- Você nunca se perguntou por que te sobrevieram, tantas desgraças, por que você está sofrendo tanto assim?”.

 











14º  capitulo

O PORQUÊ?

 

 

 

As três forças que regem nosso mundo.



Então respondeu Satanás ao Senhor, e disse: Porventura teme Jó a Deus debalde?

HANA entregou o pergaminho nas mãos de JINAKI  e ela tomou em suas mãos com todo carinho e reverencia começando a ler como que já estive estado em uma sala de aula alguma vez na vida, coisa que nunca aconteceu.


Leu JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE.  

Ela leu o LIVRO SAGRADO como quem lesse em sua língua natal, mas ela estava lendo como estava escrito, entretanto o livro  estava escrito em aramaico e dois japoneses entenderam perfeitamente como quem ouve em japonês.

HANA repetiu o que JINAKI leu e FUYUKI entendeu o que as duas mulheres falaram e os dois abraçaram a JINAKI, FUYUKI sorrindo disse:

-  E eu entendi o que você disse quando você leu. E HANA repetiu a mesma coisa. Mas parece que estão falando diferente. É muito engraçado por que dá para notar que não é uma coisa simplesmente natural que está acontecendo. Ela disse o mesmo que você, mas em japonês. JINAKI você aprendeu a ler!

- Mas o que está acontecendo? Então aprendi a ler!

E os três se levantaram de mãos dadas, sorrindo e dançando  alegremente com a música que HANA cantava mesmo sem os viajantes entenderem.

HANA mesmo sem entender o que os dois diziam, pois estavam a falar em swahili, que era o idioma natal de JINAKI ASMAHANI, ela se juntou com ele no abraço.

A noite estava começando muito mais sonora do que das outras vezes em que após um dia de trabalho roçando o mato da horta e cuidando da criação na fazenda, eles sempre se juntavam ao redor do livro e com toda reverencia prestavam toda a atenção no que era lido por HANA. Mas agora por JINAKI ASMAHANI, a diferença começa assim.

- Agora entendo o porquê que você tanto insistiu que eu ouvisse sobre o que tem neste livro. Ele explica que há esperança para mim. Foi só eu descobrir quem verdadeiramente sou e de onde vim e de quem eu vim e para quê.   As perguntas que forjaram a minha vida com dor e lágrimas que derramei nesse país, agora parecem que me leva a mais importante resposta que eu ainda estou aprendendo. Eu li sobre o SENHOR, JÓ, e satanás. Quando HANA explicou sobre o homem estava se referido a JÓ, não é? E o livro fala que DEUS cuidava e dava a JÓ do que ele precisava e muito mais. Não é isso? Olha o que está escrito:

Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra.

FUYUKI foi repetindo o que JINAKI ASMAHANI disse desde quando ela declarou que aprendera a ler e ate quando leu sobre os três personagens do inicio  do livro.

HANA começou falando e FUYUKI traduziu: “TRÊS FORÇAS DOMINAM O MUNDO.”.

- Para cada acontecimento há uma consequência que fará mover a engrenagem da vida e dará o desenvolvimento ao Universo, é por isso que um nasce e na mesma hora outros morrem, um começa e outros terminam, um vai em frente e outros voltam.  Acontece assim é para o reconhecimento e  com o objetivo único de revelar  a participação de cada um nesse UniversoSim, HANA falava de JÓ e de todo homem em comum, homem e mulher. Que fomos formados do barro e o livro lembra bem isso para alertar que embora seja o homem coroa da criação de DEUS, é de estrutura frágil que pode perecer. Mas que tem uma parte que é eterna em seu ser e ele é um dos seres que dominam o Universo, foi feito para a gloria de DEUS, assim como uma coroa honra a seu dono assim é o homem para com DEUS. E o prazer desse DEUS é presentear a sua criação.

- Eu ainda não consigo compreender por que JÓ teve que perde tudo o que tinha até os filhos. Isso foi injusto! Ele não merecia. Nenhum ser vivo merece isso. E eu acho que eu também não merecia. Nem você, nem HANA. Pelo menos ela ainda tem sua fazenda e você seu emprego de policial. Onde estava o DEUS de JÓ para o  proteger e a tudo o que tinha? Se o prazer d'ELE é presentear. E ainda... O que fez JÓ para esse tal de satanás querer o mal para ele? 

- HANA fala que você tem muitas perguntas assim como todo ser humano, que se não for a fonte certa e cristalina acabará se contaminando com informações erradas.  Mas agora você vai compreender que DEUS como Pai quer que aprendamos a viver a nossa vida com liberdade de escolha. Quer que tenhamos temor ,no sentido de reverencia e não terror d'ELE. Mas na vida é assim: "e havendo trevas o nosso DEUS vai formar a luz e como Pai vai nos ensinar o valor e sentido de cada um, para que possamos escolher. Se nunca tiver como saberemos qual será o sentimento de perder? Ela disse que DEUS é eternamente benigno. Deixou que JÓ passasse por essa prova para que ele repreendesse o mal que é satanás e  com isso, amadurecesse. Assim também aconteceu com você JINAKI ASMAHANI e comigo e com HANA. DEUS não deixaria JÓ passar por essa prova e ser destruído nela se fosse assim ELE acabaria sendo envergonhado. Por causa do LIVRO SAGRADO fica revelado quem é o homem e a história de JÓ explica bem minunciosamente. Esclarece que a outra força que rege o mundo é a de satanás que age com a  mentira, suplantação. Oposto de DEUS e opositor do homem. Aqui no livro de JÓ ele está mostrando uma de suas maneiras de trabalhar para destruição do homem. Com tragédia e dor. Colocando em cheque o sentimento de amor que toda criatura de DEUS traz em si pelo seu PAI, DEUS e CRIADOR. Mas satanás também investe contra o homem com coisas boas e aquilo exatamente que o homem gosta e precisa, coisas que a fraqueza humana o debilita, coisas essas que o homem pensa não viver sem elas, coisas que ele pode oferecer o mentir que pode dar, mas se ele dê será em troca de que o homem blasfeme contra DEUS e o adorar. Assim como DEUS, satanás é espirito e nós meros mortais. Ele também em poder não como o poder de DEUS, além de ele ser limitado ainda tem que pedir permissão à DEUS. Como ele não tem nada de bom nele isso quer dizer que ele nunca poderá ser amigo de ninguém. Ele é invejo e por inveja do homem ele se dedica em persegui-lo para se possível matar, roubar e destruir. 

HANA e FUYUKI se calaram e olharam para JINAKI que de cabeça baixa parecia que seus miolos iriam explodir. Ela olha para FUYUKI e pergunta:

- Ele faz o bem por que tinha com o que fazer e de nada ele tinha falta por  que o DEUS de JÓ fez isso por ele.

- Sim, satanás sabia que JÓ de nada tinha falta e que mesmo que seus filhos estivessem morrido nunca deixariam de ser seus filhos. Mas ele fica tentando o homem, colocando como que se fosse sentimentos ou pensamento de insegurança, incerteza ou falta de confiança em DEUS. por que se DEUS deu os de mais bens a primeira vez poderia restitui-los novamente, até a saúde e tudo mais que satanás tirou. Porque o prazer DELE é abençoar. HANA diz que não pode explica nada além do que o livro explica. E o livro diz:

Mas o homem nasce para a tribulação, como as faíscas se levantam para voar.
Porém eu buscaria a Deus; e a ele entregaria a minha causa.
Ele faz coisas grandes e inescrutáveis, e maravilhas sem número.
Ele dá a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.
Para pôr aos abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.
Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.
Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.
Eles de dia encontram as trevas; e ao meio-dia andam às apalpadelas como de noite.
Porém ao necessitado livra da espada, e da boca deles, e da mão do forte.
Assim há esperança para o pobre; e a iniquidade tapa a sua boca.
Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.
Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada.
Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.
Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo, e as feras do campo serão pacíficas contigo.
E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não pecarás.
Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra,
Na velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

O homem, nascido da mulher, é de poucos dias e farto de inquietação.
Sai como a flor, e murcha; foge também como a sombra, e não permanece.
E sobre este tal abres os teus olhos, e a mim me fazes entrar no juízo contigo.
Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.
Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles.
Desvia-te dele, para que tenha repouso, até que, como o jornaleiro, tenha contentamento no seu dia.
Porque há esperança para a árvore que, se for cortada, ainda se renovará, e não cessarão os seus renovos.
Se envelhecer na terra a sua raiz, e o seu tronco morrer no pó,
Ao cheiro das águas brotará, e dará ramos como uma planta.
Porém, morto o homem, é consumido; sim, rendendo o homem o espírito, então onde está ele?
Como as águas se retiram do mar, e o rio se esgota, e fica seco,
Assim o homem se deita, e não se levanta; até que não haja mais céus, não acordará nem despertará de seu sono.
Quem dera que me escondesses na sepultura, e me ocultasses até que a tua ira se fosse; e me pusesses um limite, e te lembrasses de mim!
Morrendo o homem, porventura tornará a viver? Todos os dias de meu combate esperaria, até que viesse a minha mudança.
Chamar-me-ias, e eu te responderia, e terias afeto à obra de tuas mãos.
Mas agora contas os meus passos; porventura não vigias sobre o meu pecado?
A minha transgressão está selada num saco, e amontoas as minhas iniquidades.
E, na verdade, caindo a montanha, desfaz-se; e a rocha se remove do seu lugar.
As águas gastam as pedras, as cheias afogam o pó da terra; e tu fazes perecer a esperança do homem;
Tu para sempre prevaleces contra ele, e ele passa; mudas o seu rosto, e o despedes.
Os seus filhos recebem honra, sem que ele o saiba; são humilhados, sem que ele o perceba;
Mas a sua carne nele tem dores, e a sua alma nele lamenta.

Porventura não tem o homem guerra sobre a terra? E não são os seus dias como os dias do jornaleiro?
Como o servo que suspira pela sombra, e como o jornaleiro que espera pela sua paga,
Assim me deram por herança meses de vaidade; e noites de trabalho me prepararam.
Deitando-me a dormir, então digo: Quando me levantarei? Mas comprida é à noite, e farto-me de me revolver na cama até à alva.
A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele está gretada, e se fez abominável.
Os meus dias são mais velozes do que a lançadeira do tecelão, e acabam-se, sem esperança.
Lembra-te de que a minha vida é como o vento; os meus olhos não tornarão a ver o bem.
Os olhos dos que agora me veem não me verão mais; os teus olhos estarão sobre mim, porém não serei mais.
Assim como a nuvem se desfaz e passa, assim aquele que desce à sepultura nunca tornará a subir.
Nunca mais tornará à sua casa, nem o seu lugar jamais o conhecerá.
Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito; queixar-me-ei na amargura da minha alma.
Sou eu porventura o mar, ou a baleia, para que me ponhas uma guarda?
Dizendo eu: Consolar-me-á a minha cama; meu leito aliviará a minha ânsia;
Então me espantas com sonhos, e com visões me assombras;
Assim a minha alma escolheria antes a estrangulação; e antes a morte do que a vida.
A minha vida abomino, pois não viveria para sempre; retira-te de mim; pois vaidade são os meus dias.
Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,
E cada manhã o visites, e cada momento o proves?
Até quando não apartarás de mim, nem me largarás, até que engula a minha saliva?
Se pequei, que te farei, ó Guarda dos homens? Por que fizeste de mim um alvo para ti, para que a mim mesmo me seja pesado?
E por que não perdoas a minha transgressão, e não tiras a minha iniquidade? Porque agora me deitarei no pó, e de madrugada me buscarás, e não existirei mais.


- O que HANA diz de JÓ?

Perguntou FUYUKI o que JINAKI ASMAHANI havia indagado e HANA responde lendo mais um trecho do  livro que diz:

Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia.

E Jó, falando, disse:  

Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.

Nunca estive tranquilo, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação. 

Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.
Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios?
Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!
Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.
Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo?
Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,
Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.
Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?
Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?
Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos.
Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana.
Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos.
Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
Porque Deus não sobrecarrega o homem mais do que é justo, para o fazer ir a juízo diante dele.
Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar.
Ele conhece, pois, as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos.
Ele os bate como ímpios que são, à vista dos espectadores;
Porquanto se desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos,
De sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.
Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,
Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.
Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.
O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?
Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.
Os homens de entendimento dirão comigo, e o homem sábio que me ouvir:
Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.
Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.
Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.

Se andei com falsidade, e se o meu pé se apressou para o engano
(Pese-me em balanças fiéis, e saberá Deus a minha sinceridade),
Se os meus passos se desviaram do caminho, e se o meu coração segue os meus olhos, e se às minhas mãos se apegou qualquer coisa,
Então semeie eu e outro coma, e seja a minha descendência arrancada até à raiz.
Se o meu coração se deixou seduzir por uma mulher, ou se eu armei traições à porta do meu próximo,
Então moa minha mulher para outro, e outros se encurvem sobre ela,
Porque é uma infâmia, e é delito pertencente aos juízes.
Porque é fogo que consome até à perdição, e desarraigaria toda a minha renda.
Se desprezei o direito do meu servo ou da minha serva, quando eles contendiam comigo;
Então que faria eu quando Deus se levantasse? E, inquirindo a causa, que lhe responderia?
Aquele que me formou no ventre não o fez também a ele? Ou não nos formou do mesmo modo na madre?
Se retive o que os pobres desejavam, ou fiz desfalecer os olhos da viúva,
Ou se, sozinho comi o meu bocado, e o órfão não comeu dele
(Porque desde a minha mocidade cresceu comigo como com seu pai, e fui o guia da viúva desde o ventre de minha mãe),
Se alguém vi perecer por falta de roupa, e ao necessitado por não ter coberta,
Se os seus lombos não me abençoaram, se ele não se aquentava com as peles dos meus cordeiros,
Se eu levantei a minha mão contra o órfão, porquanto na porta via a minha ajuda,
Então caia do ombro a minha espádua, e separe-se o meu braço do osso.
Porque o castigo de Deus era para mim um assombro, e eu não podia suportar a sua grandeza.
Se no ouro pus a minha esperança, ou disse ao ouro fino: Tu és a minha confiança;
Se me alegrei de que era muita a minha riqueza, e de que a minha mão tinha alcançado muito;
Se olhei para o sol, quando resplandecia, ou para a lua, caminhando gloriosa,
E o meu coração se deixou enganar em oculto, e a minha boca beijou a minha mão,
Também isto seria delito à punição de juízes; pois assim negaria a Deus que está lá em cima.
Se me alegrei da desgraça do que me tem ódio, e se exultei quando o mal o atingiu
(Também não deixei pecar a minha boca, desejando a sua morte com maldição);
Se a gente da minha tenda não disse: Ah! quem nos dará da sua carne? Nunca nos fartaríamos dela.
O estrangeiro não passava a noite na rua; as minhas portas abria ao viandante.
Se, como Adão, encobri as minhas transgressões, ocultando o meu delito no meu seio;
Porque eu temia a grande multidão, e o desprezo das famílias me apavorava, e eu me calei, e não saí da porta;
Ah! quem me dera um que me ouvisse! Eis que o meu desejo é que o Todo-Poderoso me responda, e que o meu adversário escreva um livro.
Por certo que o levaria sobre o meu ombro, sobre mim o ataria por coroa.
O número dos meus passos lhe mostraria; como príncipe me chegaria a ele.
Se a minha terra clamar contra mim, e se os seus sulcos juntamente chorarem,
Se comi os seus frutos sem dinheiro, e sufoquei a alma dos seus donos,
Por trigo me produza cardos, e por cevada joio. Acabaram-se as palavras de Jó.
Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás?

Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?
A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.
Por causa das muitas opressões os homens clamam por causa do braço dos grandes.
Porém ninguém diz: Onde está Deus que me criou, que dá salmos durante a noite;
Que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?
Clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso.
E quanto ao que disseste, que o não verás, juízo há perante ele; por isso espera nele.

-  Ele foi temente a DEUS, mas  temeroso de muitas coisas e altivo de si mesmo.

Disse JINAKI ASMAHANI como que em um sussurro.

HANA explicou como se já conhecesse a JÓ como a um filho. Ela dizia que JÓ aconselhava ao outros no temor de DEUS, mas ele mesmo não sabia que outros temores o dominavam.

Ele era temeroso que seus filhos pudesse ter pecado contra DEUS, temeroso de perde-los e de tudo o mais que lhe aconteceu. 

JÓ temia que esses acontecimentos só lhe ocorressem se caso DEUS o deixasse.

Não se pode servir a DEUS só por que está com medo de alguma coisa ou acontecimento ou por causa de alguma pessoa.

O homem recebe de DEUS o folego de vida, autoridade e o ESPÍRITO DE DEUS passa a habitar nele quando esse homem está em comunhão plena com DEUS, por que  quando DEUS formou o homem botou a sua essência nele e com isso o homem traz dentro de si um amor que é para ser devotado ao DEUS CRIADOR e SENHOR, só para ELE, não é como o amor por um filho, um cônjuge ou pelos pais. É um amor diferente. Então o desde que o homem nasce passa por acontecimentos na vida que irão trabalhar nesse amor para revelá-LO como Dono e Senhor desse amor por direito. Amadurecendo, fortalecendo. A alma que veio de DEUS é dELE no homem e para ELE volta, ela tem necessidade de DEUS mais que o peixe de água.

O corpo do homem vai se desenvolvendo durante toda a sua vida e depois regride com os anos pesando sobre, mas durante a vida no corpo do homem o espirito pode se manter puro como nasceu com isso nunca se corromper ou se se corromper, o ESPIRÍTO DE DEUS que agora nele mora o ajudará a voltar de antes de se desvirtuar e assim ir até o fim e deixar que DEUS o regenere ou seguir com sua corrupção e ver para onde ela o vai levar.

HANA falava todas essas palavras pausadamente e colocando a mão em seu coração, levantou a cabeça e olhou para JINAKI ASMAHANI e FUYUKI que estava também com a mão no coração olhava para JINAKI também.

No coração de JÓ havia DEUS e outros medos, ate o medo de perde o próprio DEUS e SENHOR como quem perder o bem mais valioso que possuía. JÓ pensava que DEUS por algum motivo poderia desprezar ele, ou que tudo o que lhe havia acontecido era exatamente por que DEUS já o havia abandonado. Mas o amor de DEUS além de ser incondicional é incomparável. Ate o amor que uma mãe tem ao seu filho que ligado ao seu corpo quando chega a hora de mamar ela não esquece o amor de DEUS é maior.

 No coração dos amigos de JÓ só havia apenas  julgamento;  faziam o que faziam pensando que estavam certos e ainda colocavam o nome de DEUS. Mas eles não levaram em consideração que acima de todos e tudo "DEUS é amor". Com isso JÓ aprendeu quando DEUS falou que era para ele orar por esses mesmos amigos que assim como DEUS nos ama devemos nos amar também. E se temos em nós o amor de DEUS, ELE nos nomeou para seus mordomos. Mas o homem com suas imperfeições se acha no direito de fazer acepção, rotulando uns como lindos outros feios; uns como perfeitos outros como falhos, uns como harmônicos e outros como estranhos. Mas ELE não é tão exigente assim. Enquanto o homem quer ficar julgando, satanás quer ficar condenando e DEUS desfazendo essa bagunça toda. DEUS cria, o homem deforma e o diabo, satanás destrói.

JÓ era conhecido por seus bens, e a adversidade que ele teve em sua vida mostrou para ele quem de verdade ele é. Ninguém é pelo que tem. Por que o que se tem hoje pode não se ter amanhã. Seja riqueza, seja doença, seja títulos, seja o que for.

O mundo avalia o homem pelos os bens que ele tem e pelo o que ele diz. Ter várias criações: bois, jumentas, ovelhas e camelos, juntar muitas riquezas; mas assim como tudo o que JÓ tinha não puderam defender nem proteger a vida dos filhos de todas essas coisas que os sobrevieram também não podem formar a pessoa que ele é. Tudo o que se passa na vida tem que te motivar a ser uma pessoa melhor. Assim como diz o ditado popular: "aquilo que não te mata te fortalece.".

Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.
Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada.
Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.
Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo, e as feras do campo serão pacíficas contigo.
E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não pecarás.
Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra,
Na velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.
Eis que isto já o havemos inquirido, e assim é; ouve-o, e medita nisso para teu bem.

Não foi fidelidade dele por DEUS que foi à prova, nem se "JÓ amaria a DEUS por tudo o que ele tinha, nem se quando deixasse de ter se ele continuaria fiel". Mas a pergunta que ele fez a sua esposa é o X da questão:

“...receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal? ...”.

- Mas porque essa pergunta? Ou por que teria que provar essa resposta?

Perguntou JINAKI ASMAHANI como que num grito e logo após se levantando e indo para o lado de fora da casa como quem busca ar para respirar.

Então assim que HANA começou a falar FUYUKI foi dizendo com exatidão as palavras traduzidas para JINAKI ASMAHANI mas em alta voz para que a jovem escutasse lá de fora.

- Todo homem nasce e durante toda a vida lhe é ensinado as respostas de todas as perguntas imagináveis mas a pergunta da alma é: “ Quem é o homem para que   DEUS o ame tanto assim?

 Que é o homem, para que tanto o engrandeças, e ponhas nele o teu coração,








QUEM SOU EU? 

O que é o homem, para que tanto O engrandeças, e ponha nele o Teu coração, e cada manhã o visites, e cada momento o prove? Livro de JÓ 7:17-18

JINAKI ASMAHANI voltou mas foi direto para o seu quarto e  fechou a porta de fino papel arroz com muito carinho, mais uma vez se lançou no tatame  de joelhos e fechou os olhos como que se se fizesse assim se tornaria invisível e não ouvir os gritos de FUYUKI a chamando para voltar.

Ali naquele quarto JINAKI se confrontava buscando arrancar de dentro de si própria a resposta para as tais perguntas.

JINAKI ASMAHANI trouxe a sua memória tudo o que ela soube do martírio que sua mãe fez para que ela viesse ao mundo.

O acidente de seu pai e o processo da cura, a perna que ele perdeu e que mesmo assim conseguiu continuar vivo.

Sua infância, os cuidados de todos da aldeia e principalmente de seu avô; o carinho e o zelo de sua avó.

Quando viu BABU pela primeira vez e como foi bonito o tempo em que ele ficou em BARUNDI.

O momento em que ela se lembrava do dia em que BABU e sua mãe a rainha de CANDACE foi a sua aldeia para busca-la.    

Uma lágrima rolou em seu rosto, nasceu em meio aos olhos fechados bem apertados e foi parar em cima de suas mãos que estavam sobre suas cochas agora cobertas por um quimono que ela  vestira todos os dias.

Lembrou no dia em que seu sogro, o rei AKI chegou de viajem.

Era um dia como outro qualquer pois os navios mercantes não tinha dia e nem hora para aportar.

De uma hora para a outra a chegada daqueles homens que era motivo de alegria se tornou em uma grandiosa festa pois o rei da aldeia havia aparecido na polpa do navio e acenado para os que estavam recepcionando os marinheiros. 

E os mesmo fizeram questão de contar para toda a aldeia e começarem as danças de boas vindas para seu rei.

BABU não estava lá e nem ficou sabendo. Ele estava com JINAKI ASMAHANI em sua cabana e pouco aparecia na aldeia.

Isso contrariava e muito ao seu rei e pai.

Quando BABU apareceu já se fazia um dia inteiro, houve a comemoração da chegada do rei todo aquele dia e na segunda e terceira noite o povo da aldeia ainda estava festejando.

O rei não correspondeu com a mesma alegria quando BABU foi até o pai.  

Ele nem se deixou ser abraçado pelo filho, foi logo perguntando pelo filho que já era para ele ter feito em JINAKI ASMAHANI.

O rei não deixou que ninguém o apresentasse JINAKI ASMAHANI, nem ela mesma.

Naquele momento JINAKI ASMAHANI que já tinha os olhos bem fechados também cerrou os punhos amassando o delicado tecido do quimono que a cobria.

JINAKI ASMAHANI se levanta e vai em direção a uma janela e olhando para fora, lembra o dia em que acordou e BABU não estava ao seu lado e saindo a sua procura, encontra a rainha de CANDACE.

- JINAKI, volte para sua tenda.

- O que houve?

- Volte agora para sua tenda. Vá agora mesmo!

- Mas o que aconteceu?

A jovem perguntava para sua sogra que vinha correndo em sua direção como uma menina.

Ela não via nada de anormal ao seu redor ou  na aldeia, parecia tudo calmo.

Um ano já havia se passado e suas brigas com o rei e o estranhamento dele com BABU já parecia um fato corriqueiro.

Para JINAKIASMAHANI sua vida parecia costumeira de todas as vezes que ela aparecia na aldeia.

Mas nunca; sua sogra a própria rainha de CANDACE foi ao seu encontro aos berros.

JINAKI ASMAHANI não conseguiu obedecer sua sogra estava muito curiosa e preocupada em saber o que poderia estar acontecendo e foi em direção a tenda maior a que fica no centro da aldeia; onde deveria de estar seu marido BABU e seu sogro o rei AKI.

Olhando tudo ao redor JINAKI AMAHANI percebeu o enorme navio ancorado em uma boa distancia da praia e os mareantes estavam na aldeia com suas mercadorias e preparando tudo para o embarque cada viajem que esse homens faziam para esse pais era de grande valor  para o seu país.

Lá estavam eles, no país de origem da jovem, a brancura das peles deles não davam para ser observada por causa do acumulo de sujeira e da falta de banho da viajem. Mas a magreza de muitos deles era gritante. E os seus cabelos bem escorridos e negros.

Ali estavam seus extratores e sua sogra estava tentando lhe avisar.

Mas como JINAKI ASMAHANI estava perto de mais; seu sogro apareceu e lhe chamou:

- Jovem de BARUNDI.

Foi assim que ele se referiu a ela.

- Meu nome é JINAKI ASMAHANI, meu rei, sou sua nora, esposa de seu filho BABU.

- Só fale se eu te perguntar. Estou te ordenando que entre naquele navio com aqueles homens. Agora.

JINAKI olhou na direção do dedo de seu sogro, meio que sem acreditar o que ele dizia e sem entender nada do que estava acontecendo.

- Meu rei, por favor, não faça tal coisa. Seu filho a ama.

Disse a rainha se lançando aos pés de seu marido.

- Levante-se, mulher. Você nunca fez tal coisa. Nunca se meteu e nem contradisse as minhas palavras. Saía de meus pés e vá procurar o que fazer.

O rei olhava para a rainha em seus pés diante de toda CANDACE.

A rainha prontamente o obedeceu.

JINAKI ASMAHANI ainda de joelhos e vai buscando de dentro do peito como quem tira coisas velha e sem valor do fundo do baú.

Ela foi lembrando-se de quase toda sua vida:

Aquele estava sendo o primeiro e um dos piores dias da sua vida.

Em sua infância já quase foi comida por crocodilo e no mesmo rio em que ele a atacou quase se afogou, rinoceronte lhe deu uma corrida, cobras a avançaram e escorpiões sempre a mordiam quando chegava o verão. Já quase morreu de febre amarela e de veneno de sapo, o mesmo dragão que mordeu seu pai já a atacou... mas tudo isso  não passou de aventuras para a nossa jovem..

Até chegar o momento da pior discussão com seu sogro.

- Você vai embora menina, entre naquela embarcação e vá.

- Por favor, meu rei me diga onde está meu esposo?

- Já lhe disse. Você não tem o direito de falar nada.

- Porque eu perdi esse direito?

- Faça o que lhe digo. É para o bem de todos.

- BABU está no navio?

- Vá entre no barco que te levará para o navio.

- Porque não me responde o que te pergunto?

- Abaixe sua voz mocinha não está falando com o coxo do seu pai, aquele inútil.

JINAKI ASMAHANI ficou calada não por submissão ao rei ou porque tentasse se acalmar.

Não seria isso que passava em sua cabeça naquele momento.

Para JINAKI ASMAHANI uma dança antecede uma luta e uma luta é uma linda dança.

Ela conseguia imaginar a sua mãe dançando na noite em que foi concebida.

Sua mãe pediu a seu cunhado que reunisse toda a aldeia e que não faltasse nenhum se quer, para uma linda e grande festa.

Ela prometera dançar.  E quando sua mãe dançava, reinos inteiro paravam para vê-la.

Essa arte JINAKI ASMAHANI aplicava em sua luta.  Ela tão somente treinava regularmente como ganhava também e em lutas era de igual para igual com homens de guerra, sendo ela ainda uma menina.  

Quando ela fica parada nessas situações estaria a imaginar cada golpe que destilaria ao seu oponente e como finalizaria a sua luta.

E com a perfeição em seus golpes: JINAKI ASMAHANI rodopia no ar, um de seus pés voa alto bate no queixo, é certeiro, e quando   ela pousa no chão a rasteira derruba o rei, com os joelhos prende os braços do monarca e segura fortemente à garganta de seu sogro.

- Não fale mal de quem é melhor do que o senhor, meu rei.

Antes que terminasse a frase, homens  da guarda real  levanta a jovem JINAKI ASMAHANI pelos braços, mas ela  não largava o pescoço do rei AKI.

E com esse acontecimento toda a aldeia foi em direção do tumulto.

E novamente a rainha intervém  gritando:

- JINAKI ASMAHANI, não faça nada que poderá te fazer infeliz amanhã. Largue. Ele é o seu rei. Ele é o pai de seu esposo. Por favor!

Mesmo em meio a todo o alvoroço JINAKI ASMAHANI consegue dessa vez ouvir a rainha.

Quando JINAKI ASMAHANI larga a garganta do rei ele volta a cair ao chão.

Sua esposa vai ao seu encontro e lhe abraça procurando ver se ele estaria muito ferido.

Mas ferimento não foi achado nenhum a não  ser o rosto sangrando e o ego quebrado. Afinal JINAKI ASMAHANI era uma menina.

Quando o rei se levanta a primeira coisa que fez foi empurrar a própria esposa aproveitou que sua agressora estava segura pelos guerreiros e lhe deu um soco no rosto.

Isso fez JIINAKI ASMAHANI desmaiar por alguns breve minutos e na mesma hora o rei deu ordens para que os homens a colocasse no barco que fossem para o navio imediatamente e que zarpassem com ela para bem longe deles.

Os guerreiros viram que com um soco do rei JINAKI ASMAHANI desmaiou, resolveram entre eles
que por ser ela pequena um só deles a levaria ate o barco.

Então um dos homens a colocou em seu ombro e foi andando em direção à praia.

Foi aí que JINAKI ASMAHANI acordou no ombro do jovem guerreiro que tinha na mão uma lança.

Ela conseguiu pular  aplicando um golpe e quebrou lhe o pescoço;  JINAKI ASMAHANI tira a vida do jovem guerreiro. 

Os dois caem ao chão.

Ela viu que mais pessoas estariam se aproximando e nesse momento de distração foi que outros guerreiros se aproximam e lhe segura pelos braços.

JINAKI ASMAHANI percebe o que fez e começa a gritar:

- BABU.  BABU. Cadê você? BABU. Ajuda-me! BABU.

Mas já era tarde de mais.












O SOFRIMENTO E A ALEGRIA.

Quem é o inimigo:  O homem mesmo?  DEUS? Ou algo mais?





JINAKI ASMAHANI foi ultima a acordar. 

Andou silenciosa pela casa. Olhando tudo, como quem examina e analisa uma cena de um crime, foi para cozinha se serviu de uma ocha to kappu  que é como se chama em japonês xícara de chá, e ficou olhando os dois que andavam para lá e para cá.

HANA entrou na casa e passa pela sala em direção à cozinha para fazer o almoço e com um sorriso no rosto balançando o corpo, andando ao mesmo tempo como quem dança e falando em alta voz: 

Zen'nō no kami

Naquele dia, após ao almoço FUYUKI chamou HANA, e JINAKI ASMAHANI para meditarem no que o LIVRO SAGRADO ensina.

Reinou novamente o silêncio na sala, enquanto HANA olhava para as páginas do livro com as suas mãos sobre elas, fechou os olhos e falou com seu DEUS.  FUYUKI ficou parado olhando para HANA, mas JUNAKI ASMAHANI ficou agitada e se levantou, quando  HANA começou a ler foi quando JINAKI ASMAHANI voltou e se sentou junto a todos:

Depois disto abriu Jó a sua boca, e amaldiçoou o seu dia.

E Jó, falando, disse:
Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem!
Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz.
Contaminem-no as trevas e a sombra da morte; habitem sobre ele nuvens; a escuridão do dia o espante!
Quanto àquela noite, dela se apodere a escuridão; e não se regozije ela entre os dias do ano; e não entre no número dos meses!
Ah! que solitária seja aquela noite, e nela não entre voz de júbilo!
Amaldiçoem-na aqueles que amaldiçoam o dia, que estão prontos para suscitar o seu pranto.
Escureçam-se as estrelas do seu crepúsculo; que espere a luz, e não venha; e não veja as pálpebras da alva;
Porque não fechou as portas do ventre; nem escondeu dos meus olhos a canseira.
Por que não morri eu desde a madre? E em saindo do ventre, não expirei?
Por que me receberam os joelhos? E por que os peitos, para que mamasse?
Porque já agora jazeria e repousaria; dormiria, e então haveria repouso para mim.
Com os reis e conselheiros da terra, que para si edificam casas nos lugares assolados,
Ou com os príncipes que possuem ouro, que enchem as suas casas de prata,
Ou como aborto oculto, não existiria; como as crianças que não viram a luz.
Ali os maus cessam de perturbar; e ali repousam os cansados.
Ali os presos juntamente repousam, e não ouvem a voz do exator.
Ali está o pequeno e o grande, e o servo livre de seu senhor.
Por que se dá luz ao miserável, e vida aos amargurados de ânimo?
Que esperam a morte, e ela não vem; e cavam em procura dela mais do que de tesouros ocultos;
Que de alegria saltam, e exultam, achando a sepultura?
Por que se dá luz ao homem, cujo caminho é oculto, e a quem Deus o encobriu?
Porque antes do meu pão vem o meu suspiro; e os meus gemidos se derramam como água.
Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.
Nunca estive tranquilo, nem sosseguei, nem repousei, mas veio sobre mim a perturbação.


-  Entendo esse desabafo de JÓ. Por que eu sinto o mesmo. "Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que eu receava me aconteceu... Mas veio sobre mim a perturbação."

E a jovem se revolta e se dirige para o quarto em prantos.

- Espere JINAKI, não vá.  Falarei suas questões para HANA e ela conseguirá te esclarecer tudo. Só não vire as costas ela ainda não explicou nem a metade do que ela falou para mim e o livro ainda está no inicio.

Então JINAKI resolveu voltar e tornou a sentar e dar mais uma chance e ouvir o que diz no livroa esperança de FUYUKI  era que HANA conseguisse mostrar um outro lado da história que JINAKI ASMAHANI ainda não tinha entendido.

Então HANA começa a ler:

 Respondeu, porém, Jó, dizendo:

Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a minha mão pesa sobre meu gemido.
Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal.
Exporia ante ele a minha causa, e a minha boca encheria de argumentos.
Saberia as palavras com que ele me responderia, e entenderia o que me dissesse.
Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia comigo? Não: ele antes me atenderia.
Ali o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu Juiz.
Eis que se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo.
Se opera à esquerda, não o vejo; se se encobre à direita, não o diviso.
Porém ele sabe o meu caminho; provando-me ele, sairei como o ouro.
Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho, e não me desviei dele.
Do preceito de seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca guardei mais do que a minha porção.
Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará.
Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.
Por isso me perturbo perante ele, e quando isto considero, temo-me dele.
Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou.

Porquanto não fui desarraigado por causa das trevas, e nem encobriu o meu rosto com a escuridão.

Quando HANA começou calmamente a falar e FUYUKI foi traduzindo para JINAKI ASMAHANI e ela dizia o que aconteceu na vida daquele homem chamado JÓ. 

Sua história ficou registrada  para que em qualquer tempo da existência da  raça humana que todo aquele que se aplicar em entender não somente o resultado, mais principalmente o processo da vida de JÓ compreenderia o sentido que a vida toma.  

E nessa história passamos a conhecer quem  fez, o que fez  e quais as suas consequências do que foi feito. E o quanto somos dependentes de DEUS.

-  O que mais conheci na vida foram deuses! Deus da água, deus do fogo, do vento, da chuva e sei mais lá que deus é ou pode ser e mesmo assim olha o que estou vivendo! Mas foi a falta de  conhecer o verdadeiro DEUS que me fez chegar a esse ponto que estou agora. 

FUYUKI repete em sua língua natal tudo o que JINAKI ASMAHANIA disse e acrescenta:

- Sim concordo com JINAKI. Eu tive meus sofrimentos durante a minha vida e não se compara com que JÓ nem JINAKI viveram. Não posso dizer que o meu sofrimento foi maior ou menor ou melhor ou pior. E a falta de conhecimento do verdadeiro DEUS não me deixou ver que ELE sempre esteve agindo em meu favor.

Olha JINAKI ASMAHANI para FUYUKI e perguntou com ar de assustada. 

- O que te aconteceu? Você nunca me contou.

FUYUKI traduziu a pergunta de JINAKI ASMAHANI para HANA e continuou falando em japonês e automaticamente ia traduzindo para JINAKI ASMAHANI e ele contou que:

- Simplesmente amanheceu chovendo e não parou por vários e vários dias até que a casa de meus pais  que era a poucos metros de distância do rio foi arrastada junto com  a estrada que existia entre o rio e onde estávamos todos abrigados por causa das chuvas, fiquei por muitos dias enterrado até o pescoço sem receber socorro não tinha como qualquer pessoa chegar aonde eu estava até as águas abaixarem e a lama ficar dura o suficiente para pudessem andar sobre ela. Até hoje não sei onde meus pais meus irmãos foram parar. Não sei se estão vivos ou se o próprio rio fez questão de enterra-los. Não sei como nem porque sobrevivi. Passei por muitas casas que me acolheram me ajudaram, me deixaram estudar e agora estou aqui. Não sei sou  religioso, mas os meus pais tinha me ensinado a rezar por meus avós e buscar na natureza força em tudo o que eu poderia ver e tocar. Até que veio da própria natureza o que os destruiu.   Não tenho altar em minha casa para a minha família porque não tenho nada deles para colocar então preferi não ter. Vivo por viver as tradições como todos do país onde nasci e moro. Mas não tem nenhum motivo maior.

HANA então respondeu e FUYUKI  interpreta:

- Engano seu. Até o aparecimento de JINAKI ASMAHANI e tudo o que aconteceu em sua vida é para te levar a conhecer quem  fez, o que fez  e quais as suas consequências do que foi feito

Falou HANA e FUYUKI foi traduzindo e falando de si compulsivamente.

- E como aprenderemos em meio às dores? Quem nos fará entender? Eu não aprendi nada. Até mesmo no livro quando diz que fogo de DEUS matou os filhos de JÓ, o que sei foi que esse não foi o único acontecimento trágico na vida dele. Eu também acho que o que aconteceu com minha família foi coisa do destino estava escrito no zodíaco e foi à hora de acontecer.

- O que é zodíaco?

- São previsões astrais em signos que trazem presságios para a sua vida. tem haver com destino.

- Como assim?

- De acordo com o seu dia, mês, ano e hora em que você nasceu tem como saber seu temperamento e muitas coisas de seu futuro.

- Então você acredita que se um casal de gêmeos terão os mesmos destinos?

- Claro que não.

- Mas era para ter por que nasceram no mesmo dia, ano, mês e hora.

- Eu também não sei.

- Mas é claro que nasceu alguém no mesmo dia, hora, mês e ano que outro alguém e você acham que eles vão ser iguais ou terem o mesmo tipo de vida? Por mais que a vida de JÓ tenha um fato que lembra o que me aconteceu isso não que dizer que ele seja do mesmo signo que o meu.

- É por isso que eu não tenho altares, nem signo, nem religião nenhuma. É muito difícil acreditar em alguém ou alguma coisa ou até mesmo no que estão falando.

HANA ficou calada sem entender o debate em os dois que faziam caras e bocas de acordo com as perguntas e respostas que ouviam ou falavam. 

Até que ela disse que o fogo que caiu do céu não era de DEUS. Os seres humanos se confundem ao achar que tudo o que é força ou inexplicável é deus.

DEUS delegou ao homem que desse nome a tudo e o homem se achou no direito de nomear as coisas poderosas desse mundo “de deus”: deus do fogo, deus do trovão, deus das águas, deus águia e muitos. Mas isso não somente não agrada ao verdadeiro DEUS e SENHOR como não é verdade. 

Todas as forças e poderes são dominados por um único DEUS e SENHOR de todas as coisas e esse mesmo soberano DEUS permite que algumas de suas criaturas também comandem outras de suas obras.

Ela lembrou que no livro estava escrito que satanás poderia tocar em tudo o que JÓ tinha e é exatamente assim que ele toca. 

E com os nossos maus feitos e do que satanás melhor sabe fazer. E ainda tem aquele que acabam culpando a DEUS.

E disse o Senhor a Satanás: Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal, e que ainda retém a sua sinceridade, havendo-me tu incitado contra ele, para o consumir sem causa.

- Por que ela está repetido o que já foi lido? Eu entendi... Satanás fez a maldade e DEUS concordou.

FUYUKI expõem a pergunta da jovem. Quando HANA começa a falar ele diz:

- Repete o que foi lido respondendo a sua pergunta. Veja está falando de três personagens.

HANA para a explicação levanta a cabeça e olhando para FUYUKI que se cala ficando tão entretido no que HANA estava dizendo, que JINAKI ASMAHANI tem que lhe despertar com uma cotovelada e implorar que traduzisse.

- Ah! Desculpas. Mas é muito complicado esse negocio de que você entende quando ela lê e não entende quando ela fala. Chega ser engraçado.

- Tá bom! Mas me conta logo o que ela disse.

- HANA estava dizendo que o homem nasce sem sabedoria, sem conhecimento; durante sua vida ele é instruído, ensinado e aconselhado. Assim com um recém nascido que de nada sabe, nem que é a dona da voz que ele ouve quando estava dentro do ventre da que falava com ele. O ser humano é de todas as criaturas uma das que mais necessita de conviver por mais tempo debaixo dos cuidados dos pais biológicos e toda a vida em grupos. E a que mais depende de DEUS e a que menos Lhe obedece. Tem o instinto de liderar e produzir, organizar e preservar. E a compulsão de agredir, ambicionar, invejar, disputar e o pior de tudo o de cobiçar. Com sua força o homem faz família, vilas, navios e coisas maravilhosas e com a dureza de seu coração ele consegue destruir tudo o que ele constrói ou conquista. O homem não foi feito para viver sem um guia. E o guia que estou falando não é nem uma pessoa que hoje esta viva e amanhã já morreu. HANA fala de um instrutor eterno para todos os instantes. O que sabe o que está acontecendo na ocasião exata por que ELE esteve no passado onde começou e está no presente momento e no futuro quando terminar, ELE sabe como acaba. O guia que o homem precisa é DEUS  que tem  total conhecimento de causa, a verdade dos fatos.

HANA com um sorriso no rosto continua a falar  e FUYUKI traduziu:

- Nos é apresentado vários deuses, guias e em vários lugares existem deuses diferentes, deuses iguais, dono de tudo e  todas as coisas é deus. Mas o verdadeiro criador é só o DEUS dos CÉUS, o ALTISSIMO que nunca nasceu, nem foi formado e nunca morrerá. Mas no mundo existe o que é chamado de deus desse século e os que são chamados de santos, por exemplo: eu nunca tinha ouvido falar de MAPALU.   É uma maneira que o homem encontra para delegar a algo que já tem nome, tipo trovão, a esse fenômeno é comissionado um responsável ou a uma imagem qualquer o poder que circunda no mundo. Algumas dessas vezes são mitologias, fabulas e crendices. Dão nomes extraordinários ou até de pessoas que já morreram e atribuem a esses o encargo dos milagres. São formados por mãos humanas de barro, ferro, madeiras e qualquer outro material já existente que possa ser manuseado pela mão humana.  Escuta o que o LIVRO SAGRADO fala sobre eles:

Chama agora; há alguém que te responda? E para qual dos santos te virarás?

Foi por isso que MAPALU  não te respondeu e nem SASUKE era MAPALU.  Os deuses adorados no mundo são mais para receberem prendas, presentes; um motivo para o homem dizer que tem um deus; do que eles propriamente fazem algum favor. Assim é ensinado: chamar de deus tudo o que não entendemos ou não controlamos, nem explicamos.  Vê se não é assim? A gente vê o sol e chama de deus ou a lua e para o mar damos um deus para ele e até MAPALU, afinal ela é deus do que? Por que ou todos são deuses ou isso ou aquilo é de algum deus.  Só existe um CRIADOR e SENHOR SOBERANO de todas as coisas e de todos.  Todo homem interiormente sente que existe um único DEUS PAI e CRIADOR e que a ELE deverá obedecer como um filho obedece ao seu pai a quem ama. E muitas das vezes quando não conseguindo em sua rebeldia o homem se afasta de DEUS e procura subterfúgios para suprir essa carência que esmaga o seu interior que a falta de DEUS. Vou lê de novo no LIVRO SAGRADO.  Porque sei que tudo o que eu dizer e FUYUKI traduzir se não for a própria palavra do livro, um dia você irá esquecer, assim como hoje você está sabendo que não existem muitos deuses ou santos e que MAPALU não é nem deus, nem santo. Assim como que em minha voz as palavras do LIVRO SGRADO se traduzem sozinha em seus ouvidos, assim você vivencia o milagre de conhecer o ÚNICO e VERDADEIRO DEUS.

Eis que vim de Deus, como tu; do barro também eu fui formado.

Algo surpreendente aconteceu naquela fazenda com os que estavam naquela sala.

HANA disse uma só palavra que todos repetiram e repetiram e não pararam mais e sorriam e continuavam a repetir:

- ALELUIA!

E depois cada um entrou em seu aposento e foram dormir todos em um silêncio inexplicável, chegava ser sinistro.

A luz dos aposentos de FUYUKI e JINAKI ASMAHANI demorou a se apagar naquela noite que parecia não ter fim.

Amanheceu e depois do dejejum FUYUKI sai com HANA e foram aos afazeres  cotidianos da fazenda. 

Eles conversavam alegremente enquanto trabalhavam.

Foi a primeira vez que JINAKI ASMAHANI observou e fez comparação de HANA com as outras      mulheres  desse país,  ela falava de cabeça erguida,   olhava nos olhos e que sorria  livremente.            HANA  era  uma mulher  diferente, HANA era uma mulher livre  e acima de tudo feliz.                      Por que HANA era tão singular, seria a viúves, ou a solidão ou o tal LIVRO SAGRADO?

JINAKI ASMAHANI voltou na sala onde a noite passada eles ficaram ouvindo HANA até alta hora da madrugada e ela procurou pelo tal LIVRO.

Achando ele, fez igual à HANA: dobrou os joelhos, forrou a toalhinha em seu colo e abriu o rolo de papiro que continha as SAGRADAS PALAVRAS: “O LIVRO SAGRADO”.

JINAKI ASMAHANI abre o livro com uma reverencia que nunca tinha feito por coisa alguma  em todo o seu tempo no Japão.

Ficando com os olhos fechados como fez HANA.  E acabou que demorou com os olhos fechados muito mais que HANA. E o que se passou naqueles momentos, não ficaremos sabendo pois ela nada falava e nunca comentou sobre o assunto.

Abre os olhos e fica olhando para aquelas letras por horas e seus dedos vão percorrendo as palavras.

Até que o barulho de HANA e FUYUKI chama a atenção da jovem.   

Era eles voltando do trabalho, vindo almoçar.

- Boa tarde, JINAKI, dormiu bem? Acordou agora?

- Não. Já faz algumas horas que estou aqui meditando no que está escrito neste livro.

- O que?  Você consegue lê o LIVRO SAGRADO. sozinha!

- É. E isso que me assusta. Eu nunca precisei ler em toda minha vida,   nunca vi ninguém lendo a não ser HANA. Mas quando olho para esse livro parece que entendo o que está escrito; escute só: Porque aquilo que temia me sobreveio; e o que receava me aconteceu.”.

- Você está repetindo o que HANA falou em japonês e eu traduzi para você e você gravou!

- Não! Eu não estou. FUYUKI.  Eu nunca aprendi a ler e agora eu estou lendo em japonês.

Então HANA se intrometeu na conversa e falou algo que fez com que FUYUKI desocupasse as mãos e fosse em direção a JINAKI ASMAHANI e que toma de suas mãos o LIVRO SACRADO e olha com os pequeninos olhos bem arregalados.

FUYUKI se dirige a HANA com o LIVRO SAGRADO nas mãos, segurando como quem secura um recém-nascido, falando com HANA  meio que nervoso. 

HANA com um sorriso no rosto responde ao jovem policial e por ultimo diz em alta voz:

ARAMAICO.

FUYUKI fica por alguns instantes olhando para HANA, parecendo que congelado. 

Ate que a voz de JINAKI desperta o jovem moço, perguntando:

- O que foi FUYUKI? Fala comigo. Porque eu já não estou entendendo mais nada.

- HANA falou que esse livro, o LIVRO SAGRADO, poderia ser ouvido e entendido claramente. Mas ela não me falou que ele estava escrito em ARAMAICO. JINAKI, eu e você escutamos HANA lendo o LIVRO SAGRADO à noite toda em ARAMAICO e você não precisavam que ninguém traduzisse para você e nem eu!  Nós dois entendíamos em nossos idiomas. HANA estava lendo em aramaico, nem eu conheço esse idioma!

- O que? HANA não estava lendo nem na língua africana e nem na língua japonesa? E nós dois entendíamos a ponto de você querer traduzir para mim e eu já ter entendido tudo o que ela tinha lido? Mas como isso?

- Eu não sei. Também não sei como explicar você lendo o LIVRO SAGRADO: “você que nunca aprendeu a ler em africano e muito menos em ARAMAICO”!

- E o que é ARAMAICO?

FUYUKI faz a mesma pergunta a HANA, que depois traduz a resposta para JINAKI.

- É uma língua arcaica afro-asiática.

Então HANA ficou falando e falando e os dois parados olhando para o livro nas mãos de FUYUKI, até que HANA pede a FUYUKI que traduza o que ela falou para JINAKI.

- O que? Já nem sei o que dizer ou o que foi dito. Não sei quando falo em japonês, africano ou quando estou entendendo em aramaico. Eu não era interessado por nenhum outro idioma ate eu ter  um homem preso em nossa cadeia por dois anos, ele estava perturbando o nosso imperador e como ninguém entendia o que ele falava comecei a pedir que ele mesmo  me ensinasse depois que viu que eu queria mesmo me comunicar com ele e tinha muita dificuldade. E eu agora entendo o que HANA lê no que está escrito nesse livro? Mas eu não estudei ARAMAICO, e tenho certeza de que não sei falar em ARAMAICO.

O que ela disse?  Eu quero saber o que HANA disse sobre o que está acontecendo. Realmente eu aprendi a lê? Você estava ou não entendendo o que HANA estava lendo? Por que eu estava!

Perguntou JINAKI ASMAHANI em meio a toda essa confusão.

E FUYUKI foi traduzindo como sempre. Até que HANA dá um pulo e um grito literalmente e diz:

-Zen'nō no kami.

-  O que foi isso?  Pergunta JINAKI ASMAHANI assustada com a atitude de HANA que assustou até FUYUKI.

-   HANA depois que pulou disse:   DEUS TODO PODEROSO.

- Mas disse em japonês? Porque em africano não foi. E quem ensinou HANA a falar em aramaico ou ela inventou tudo isso para gente?  Pergunte a ela. FUYUKI?  

-  Ela falou em japonês.  Calma. Vou perguntar.  

Enquanto FUYUKI pergunta a HANA e traduzia o que ela dizia; JINAKI ASMAHANI viajava em seus pensamentos:

O dia em que BABU tomou JINAKI ASMAHANI como sua esposa e celebrou a cerimonia de seu casamento com o consentimento de sua mãe a rainha da aldeia, cresceu nele uma destreza de se admirar. 

BABU deixava de ser um príncipe  menino para se tornar um príncipe homem.

Para JINAKI ASMAHANI aquele seria o dia mais marcante de sua vida, foi o dia em apareceu BABU e sua mãe em sua aldeia para busca-la.

E toda a aldeia de BARUNDI foi acompanhando as duas famílias ate CANDACE cantando e dançando.

Onde seu pai e sua muleta, o rei BOMANI de BURUNDI celebrou o seu casamento em CANDACE.

Mas agora JINAKI ASMAHANI se vê surpreendida por toda aquela emoção que ela estava vivendo naquela fazenda.

JINAKI ASMAHANI conseguiria descrever com riqueza de detalhes: como foi a cerimonia, quem esteve, tempo que durou a festa e como foi a sua linda lua de mel. 

Mas tudo estava se tornando pequeno perto da experiência que ela estava vivendo ali com aquela  mulher sobre aquele tal DEUS CRIADOR  e SENHOR que aquele  livro falava.

Para FUYUKI não havia explicação plausível para o que eles estariam vivendo ali naquela fazenda; tudo o que acontecia lá era fora da racionalidade coerente de qualquer pensador.

Começa com sendo uma mulher vivendo só em um país cujo regime é monarquista, conservador e. machista, o certo seria ela não continuar solteira , nem ter renda própria e ser budista como todo o seu país. Seguindo as tradições rigorosamente.   Que não conhecia esse DEUS de JÓ e nem O JÓ de DEUS.

HANA volta da cozinha e batendo em uma panela vazia, ela desperta a todos para o almoço.  Ela estava muito feliz era só alegria os dias dos três naquela fazenda.

JINAKI ASMAHANI pega o livro das mãos de FUYUKI e torna coloca-lo no seu lugar de origem onde ela havia pegado e lentamente volta para a mesa de refeição onde já estava HANA e FUYUKI.

- JINAKI, você está entendendo o que está acontecendo?

Fala FUYUKI que acaba sendo repreendido pela própria JINAKI ASMAHANI!

- Xiiii! Está na hora da refeição.

HANA não perdeu a oportunidade e sorrir.  Ao ver JINAKI ASMAHNAI com o dedo na frente de seus lábios repreendendo FUYUKI.

Após a refeição ai então FUYUKI que nem espera JINKI ASMAHANI se levantar dos joelhos começa a falar:

- Me escuta. É muito sério o que estamos vivendo aqui nessa fazenda. Não sei se você já percebeu!

- Claro que sim; o que o livro faz com a gente é muito louco.

- Não só o livro, mas tudo aqui. HANA ela diz que fala a todo tempo com esse DEUS e não tem nenhuma imagem, nem de barro nem de madeira. Nada. Se pega na enxada fala com esse DEUS, se acabou de colher uma fruta fala com esse DEUS, se está cuidando dos bichos está falando com os bichos e com esse DEUS! Eu estava lá fora com ela eu já não me aquentava de tanto rir. Ela me apontou para as árvores, para os pássaros, para o céu e até para o chão dizendo que DEUS foi quem fez tudo e a natureza com os animais e as plantas que não sabem falar mas sabem dar glórias a ELE e O obedece. Ela disse que ele está em todos os lugares.

- Deve ser a solidão que a fez ficar assim.

- Sim; olha a maneira dela de ser: ela não tem nenhuma reverencia, se fosse outra pessoa estaria se curvando todo o tempo em que olhasse para nossa direção principalmente por ser eu um policial.

- Ah! Isso que está te deixando incomodado não é? Ter duas mulheres em casa que não estão se curvando para você a cada piscar de seus olhos!

- Não é isso.

- O que é então?

- Veja bem! Estou achando que o DEUS desse livro fez com que HANA deixasse o budismo, as tradições e até mesmo os costumes de nosso país. E agora vive independente, sem quimono, sem reverencia e feliz. Assim como JÓ que foi o único homem visto por DEUS com aquele caráter e personalidade era diferente diante dos olhos de DEUS que não via ninguém igual a ele; HANA também é assim. JINAKI e se foi o livro quem mudou a HANA? Olha o poder que ele tem, nos fez entender sem traduzir e até te ensinou a ler. E em aramaico no Japão.

- É mesmo assustador.

Essa conversa eles estava tendo enquanto JINAKI ASMAHANI lavava a louça.  Mas uma dos acontecimentos extraordinário que até então só na fazenda aconteciam.

- Vou pedi-la para que nos conte mais sobre esse livro. Acho que até eu estou mudando.

FUYUKI pediu HANA que lesse do LIVRO SAGRADO para eles, HANA não hesitou

JINAKI ASMAHANI veio da cozinha e disse:

- Dessa vez quem vai ler sou eu. Quero que você veja com os seus olhos e diga se estou ou não lendo em aramaico de verdade..


 








OS MEUS MALES 


Uma luz que precisava brilhar em meio ao  escuro âmago.


 

 

 

 

Ela  lembrava daquela cabine, chegava a sentir o mal cheiro. A luz da tocha se apagou e ninguém entrou para acendê-la até o ultimo dia de viajem foi  verdadeira treva, quando traziam a refeição abriam um pouquinho só à porta e colocavam o prato no chão. Pareciam que tinham medo ou de entrar ou de sair o que tinha lá.

Ate que da sala onde estava HANA e FUYUKI se escuta JINAKI ASMAHANI gritar:

- Eu não queria matar aquele homem. Eu não queria. Eu nunca quis matar ninguém. Eu não quis fazer o que fiz. Eu nunca queria me tornar quem eu me tornei. Eu não queria. Nisso a história de JÓ difere da minha. Ele era um homem bom, reto, que se desviava do mal e temia a DEUS. Eu não desviei. Eu fiz o que era mal. Eu não gostei do que fiz. Eu não quero fazer mais o que fiz. E quem eu matei eu não queria. Me arrependo.

Quando JINAKI terminou de falar já estava nos braços de FUYUKI que entrou correndo querendo saber o que estaria acontecendo.

HANA apareceu logo após e viu os dois abraçados de joelhos e se juntou a eles.

Ninguém falou nada durante alguns segundo, mas quando o choro de JINAKI ASMAHANI não foi mais ouvido, os três se soltaram do abraço, HANA deu um sorrisinho e FUYUKI perguntou:

- O que houve? JINAKI ASMAHANI. Por que você estava aos gritos e com quem você gritava?

- Comigo. Com meus fantasmas.

- Acho que eles ouviram por que você gritou muito forte. Até me assustou.

HANA então pergunta a FUYUKI o que houve?

- Conte para nós o que aconteceu afinal?

- Eu me senti na cabine daquele maldito navio. Ele era escuro, fétido, as ondas o jogavam de um lado para o outro e isso foi toda viajem. Quando chovia fica ainda pior e se o sol aparecia aquele lugar era o próprio inferno. Eu lembro de que nos primeiro dias eu dizia repetidamente que “eu não queria matar ninguém”.  E quando eu percebi você estava aqui me abraçando. Foi como se vocês entrassem naquele navio e tivessem me tirado de lá.

FUYUKI ia traduzindo para HANA tudo o JINAKI ASMAHANI falava. 

Até que FUYUKI começou a traduzir o que HANA falava:

- HANA disse que o livro também tem esse poder de conseguir limpar bem no fundo das feridas e trazer a cura.  Ele confronta verdades e mentiras e o escondido, esquecido, e morto ele faz ressuscitar.  Assim como aconteceu com JÓ:

E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; sabe, pois, que Deus

S tu preparares o teu coração, e estenderes as tuas mãos para ele;
Se há iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.
Porque então o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás.
Porque te esquecerás do cansaço, e lembrar-te-ás dele como das águas que já passaram.
E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã.
E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.
E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos suplicarão o teu favor.
Porém os olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.
Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios?
Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!
Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.
Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo?
Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,
Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.
Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?
Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?
Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos.
Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana.
Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos.
Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
Porque Deus não sobrecarrega o homem mais do que é justo, para o fazer ir a juízo diante dele.
Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar.
Ele conhece, pois, as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos.
Ele os bate como ímpios que são, à vista dos espectadores;
Porquanto se desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos,
De sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.
Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,
Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.
Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.
O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?
Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.
Os homens de entendimento dirão comigo, e o homem sábio que me ouvir:
Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.
Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.
Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.

Isso é o que diz o livro quando se refere ao homem. 

E assim como o livro te deu o poder de entendê-lo somente em ouvir e de lê-lo sem nunca ter estudo, ele também se renova a cada vez que você o examina, por esse motivo ele jamais ficará ultrapassado. 

A cada lida ele vai te dando novos e novos esclarecimentos. É uma ação infinita e progressiva. 

Ainda que ele me mate, nele esperarei; contudo os meus caminhos defenderei diante dele.
Também ele será a minha salvação; porém o hipócrita não virá perante ele.
Ouvi com atenção as minhas palavras, e com os vossos ouvidos a minha declaração.
Eis que já tenho ordenado a minha causa, e sei que serei achado justo.
Quem é o que contenderá comigo? Se eu agora me calasse, renderia o espírito.
Duas coisas somente não faças para comigo; então não me esconderei do teu rosto:
Desvia a tua mão para longe, de mim, e não me espante o teu terror.
Chama, pois, e eu responderei; ou eu falarei, e tu me responderás.
Quantas culpas e pecados tenho eu? Notifica-me a minha transgressão e o meu pecado.
Por que escondes o teu rosto, e me tens por teu inimigo?
Porventura acossarás uma folha arrebatada pelo vento? E perseguirás o restolho seco?
Por que escreves contra mim coisas amargas e me fazes herdar as culpas da minha mocidade?
Também pões os meus pés no tronco, e observas todos os meus caminhos, e marcas os sinais dos meus pés.
E ele me consome como a podridão, e como a roupa, à qual rói.

Respondeu, porém, Jó, dizendo:
Ainda hoje a minha queixa está em amargura; a minha mão pesa sobre meu gemido.
Ah, se eu soubesse onde o poderia achar! Então me chegaria ao seu tribunal.
Exporia ante ele a minha causa, e a minha boca encheria de argumentos.
Saberia as palavras com que ele me responderia, e entenderia o que me dissesse.
Porventura segundo a grandeza de seu poder contenderia comigo? Não: ele antes me atenderia.
Ali o reto pleitearia com ele, e eu me livraria para sempre do meu Juiz.
Eis que se me adianto, ali não está; se torno para trás, não o percebo.
Se opera à esquerda, não o vejo; se se encobre à direita, não o diviso.
Porém ele sabe o meu caminho; provando-me ele, sairei como o ouro.
Nas suas pisadas os meus pés se afirmaram; guardei o seu caminho, e não me desviei dele.
Do preceito de seus lábios nunca me apartei, e as palavras da sua boca guardei mais do que a minha porção.
Mas, se ele resolveu alguma coisa, quem então o desviará? O que a sua alma quiser, isso fará.
Porque cumprirá o que está ordenado a meu respeito, e muitas coisas como estas ainda tem consigo.
Por isso me perturbo perante ele, e quando isto considero, temo-me dele.
Porque Deus macerou o meu coração, e o Todo-Poderoso me perturbou.
Porquanto não fui desarraigado por causa das trevas, e nem encobriu o meu rosto com a escuridão.

- O segundo homem que matei.

Mal terminou a frase e começou a chorar e entre soluços ela continua a dizer:

- O primeiro eu estava enlouquecida com tudo o que estava vivendo naquele momento. Eu conhecia aquele guerreiro. Conheci sua família e seus pais. O que fiz? E o segundo, conforme eu estava dizendo: eu o matei movida pelo sentimento de fúria. Quando eu tomava banho de chuva eu podia ser eu mesma. Quando eu tirava essas roupas eu podia ser livre. Mas quando aquele homem gordo, branco, nojento tirando sua roupa e se jogando por cima de mim. Não consegui nem idealizar  passos de dança nenhum para aquele repugnante depravado. Foi tudo muito rápido. O que eu senti na hora não é o que eu estou sentindo nesse momento. Não sei quem ele é e já o odiava desde a primeira vez que o vi. Não suportava ouvir sua voz, ele só falava como que estivesse brigando todo o tempo.

FUYUKI para de falar para HANA e interrompe JINAKI ASMAHANI:

- Com essa declaração você seria condenada em primeira instancia.

JINAKI ASMAHANI continua a desabafar:

- É. Agora eu entendo que todos somos feituras das mãos de um DEUS que é piedoso e muito amoroso. Que não temos nenhum direito de matar a ninguém por nenhum motivo que seja. E já tinha sido ensinada desde minha infância que não posso destruir o que não é meu nem tomar posse do que é dos outros; só não sabia por quê. Mas agora entendo, por que ouvi que está escrito no livro e eu li que satanás destruiu, roubou, matou e colocou enfermidades. Essas coisas são obras de satanás e não glorificam a DEUS.  E eu estava agindo igual a ele. A única diferença é que eu me arrependo. Não aprovo o que fiz. Não explico, nem defendo o que fiz. Mas não desejo cometer os mesmos atos nunca mais em quanto eu viver. Eu me arrependo. Coisa que satanás não fez.   

HANA com sua paciência que lhe é peculiar vai explicando como que tece uma trança e FUYUKI vai traduzindo:

- A realidade é que seu objetivo é roubar, matar, destruir, enganar e induzir o homem a blasfemar contra DEUS. Faz todas essas coisas a base de incitações com a artimanha da mentira. Ele é um bom observador e oportunista para os seus objetivos. Ele sendo criatura de DEUS se voltou contra seu CRIADOR e agora se coloca no lugar de inimigo de DEUS e arqui-inimigo dos homens: que é “menina dos olhos de DEUS”.  Insiste em acusar o homem perante a face de DEUS uma vez que ele pecou e foi destituído da graça de salvação; que acontece na vida de todo aquele que se arrepender de seus pecados. Satanás sabe qual é o seu fim e de onde ele foi expulso, tendo consciência  que perdeu o privilegio da comunhão com DEUS, intenta contra o homem, já que não pode fazer nada para tentar a DEUS, por que ele sabe quem é DEUS, se sujeita a SUA suprema autoridade de DEUS, o CRIADOR.  Mas mesmo assim ele é uma das forças que regem o mundo. A ordem é mais ou menos assim o homem foi criado para organizar e manter o Universo, sua casa, mas satanás por inveja tenta colocar o caos no mundo que DEUS criou.

- E sobre DEUS o que diria o LIVRO, HANA?







O SALVADOR

 



JINAKI ASMAHANI lembrou em meio a tudo o que ela refletia sobre a sua tão jovem vida que quando seu pai foi mordido e quase morto pela fera na mata na ultima caçada em que ele foi em sua vida e voltou trazido pelos homens de sua aldeia em uma maca de bambu; foi o primeiro momento sofrido de sua vida, até então a jovem não sabia o por que de lutar, antes de tudo  era apenas um divertimento, não sabia o que era penar; só sabia o que era dor quando acontecia algum acidente de suas aventuras. Até que seu bravo pai vem carregado e os dias passam ele ficou acamado, mobilizado e por fim inutilizado.

Mas o que veio em sua mente  quando o XAMÃ declarou que não havia mais nada a fazer para salvar a vida do rei da aldeia, o veneno já tomou toda a perna e com um pouco mais de tempo por causa da robustez do rei de BARUNDE provavelmente se espalharia por todo o corpo levando muito mais tempo e sofrimento.

E antes que a rainha de BARUNDE pedisse que os levasse de volta a aldeia, ela subiu a uma montanha e olhou para os céus e gritou pedindo que poupasse a vida do rei e a perna que ele perdeu e que o restituísse. O pedido da mãe de JINAKI ASMAHANI foi ouvido em todo o vale onde estava localizada a aldeia da jovem. E todos olhavam para a alta montanha como que unisse a fé com a da sua rainha.

- FUYUKI diga a HANA para que me prove quem é DEUS?

- Por que você quer que ela te prove só quem é DEUS?

- Eu quero ter a certeza de que DEUS existe. Se MAPALU não existe, se os outros deuses não existem são invenção homens. Como ter a convicção de que DEUS também não é outra estorinha?

- Você não que saber se satanás existe? Ou se nós existimos mesmo? Vai que alguém está contando uma estória onde nós somos personagem?

- É pode ser. Por que nenhum DEUS me deixaria passar pelo que estou passando, nem tão pouco JÓ.

Em meio a risos FUYUKI vai passando para HANA tudo o que eles conversaram e até mesmo HANA acha graça e começa a ler.

Na verdade sei que assim é; porque, como se justificaria o homem para com Deus?
Se quiser contender com ele, nem a uma de mil coisas lhe poderá responder.
Ele é sábio de coração, e forte em poder; quem se endureceu contra ele, e teve paz?
Ele é o que remove os montes, sem que o saibam, e o que os transtorna no seu furor.
O que sacode a terra do seu lugar, e as suas colunas estremecem.
O que fala ao sol, e ele não nasce, e sela as estrelas.
O que sozinho estende os céus, e anda sobre os altos do mar.
O que fez a Ursa, o Órion, e o Sete-estrelo, e as recamaras do sul.
O que faz coisas grandes e inescrutáveis; e maravilhas sem número.
Eis que ele passa por diante de mim, e não o vejo; e torna a passar perante mim, e não o sinto.
Eis que arrebata à presa; quem lha fará restituir? Quem lhe dirá: Que é o que fazes?
Deus não revogará a sua ira; debaixo dele se encurvam os auxiliadores soberbos.
Quanto menos lhe responderia eu, ou escolheria diante dele as minhas palavras!
Porque, ainda que eu fosse justo, não lhe responderia; antes ao meu Juiz pediria misericórdia.

Mas na verdade, quem dera que Deus falasse e abrisse os seus lábios contra ti!
E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade.
Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso?
Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber?
Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar.
Se ele passar, aprisionar, ou chamar a juízo, quem o impedirá?
Porque ele conhece aos homens vãos, e vê o vício; e não o terá em consideração?
Mas o homem vão é falto de entendimento; sim, o homem nasce como a cria do jumento montês.
Se tu preparares o teu coração, e estenderes as tuas mãos para ele;
Se há iniquidade na tua mão, lança-a para longe de ti e não deixes habitar a injustiça nas tuas tendas.
Porque então o teu rosto levantarás sem mácula; e estarás firme, e não temerás.
Porque te esquecerás do cansaço, e lembrar-te-ás dele como das águas que já
passaram.
E a tua vida mais clara se levantará do que o meio-dia; ainda que haja trevas, será como a manhã.
E terás confiança, porque haverá esperança; olharás em volta e repousarás seguro.
E deitar-te-ás, e ninguém te espantará; muitos suplicarão o teu favor.
Porém os olhos dos ímpios desfalecerão, e perecerá o seu refúgio; e a sua esperança será o expirar da alma.

Porém eu buscaria a Deus; e a ele entregaria a minha causa.

Ele faz coisas grandes e inescrutáveis, e maravilhas sem número.
Ele dá a chuva sobre a terra, e envia águas sobre os campos.
Para pôr aos abatidos num lugar alto; e para que os enlutados se exaltem na salvação.
Ele aniquila as imaginações dos astutos, para que as suas mãos não possam levar coisa alguma a efeito.
Ele apanha os sábios na sua própria astúcia; e o conselho dos perversos se precipita.
Eles de dia encontram as trevas; e ao meio-dia andam às apalpadelas como de noite.
Porém ao necessitado livra da espada, e da boca deles, e da mão do forte.
Assim há esperança para o pobre; e a iniquidade tapa a sua boca.
Eis que bem-aventurado é o homem a quem Deus repreende; não desprezes, pois, a correção do Todo-Poderoso.
Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga; ele fere, e as suas mãos curam.
Em seis angústias te livrará; e na sétima o mal não te tocará.
Na fome te livrará da morte; e na guerra, da violência da espada.
Do açoite da língua estarás encoberto; e não temerás a assolação, quando vier.
Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.
Porque até com as pedras do campo terás o teu acordo, e as feras do campo serão pacíficas contigo.
E saberás que a tua tenda está em paz; e visitarás a tua habitação, e não pecarás.
Também saberás que se multiplicará a tua descendência e a tua posteridade como a erva da terra,
Na velhice irás à sepultura, como se recolhe o feixe de trigo a seu tempo.

Agora JINAKI ASMAHANI entende com quem sua mãe falava e como ela teve a certeza de que engravidaria naquela noite. Será que ela falava com o DEUS CRIADOR, o mesmo DEU de JÓ?

E desceu daquela montanha com a promessa de restituição para a perda que eles tinham sofrido.

A rainha dançou como nenhuma outra mulher já havia dançado, tão lindamente como jamais dançou e com tanto amor que o milagre aconteceu e ela concebeu.

Foi na dor que a mãe de JINAKI ASMAHANI reconheceu quem era o verdadeiro DEUS de todo poder o dono da vida e da morte também.

Naquela noite foi no seu quarto JINAKI ASMAHANI falou com FUYUKI:

- HANA fala com DEUS dela, não é?  O que ela pede a ELE?

- Bem. O que eu a vi falando com ELE era: ”Obrigada SENHOR por essas verduras, obrigada por esses alimentos, obrigada por mais um dia de trabalho, por mais um dia de vida e é isso aí. Ah! Ela também pede muito todas as vezes em que nos reunimos com o livro ela pede a DEUS que ela venha falar o que ELE instruir ela para dizer e nos dá o entendimento que a gente precisa para aprender do livro.”.

- E você acha que ELE responde a ela?

Depois de um sorriso FUYUKI respondeu a JINAKI ASMAHANI.

- Sem duvida nenhuma. Você não é a africana que nunca esteve em uma sala de aula que lê e interpreta em aramaico? Eu não sou aquele que ouve em aramaico e entende em japonês? Você acha que essas coisas acontecem de que maneira? Se a concepção de sua mãe  foi um milagre nós estamos vivendo outro tipo de milagre aqui nessa fazenda.

- Então peça ela que me ensine a falar com esse DEUS.

- Mas não seria melhor saber quem ELE é primeiro? HANA ficou de nos ensinar sobre ELE. Eu sei que tudo do que ela já nos tem ensinado tem mostrado o quanto precisamos dELE. Então é só esperar que quando O conhecermos o nosso convívio com ELE vai ser melhor e então falaremos e ELE nos ouvirá e nos responderá.

- Não sei por que parece que meu peito vai explodir. Eu estou querendo muito fala com ELE. Parece que eu já O conheço.

- JINAKI, vivíamos em um mundo cercado de mentiras e maldade. Agora que temos a chance de conhecer a verdade e se a conhecermos pela metade não será verdade. HANA falou do homem e o quanto sem DEUS somos fracos, burros e inúteis. Mostrou-nos que satanás que ocasião nas nossas fraquezas para tentar a DEUS. E agora ela vai falar de DEUS a nossa única solução e salvação. Espere mas um pouco, agora não precisamos, mas ter presa. Vamos dormir. Como diz a HANA:” deixe cada dia com o seu próprio mal.”  

FUYUKI repetiu para HANA o que JINAKI ASMAHANI queria e mesmo assim HANA  saiu para o seu quarto depois da declaração de FUYUKI que ela aguardasse pela aula de amanhã.

Então os três foram dormir, como sempre  na alta hora da madrugada. Coisa que não era frequente na calma fazenda que nesses meses se tornou um pouco mais movimentada. Os cães ficavam presos agora. Eles ainda não se acostumaram com os novos habitantes da fazenda.

JINAKI ASMAHANI passava a ir com HANA ao rio para lavar as roupas e as louças assim como o limpar do chão na casa era compromisso da jovem JINAKI que voluntariamente o fazia. FUYUKI e HANA tinha compromisso com a fazenda. Teve vezes ate que os dois foram ao mercado e compraram novos animais e alguns alimentos que faltavam na fazenda, uma vez que o consumo agora se tornou maior.

Muitas cosas JINAKI ASMAHANI aprendeu com HANA tal como fazer os sabonetes que ela tanto admirava pela fragrância. 

E agora ela pedia que HANA lhe ensinasse algo que poderia ser impossível ao modo de ver naturalmente.

Como se chega a DEUS se não conseguimos nem alcançar as estrela?

 






15º  capitulo





O BEM. 

 A maior força do mundo.




 As manhãs na fazenda poderia se dizer que era como de uma casa normal igual a qualquer outra. 

Todos se levantavam no mesmo horário e HANA fazia um delicioso chá com peixe defumado e arroz suado, enquanto FUYUKI trazia o leite, alguns legumes e os ovos do quintal para a mesa.

- Por que HANA não faz o ritual do chá como todas as mulheres japonesas? Eu sei que ela é bem peculiar, mas ela não pode negar as suas origens.

FUYUKI riu da pergunta de JINAKI ASMAHANI e respondeu:

- Não acredito que você ainda tenha essa duvida? A HANA é uma mulher esclarecida.  Ela não vive de rituais e misticismo que não fortalecem em nada na sua vida. Ela agora só ora a DEUS e sabe que ELE é único e soberano  e por isso não se permitir dividir se entre dois senhores, agora é só para Seu DEUS e SENHOR. E conhecendo a absoluta verdade porque ela seria ingrata. DEUS fez tudo para o homem então por que não O glorificar por agradecimento. Vamos aos afazeres. Estou vendo que essa noite vai ser longa.

E assim depois do café HANA e FUYUKI foram para a plantação de arroz e dessa vez JINAKI ASMAHANI quis ir junto. 

Era uma parte da fazenda que JINAKI não conhecia. 

HANA tinha um alagadiça em sua fazenda onde ela plantava arroz. 

Em tudo HANA era muitíssimo prospera e mesmo assim não deixava de ser humilde. 

Na vila onde morava era honrada por todos. Quando FUYUKI foi com ela ao mercado viu o tratamento das pessoas para com ela até as criancinhas vinha lhe tomar a benção e HANA as abençoava com toda alegria.

Os dias iam se passando com muita calma e harmonia, pois o ensinamento que HANA estava passando para os jovens estava levando cada um deles a um novo sentido da vida.

Em meio às instruções de HANA de como se colhia arroz no alagadiço JINAKI ASMAHANI perguntou ao FUYUKI ela:

- Pergunte a HANA se ela é respeitada mesmo sem o quimono ou o livro ensinou alguma coisa com relação a isso?

FUYUKI traduziu o que JINAKI ASMAHANI disse e ficou esperando a resposta e quando HANA respondeu ele interpretou para a jovem.

- HANA pensou que você tivesse entendido que para agradar a DEUS e viver razoavelmente bem era só ter uma personalidade parecida com a de JÓ. Que é o temor à DEUS o começo para uma pessoa ser sábia.

Aí JINAKI ASMAHANI disse:

- Ser servo, na terra não há ninguém semelhante a ele, homem sincero e reto, temente a DEUS, e que se desvia do mal e que ainda reteve a sua sinceridade mesmo em meio a todo o caos que ele viveu.

FUYUKI foi traduzindo para HANA tudo o que JINAKI ia dizendo:

- Ele era servo de DEUS. Isso quer dizer que ele tinha um dono, tinha um senhor, pertencia a alguém. Teria alguém para responder por ele. Quando eu cheguei aqui pensei estar por minha conta e risco por que eu não conhecida DEUS até chegar nessa fazenda. Nunca gostei de mentiras ou qualquer coisa que fosse errada, foi assim que fui ensinada. O que era dos outros era para ser respeitado. Estar nu nunca foi falto de pudor ou moral. Era simplesmente normal entre o meu povo que trata a todos como irmão e não como um superior ou objeto. Não preciso tomar de você o que você tem por que se você vir que tenho falta de alguma coisa você deve dividir comigo mesmo sem eu te pedir. O que para vocês é falta de respeito para nós são simplesmente coisas da vida. Não tomamos banhos com hora marcada mais sim quando queremos e o banho de fumaça é quando precisamos. Temos a argila, o barro sobre as nossas peles que o próprio DEUS fez sem cobertura, com isso nos protegemos do forte calor, do frio e de insetos. Isso é sobrevivência. Não usamos roupa para dizer quem é e o que temos ou não, não nos escondemos. Tudo o que somos você olha e vê explicitamente. Fui ensinada assim. Porque eu seria uma princesa em minha juventude e mais tarde uma rainha, então ser sincera e correta tinha que fazer parte de minha imagem. Vivi no meio de um povo idolatra que me apresentaram vários deuses. E eu acabo não entendendo por que do verdadeiro CRIADOR e SENHOR nunca ouvi falar?  E agora como JÓ tenho a oportunidade de ser diferente. Eu não sei o que é se desviar do mal. Se é tudo o que já tenho falado, então continuo sem entender por que me sobre veio todo aquele mal. Mas assim como o próprio JÓ mesmo sendo ele um bom homem também perdeu tudo. E se manter sincero foi ele não ter perguntado onde estava DEUS que não o livrou e não guardou a seus filhos e tudo o quanto ele tinha? Então eu não fui sincera nesse caso. Revoltei-me contra os meus deuses e até mesmo contra o DEUS de JÓ por conta dele e minha também.

Quando JINAKI ASMAHANI acabou de falar percebeu que todos estavam calados, olhando para ela que trabalhava sozinha enquanto todos a admiravam em seu desabafo.

- E aí FUYUKI o que HANA ou o livro diz sobre isso tudo que acabei de declarar?

A resposta que FUYUKI deu para JINAKI ASMAHANI do que HANA havia falado foi:

- Já está bom por hoje agora é só colocar para secar e debulharemos quando estiver seco. Entraremos para almoçar mais cedo hoje e logo voltaremos o estudo no livro falando sobre o homem e então esclareceremos as duvidas de JINAKI ainda hoje.

E sim aconteceu JINAKI ao voltar para casa preparou o seu próprio banho e ajudou HANA com o almoço. 

Depois da refeição todos se sentaram em volta do livro e JINAKI ASMAHANI perguntou:

- Onde eu lerei hoje?

HANA entregou o livro aberto onde era para a jovem ler e disse que aquela passagem revelaria o profundo do ser humano para ela e principalmente todas as respostas de suas perguntas. 

Então JINAKI ASMAHNI leu:

Ouvi, vós, sábios, as minhas razões; e vós, entendidos, inclinai os ouvidos para mim.
Porque o ouvido prova as palavras, como o paladar experimenta a comida.
O que é direito escolhamos para nós; e conheçamos entre nós o que é bom.
Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.
Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios?
Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!
Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.
Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo?
Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,
Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.
Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?
Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?
Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos.
Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana.
Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos.
Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
Porque Deus não sobrecarrega o homem mais do que é justo, para o fazer ir a juízo diante dele.
Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar.
Ele conhece, pois, as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos.
Ele os bate como ímpios que são, à vista dos espectadores;
Porquanto se desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos,
De sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.
Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,
Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.
Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.
O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?
Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.
Os homens de entendimento dirão comigo, e o homem sábio que me ouvir:
Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.
Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.
Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.

 HANA disse e FUYUKI traduziu. Se em teu povo o estar vestida é o mesmo que não estar o que agradou a DEUS da atitude de JÓ era que na terra não havia ninguém semelhante a ele. Se você sabe fazer o bem e não faz isso para DEUS é errado, assim como você foi ensinada que se vê alguém tendo necessidade de algo que você tem e não compartilha você erra para com DEUS, isso é em tudo e com todos não só com os teus irmãos. Principalmente com os teus inimigos, com os que te perseguem. E quanto mais DEUS vê injustiça nos que te maltratam e mas ELE vê justiça em você, mais ELE se agrada. Isso para DEUS é sinceridade, é justificar em DEUS.

JINAKI ASMAHNI continuou  a ler:

Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?
Porque disseste: De que me serviria? Que proveito tiraria mais do que do meu pecado?
Eu te darei resposta, a ti e aos teus amigos contigo.
Atenta para os céus, e vê; e contempla as mais altas nuvens, que são mais altas do que tu.
Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás?
Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?
A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.
Por causa das muitas opressões os homens clamam por causa do braço dos grandes.
Porém ninguém diz: Onde está Deus que me criou, que dá salmos durante a noite;
Que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?
Clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso.
E quanto ao que disseste, que o não verás, juízo há perante ele; por isso espera nele.
Mas agora, porque a sua ira ainda não se exerce, nem grandemente considera a arrogância,

 Então FUYUKI falou traduzindo a HANA dizendo:

- Foi por não conhecer os propósitos de DEUS que você se revoltou, foi por não entender os porque da vida que você culpou a DEUS pelo que te aconteceu e a JÓ. Veja como DEUS que não precisa se justificar mesmo assim ELE nos explica, ela te manda continuar a ler:

Espera-me um pouco, e mostrar-te-ei que ainda há razões a favor de Deus.
De longe trarei o meu conhecimento; e ao meu Criador atribuirei a justiça.
Porque na verdade, as minhas palavras não serão falsas; contigo está um que tem perfeito conhecimento.
Eis que Deus é mui grande, contudo a ninguém despreza; grande é em força e sabedoria.
Ele não preserva a vida do ímpio, e faz justiça aos aflitos.
Do justo não tira os seus olhos; antes estão com os reis no trono; ali os assenta para sempre, e assim são exaltados.
E se estão presos em grilhões, amarrados com cordas de aflição,
Então lhes faz saber a obra deles, e as suas transgressões, porquanto prevaleceram nelas.
Abre-lhes também os seus ouvidos, para sua disciplina, e ordena-lhes que se convertam da maldade.
Se o ouvirem, e o servirem, acabarão seus dias em bem, e os seus anos em delícias.
Porém se não o ouvirem, à espada serão passados, e expirarão sem conhecimento.
E os hipócritas de coração amontoam para si a ira; e amarrando-os ele, não clamam por socorro.
A sua alma morre na mocidade, e a sua vida perece entre os impuros.
Ao aflito livra da sua aflição, e na opressão se revela aos seus ouvidos.
Assim também te desviará da boca da angústia para um lugar espaçoso, em que não há aperto, e as iguarias da tua mesa serão cheias de gordura.
Mas tu estás cheio do juízo do ímpio; o juízo e a justiça te sustentam.
Porquanto há furor, guarda-te de que não sejas atingido pelo castigo violento, pois nem com resgate algum te livrarias dele.
Estimaria ele tanto tuas riquezas? Não, nem ouro, nem todas as forças do poder.
Não suspires pela noite, em que os povos sejam tomados do seu lugar.
Guarda-te, e não declines para a iniquidade; porquanto isso escolheste antes que a aflição.
Eis que Deus é excelso em seu poder; quem ensina como ele?
Quem lhe prescreveu o seu caminho? Ou, quem lhe dirá: Tu cometeste maldade?
Lembra-te de engrandecer a sua obra, que os homens contemplam.
Todos os homens a veem, e o homem a enxerga de longe.
Eis que Deus é grande, e nós não o compreendemos, e o número dos seus anos não se pode esquadrinhar.
Porque faz miúdas as gotas das águas que, do seu vapor, derramam a chuva,
A qual as nuvens destilam e gotejam sobre o homem abundantemente.
Porventura pode alguém entender as extensões das nuvens, e os estalos da sua tenda?
Eis que estende sobre elas a sua luz, e encobre as profundezas do mar.
Porque por estas coisas julga os povos e lhes dá mantimento em abundância.
Com as nuvens encobre a luz, e ordena não brilhar, interpondo a nuvem.
O que nos dá a entender o seu pensamento, como também ao gado, acerca do temporal que sobe.


- Mas quem é esse DEUS? Por que que nunca me falaram dELE?

Pergunta JINAKI ASMAHANI. Automaticamente HANA vai lendo como que entendesse o que JINAKI quisesse saber:

Ele o envia por debaixo de todos os céus, e a sua luz até aos confins da terra.

Depois disto ruge uma voz; ele troveja com a sua voz majestosa; e ele não os detém quando a sua voz é ouvida.
Com a sua voz troveja Deus maravilhosamente; faz grandes coisas, que nós não podemos compreender.
Porque à neve diz: Cai sobre a terra; como também à garoa e à sua forte chuva.
Ele sela as mãos de todo o homem, para que conheçam todos os homens a sua obra.
E as feras entram nos seus esconderijos e ficam nas suas cavernas.
Da recamara do sul sai o tufão, e do norte o frio.
Pelo sopro de Deus se dá a geada, e as largas águas se congelam.
Também de umidade carrega as grossas nuvens, e esparge as nuvens com a sua luz.
Então elas, segundo o seu prudente conselho, se espalham em redor, para que façam tudo quanto lhes ordena sobre a superfície do mundo na terra.
Seja que por vara, ou para a sua terra, ou por misericórdia as faz vir.
A isto, ó Jó, inclina os teus ouvidos; para, e considera as maravilhas de Deus.
Porventura sabes tu como Deus as opera, e faz resplandecer a luz da sua nuvem?
Tens tu notícia do equilíbrio das grossas nuvens e das maravilhas daquele que é perfeito nos conhecimentos?
Ou de como as tuas roupas aquecem, quando do sul há calma sobre a terra?
Ou estendeste com ele os céus, que estão firmes como espelho fundido?
Ensina-nos o que lhe diremos: porque nós nada poderemos pôr em boa ordem, por causa das trevas.
Contar-lhe-ia alguém o que tenho falado? Ou desejaria um homem que ele fosse devorado?
E agora não se pode olhar para o sol, que resplandece nas nuvens, quando o vento, tendo passado, o deixa limpo.
O esplendor de ouro vem do norte; pois, em Deus há uma tremenda majestade.
Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça.
Por isso o temem os homens; ele não respeita os que se julgam sábios de coração.

- Então é por esse motivo que o justo sofre?

Acabando HANA de falar FUYUKI interpreta.

- Como sobressairá a luz se não houver trevas? Como se manifestará a verdade se a justiça não for colocada à prova? Como se conheceram os que temem a DEUS se não tiver nem mal para que eles se desviem?  E nenhuma adversidade para que eles se mantenham suas convicções?

- Mas eu falhei. Eu errei. Eu matei aqueles homens. Então não sou digna de servir a um DEUS tão justo assim?

Acho que se fosse a outras vezes JINAKI ASMAHANI sairia correndo como um alazão bravo, batendo em tudo, gritando com FUYUKI e nem mais querendo ouvir. 

Mas para nossa surpresa ela se manteve sentada mesmo que chorando e mal se podia ouvir seu choro.

FUYUKI foi interpretando o que HANA  dizia:

- Nunca foi o homem. Sempre foi DEUS. Tudo o que DEUS faz e fez  e acontecerá em nossas vidas  é para o homem e todos os  homens sem exceção glorificar a DEUS. É como se uma pessoa faz um presente e entrega para aquela pessoa para quem se queria dar o presente. Quem dá o presente espera que a pessoa que recebeu fique contente por que o presente foi feito para alegrar o presenteado e a alegria do presenteado alegrará o presenteador. É esse o relacionamento que DEUS o PAI e CRIADOR que conosco. ELE nos deu a dadiva da vida para nos alegrar e com a nossa alegria sermos grato a ELE. Então tudo foi feito por ELE, para ELE e com ELE. Continue lendo.

Depois disto o SENHOR respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:
Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
Agora cinge os teus lombos, como homem; e perguntar-te-ei, e tu me ensinarás.
Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência.
Quem lhe pôs as medidas, se é que o sabes? Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
Sobre que estão fundadas as suas bases, ou quem assentou a sua pedra de esquina,
Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?
Ou quem encerrou o mar com portas, quando este rompeu e saiu da madre;
Quando eu pus as nuvens por sua vestidura, e a escuridão por faixa?
Quando eu lhe tracei limites, e lhe pus portas e ferrolhos,
E disse: Até aqui virás, e não mais adiante, e aqui se parará o orgulho das tuas ondas?
Ou desde os teus dias deste ordem à madrugada, ou mostraste à alva o seu lugar;
Para que pegasse nas extremidades da terra, e os ímpios fossem sacudidos dela;
E se transformasse como o barro sob o selo, e se pusessem como vestidos;
E dos ímpios se desvie a sua luz, e o braço altivo se quebrante;
Ou entraste tu até às origens do mar, ou passeaste no mais profundo do abismo?
Ou descobriram-se-te as portas da morte, ou viste as portas da sombra da morte?
Ou com o teu entendimento chegaste às larguras da terra? Faze-mo saber, se sabes tudo isto.
Onde está o caminho onde mora a luz? E, quanto às trevas, onde está o seu lugar;
Para que as tragas aos seus limites, e para que saibas as veredas da sua casa?
De certo tu o sabes, porque já então eras nascido, e por ser grande o número dos teus dias!
Ou entraste tu até aos tesouros da neve, e viste os tesouros da saraiva,
Que eu retenho até ao tempo da angústia, até ao dia da peleja e da guerra?
Onde está o caminho em que se reparte a luz, e se espalha o vento oriental sobre a terra?
Quem abriu para a inundação um leito, e um caminho para os relâmpagos dos trovões,
Para chover sobre a terra, onde não há ninguém, e no deserto, em que não há homem;
Para fartar a terra deserta e assolada, e para fazer crescer os renovos da erva?
A chuva porventura tem pai? Ou quem gerou as gotas do orvalho?
De que ventre procedeu o gelo? E quem gerou a geada do céu?
Como debaixo de pedra as águas se endurecem, e a superfície do abismo se congela.
Ou poderás tu ajuntar as delícias do Sete-estrelo ou soltar os cordéis do Órion?
Ou produzir as constelações a seu tempo, e guiar a Ursa com seus filhos?
Sabes tu as ordenanças dos céus, ou podes estabelecer o domínio deles sobre a terra?
Ou podes levantar a tua voz até às nuvens, para que a abundância das águas te cubra?
Ou mandarás aos raios para que saiam, e te digam: Eis-nos aqui?
Quem pôs a sabedoria no íntimo, ou quem deu à mente o entendimento?
Quem numerará as nuvens com sabedoria? Ou os odres dos céus, quem os esvaziará,
Quando se funde o pó numa massa, e se apegam os torrões uns aos outros?
Porventura caçarás tu presa para a leoa, ou saciarás a fome dos filhos dos leões,
Quando se agacham nos covis, e estão à espreita nas covas?
Quem prepara aos corvos o seu alimento, quando os seus filhotes gritam a Deus e andam vagueando, por não terem o que comer?
Porventura o contender contra o Todo-Poderoso é sabedoria? Quem argüi assim a Deus, responda por isso.

Então Jó respondeu ao Senhor, dizendo:
Eis que sou vil; que te responderia eu? A minha mão ponho à boca.
Uma vez tenho falado, e não replicarei; ou ainda duas vezes, porém não prosseguirei.
Então o Senhor respondeu a Jó de um redemoinho, dizendo:
Cinge agora os teus lombos como homem; eu te perguntarei, e tu me explicarás.
Porventura também tornarás tu vão o meu juízo, ou tu me condenarás, para te justificares?
Ou tens braço como Deus, ou podes trovejar com voz como ele o faz?
Orna-te, pois, de excelência e alteza; e veste-te de majestade e de glória.
Derrama os furores da tua ira, e atenta para todo o soberbo, e abate-o.
Olha para todo o soberbo, e humilha-o, e atropela os ímpios no seu lugar.
Esconde-os juntamente no pó; ata-lhes os rostos em oculto.
Então também eu a ti confessarei que a tua mão direita te poderá salvar.
Contemplas agora o beemote, que eu fiz contigo, que come a erva como o boi.
Eis que a sua força está nos seus lombos, e o seu poder nos músculos do seu ventre.
Quando quer, move a sua cauda como cedro; os nervos das suas coxas estão entretecidos.
Os seus ossos são como tubos de bronze; a sua ossada é como barras de ferro.
Ele é obra-prima dos caminhos de Deus; o que o fez o proveu da sua espada.
Em verdade os montes lhe produzem pastos, onde todos os animais do campo folgam.
Deita-se debaixo das árvores sombrias, no esconderijo das canas e da lama.
As árvores sombrias o cobrem, com sua sombra; os salgueiros do ribeiro o cercam.
Eis que um rio transborda, e ele não se apressa, confiando ainda que o Jordão se levante até à sua boca.
Podê-lo-iam porventura caçar à vista de seus olhos, ou com laços lhe furar o nariz?

E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía.
Então vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele pão em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram acerca de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; e cada um deles lhe deu uma peça de dinheiro, e um pendente de ouro.
E assim abençoou o Senhor o último estado de Jó, mais do que o primeiro; pois teve catorze mil ovelhas, e seis mil camelos, e mil juntas de bois, e mil jumentas.
Também teve sete filhos e três filhas.
E chamou o nome da primeira Jemima, e o nome da segunda Quezia, e o nome da terceira Quéren-Hapuque.
E em toda a terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos.
E depois disto viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos, e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração.
Então morreu Jó, velho e farto de dias.


- Assim termina a história de JÓ?

HANA nem não precisar explicar nada somente balançou a cabeça afirmando.

Os olhos de FUYUKI brilhavam, parecendo estar vendo  fogos de artificio e então ele afirma:

- DEUS já sabia que JÓ não terminaria a sua vida envergonhado, era JÓ precisava conhecer quem era DEUS. ELE não era um DEUS carrasco que o deixou para ser destruído por satanás. Não foi negligente deixando JÓ entrar em uma luta que não pudesse ganhar. E não foi um DEUS mal que não pudesse restituir o que JÓ tinha perdido. Bendito seja o nome do SENHOR. Assim também em sua vida JINAKI e na minha tudo o que a gente perdeu DEUS  quem deu e ELE tem o poder de restituir se ELE quiser e o que ELE quiser. ELE é DEUS. Por isso que você leu: “Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.

- Eu sempre me senti dona das minhas vontades. Sempre me considerei livre para fazer tudo e qualquer coisa com qualquer pessoa. Meu pai fazia as minhas vontades. Meus avós faziam as minhas vontades, o povo de BARUNDI faziam as minhas vontades, BABU fazia a minha vontade. O rei AKI não quis fazer a minha vontade, o homem que matei também não. E quando aqui cheguei aí é que as minhas vontade e opiniões não tinha a menor importância. Eu estava sendo moída não pelo o que fiz com aquele guerreiro, mas por quem eu era. Está escrito no livro sobre JÓ e eu me identifiquei muito:

Porque Jó disse: Sou justo, e Deus tirou o meu direito.
Apesar do meu direito sou considerado mentiroso; a minha ferida é incurável, embora eu esteja sem transgressão.
Que homem há como Jó, que bebe a zombaria como água?
E caminha em companhia dos que praticam a iniquidade, e anda com homens ímpios?
Porque disse: De nada aproveita ao homem o comprazer-se em Deus.
Portanto vós, homens de entendimento, escutai-me: Longe de Deus esteja o praticar a maldade e do Todo-Poderoso o cometer a perversidade!
Porque, segundo a obra do homem, ele lhe paga; e faz a cada um segundo o seu caminho.
Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo.
Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo?
Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego,
Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó.
Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra.
Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso?
Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios?
Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos.
Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana.
Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos.
Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniquidade.
Porque Deus não sobrecarrega o homem mais do que é justo, para o fazer ir a juízo diante dele.
Quebranta aos fortes, sem que se possa inquirir, e põe outros em seu lugar.
Ele conhece, pois, as suas obras; de noite os transtorna, e ficam moídos.
Ele os bate como ímpios que são, à vista dos espectadores;
Porquanto se desviaram dele, e não compreenderam nenhum de seus caminhos,
De sorte que o clamor do pobre subisse até ele, e que ouvisse o clamor dos aflitos.
Se ele aquietar, quem então inquietará? Se encobrir o rosto, quem então o poderá contemplar? Seja isto para com um povo, seja para com um homem só,
Para que o homem hipócrita nunca mais reine, e não haja laços no povo.
Na verdade, quem a Deus disse: Suportei castigo, não ofenderei mais.
O que não vejo, ensina-me tu; se fiz alguma maldade, nunca mais a hei de fazer?
Virá de ti como há de ser a recompensa, para que tu a rejeites? Faze tu, pois, e não eu, a escolha; fala logo o que sabes.
Os homens de entendimento dirão comigo, e o homem sábio que me ouvir:
Jó falou sem conhecimento; e às suas palavras falta prudência.
Pai meu! Provado seja Jó até ao fim, pelas suas respostas próprias de homens malignos.
Porque ao seu pecado acrescenta a transgressão; entre nós bate palmas, e multiplica contra Deus as suas palavras.
Tens por direito dizeres: Maior é a minha justiça do que a de Deus?

Porque disseste: De que me serviria? Que proveito tiraria mais do que do meu pecado?
Eu te darei resposta, a ti e aos teus amigos contigo.
Atenta para os céus, e vê; e contempla as mais altas nuvens, que são mais altas do que tu.
Se pecares, que efetuarás contra ele? Se as tuas transgressões se multiplicarem, que lhe farás?
Se fores justo, que lhe darás, ou que receberá ele da tua mão?
A tua impiedade faria mal a outro tal como tu; e a tua justiça aproveitaria ao filho do homem.
Por causa das muitas opressões os homens clamam por causa do braço dos grandes.
Porém ninguém diz: Onde está Deus que me criou, que dá salmos durante a noite;
Que nos ensina mais do que aos animais da terra e nos faz mais sábios do que as aves dos céus?
Clamam, porém ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
Certo é que Deus não ouvirá a vaidade, nem atentará para ela o Todo-Poderoso.
E quanto ao que disseste que o não verás, juízo há perante ele; por isso espera nele.
Mas agora, porque a sua ira ainda não se exerce, nem grandemente considera a arrogância,
Logo Jó em vão abre a sua boca, e sem ciência multiplica palavras.

Então respondeu Jó ao SENHOR, dizendo:
Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.
Quem é este, que sem conhecimento encobre o conselho? Por isso relatei o que não entendia; coisas que para mim eram inescrutáveis, e que eu não entendia.
Escuta-me, pois, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás.
Com o ouvir dos meus ouvidos ouvi, mas agora te veem os meus olhos.
Por isso me abomino e me arrependo no pó e na cinza.

- Assim terminará a minha história. Porque eu me arrependo de todas as vezes em que fui arrogante e violenta. E volto a repetir se eu pudesse voltar no tempo eu com o coração cheio de DEUS que tenho hoje, eu não mataria a nenhum daqueles homens. Eu fui tão bem criada, com muito amor e pessoas que cuidavam de mim com muito carinho e eu me tornei arrogante. Agora eu entendo que se eu andar nua ou vestida se isso infringir quem estar próximo de mim mesmo que toda nação faça, por DEUS não haverá ninguém na terra semelhante a mim.  

FUYUKI estava traduzindo para HANA tudo o que JINAKI ASMAHANI falava e lia. 

Ele falava tão baixo que mais parecia um sussurro. 

Aquele momento parecia surreal onde as almas estavam sendo libertas pela PALAVRA do LIVRO SAGRADO do LIVRO que falava da vida de JÓ, do LIVRO de DEUS.

- Escute,  JINAKI ASMAHNAI, o que diz HANA sobre satanás. Ele também teve esse sentimento de arrogância. Mais ele não teve o sentimento de arrependimento. Ele era o anjo mais lindo, seu corpo formado de pedras preciosas reluzia a  luz e emitia sons todo trabalhado na perfeita beleza, maestro do coral de DEUS e ministro do tesouro. Mas foi achado o sentimento de arrogância que o fez cair da presença de DEUS e a falta do sentimento de arrependimento o destituiu da graça de DEUS. E agora ele vive perseguindo e atormentando ao homem já que não pode contra DEUS. Então você conhece agora quem é o nosso arqui-inimigo. Seu maior objetivo é fazer com que o homem blasfeme contra DEUS usando da mentira, roubo, destruição e matança. Seu trabalho e forjado na aliciação. Para a destruição do homem e de sua comunhão com DEUS. Mas só que ele se esquece de que DEUS tem um plano com cada uma de suas criaturas e que conhece até onde o homem pode suportar.

- Quero voltar e ser levada a julgamento pela morte do marinheiro e voltar para o meu país e também pagar por ter matado aquele soldado.

- Antes de chegar aqui eu tinha até medo e pensava como conseguiria te levar para ser julgada, você poderia me matar também! Mas olha isso! Você está se entregando e confessando. Sim agora abriremos um inquérito primeiro para saber quem era aqueles homens, buscar provas de suas existência e morte. E como você disse não foram dois e sim três homens mortos e não sabemos nada de nenhum deles. Mas em três dias estaremos de voltando e quando chegarmos à delegacia e tudo se resolverá.

Já era a hora da janta e dessa vez quem foi para cozinha ver a refeição foi JINAKI e antes de sair ainda disse em alta voz:

- Não estou nervosa com que pode me acontecer, agora eu sei que conheço o meu DEUS que cuida de mim.

FUYUKI traduziu para HANA o que JINAKI AMAHANI disse e ela deu um abraço bem forte e falou com ele o quanto ela estava agradecida a DEUS e a ele por ter trazido aquela  linda mulher para a sua fazenda e pelo privilégio que ela teve de poder revelar ao DEUS, CRIADOR para salvação daquela alma. 

Então olhando HANA nos olhos FUYUKI declara que o privilegiado dessa história toda foi dele por que também foi alcançado  por essa salvação. E ter conhecido JINAKIASMAHANI e HANA foi verdadeiramente coisa de DEUS.

E os dois termina em um gostoso sorriso seguido de um outro abraço que foi interrompido por JINAKI chamando para jantar.

Antes de irem para os seus quartos FUYUKI falou com JINAKI ASMAHANI:

- Em dois dias viajaremos.

 Parecia que amanheceu e anoiteceu num piscar de olhos nesses dois dias.  Continuava tudo como desde o primeiro dia em que o jovem casal chegou à fazenda. A leitura do maravilho livro era uma regra de vida, ele foi lido por várias vezes e todas muito esclarecedora.

Logo que o sol amanheceu e FUYUKI e HANA iam para a roça ou para cuidar dos animais a tarde chegava rapidinho e quando se dava conta estava eles reunido em volta do livro.

Desde o primeiro até a ultima noite eles não deixaram de ler o livro  mesmo que repetissem  para melhor esclarecimento.

Esse livro deu a jovem JINAKI ASMAHANI uma nova esperança e ao policial FUYUKI uma nova visão da vida.

- Fale com ela FUYUKI que eu quero aprender a falar com DEUS. Agora que eu O conheço preciso ter intimidade com ELE.   Então quero saber como falar e como ser ouvida e como ouvir.

FUYUKI não traduziu de imediato o que JINAKI falou.  

Parecia que fazia em si um alto analise. 

Com os olhos bem aberto ele ficou olhando para fora da sala e a noite escura não mostrava nada, nem estrelas. 

Então ele resolveu traduzir para HANA o que JINAKIASMAHANI disse. 

O interessante foi que começou um debate entre os dois japonês. 

Até que houve a intervenção de JINAKI com uma pergunta:

- O que está acontecendo?

- Nada.

- Mas o que HANA te falou e você não me repassou?

- Ela perguntou se eu não saberia responder a sua pergunta?

- O que? Ela perguntou a você se você saberia me ensinar a falar com DEUS?

- Sim.

- E por que vocês discutiam?

- Foi porque eu disse para ela que eu não sabia.

- E por que ela não entendeu?

- Eu não sei.

- Vamos. Peça ela novamente que tenha paciência e nos ensine. Agora que conhecemos um SER tão maravilhoso como não se comunicar, como não interagir com ELE?

FUYUKI de cabeça baixa e voz embargada fala com HANA. E logo traduzir tudo o que a dona da fazenda vai falando:

Ele diz:

- É intrigante o pedido de JINAKI por que quando DEUS se revela em nós ELE faz morada em nosso ser e com isso desperta em nós um desejo de estar continuamente a falar com ELE. ELE que até então estava encoberto ou desconhecido passa a ser notado não somente por nós propriamente, mas até por pessoas que convivem conosco que estão ao nosso redor. DEUS sempre esteve em nossas vidas éramos nós que não atentávamos para ELE. ELE é conhecido nosso e por esse motivo não temos nenhuma dificuldade para nos relacionar com ELE. Não é preciso rituais ou atitudes pirotécnicas para ter comunhão com ELE.  É somente ser sincero e reto. Sem esquecer que somos seus filhos e servos.

- Servos? Como que um filho é servo de seu pai?

Interrompeu JINAKI ASMAHANI.

E FUYUKI foi respondendo a pergunta segundo o que HANA ia dizendo:

-Sim. Filhos e amados. Mas servos para obedecer, atender ao seu pedido, respeitar a sua vontade, ordem e opinião; devotar a ELE a adoração que lhe é devida. Então falar com ELE é muito mais que falar com um amigo ou consigo mesmo. É dar à alma a oportunidade de expressar tudo o que está sentindo.

- Então tá! Fale para ela que comece a falar com DEUS agora. Quero ver.

FUYUKI falou o que JINAKI disse e viu HANA se levantar diante deles e dizer:

- HANA quer saber JINAKI ASMAHANI se você quer vê-la falando com DEUS aqui e agora e se você  vê-la falando com ELE você acha que vai acontecer o que com você? Pode acontecer de você ser curada, ser consolada. Várias coisas podem acontecer. Ou não. Pode exatamente acontecer nada. Você pode me ver falar e só.  O que eu quero dizer é que não importa o que você vê, o que acontece no mesmo momento em que estou falando com DEUS ou tempos depois. O importante é somente crer que ELE não tem os ouvidos tampados que não possa ouvir. E crer que ELE não vai deixar de responder. A resposta será “sim”. Mas ela terá o tempo certo para executar e a maneira certa de efetuar. Poderá ser do jeito que pedimos e até na hora que pedimos. Mas também pode ser “não” e até acharmos que está demorando.  Assim como quando estamos com fome não temos paciência de esperar esfriar, assim também achamos que DEUS não nos ouve nos momentos em que estamos no momento de dificuldade de esperar a resposta. Eu não vou falar com DEUS diante de vocês. Já é tarde. Vamos dormir. Cada um de nós entraremos em nossos quartos para dormir e antes de deitarmos vamos tentar falar com ELE. Falaremos até conseguir falar tudo o que temos para falar, falaremos ate termos a certeza de que ELE nos ouviu. Falaremos de maneira que ELE ouça.

- FUYUKI. Peça a ela que fale com ELE por nós. Peça a ela que nos ensine. Não sabemos como falar com ELE. Não sabemos dançar para ELE nem tão pouco qual é a música que se canta para chamar a sua atenção.

JINAKI ASMAHANI segurava forte no braço de FUYUKI parecendo estar em desespero.

Mesmo antes que ele traduzisse o que a jovem dizia; HANA foi falando e FUYUKI automaticamente foi traduzindo para JINAKI:

- O temor a DEUS é o bom começo para o nosso relacionamento com ELE. Mas sem nunca esquecer que acima de tudo: ELE nos ama. Então temer a ELE é reverencia- LO, respeita- LO, obedece- LO. E não ter pânico ou terror. É ter amor. Quem tem amor não tem medo.

HANA foi a primeira a ir para o eu quarto em seguida foi FUYUKI ficando na sala sozinha JINAKI ASMAHANI.

Sem nem perceber JINAKI ASMAHANI começa a falar . Começou como quem falasse consigo própria. E sua voz foi aumentando o volume e em meio às frases foi mencionando o nome de DEUS. E quando se passaram bastante tempo ela estava de joelhos e chorava feito uma criança.

FUYUKI chegou até abrir a porta de papel de arroz de seu quarto olhou para a sala onde JINAKI estava, mas não conseguiu sair do lugar então resolveu voltar e tentar fazer a mesma coisa pois ele sabia que ela tinha conseguido falar com DEUS.

Estava acontecendo um grande desassossego naquele lugar então. FUYUKI novamente abre a porta de seu quarto só que dessa vez ele vai até  a sala onde JINAKI ASMAHANI está e segura as mãos da jovem e os dois entrelaças lágrimas e dizeres ao mesmo tempo com os olhos fechado. De repente HANA também se junta a eles e os três instintivamente fazem as mesmas coisas. E não se dava para ouvir mais nada naquela noite, a não ser a oração dos três naquele lugar.

O sol apareceu parecia que eles tinham acabado de nascer. Não era apenas um novo dia. Mas uma nova vida. Mas um milagre.

Depois de um abraço, os três foram para os seus afazeres como que tivesse acabado de acordar.

Naquele dia eles sorrirão, cantarão e estavam todos muito felizes. Quando chegou a hora do almoço, HANA fez a oração, JINAKI ASMAHANI ainda ficou olhando para HANA, FUYUKI fechou os olhos e curvou a cabeça mas os três estava de mãos dadas. E quando HANA disse AMÉM todos participaram da refeição.

Eles resolveram viajar a noite. JINAKI ASMAHANI ainda ficava incomodada com os olhares das pessoas.

Quando os dois entraram na carroça, HANA perguntou a FUYUKI o que iria ser da vida deles a partir de agora?

 





O ADEUS.

Quando o coração quer ir contra a razão.







FUYUKI traduz de cabeça baixa e um olhar triste a pergunta de HANA.

JINAKI ASMAHANI desce da carroça e vai até  HANA e com um forte abraço responde:

Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra.


 E na mesma hora FUYUKI começa a traduzir o que JINAKI ASMAHANI falou; mas foi repreendido pelas duas:

- Xiii!  Fez HANA com um dos dedos nos lábios.

- Ela entendeu claramente o que eu disse. Porque eu falei o que está escrito no livro.

Então HANA começa a falar e JINAKI olha para FUYUKI e os três começam a sorrir.

- Vai FUYUKI traduz logo o que a HANA falou.

- Ela disse que você tem um gostoso abraço. Que é uma coisa que ela nunca vai esquecer. .

- Diga para ela que  sou muito grata  por DEUS ter se revelado através dela para mim. Minha mãe me colocou no mundo, meu sogro me jogou na vida e HANA me ajudou a achar a salvação. Diga a ela que ainda me deve a história do amor da  tal mulher negra.

Subindo novamente para a carroça eles acenam e vão embora.

 Mas um novo recomeço. 

JINAKI ASMAHANI estava  novamente em um novo inicio em sua vida. 

Para FUYUKI era apenas um retorno. E em seus olhos havia uma infelicidade que era notório.

Não por JINAKI ASMAHANI, um silêncio imperava na carroça que também parecia que não queria ir embora, até os cavalos cavalgavam lentamente. E a mudez dos dois foi quebrada:

- Vamos voltar. Não quero ir embora.

- Mas foi você que me intimou para irmos embora desde o   primeiro dia que amanhecemos ali naquela fazenda.

- Não estou vendo   alegria em sair daqui. Parece que nessa fazenda   DEUS está presente a nos proteger, a nos fazer felizes e de bem com todos e com a vida. Na fazenda eu não sou descriminada e nem marginalizada pelo que fiz. Na fazenda tudo se fez novo.  E  a sensação que eu tenho  é que se  nos afastarmos desse lugar voltaremos à estaca zero. Estaremos por nossa própria conta e riso.

- Isso não é verdade. DEUS está em nós. ELE não é uma estatueta que fica limitado a um lugar. Para DEUS não há limite. Você tem que continuar a crer. DEUS é DEUS e nunca mudará se sua fé não mudar.

- HANA perguntou como será nossas vidas daqui para frente. Você já pensou em alguma coisa?

- Sim, JINAKI. Eu já tinha falado com você sobre o nosso retorno. E as suas condições. Eu te prometi um julgamento justo e te ajudar de todas as maneiras para que você volte para o seu país. E você também prometeu que isso aconteceria de boa vontade e paz.

- Mas é claro, FUYUKI, quero que DEUS veja que sou  Sua serva, que O temo e me desviarei do mal para ir direto em direção do que é do bem.  Você não acredita no que estou dizendo. Não é? Por isso que você está com essa cara de quem está com a frauda mixada.

JINAKI falou o que falou e começou a sorrir. Menos FUYUKI.

A noite foi longa para os dois viajantes que pareciam ter presa em chegar ao seu destino e com isso nem dormiram.

JINAKI ASMAHANI pediu a FUYUKI que parasse em uma pousada onde eles pudessem tomar um bom chá, acompanhada de legumes frescos cozidos com um arroz feito ao vapor como é o costume do lugar para o dejejum.  FUYUKI ficou admirado, mas quis arriscar para ver quais seriam as pretensões da nossa jovem.  Ele ainda não acreditava na mudança de JINAKI ASMAHANI.

Quando a carroça parou FUYUKI foi o primeiro a descer, olhou para os dois lados e estendeu as mãos para JINAKI que em um pulo estaria fora da carroça e começou a ajeitar o quimono em seu corpo quando levantou a cabeça a jovem se vê novamente no meio de uma rua movimentada. 

JINAKI ASNAHANI respirou profundamente e agiu como se os olhares não a incomodassem e caminhou em direção a pousada conforme as pessoas iam a sua direção.

Entrando os dois na pousada preferiram uma mesa que ficasse bem escondida dos olhares curiosos.  FUYUKI fez o pedido e foram servidos por um jovem que não conseguia esconder a admiração pela jovem.

Ao sair do estabelecimento que já estava lotado de curiosos, levavam consigo seu almoço e jantar.

Subiram rapidamente em sua carroça mesmo com o quimono o nervosismo ajudou a acelerar o negocio.

E partiram em meio a gargalhadas e comentários de JINAKI ASMAHANI das caras das pessoas que os cercavam.

O cansaço obrigou os quatro a pararem para descaçar: JINAKI, FYUYUKI e os dois cavalos. 

A viagem estava bem adiantada. Não faltava muito para a casa ultima mulher que eles se hospedarão.

E os dois passaram por onde as duas tomaram banho, nuas e JINAKI ASMAHANI pede FUYUKI que parasse:

- Pare FUYUKI.

- Para quê? Não está pensando em nos condenar a morte, está?

- Não só quero olhar a beleza do lugar. Naquele dia eu nem aproveitei direito.

E carroça para e os dois resolvem almoçar a beira daquele lago de águas termais.

- Pretendo voltar e me banhar novamente aqui nesse lugar.

- JINAKI ASMAHANI você aprendeu que se o que você fizer causar espanto a quem te ver fazer. Então não faça.

- Você está de brincadeira! Até se olharem para mim com o mais lindo quimono causará espanto. Eu sou negra!

- Não é sobre isso que estamos falando. Não é do que DEUS fez que nós estivéssemos falando mais sim das normais e regras que o homem fez é que estamos falando. A natureza e tudo mais que DEUS fez é perfeito, assim como o homem.  Assim como você.  Você pensa que chama a nossa atenção só porque sua pele é negra como a noite e seus cabelos são como a clina de mais lindo garanhão. JNAKI ASMAHANI você é linda.



 

 


 A VIRADA

Vivendo um pesadelo acordando em um sonho.



JINAKI ASMAHANI parecia que não se importava mais com onde ela estava durante a viagem ela canta e de vez em quanto dava ALELUIA em alta voz, acenava para as criancinhas que encontrava no caminho. E estava sempre falando com DEUS. Pareciam dois íntimos amigos. Ela falava e parecia que escutava a resposta e tinha momentos até que gargalhava.

Nessa viagem quem estava agindo muito estranho era FUYUKI só voltou ir para o fundo da carroça e dormir todo o caminho, acho que não fez isso por que era ele quem conduzia a carroça.

- FUYUKI. O que houve? Você está tão calado. Parece que não te fez bem sair da fazenda. Você quer voltar?

FUYUKI sempre foi um homem calmo e muito controlado com as suas coisas e atitudes. Mas ele também mudou:

- Você quer voltar! Você quer voltar! Diz-me JINAKI ASMAHANI. Você quer voltar!

Perguntou FUYUKI aos gritos depois de parar a carroça.

- Calma. FUYUKI. O que está acontecendo. É melhor a gente conversar.

E quando JINAKI percebe já estavam na porta do ultimo ryokan que eles haviam se hospedado no inicio da viagem.

E a porta se abre com os gritos de FUYUKI e aparece a jovem mulher dona da Nessa viagem quem estava agindo muito estranho era FUYUKI só voltou ir para o fundo da carroça e dormir todo o caminho, acho que não fez isso por que era ele quem conduzia a carroça.

- FUYUKI. O que houve? Você está tão calado. Parece que não te fez bem sair da fazenda. Você quer voltar?

FUYUKI sempre foi um homem calmo e muito controlado com as suas coisas e atitudes. Mas ele também mudou:

- Você quer voltar! Você quer voltar! Diz-me JINAKI ASMAHANI. Você quer voltar!

Perguntou FUYUKI aos gritos depois de parar a carroça.

- Calma. FUYUKI. O que está acontecendo. É melhor a gente conversar.

E quando JINAKI percebe já estavam na porta do ultimo ryokan que eles haviam se hospedado no inicio da viagem.

E a porta se abre com os gritos de FUYUKI e aparece a jovem mulher dona da ryokan com um meio sorriso tradicional no rosto e se curvando como saudação. com um meio sorriso tradicional no rosto e se curvando como saudação.

FUYUKI desceu da carroça cumprimento a jovem mulher e entrou para a casa. JINAKI se recompôs e desceu da carroça em uma elegância de princesa, mesmo sem ter quem lhe desse a mão JINAKI ASMAHNAI parecia outra pessoa.

JINAKI ASMAHANI se curvou para a jovem anfitriã. Que retribuiu o cumprimento rapidamente, pois queria olhar melhor para a viajante.

- Seja bem vinda JINAKI ASMAHANI. A viagem lhe fez muito bem.

- É verdade.

Ao anoitecer em seu quarto, JINAKI ASMAHANI tentava lembrar-se das palavras ouvidas por HANA do LIVRO SAGRADO. E ainda se admirava de ter vivenciado a maravilhosa experiência de ouvir nitidamente o que HANA lia em sua língua natal sendo que ela lia em aramaico. Ou não li em aramaico? Lia em japonês por que ela era japonesa mesmo o livro estando escrito em aramaico. Esse fato às vezes até atrapalhava a retrospectiva que ela tentava fazer das leituras, por que ela queria achar explicação do que aconteceu naquela fazenda.

JINAKI ainda era JINAKI. Logo que chegou à ryokan pediu para que a deixasse preparar o seu banho. Pois já fazia tempo que não sabia o que era isso.

A dona da casa permitiu. E JINAKI não se demorou e todos fizeram a refeição juntos e em paz.

- Partiremos amanhã? FUYUKI.

- Não.

Foi à resposta do jovem policial que se recolheu em seu quarto logo após.

JINAKI ASMAHANI se sentou com a jovem dona da casa e contou tudo sobre a viagem:

- E o mais interessante foi quando paramos em uma fazenda de arroz. Eu nunca tinha visto uma plantação de arroz. Bem na verdade eu em meu país nunca tinha comido arroz, foi aqui em seu país com que eu vim conhecer o que é arroz. Nessa fazenda morava sozinha e DEUS uma senhorinha chamada HANA. Ela plantava e ela mesma colhia. Comprava bichos como vaca, cabra, pato e galinha e ela mesmo cuidava.

O chato de conversar com a jovem mulher era que ela não perguntava nada. Parecia que JINAKI estava falando sozinha.

- Foi na primeira noite que ela leu para nós em um pergaminho que ela chamava de LIVRO SAGRADO, a história de um homem chamado JÓ. Você já ouviu falar desse homem?

Sem nem esperar pela resposta ou até mesmo a resposta não viria, JINAKI continuou a falar.

-A história desse homem é muito linda. Porque ele teve em sua vida sofrimento jamais merecido para nenhum ser humano e ele que conhecia o Único e Verdadeiro DEUS não culpou ao seu DEUS de nada do seu infortúnio. Mas o seu inimigo, satanás, pensou que se ele perdesse tudo blasfemaria contra o seu DEUS. E não foi o que aconteceu. O que aconteceu foi que no meio de todo o caos que JÓ passava DEUS trabalha em seu interior. Ele que já era visto como um homem reto, integro e que se desviava do mal e ainda que servisse ao seu DEUS. Depois de toda provação ele foi liberto do medo. Ele temia que seus filhos aborrecessem a DEUS, ele temia se afastar de DEUS. E isso não passava de uma insegurança ou uma fraqueza na fé de JÓ. Que foi mudada durante a provação e a recompensa foi que DEUS restitui tudo em dobro do que JÓ havia perdido. 

Mesmo com o silêncio da jovem mulher JINAKI ASMAHANI foi falando com muito entusiasmo sobre o exemplo que a história daquele homem trouxe para ele e para a mulher chamada HANA.

Até que a conversa das duas foi interrompida quando FUYUKI pede que JINAKI ASMAHANI arrume as suas coisas para que eles possam seguir viagem.

- Vamos ficar mais um dia aqui? FUYUKI. Partiremos amanhã. Pode ser até mesmo de manhã. Mas vamos dormir em um quarto hoje. Gostaria de uma boa noite de sono.

FUYUKI com sua estranheza toda não respondeu nada, somente virou as costa e saiu de perto das duas que continuaram a conversa. Bem na verdade JINAKIN ASMAHANI continuou a falar e a jovem mulher a ouvir como quem está a absorver tudo ou como quem não quer saber de nada. Por que nem o seu semblante mudava durante a conversa.

JINAKI ASMAHANI se dedicou para expressar tudo o que ela aprendeu.

Ela falava sobre esse justo homem chamado JÓ.

Falou também sobre um DEUS que HANA conheceu quando leu sobre a vida de JÓ.

E esse DEUS deu um novo e melhorado sentido para a vida de HANA.

HANA não tinha imagem desse DEUS, nem altares para ELE, nem sacrificava e nem ofertava nada para ELE.

Quando queria falar com ELE não tinha nenhum ritual, nem cerimônia.

Foi nesse momento que a jovem mulher levanta a cabeça que até então estava a todo o tempo baixa e olha bem nos olhos de JINAKI e pergunta:

- Como pode existir um DEUS assim?

- Mas existe.

- Como você prova isso?

Um DEUS que criou tudo e por ninguém foi criado. Você já ouviu falar de alguém que esculpiu DEUS? Alguém que O desenhou? Mas ELE criou verdadeiramente o Universo e tudo o que nele há. Que domina a todas as coisas que acontece, a natureza está sujeita aos seus mandamentos: plantas, animais, vento, mar, raios, cachoeiras, nuvens e tudo mais. Como eu provo que ELE existe? É só olhar para sua criação. Os deuses que conhecemos não é por que eles criaram aquilo que dizemos que eles dominam, eles sim que foram criados pela mente humana. Mas o DEUS que pouco se fala dELE ninguém criou. Assim como ELE criou, formou o homem ELE tem total conhecimento profundo de quem o homem verdadeiramente é por isso ELE fez de HANA é uma mulher completamente diferente de todas vocês em seu país.

- Todas quem?

- Todas vocês mulheres japonesas. HANA não anda abaixando a cabeça para todos a toda hora. Ela é positiva e afirmativa. Ela é prospera e abundante. Ela é calma e passiva. Isso por que ela aprendeu a não temer a não ser ao próprio DEUS. A história de JÓ fala que ele era muito rico, pois possuía muitos bens e tinha muitos filhos. Era reto, integro, servia a esse DEUS que eu te falei, sincero e se desviava do mal. Um homem perfeito. Até que foi tentado por satanás e provado por DEUS que sabia já de antemão que nessa prova JÓ não seria reprovado. Por que JÓ conhecia a DEUS, mas JÓ não conhecia a sim mesmo então essa tentação que satanás imputou sobre JÓ só serviu para ele melhorar ainda mais. Tudo o que JÓ perdeu nessa tentação de satanás, DEUS restituiu em dobro e o que estava de mais ele perdeu. E com isso ele conheceu melhor a DEUS.  Você consegue entender? O DEUS de JÓ é o DEUS que fez todo ser vivo, todo o Universo. Por isso ELE sabia que JÓ não se reprovaria. Por que foi ELE quem fez o homem, então ELE o conhece muito bem. Sabe suas fraquezas e até onde vai a sua força.

- Mas o que você disse  ainda não me provou se ELE existe.

- Sabe como eu posso provar para você que ELE existe mesmo?  Além de te mandar procurar a HANA, aqui em seu próprio país e ver com os seus olhos o quanto esse DEUS aflora no homem o seu melhor, que no nosso caso é a HANA, uma mulher, o nosso testemunho. Ainda tenho eu como testemunho vivo do que esse DEUS tem poder de fazer. Um de seus milagre foi me dar à vida e o outro para trabalhar na minha fé e me fazer crer nELE, ELE me fez lê o LIVRO SAGRADO.

A jovem mulher agora conseguiu expressar algum sentimento: o de ironia.

- O livro de JÓ é um dos livros mais velhos de todo o mundo, ele foi escrito em ARAMAICO. Mesmo sem nunca ter lido nada em minha vida

- Você quer dizer?

- Não. Eu estou dizendo. Ninguém me ensinou.  Eu li o LIVRO SAGRADO como que se estivesse lendo em minha língua natal e em minha língua de origem a swahili, jamais foi escrita em nenhum lugar por ninguém. Meu povo não tem esse tipo de cultura. Assim como nós não temos esse tipo de comercio. Usamos objetos e desejamos as coisas. Pedimos ou trocamos. Mas escrever ou ler, nós não sabemos.

- HANA não te ensinou a ler no LIVRO SAGRADO?

- HANA nem sequer conseguia se comunicar comigo que dirá me ensinar a ler. Ela lia e de inicio eu pensei que ela fosse como você que entende o que eu falo e que falo como eu e também a sua língua. Até que percebi que quando ela lia eu e FUYUKI entendia ao mesmo tempo. Ele em japonês e eu em swahili ao mesmo tempo.

- JINAKI. Só quem vê um milagre compreende. Vamos dormir paremos bem cedo amanhã. Sairemos antes que o sol desponte.

JINAKI ASMAHANI entendeu o que FUYUKI, mas continuou no mesmo lugar. A dona da casa se recolheu, pois já era muito tarde da noite e todos já dormiam.

- FUYUKI. Espere. Quero falar com você.

- Melhor é que a gente vá dormir. Já te falei que acordaremos muito cedo amanhã.

- Mas parece que você está fugindo de mim.

- Eu estou aqui JINAKI ASMAHANI.

- Então por que está tão triste? O que você está me escondendo de novo?










16º   capitulo

FUYUKI

Inimigo ou verdadeiro amigo.





- Por que você está tão preocupada comigo? Se preocupe com você. Eu já te disse eu estou bem!

- Não parece FUYUKI. Você está calado, com respostas brutas. Você não está me olhando nos olhos. Será que DEUS revelou alguma coisa HANA e por isso ela perguntou a “você” sobre o que “você” iria fazer ao sair da fazenda?

- Vou dormir.

- Não vai antes me contar.

FUYUKI altera a voz e com um empurrão tira JINAKI de sua frente. Que fica parada olhando ele ir embora de cabeça baixa.

Com tudo isso que aconteceu, JINAKI ASMAHANI entra em seu quarto e antes de dormir resolve falar com DEUS.

E decorrer do tempo em que JINAKI vai falando com DEUS em um momento ela que estava de joelhos e cabeça baixa, levanta a cabeça e a luz da lua entrando pela janela revela a silhueta de uma pessoa encostada à parede de papel de arroz de seu quarto. E pelo corte de cabelo ela percebe que é FUYUKI, ela fica emocionada e se cala. A pessoa que estava atrás da parede percebe o silêncio da jovem e resolver ir embora. JINAKI tem a certeza que é FUYUKI por causa da direção que ele tomou para ir para o seu aposento.

O dia terminou tenso. JINAKI ASMAHANI chorou muito enquanto falava com DEUS e na hora em que ela falava com DEUS sobre a mudança de humor de FUYUKI e levanta à cabeça ela percebe que ele a estava ouvindo.

E antes que o dia amanhecesse FUYUKI estava ajoelhado ao lado de JINAKI que leva um justo:

- FUYUKI! O que foi?

- Não foi nada. Só queria te acordar. Para que pegasse suas coisas partiremos agora.

- Mas ainda nem amanheceu!

- Faça o que eu estou te mandando.

- FUYUKI. Você está me mandando?

Ele se levanta sem falar mais nada.

JINAKI obedece sai sem falar nada com ninguém, mas em seu olhar não existia mais o mesmo olhar de preocupação, mas sim de tristeza.

Ela entra na carroça se senta ao lado de FUYUKI que a aguardava e dá partida sem se despedir de nenhum dos moradores daquela ryokan.

E no meio do caminho a carroça é parada por FUYUKI. JINAKI ASMAHANI pergunta já meio que irritada:

- O que foi agora FUYUKI? Por que paramos? Você está tão estranho que nem me deu oportunidade de me despedir daquele povo daquela casa eles foram muito bons para mim. Talvez eu nunca mais os veja!

- Eu quis sair bem cedo para que você pudesse tomar banho na fonte. Você disse quando passou que ainda iria tomar banho aqui. Então eu pensei que teria que ser muito cedo. Ainda escuro. Talvez assim não tivesse como ninguém ver você.

JINAKI sorriu, abraçou FUYUKI e desceu correndo da carroça e num impulso se jogou dentro d’água.

FUYUKI não olha para jovem quando entra na água. Mas ai ele observa que JINAKI ASMAHANI está de roupa dentro da fonte de águas quente. Ele desce sorrindo e vai até a jovem.

- JINAKI ASMAHANI. Você é surpreendente. Quando eu penso que te conheço. Você me fascina.

JINAKI levanta e pergunta muito seria:

- O que foi agora? Poderia fazer de suas palavras as minhas.

- Eu pensei que tiraria sua roupa e tomaria o seu banho com liberdade.

- Foi você mesmo quem disse que não queria problema. Ah! Quer saber? Já deu. Vou deixar para tomar banho com a verdadeira liberdade quando chegar à minha aldeia. E eu sei que não falta muito.

FUYUKI se senta a beira da fonte termal e olhando para o chão ele desabafa:

- É isso que tem tirado minha alegria JINAKI ASMAHANI. Eu te prometi que te levaria ao mosteiro onde você pensava que receberia aula que mudaria suas maneiras. Eu te levei e não foi lá que você veio a ter uma mudança mais sim na fazenda que a gente parou por um acaso. Prometi também que voltaria para a sua tribo, para seu marido. E você acabou de dizer que vai acontecer. Mas eu também falei que te levaria para ter um julgamento justo pelo crime que você cometeu. Não podemos esquecer que você matou um homem. E sendo você mulher, de outra etnia. Não vejo como você deixará de ser condenada a no mínimo à prisão.

JINAKI que ainda estava de pé dentro da fonte sai e senta ao lado de FUYUKI.

- Meu amigo FUYUKI, então é isso que mudou o seu humor? Mas eu te digo que tranquilize o seu coração por que existe um DEUS que eu deixei que ELE cuidasse de mim. E o que ELE permitir que me aconteça é mil vezes melhor do que eu possa pensar em fazer ou que qualquer pessoa pudesse pensar em me ajudar. Por isso eu estou bem e terminaremos essa viajem em paz. Crê tu nisso?

 

 - Eu estou preocupado com em uma prisão japonês sendo você estrangeira eles não terão pena.

- Você sabe que eu não preciso de pena. Você sabe disso?

JINAKI ASMAHANI vai falando com ar de brincadeira se levanta e estende a mão para ajudar FUYUKI a se levantar e ao mesmo tempo dá um empurrão no policial que cai na fonte.

JINAKI aproveita para entrar na carroça e rapidamente troca de roupa.

Quando FUYUKI volta para carroça ela já está sentadinha parecendo um anjinho.

- JINAKI escute: “quando eu comecei a te ajudar era por que eu tinha pena de você. Eu vi a sua situação e quis te ajudar. Mas eu me apaixonei por você. E enlouqueço só em pensar que algo de ruim pode te acontecer, tipo: ficar presa. Mas o que está me doendo mesmo é a possibilidade de não mais te ver”.

- Para com isso.

- JINAKI eu não quero que você vá embora.

- Para de falar isso. Você está doido. Eu tenho que voltar. Não somente para o meu país, para o meu povo, para o meu marido.

- Eu me apaixonei por você. Eu não queria. Só queria te ajudar. Você estava sozinha aqui no Japão e atormentada. Mas sua personalidade forte e admirável e sua beleza! Se eu disser que é incomparável você pode até pensar que é por causa da sua cor de pele que não se compara com as mulheres daqui. Mas não é isso. Você é verdadeiramente linda. Seus lábios são carnudos, os seus olhos não são escuros ais são intensos. O seu rosto é muito lindo e o quimono não consegue esconder a beleza de seu corpo. Suas curvas são acentuadas e te faz muito desejável.

- E isso tudo deixa de ser desejável quando você sabe que eu pertenço a outro homem. E a esse outro homem eu respeito e amo. Você sabe o que é paixão?

Quando JINAKI ASMAHANI faz essa pergunta ela desce da carroça onde FUYUKI se declarava encostado em um dos cavalos.

- Hein! Você sabe o que é paixão? Paixão é coisa de tolo que não tem alto controle. Que age como um garotinho mimado que pensa que o mundo gira em seu redor, que tudo o que existe é para ele e que ele pode ter o que quiser. Isso é paixão. E pior ainda quando essa paixão vem acompanhada de um sentimento mesquinho chamado “machismo”. Que só por ter uma mulher próxima dele acha que pode possuir. Só por que é homem, todas as mulheres vão morrer de amor por ele. O machista se acha tão superior que nenhuma mulher pode lhe resistir.  E vou te ser sincera. Machismo é algo tão doentio que eu não consigo nem descrever.

- Eu não machista.

- O outro homem que me trouxe no navio disse a mesma coisa. Ele estava até de joelhos. Parece ate que eu conheço bem o homem japonês. O homem que eu matei aqui foi por que ele me viu sem o quimono e se achou no direito de me possuir, sem nem procurar saber se eu o queria ou não e o outro só por que me ajudava, me ajudava não! Foi pago para isso. E por que se ajoelhou achou que também teria que me sujeitar. Talvez isso aconteça com as mulherinhas daqui que se curvam para tudo e todos. Eu sou JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE.  

 

 

 

 

 

A NOVA

Sentimentos são para sempre. Ou não!

 

 

 




Será que quanto mais branca a pele mais negra é a alma?

Será preconceito seja contagioso e JINAKI ASMAHANI estava contagiada?

Desde o inicio desta viagem, que parecia ser a ultima que JINAKI, ainda não tinha ido para o fundo da carroça e se jogado ao chão em posição fetal toda encolhidinha.

Enquanto FUYUKI mesmo molhado subia para dar prossegmento à jornada. Ao entrar ele ainda pergunta:

- Você não acredita que um homem pode se apaixonar por você? Você acha que só seu marido pode te amar?

- Vamos fazer um trato. Você continua sendo o policial bonzinho que eu conheci, a gente termina essa viagem, eu vou embora saio da sua vida e tudo volta ao normal.

- Mas JINAKI ASMAHANI e se você for condenada pela morte com suas próprias mãos de um homem japonês e tiver que cumprir pena aqui no Japão, aqui em SHIRAKAWA-GO? Quem vai te dar assistência? Quem vai te ajudar te fazer visitas?

- O meu amigo “FUYUKI”.  Se eu fosse a JINAKI ASMAHANI que chegou aqui nesse país eu nunca mais olharia para você. Terminaria a viagem se falar contigo. E sumiria de sua vida antes que alguma coisa ruim acontecesse. Eu não acredito que nenhum outro homem que sabe que eu sou casada vai se atrever a investir contra mim. Por que eu como uma mulher casada tenho o dever de lutar pela minha honra caso o meu marido esteja impossibilitado de fazer. Sim eu acho que o único homem que vai me amar por toda a nossa vida é o meu marido. O nosso compromisso foi selado com sangue da minha virgindade que era o meu selo de pureza e o sangue é vida. Então só a morte nos separará. Mesmo estando continuamos unidos. Ele é meu e eu sou dele para sempre.

Com o aparecer do sol o vilarejo desperta e todos da ryokan ficam admirado com a partida súbita dos viajantes recém-chegados e principalmente por que saíram, sem se despedir.

Mas a conversa antes do café não foi somente a partida do casal. Mas o que JINAKI ASMAHANI tinha deixado no coração da jovem mulher. Que por curiosidade questionou ao homem da casa sobre o tal DEUS que JINAKI comentara e sobre um homem chamado JÓ ou a mulher fazendeira que se chamava HANA.

Esse assunto se estendeu por muitos dias.

Ate que o rapaz resolveu procurar o endereço da fazenda onde moraria a tal mulher chamada HANA.

Enquanto isso na carroça JINAKI ASMAHANI sofria com o calor já conhecido de suas idas e vindas pelos mesmos vilarejos.

FUYUKI continuava com sua melancolia e JINAKI ASMAHANI com um bom humor que era admirável.

Talvez ela fosse assim em sua aldeia de origem: BURUNDI ou CANDACE sua aldeia onde passou o seu primeiro ano de casada. Ela não tinha problemas, nem com que se preocupar, pois ainda não tinha filhos. Mas essa alegria acaba com a chegada de seu desumano sogro.

Os cavalos estavam sempre tendo que parar para beber água. E nessas horas JINAKI ASMAHANI descia da carroça e se aproximava das pessoas. Com seu sorriso brilhante no rosto lindo, do jeito que FUYUKI dizia; as pessoas por mais que estivessem tão assombradas de curiosidade acabavam sendo envolvidas por um sentimento de empatia que emanava da própria JINAKI ASMAHANI.

FUYUKI ficava olhando por horas, maravilhado, com o quanto JINAKI ASMAHANI estava mudada. Os meses em que eles passaram juntos contrastava com a JINAKI de agora.

Logo que a jornada dos dois dava continuidade JINAKI não perdia a oportunidade de estar voltando as mesmas conversas que eles tinham quando estavam na fazenda de HANA.

Mesmo com toda animação de JINAKI, FUYUKI continuava sisudo.

- Por favor, JINAKI ASMAHANI não fique com raiva de mim?

- Você tá maluco! Você tá vendo eu com raiva de alguém? FUYUKI. Você não tá bem. Você tá com uns pensamentos esquisitos. Você não deixou entrar no seu coração tudo o que a HANA nos ensinou?

- Quem estava precisando de mudança era você e não eu.

- Então por que você agora está pior? Você agora está egoísta, ansioso e doido.

- É... Eu estou assim mesmo. Por isso eu estou com medo de te perder.  Estou com medo de você partir ou ser presa.

- Você está com medo de me ver indo feliz da vida embora do seu?

- Sim. Ou de ser condenada a morte.

- O que!

- Sim. Por causa do homicídio.

Reinou o silêncio e as trevas que pairava na alma de FUYUKI, agora imperava por toda a viagem.

- Foi o medo FUYUKI. A porta aberta para o inimigo de JÓ entrar e tendo ele acesso a DEUS causou toda a tragédia que nos sabemos que JÓ passou. Perca o medo. Mude pela fé. Onde estão os ensinamentos do LIVRO SAGRADO?

- Eles são para você. E te fizeram muito bem.

- Por que em você o DEUS de JÓ só agiu fazendo você entender o que HANA lia?

- Você é que não entendeu.

- Me explica. Agora eu estou confusa.

- Por quê? Você não acredita que HANA teve sua vida mudada por causa da história de JÓ? E você também mudou depois que viveu o que viveu naquela fazenda? Logo na primeira dificuldade você fica confusa.

- Não. FUYUKI. É você quem está querendo me confundir. Colocar medo, traição duvidas em meu coração. Eu não sei por que. Você prometeu me ajudar. Agora você está dificultando tudo.

- Você acha que você mudou mesmo? Você acha que agora você é uma pessoa melhor? Só por que escutou uma história. E se foi tudo mentira de HANA? E se ela inventou tudo aquilo. E se não existe nenhum DEUS? E se os sentimentos do coração do homem não mudam? Você que é a primeira mulher por quem eu me apaixonei pode sair de uma hora para outra da minha vida e o que será de mim?

Quando JINAKI olha para fora vê que está chegando no vilarejo de YUMI.

Então ela responde para FUYUKI:

- Eu tenho que orar por você. Igual quando JÓ orou por seus amigos e DEUS restitui tudo em dobro para JÓ. Eu não vou ceder, eu não perder a minha fé, eu não vou temer a não ser a DEUS.  a minha restituição virar.







DE NOVO

Mesmo que voltando, dessa vez é diferente. 


 

 Mal a carroça para JINAKI ASMAHANI já desce da carroça e vai abrindo a porta da ryokan e vendo YUMI dentro da casa vai a sua direção com os braços abertos e um grande sorriso.

   YUMI por sua vez, também se dirige em direção a JINAKI e antes que YUMI pudesse prestar o seu cumprimento como é de costume, JINAKI vai logo lhe envolvendo em seus braços. YUMI fica sem saber o que fazer e com um sorrisinho bem tímido ela se deixa abraçar. Mas não retribui o abraço como fazia HANA.

- YUMI. Minha amiga. Há quanto tempo! Eu tenho muitas coisas para te contar.

    YUMI consegue sair dos braços de JINAKI e sem deixar a tradição ser ofuscada pela euforia da recém-chegada, YUMI se curva em sua direção e direção ao FUYUKI que acaba de ultrapassar a porta adentro que a retribui da mesma forma carregando as bagagens da viagem.

JINAKI ASMAHANI não consegue se conter e leva YUMI para a varanda e ajoelhada ao chão as duas começam a conversa.

- YUMI. Tenho muitas novidades para te contar. Fomos até o tal mosteiro que meu sogro falou. Mas acabou que foi uma viagem para nada. Nada mesmo. Encontramos o mosteiro, mas ficamos lá só uma noite. Lá é lugar só para homens. Não tinha mulher. Só homens. Homens japoneses de todas as idades e tamanhos. Mas nenhuma mulher. Fomos até lá atoa. Mas voltando eu muito irada e FUYUKI calmo e decepcionado. No caminho encontramos uma fazenda de uma mulher viúva que você precisa conhecer. O nome dela é HANA. Ficamos por lá por muitos meses. Saímos daqui pensando que nos mosteiro eu receberia ensinamentos que mudaria a minha vida mas estávamos enganados.

YUMI não falava nada, mas diferente da outra mulher, YUMI pelo menos olhava para JINAKI de vez em quanto e tornava a abaixar a cabeça. Mas JINAKI de falava sem parar.

- No mosteiro eu estava com vontade era de sair batendo naqueles homens de cabeça pelada.

- Mas você está diferente, JINAKI ASMAHANI. Você está usando quimono, tamancos e cabelo preso.

- YUMI. A outra mulher que eu contei às coisas que aconteceram comigo na fazenda da HANA, ela não acreditou muito. Também não a culpo. Novidades impactam mesmo. Eu bem sei. Senti isso na pele.

E as duas começaram a sorrir, até YUMI começou a descontrair.

- O que aconteceu?

YUMI perguntou isso, olhando para FUYUUKI que deixou as bagagens em um canto e ajoelhado, calado, olhando para as suas mãos unidas uma na outra por muito tempo. Parecia que estava querendo ouvir tudo o que JINAKI estaria dizendo. JINAKI ASMAHANI percebeu o sentido do olhar mesmo que pequenino de YUMI em direção a FUYUKI. Mas isso não incomodou JINAKI nem um pouco. Ela deu uma olhada rápida em direção ao policial, que parecia pensativo e continuou seu discurso.

- O que aconteceu? Foi que descobri o que faltava em minha vida. Eu tinha um marido que me fazia feliz, cercada de amor e tudo mais o que eu precisava desde a infância. Igual a vocês eu também conheci a vários pseudo-deuses.

- Como pseudo-deuses?

- HANA tem a cópia de um dos mais antigos manuscritos que narra à vida dos primeiros homens descrita em pergaminhos. A história da vida dele começa com desgraça. Ele perdeu tudo o que tinha. E ele não tinha pouca coisa. Por que dói quando se perde a única coisa que se tem, porém, a dor também é absurda quando se perde muitas coisas. Ele tinha muitas jumentas, muitos bois, muitos camelo e cabras. E sete filhos e três filhas. E perdeu tudo até a saúde.

- Mas o que isso tem haver com deus verdadeiro e deus falso? Isso acontece com qualquer um.

- Sim. Conforme aconteceu com FUYUKI que perdeu a família.

- Ah! Ele contou para você?

- Sim. E aconteceu comigo e com HANA que perdeu o marido, os filhos e agora vive sozinha em uma fazenda. Aconteceu conosco. E o que aconteceu também foi que através desta dor o verdadeiro DEUS se revelou.

- Mas como? Ele apareceu para vocês?

- Conheci um DEUS invisível. Que se você crer verdadeiramente nELE, você não precisa vê-LO. Não tem estatueta dELE, nem nenhum desenho ou coisa parecida.

- E como você sabe quem é ELE?

- ELE é o único que criou todas as coisas, ELE não foi criado, nem inventado por ninguém.

- E como se vê esse DEUS?

- Com amor

- Está muito complicado. Talvez esse DEUS que HANA te apresentou fosse um DEUS que você não O conhecesse. Venha vou lhe mostrar.

As duas voltaram para dentro da casa. JINAKI acompanhando YUMI foram até um quarto onde YUMI mostrou um altar onde ela cultuava aos seus entes querido que haviam morrido.

YUMI começou a falar explicando para JINAKI o que era aquilo e que o que HANA apresentou para ela era Buda. Talvez JINAKI não o conhecesse por que ele é branco e é oriental.

JINAKI ASMAHANI sem nem pensar duas, porem, com toda convicção afirmou para YUMI:

-Não! Esse Buda fez os céus e a terra?

- Buda foi um homem tão perfeito e sábio que se tornou em um santo.

- Olha! Quando eu vi bem de perto SASUKE eu jurava que era MAPALU. Uma das divindades que eu conhecia. Achei que o socorro tinha aberto a porta para mim nesse país depois de tudo o que eu tinha vivido. Mas era apenas uma mulher. Assim como esse Buda que foi um homem e depois que DEUS o criou, o formou, o guardou com vida até que morreu. Mas esse DEUS que deu a vida a Buda e toda a humanidade nunca foi por ninguém criado, nem formado.

- E onde estava esse DEUS que não evitou tudo o que você passou?

- Se eu não chegasse até aqui eu não O conheceria. E agora que eu O conheço sei que ELE se revelou para mim no tempo certo. MAPALU não era o meu socorro e sim ELE que sempre esteve presente em minha vida, contudo, era eu quem não O conhecia. E não lhe dava oportunidade de agir em minha vida eu agia por mim mesma. Assim como JÓ que era um homem reto, sincero, que se desviava do mal. Mas ele temia perder tudo o que tinha mesmo DEUS cercando ele de todos os bens. Isso era por que JÓ ainda estava inseguro com relação a sua fé a esse DEUS VIVO e VERDADEIRO. Quantas vezes confiamos nos santos e deuses e nos decepcionamos e nos autoconsolamos nos dizendo: não era para ser, vai passar, você consegue de novo e coisas parecidas.. E o pior é quando somos abençoados pelo verdadeiro DUES e não reconhecemos. ELE fez o mar e a gente adora um deus pro. ELE fez o fogo e a gente invoca um deus pro fogo e muito mais dessas coisas que você sabe.  Como eu poderia continua a adorar a homens se eu posso adorar quem é tão poderoso que fez os homens?

JÓ não fez altar para seus entes queridos que morreram por que ele sabia que não os perdeu. Assim como eles nunca deixaram de serem filhos de JÓ mesmo que JÓ não os via mais. Assim também DEUS é DEUS sem que O vejamos.

DEUS restitui tudo em dobro, HANA começou a leitura do LIVRO SAGRADO com JÓ tendo sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas jumentas, muitas pessoas a seu serviço e dez quando terminou a história da vida de JÓ ele possuía quatorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil jumentas. E DEUS deu a ele mais dez filhos com os que ele teve somasse vinte no total.

- Esse DEUS pode fazer isso?

- Tudo e qualquer outra coisa. Menos mentir. Por que ELE é DEUS.

- Pode dar vida a minha filhinha que morreu?

- Sim. Se ELE quiser pode. Mas ELE não quer ser amado pelo que ele pode fazer. Nós nos acostumamos a ir à busca de alguém que faça o que nós não podemos fazer e por isso nos tornamos escravos do que nos ajudou ou supostamente ajudou. Chamamos isso de devoção. E quase sempre nos enganamos. Por que damos ouvidos aquém sabe menos do que nós ou por causa do desespero acreditamos em qualquer coisa. Na maioria das vezes a verdade não vai ser dita vai ser manifestada.

- E qual é a verdade? Quem é DEUS de verdade.

- O único que pode dar a vida e tira-la.

Nesse momento um dos homens da casa vem até a varanda e fala com YUMI que no mesmo instante se levanta toda curvada e em obediência ao que foi conversado entre os dois ela se retira deixando JINAKI ASMAHANI sozinha na varanda.

FUYUKI não saiu do lugar, ate que JINAKI vai ao seu encontro e lhe fala:

- O que tem em suas mãos para que você fique por tanto tempo assim olhando para elas?

- Você sabe o que eu tenho em minhas mãos...

 A conversa se estendeu por toda a noite. FUYUKI estava com muito medo que JINAKI ASMAHANI fosse presa em seu país, pois ele havia matado um cidadão japonês em sua terra de origem.

Talvez JINAKI não visse a gravidade da situação, mas ela não estava se importando, o que via era ela muito empolgada contar o que viveu na fazenda de HANA.

- JINAKI. Talvez em seu país não acha pena de morte. Quem matar outra pessoa seja penalizado com serviços sociais por você ser a filha ou a nora do rei das tribos você não receba a sentença com tanto rigor quanto aqui. Eu gostaria de fazer justiça por você. Mas eu não sei como. Também acho que você estava se defendendo. E por isso não mereça a pena de morte.

- FUYUKI. Antes de você me conhecer você já era um policial. Acima de tudo você tem que ser pela justiça. Descanse. E além de tudo você não é meu dono para decidir o vai ser feito de mim.  Lembre o meu trato com você foi: se você me levasse ao mosteiro eu te contaria o que aconteceu. Você me levou e eu te contei. Então o seu compromisso comigo acabou. Faça o que tem que ser feito. E DEUS te abençoe.

- Eu já perdi minha família. E agora poderei perder você.

- Eu sei que é difícil ver um conhecido seu morrer. Eu se o que é isso.  Eu vi. Fui eu quem o matou. Tenho sangue em minhas mãos, não só de japonês no Japão como também na África um africano. DEUS sabe o quanto me arrependo e por isso devo pagar conforme a lei me conceder.

Vamos dormir amanhã você ira a delegacia onde você trabalha e lá você abrirá a ocorrência e eu aguardarei.

JINAKI ASMAHANI que estava ajoelhada junto a FUYUKI iria se levantar para ir para o seu quarto quando FUYUKI a segurou pelo braço e lhe perguntou:

- O que estaria escrito no LIVRO SAGRADO e você tomaria como um conselho para sua vida?

- A pergunta mais importante de todo o livro: ... recebemos o bem de DEUS e não receberíamos o mal?

Com essa resposta JINAKI ASMAHANI foi se deitar. E o dia amanheceu gelado, pois já se iniciava o inverno, dessa vez as chuvas não prenunciarão o frio e o dia começou com um hálito sombrio.

Todos na ryokan acordaram nos seus horários costumeiros e foram aos seus afazeres.  Na noite anterior em quanto YUMI se retirava para as sua obrigações solicitada por um dos moradores, JINAKI e FUYUKI conversaram toda a noite e antes de dormir JINAKI toma um gostoso banho de banheira e com isso dormiu igual a uma criança. Mas conforme o dia amanheceu todos na casa procurava por FUYUKI.

- YUMI. Ele deve ter voltado para o seu trabalho na delegacia.

   Com essa resposta todos descaram.

Já não havia quase ninguém na ryokan JINAKI ASMAHANI cercou o dia todo YUMI com suas novidades.

Com isso as horas passaram-se muito rapidamente. E as crianças voltavam para casa e os homens vieram para o almoço. Menos FUYUKI.

Todos na ryokan almoçaram alegremente com YUMI interpretando o que era falado para que JINAKI pudesse participar e o que ela disse pudesse ser entendido.

Após o almoço as crianças foram brincar os homens para seus trabalhos e YUMI pode sentar e conversar com tranqqilidade com JINAKI e lhe perguntou:

- O DEUS de JÓ poderia trazer minha filhinha de volta?

- Você tem necessidades de conhecê-LO primeiro. Aí sim. Você me entenderá que eu não preciso responder por ELE. ELE se revelará para você.

- Mas como que é isso? Como você pode ter essa certeza?

- Vou te explicar: hoje no almoço para que eu entendesse o que era conversado a mesa você tinha que traduzir para mim e o que eu dizia você traduzia para eles. Não foi assim?

- Sim.

- Acredite no que estou a te dizer. Quando HANA lia o LIVRO SAGRADO eu não precisava que FUYUKI traduzisse para mim. Eu entendia nitidamente como se uma mulher da África estivesse diante de mim lendo aquele livro.

- Por que isso acontecia?

- Porque DEUS estava falando comigo diretamente.

- Não estou entendendo.

- Quando HANA colocou os olhos em mim pela primeira vez, ela que tinha  ouvido a leitura de vários pergaminhos parecidos com aquele que ela nos leu, embora não fosse somente da vida de JÓ que HANA ouviu. Ouviu também de um romance escrito por um rei que falava sobre seu amor por uma jovem de pele negra como a minha; e sua amada pedia que não se admirasse com a cor de sua pele. HANA não entendeu quando o livro dizia sobre a cor da pele daquela mulher, entretanto, achou lindo o que  livro descreve  das suas declarações de amor de um rei  para  sua amada de pele crestada como as tendas curtidas de Quedar. E esse mesmo DEUS foi retratado em outras páginas do LIVRO SAGRADO. Naquele momento em que HANA me viu ela se ajoelhou e adorou a DEUS por que ela tinha crido no que havia ouvido, mas agora ela estava vendo. E se o que ela estava vendo era verdadeiro, consequentemente o DEUS que era falado naquelas páginas daqueles pergaminhos também seria verdadeiro. Com isso, o tempo em que ficamos na fazenda de HANA ela nos ensinava o que o livro diz. E na sua fazenda além dos animais só tinha eu, HANA e FUYUKI. E quando HANA lia o livro ela lia e FUYUKI entendia e ao mesmo tempo eu também. FUYUKI entendia em japonês e eu em africano. Eu entendia em swahili, minha língua de origem. Mas só que o LIVRO SAGRADO está escrito em ARAMAICO. E todos os que estavam ali entendia perfeitamente o que DEUS queria falar.

- Extraordinário.

- Sim. De mais, não? E um dia pela manhã quando não tinha ninguém comigo na casa. Eu fiz como a HANA fazia sempre antes de ler o livro. Fechei meus olhos e me esvaziei de mim mesma para ouvir o que DEUS falaria naquela hora. Me arrepio ate hoje! Eu li o que estava escrito no pergaminho.

Nesse momento as duas ficaram se olhando. Então JINAKI ASMAHANI repetiu:

- Eu li o que estava escrito no livro.

- Você leu em ARAMAICO?

- Sim. E eu nem sei lê swahili. Na minha tribo ninguém sabe nem ler nem contar. Mas eu estava lendo em ARAMAICO sem ninguém me ensinar também.

Nesse momento as duas se abraçam e um choro toma as duas ao mesmo tempo mas dava para perceber que não era um choro de tristeza.

- Que lindo JINAKI. Que história linda. Esse é DEUS de verdade. Não é?

- Sim. Eu tenho a certeza.  Quero que você o conheça, por que você já está sensível a sua presença. ELE esteve encoberto em meio a fabulas e ansiedades que só serviram para nos afastar do verdadeiro DEUS. Quer saber quem ELE é? ELE é o que criou a natureza e tudo o que existe. E nunca foi criado por ninguém. ELE simplesmente desde antes da fundação do mundo. Não precisa de nada e de ninguém. Mas tem condições de fazer até o impossível acontecer. ELE permite que O encontremos uma vez que por conta própria nos afastamos dELE quando achamos que por nosso esforço e pensamento chegaremos a salvação. E o mais que aprendi no LIVRO SAGRADO que conta sobre a vida de JÓ é que o sofrimento é causado quando colocamos alguém ou alguma coisa ou algum sentimento acima de DEUS. JÓ temia perder mais do que temia a DEUS. E eu achava que tudo eu poderia resolver por mim mesma, eu teria um jeito para tudo. Minha vida era maravilhosa por minha conta. Tudo o que eu quisesse eu conseguiria. Que vale que minha vida era tão boa que eu não queria mais nada. Só pensava em mim mesma. A ponto de chegar a tirar uma vida que ameaçasse a minha. Por que a minha vida era a mais importante do que o mundo todo. E aprendi que DEUS fez todo o universo conhece a cada estrela dos céus e fez o homem do pó do barro. E no LIVRO SAGRADO ELE lembra isso. Que somos frágeis que somos pó que somos barro que poderemos ser humilhados a qualquer momento.

Quando as duas se dão conta a noite já chegou às crianças e homens já estavam todos em casa. E janta nem estava pronta.

E FUYUKI também não voltara.

     JINAKI ASMAHANI ficou por muitas horas conversando com YUMI. Enquanto ela lavava as louças da janta, enquanto ela ajeitava as coisas para o dia seguinte.

     JINAKI não parava de falar e YUMI mostrando muito interesse não ousava abrir a boca nem sequer para perguntar qualquer coisa, mas com toda a atenção ouvia o que a jovem dizia diligentemente.

    Até que uma frase de YUMI cala nossa jovem narradora.

- FUYUKI não veio para casa.

O silêncio imperou. JINAKI ASMAHANI toma uma decisão.

- Vou busca-lo. Acho ser por minha causa que ele está agindo desse jeito.

- Se é por sua causa. Não seria mais sábio. Você aguardar?

     Com um sorriso entre um suspiro JINAKI ASMAHANI abaixa a cabeça e concorda com sua amiga.

- Você tem total razão. Eu não sou mais aquela que age pela emoção. Eu agora ajo pela oração. Vou para meu quarto falar com DEUS. Não que ELE venha a fazer alguma coisa somente por que eu pedi ou me dá satisfação do que irá ou tenha feito. Não é isso. A verdade é que o que me preocupa no tempo presente, já é passado para ELE. Eu vou orar que é a única maneira de me manter calma e confiante que ELE está no controle de tudo.

      YUMI ficou parada olhando e admirada com a determinação em que JINAKI ASMAHANI estaria vivendo. Quem sabe ela tenha descoberto mais um que realmente é deus e não falha ou de fato conheceu o Único e Verdadeiro DEUS?

       Logo o dia amanheceu. Não pelo motivo de que JINAKI e YUMI tivessem ido dormir muito tarde, mas sim pela causa de que elas dormiram pouco mesmo. JINAKI ficou orando e YUMI ficou pensativa do mesmo jeito em que JINAKI ficava na fazenda de HANA.

      Quando as duas se encontraram YUMI foi a primeira a falar com JINAKI:

- Vamos à delegacia para sabermos noticias de FUYUKI?

- Você quer ir? Então vamos. Preferia tomar banho na fonte em quanto é cedo. E pedia a um de seus irmãos que fossem até a delegacia e falasse para FUYUKI que se despedir faz parte da educação.

- Você acha que ele não voltou por que não quis?

- Sim.

- Então. Vamos logo para a fonte antes que todos acordem.

     JINAKI ASMAHANI parecia realmente que não estava preocupada com FUYUKI. Depois do banho ela convenceu a YUMI a voltarem para casa e prepararem uma gostosa refeição um daqueles pratos que ela comeu quando esteve em outras vezes em sua ryokan.

    Não era da vontade YUMI voltar para sem antes passar na delegacia. O comentário de todos da vila era que YUMI demonstrava um afeto bem generoso para o nosso amigo policial FUYUKI. Embora não correspondido a jovem dona da ryokan não muda seus sentimento e sempre ficava ansiosa ao vê-lo e muito mais ainda quando não via.

Quando as duas voltaram para a ryokan, JINAKI perguntou:

- Você sabe onde eu consigo papiro para escrever minhas memorias. Quero registra-las antes que me esqueça.

- Sim. Temos como comprar.

- Então venha comigo aos meus aposentos. Entre e se acomode junto a mim e lhe contarei o motivo por que FUYUKI está fugindo.

    Depois que as duas se ajoelharam. JINAKI ASMAHANI fez uma oração e falando com DEUS ela perguntou se o que iria contar para YUMI encontraria em seu coração compaixão e se a responsabilidade que ela estaria a colocar em suas mãos, YUMI seria bem sucedida. Após a oração JINAKI começou a falar:

- Desde o começo da minha segunda viagem para o mosteiro FUYUKI tinha em seu coração o querer saber do fim que levaram os homens que comigo estavam.  E eu lhe contei tudo. Contei a maneira em que eu saí do meu país. O que eu havia feito que fosse: ter matado um homem. Um dos guardas do rei de minha aldeia, um dos guardas de meu sogro.

- O que JINAKI? Você matou um homem? Como você conseguiu?

- Não importa. Não importa como, nem o porquê. A verdade é que eu cometi um assassinato. Sei que tenho que pagar pelo meu ato. Era assim que eu era. Justificava-me com meu jeito de ser e não via o quanto eu era selvagem. E aqui... Cometi o mesmo ato. Matei um japonês.

- Não acredito! Você! Você é pequena e frágil. E mulher!

- Mas, eu bem sei que satanás me usou para tirar a vida desses dois homens.

- E como fez isso?

- Com toda a maldade que havia em meu coração.

- Quantas revelações grandiosas.

- Sim. Mas ao conhecer o DEUS de HANA eu mudei o meu coração, não justifico mais os meus erros com outros erros. Aprendi a pedir perdão e aceitar as consequências de meus atos.

- Mas o que FUYUKI acha disso tudo?

- Ele disse que por estar apaixonado por mim, não gosta da ideia de saber que poderei ser condenada a morte pelo homicídio que cometi. Ele está sofrendo com tudo isso.

- Você disse que o policial FUYUKI está apaixonado por você?

   Foi nessa hora em que o irmão de YUMI chega pela ryokan adentra na sala e chama por YUMI. Ele está acompanhado YUMI e assusta com toda aquelas pessoas na sala. Uma dessas pessoas fala com YUMI que para ela ir buscar JINAKI ASMAHANI.

Nesse momento YUMI fica sem atitude, olhando com os olhos arregalados para o irmão e um dos homens que estava com seu irmão fala novamente para que ela vá buscar JINAKI ASMAHANI e agora com um tom mais severo. YUMI abaixa a cabeça dá meia volta e se dirige ao quarto onde está a jovem viajante e chegando aos aposentos de JINAKI ela diz que seu irmão está na sala com  dois policiais que vieram busca-la.








OS DOIS POLICIAIS 

A luz que aparece no fim do túnel





















YUMI vê os dois homens em sua sala armados de espada com cara de pouca conversam. Volta correndo para o quarto onde JINAKI ASMANAHI está.

- JINAKI tem dois senhores, policiais na sala para te prender.

- Para me prender? É o FUYUKI?

- Claro que não. Se fosse ele eu lhe falaria.

- Então foi FUYUKI quem me denunciou. Ele fez o que era certo. Eu estou tranquila para cumprir a lei de seu país.

- Sim. Afinal. Você matou os homens que viajavam com você.

- Eu matei. Mas matei. Eu matei um em seu país e um em meu país.

- O que! Matou na África também?

- Sim. E eu vou me entregar. Por que eu me arrependo de tudo de errado que fiz. DEUS me deu essa consciência. Quando cheguei aqui em seu país eu pensava que tinha sido injustiçada. Mas o que aconteceu em minha vida foi que eu fui provada e reprovada.

    JINAKI ASMAHANI vai até a sala com YUMI e seu irmão. Os policiais quando a veem se admiram. Mas quando voltam à realidade do que vieram fazer falam para YUMI que traduza para a jovem.

- JINAKI. Esses senhores policiais estão aqui para te levar ao palácio do imperador. Que está a sua procura há muitos dias. Eles falaram que tem dois homens de seu país que estão querendo saber por onde você está.

- Dois homens de meu país? Será BABU e seu pai o rei AKI?

  Isso JINAKI ASMAHANI ia falando e quase saltitando de felicidade.  E nessa hora YUMI interpreta para os policiais a pergunta de JINAKI.

- Eles falaram que sim.

- Diga a esses homens que não me demorarei a pegar as minhas coisas e irei com eles imediatamente. Isso só pode ser outra providencia de DEUS para a minha vida. DEUS trousse eles para me buscar. O rei AKI de ter me perdoado. Ou pelo menos vai me levar de volta. Mas preciso que você venha comigo aos meus aposentos, por favor, YUMI.

  Entrando as duas no quarto JINAKI ASMAHANI dá um forte abraça em YUMI expressando sua alegria.

- Venha YUMI quero te mostrar uma coisa e te pedir um favor.

As duas se ajoelham em frente das bagagens da JINAKI ASMAHANI.

- YUMI nessa bolsa aqui tem dinheiro japonês do homem que morreu na caverna. Eu gostaria que você procurasse saber quem eram aqueles homens e entregasse para a família de cada um deles uma sacola. E você vai vê que ainda tem mais outras sacolas. Eu te peço que entregue uma delas para HANA em sua fazenda. A outra para SASUKI sua irmã. Eu fiquei em outra ryokan cujo nome da dona eu não sei, mais FUYUKI sabe que ela é entregue uma sacola para ela. E a ultima sacola é para você minha amiga. Faça-me esse favor.

- Por que você está distribuindo esse dinheiro que nem é seu?

- Sim. Ele nem é meu e ninguém sabe de quem é. A caverna onde está o corpo do homem que tinha posse desse dinheiro está coberta de neve. Assim como os corpos dos viajantes que me trouxeram da África. FUYUKI tentou investigar sobre esses três homens e não obteve nenhuma informação. Por algum acaso você sabe quem são aqueles mareantes?

- Não. Não sei nada sobre eles. É ate um pouco difícil de saber. Muitos deles viajam clandestinamente em viagens ilegais. Eu só hospedo os viajantes e eles seguem seus rumos.

- Mas será que para SASUKI que mora perto do cais do porto não conseguiria descobrir alguma coisa sobre aqueles homens?  Peça ajuda ao FUYUKI quando ele aparecer.

- FUYUKI? E a história que ele estaria apaixonado por você?

  Nesse momento o irmão de YUMI aparece chamando as duas para que os policiais e JINAKI pudessem partir. E a pergunta de YUMI fica sem resposta novamente.

  Aos retornar a sala todos da ryokan estava presente. E JINAKI ASMAHANI se aproxima pela primeira vez de cada um e dá um forte abraço. Ate no irmão de YUMI que fica com o corpo duro como que se levasse um choque. JINAKI ASMAHANI agradece a YUMI a hospitalidade e paciência.

- YUMI. Pode ficar tranquila. Por que eu não sinto nenhum sentimento pelo FUYUKI a não ser gratidão. E não acredito que ele tivesse apaixonado por mim. Ele está mais para quem tem pena e tentou me ajudar do que outra coisa. Ele é um bom homem.

- Não me interessa saber se ele está ou não apaixonado por você.

- Sim. Interessa sim. Você me perguntou duas vezes e todos nós sabemos que você dele.

Nessa hora YUMI gostaria de encontrar um lugar para se esconder. Mesmo ela se encolhendo todos ainda sim ficaram olhando para ela até os policiais que conheciam ao policial FUYUKI.

Com isso os três saíram da ryokan de YUMI e em uma carroça partiram em direção ao palácio do imperador japonês de SHIRAKAWA-GO.

Nessa viagem para o palácio do imperador os três não demoraram muito tempo na estrada. Voltaram para o vilarejo de SASUKI e de lá partiram para o palácio que ficava no mesmo lugar.

JINAKI ASMAHANI estava muito emocionada. Seus olhos brilhavam e seu rosto resplandecia uma luz e seu sorriso não conseguia ser contido.

Os dois homens iam conversando pelo caminho entre si. Parecia que nenhum deles sabia fala o dialeto de JINAKI, que mesmo assim insistiu:

- Vocês têm noticias de FUYUKI?

Nessa hora os dois ficaram quietos. Ate que JINAKI toca no ombro de um dele e lhes olha nos olhos e pergunta:

- Alguns de vocês sabem por onde anda FUYUKI?

- FUYUKI?

- Sim, FUYUKI.

  Até aí estava tudo bem, mas o homem que JINAKI ASMANAHI tocou no ombro resolveu responder ou perguntar. Com seu jeito bem peculiar japonês, que poderíamos chamar de rude, ele fala com pausadas palavras olha para o seu companheiro que também responde com um grunhido e o outro continua a falar.  JINAKI AMAHANI fica olhando para os dois e prefere deixar para lá sua especulação.

   Sem contar que seus sentimentos afloravam para o evento que estava por vir. O reencontro com seu esposo após todo esse tempo. A saudade, a felicidade que fazia seu coração acelerar. Ela estaria diferente. Nesse momento JINAKI ASMAHANI começa a se examinar; olha para sua maneira de vestir. Inclusive em seu rosto aparece um sorriso quando ela levanta sua cabeça e pensa no primeiro dia em que pisou nesse lugar. O terror que foi não somente para a jovem estrangeira, mas também para os moradores daquele país que tiveram o privilégio de vê-la.

    Agora JINAKI ASMAHANI acha engraçado. Mas na verdade ela acaba abaixando a cabeça e fechando os olhos para tentar esquecer. Ela novamente olha para sua roupa e ate para os tamancos. Achando engraçado de novo. Tenta imaginar a cara de seu sogro quando a avista-la vestida dessa maneira. Pretende reverencia-lo como SASUKI faria não olharia nos olhos e falaria como YUMI tem o costume de agir. Ela só não saberia como agiria perante seu marido.      

   Com ele JINAKI iria ser ela mesma. Para BABU JINAKI era a mulher perfeita mesmo sem ter lhe dado filhos, mesmo tendo feito o que fez a prova disse é que ele veio busca-la.

   Com esses pensamentos JINAKIASMAHANI já estava achando que a carroça ia devagar de mais e os homens não parava de falar e acima de tudo falavam o que JINAKI não entendia, mas ela resolve fechar os olhos com as mãos sobre as cochas do mesmo jeito que HANA fazia antes de ler o LIVRO.  E elevou os seus pensamentos no DEUS de JÓ e fez a seguinte meditação:

- Eu tenho a certeza que tudo o que aconteceu em minha vida depós que TE conheceu foi de ruim para melhor. É como seu eu tivesse saindo de um inverno intenso e nevado pior do que o que vivi aqui nesse país, onde o dia não clareava e o sol dava sua luz; para o calor colorido e acolhedor de minha amada África. Eu sei que a vida de BABU e do rei AKI para me buscarem é providência SUA. O meu socorro chegou até em meu corpo o SENHOR manifestou seu poder e TE conhecer mudou a minha personalidade como o meu sogro queria e do jeito que desejava. O SENHOR colocou pessoas...

   E durante o caminho JINAKI ASMAHANI se envolveu nessa conversa com o DEUS de HANA que só notou o solavanco da carroça quando os cavalos pararam. Eles estavam no pátio do palácio do Imperador IKUME IRIHIKO ISACHI NO MIKOTO conhecido por SUININ.

   JINAKI ASMAHANI ficou admirada com a pela da imensa construção. Ela parou por alguns minutos depós que desceu da carroça e ficou observando e comparando com o mosteiro que ainda tinha as imagens em sua memoria. Ele também era grande, bonito. Mas não se comparava com a magnitude do castelo imperial. Logo JINAKI ASMAHANI foi despertada de seu devaneio por um dos homens que a acompanhava. E JIANAKI resolveu segui-los.

  Os dois homens foram conduzidos por dois outros empregados do castelo e JINAKI os seguia. Estava tão admirada que quando os homens se reverencial ela permanecia erguida olhando cada pedacinho do castelo e em todos os lugares. Voltando a sua realidade com a voz do imperador SUININ lhe chamando pelo nome:

- Princesa JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE.

Quando JINAKI ouviu seu nome e do jeito em que foi pronunciada ela olhou para frente viu um trono e um homem nele sentado e chamando o seu nome, ela que ainda estava na porta do palácio se aproximou e antes que chegasse perto dos homens que lhe acompanhava ela se ajoelhou.

- Por que uma princesa se ajoelha perante a mim que sou um mero servo seu?

    O monarca se levanta de seu trono e estende a mão para a jovem. Que de cabeça baixa vê o imperador diante de si eleva os olhos com a mão estendida e corresponde. O imperador a ajuda se levantar. Ainda segurando a mão da jovem eles se dirigem para um salão ao lado onde mulheres preparavam chá e o imperador aponta com a outra mão um lugar para JINAKI se acomodar. E ele também se ajoelha logo após na cabeceira de uma mesa rebaixada. As mulheres fazem o cerimonial do chá. Para a jovem JINAKI isso não era nenhuma novidade. Mas surpreendente mesmo foi o momento em que ela ouve um movimento se aproximando do lugar onde eles estavam e quando ela olha em direção a porta e vê seu marido entrando porta adentro abrindo um sorriso e falando seu nome:

- JINAKI meu amor. JINAKI minha vida.

    JINAKI ASMAHANI não teve outra coisa a fazer a não ser se levantar e se lançar nos braços de seu marido.

- BABU meu amor, minha vida. Minha vida esta comigo de novo. Eu voltei a ter minha vida comigo outra vez.

- JINAKI ASMAHANI minha filha.

     Nesse momento JINAKI leva um justo ao ouvir seu pai.

- Pai! É o senhor mesmo? O que faze aqui?  Meu pai.

- Vim te buscar minha filha. Você não é daqui. Aqui não é o seu lugar. Olha como você está vestida. Está muito feia.

   Ainda nos braços do marido falando com seu pai os três acabam num caloroso e longo abraço. Os sorrisos se misturam em meio às lágrimas e BABU se afasta e de joelhos diz olhando para sua esposa;

- Me perdoa? Eu não fui o marido que você mercê. Não te protegi como deveria. Não fui digno de ter você como minha esposa, minha princesa. Perdoa-me? Se você não me quiser mais eu ate compreendo. Se não quiser mais voltar para mim ou para África eu vou entender tudo e toda sua decisão. Mas eu vim ate aqui para te pedir que me perdoe?

- É BABU. Eu acho que JINAKI não vai querer voltar mais não. Olha o jeito que ela está vestida?

- Meu amor, minha vida. Eu não tenho o que te perdoar. Nós nos separamos uma vez e vai ser a única para nunca mais. Você não teve culpa de nada. Tudo o que eu passei me trouxe ate aqui. Para que eu aprendesse como que eu vou seguir daqui para frente. É isso que é o mais importante. Daqui para frente.

- Sábias palavras de sua esposa príncipe BABU.

- Sim. Sábias palavras, rei BOMANI. Afinal de contas são palavras de JINAKI ASMAHANI no Japão.

    E novamente os três se abraçaram e o sorriso dele encheu todo o salão. O imperador SUININ calado observava todo lindo esse momento.

   Os dois homens reverencial ao monarca e tomam os seus lugares, JINAKI volta a se acomodar no mesmo lugar que estava ate a chegada dos dois homens.

   Após se ajoelhar JIANKI ASMAHANI ainda de cabeça baixa ergue os olhos e vê seu pai e seu marido olhando fixamente para ela. E seu pai lhe pergunta:

- JINAKI minha filha; você está tão diferente.

- Sim. Dá para se sentir uma fusão de sentimentos em você. Caro Imperador SUININ. Somos muito gratos por tudo o que o senhor fez por nossa família. Recebeu-nos em seu país e nos acolheu em seu castelo acima de tudo trouxe para nós a minha esposa de volta. Eu e meu sogro temos palavras para expressar nossa alegria e gratidão. Mas gostaríamos de saber quando poderíamos voltar para a África. Temos presa. Já achamos o a que viemos buscar mais nossa missão só acaba quando JINAKI ASMAHANI estiver em nosso país de volta.

- Sim. Caro príncipe BABU. Amanhã mesmo vocês poderão regressar para o seu país com sua esposa e o seu sogro com sua filha. Nada se perdeu. Ela pode ate esta mudada mais nada se perdeu.

Assim passaram toda à tarde daquele dia, onde JINAKI, seu marido e seu pai comentavam sobre suas experiências do Japão. O imperador SUININ somente ouvia e se admirava com a liberdade com que eles se expressavam. Eles gesticulavam com as mãos JINAKI podia tocar neles a hora que quisesse eles sorriam com a boca aberta e se moviam com os corpos sem sair do lugar como se estivessem dançando.

- Antes que vocês venham a partir de nosso país quero apresenta mais uma coisa característica de nosso país vocês algo que tenho certeza de que vocês também vão gostar muito.

- Ficaremos honrados.

- Vão. Acompanhem esses moços eles levaram vocês para os seus aposentos. E logo mais na hora do jantar apresentarei a minha surpresa para vocês.

O rei BOMANI foi para o seu aposento que dias antes ele dividia com BABU. BABU e JINAKI foram conduzidos para o outro aposento onde os dois ficaram sozinhos pela primeira vez desde que JINAKI chegou ao castelo.

- Eu estou como quem sonha. Minha amada JINAKI. Todos esses dias em que estivemos distantes foram os piores como jamais imaginei. Não desejo isso nem para o meu pior inimigo. Cheguei a pensar que havia te perdido.

- Eu vim para me tornar à mulher que seu pai queria para você. Eu vim melhorar para poder ser a princesa de CANDACE.

- Você acha que você que teria algo em você para melhorar? Que para ser princesa em CANDACE você teria que ser melhor? Ou para ser minha mulher você teria que se tornar em outra pessoa?

  BABU fez essas perguntas para JINAKI e pegando ela pela mão rascou lhe o quimono.

- Não BABU. Estou no Japão. Portar-me-ei como uma mulher japonesa por educação.

  BABU se colocou de joelhos olhando para JINAKI e disse;

- Eu sei que muito tempo se passou. Nem imaginou o que você viveu aqui nesse país. Mas eu vim buscar você de volta.

- Você acreditaria que a segunda chance que estamos tendo é para vivermos uma nova oportunidade melhor que a primeira?

- JINAKI eu não quero uma outra ou uma nova eu só quero o que a gente tinha quando nos casamos.

- Isso eu não sei se teremos novamente. Mas em DEUS nós viveremos o melhor para nossas vidas ainda que não entendamos. Ainda que percamos alguma coisa. Mesmo em meio à dificuldade e ate mesmo em meio a dor. DEUS tem o melhor para os que LHE conhecem como PAI e SENHOR.

- Ate vestida assim você é linda meu amor, minha vida.

   Logo que escureceu chamaram do lado de fora dos quartos pelos nomes de BABU e JINAKI. Momentos depois ouvisse chamar pelo nome do rei BOMANI.

    E todos foram conduzidos para o pátio interior do castelo, onde todo decorado tinha um pátio no centro. Acomodaram a família do rei da África, seu genro e filha todos junto e ao lado estaria o lugar do imperador, que não demorou muito a chegar. Tudo com sempre muito regrado e bonito. Era a apresentação de um teatro de marionetes acompanhado de uma demonstração feminina de dança.

  Foi muito divertido enquanto as marionetes se apresentavam contando uma linda estória de uma jovem que para salvar seu amado ela se sacrifica e tornasse uma deusa e passa a ser adorada.

   JINAKU ASMAHANI não gostou. Ficou olhando contrariada. Dava para notar o incomodo da jovem. Aponto de o imperador perguntar se estava acontecendo algo de errado.

   JINAKI ASMAHANI se curvou perante o imperador e negou seus sentimentos e se desculpou do seu mau jeito.

    Seu pai e seu esposo ficaram admirados olhando aquela atitude da jovem. Bem na verdade BABU estaria ajustado. Ele estava com medo do que todo o sofrimento que ele deixou sua linda esposa passar teria causado nela algo de que ele poderia não gostar. A partir desse momento não se via nenhum sorriso no rosto do jovem BABU.








17º episódio

EM FIM O ADEUS

Sempre se leva ao por onde se passa de bom ou de ruim.


    Acabada a encenação do teatro que tanto incomodou JINAKI ASMAHANI. Sem demora começou a apresentação da dança que mexeu muito com JINAKI ASMAHANI.

 Quando as mulheres entraram no palco e enfileiradas se posicionaram e harmonicamente começaram seu espetáculo com apenas o som da harpa que por uma delas também era dedilhada. E os movimentos meio que pairavam no ar. Emocionaram JINAKI ASMAHANI de uma maneira que a fez chorar.

- Por que está chorando meu amor, minha vida? Você não gostou de nada do que você esta vendo aqui? Vamos para dormir então?

- Não é isso BABU. Estou aprendendo mais uma coisa muito boa e importante. Fique quieto quero assistir ate o fim.

  Esse acontecimento só acumulou no coração de BABU mais tristeza. Aumentava nele a certeza de que aquela mulher não seria a sua esposa, seu amor, sua vida.

  BABU permaneceu sentado ao lado de seu sogro o rei BOMANI e de JINAKI de quem ele não tirava os olhos.

  Após as apresentações o imperador os convidou para a ceia. E aquela noite foi bem extensa.        Na hora em que eles foram para os seus aposentos o rei BOMANI já estava bem alegre de tanto saquê. JINAKI e BABU o colocaram para dormir.

  Logo depois se dirigiram para os seus próprios aposentos. Ao fechar as portas de bambu e papel arroz. BABU que já aprendera que ao entrar na quarto de dormir se ajoelhava e fechava-se a porta com muito cuidado e carinho por causa de sua fragilidade. No mesmo lugar em que ele fechou a porta ele ficou e pediu;

- Por favor, JINAKI ASMAHANI vamos conversar. Eu preciso ouvir de você o que te fez mudar tanto assim?

- Calma. Meu amor, minha vida. Teremos muito que conversar realmente. Mas teremos tempo para isso. Não nos separaremos jamais. O que DEUS uniu não separe o homem.

- Mas de que DEUS você está falando. O DEUS de que você fala não tem nome.

- Tem. O nome dELE é AMOR. E é por ELE que nós ficaremos juntos para sempre.

   Essa noite para JINAKI ASMAHANI e BABU terminou em beijos e abraços. E o casal fez um amor gostoso como no dia de sua lua de mel.

  Na manhã seguinte o rei BOMANI já estava de pé bem cedo procurando saber como voltariam para a sua terra natal. Agora que já tinha encontrado sua filha não havia mais nenhum motivo para sua estadia naquele país embora os dois tenha sido muito bem tratados.

  No momento em que o monarca apareceu e todos tomaram o dejejum, o casalzinho ainda estavam em seus aposentos.

  Todo o preparativo da partida foi feito e quando estava chegando a hora o rei BOMANI foi chama-los.

- JINAKI, BABU vamos à África nos espera mais o navio não. Vamos voltar para casa.

Assim que a porta foi aberta da para se vê o sorriso no rosto de JINAKI ASMAHANI.

- Vamos sim papai. Estou ansiosa para chegar lá.

- O que foi BABU/ Não quer ir embora?

- Que é isso meu sogro? É o que eu mais quero. É ter minha vida de novo.

- Então vamos logo. O navio já esta no porto.

  E mais uma vez estava JINAKI ASMAHANI entrando em uma carraça. Quem sabe pela ultima vez. Mas dessa vez estaria ela indo para o porto para voltar para sua terra. Suas mãos estavam geladas comentou o seu marido. Ela não resistiu e abraçou ao imperador e fez assim com todas as pessoas que ela pode se despedir. Aquela que ela teve contato considerável. Abraçou HANA ao sair da fazenda. Abraçou YUMI com lágrimas nos olhos e por ultimo parou na casa de SASUKI e se despediu e a abraçou também. Mesmo que SASUKI não entendesse nada do que ela falasse. Ela entrou novamente na carroça e chegaram finalmente no porto e JINAKI olhava para aquele navio como ainda sendo um obstáculo em seu caminho que ela teria que enfrentar. 

  Foram recebidos na entrada do navio. Tudo ali estava acontecendo bem diferente da primeira vez. Dessa vez JINAKI ASMAHANI não estava escoltada por guerreiros que a colocaram em um bote ate o navio, ao chegar ao navio foi erguida por uma corda que a amarraram em sua cintura e lhe prendiam os braços. Daquele jeito ainda a jogaram dentro da cabine do capitão e de lá só saiu quando chegou ao Japão.

  JINAKI ASMAHANI balançava a cabeça para lá e para cá parecia que tentava fazer os pensamentos caírem com o movimento. Ela continuou entrando no navio. Foram levados de novo para a cabine do capitão onde os três se alojariam. Mas dessa vez a porta não ficaria trancada. JINAKI ASMAHANI olhava tudo. Não era o mesmo navio que a trousse, embora não tivessem muita diferença.

 Após o navio sarpar BABU disse para JINAKI:

- Vamos esquecer tudo o que aconteceu desde o dia em que você saiu da África e tudo o que você viveu aqui no Japão. Vamos lembrar o dia em que você chegou a CANDACE pela primeira vez e nós nos casamos e vivemos momentos felizes em nossa choupana. Eu sou o mesmo ainda e o meu amor por você também não mudou.

- O que me manteve viva foi o meu amor por você e o amor de DEUS por mim.

- Lá vem você de novo falando desse DEUS sem dizer que DEUS é esse...

- Ah! Você que conhecer quem é esse DEUS? Você quer né? Então eu vou te dizer e vai ser a melhor descoberta da sua vida.

- Por quê? Eu já conheço deus. O deus da água o deus do trovão o deus sol o deus lua. Tem ate o deus batata.

- Deus batata... Ah! Isso não tem não. Tem pai? O senhor conhece algum deus batata?

- Claro que tem. Tem o deus que você quiser. Quem você acha que criou as batatas? O deus batata.

- Ah! Claro que não. Uma das coisas mais importantes que eu aprendi aqui no Japão foi...

  Nesse momento JINAKI foi interrompida por seu marido BABU:

- JINAKI esqueça tudo o que te aconteceu nesse país. Eles não são o nosso povo.

- Não. BABU. O que eu vim buscar aqui eu vou levar comigo. Assim igual a você e meu pai vieram me buscar e estão me levando com você. Seu pai me mando para esse país para buscar a ser uma pessoa melhor.

- Você é melhor em tudo o que você faz, não precisa melhorar em nada.

- Não é verdade, BABU. Se eu fosse melhor eu não teria matado um homem na África e outro no Japão.

- O que?

- Sim. Escuta pai e meu amor, minha vida. Quando eu cheguei aqui no Japão eu não entendia “os porquês”. Mas os por quês existem e tem respostas para eles. A resposta está em DEUS. Mas não o deus batata! O DEUS de verdade que criou o céu e a terra e fez tudo o que nela há sem precisa de nada nem ninguém.

- Eu sei.

- Não é um deus inventado pela mente humana, nem esculpido ou pintado por nenhuma mão.

- Mas que deus é esse que você está falando/ é um deus desse povo. É um deus japonês. Não é?

- Não. Um evangelista, um missionário de um outro país falou desse DEUS para HANA uma japonesa. Ele apresentou HANA ao verdadeiro DEUS através de pergaminhos. Escrituras antigas. O LIVRO SAGRADO.

  Assim passou JINAKI toda amanhã dentro daquela embarcação falando com seu pai e seu marido sobreo DEUS que ela conhecera. Ate bateram na porta e deram comida para os três.      Assim continuou JINAKI a falar durante todo o almoço e depois também.

  Enquanto durou a viagem JINAKI ASMAHANI falou sobre a sua maravilhosa descoberta.

- É só sobre isso que você tem para nos contar?

- Sim. O que mais você quer saber? Quer saber que eu matei um homem por que tentou abusar de mim. E a velha JINAKI entrou em ação e agiu eloquentemente. Quer saber que vaguei por aquele país conhecendo o que é neve, comidas e costumes estranhos? Convivendo com quem não sabia falar comigo e muitos deles nem se importavam com o que eu estava pensando ou sentido. Mas eu já falei isso só me mostrou o verdadeiro sentido da vida. Que eu não conhecia. Agora eu respeito à vida de outros aponto de saber que eu não tenho nenhum direito de tira-la. Só DEUS tem esse direito foi ELE quem a deu então ELE que a tire sem ninguém rouba-la.

- Sim. Minha filha. Nisso você em toda ração.

- Pai o DEUS que me fez lê no Japão em aramaico para dois japoneses me fez entender que a vida é muito preciosa. ELE nos deu a vida como prova de amor e sua essência como prova de comunhão. Mas vão nos ensinado muitas coisas que acabam escondendo o verdadeiro DEUS. E principalmente o que mais fascinou meu sogro quando chegou nesse país foram as “regras”. E esse povo tem regras mesmo sem conhecer o DEUS das regras. Como eles conseguiram isso? Por que o DEUS que fez o primeiro homem falou com ele sobre as regras. Que para se viver bem e evoluir é necessário viver com regras.

- Mas nós vivemos com regras.

- Sim. Vivemos com regras e cheio de deuses. E sendo que a primeira regra é “amar somente o verdadeiro DEUS como DEUS por que não existe nenhum outro DEUS além dELE”. Não somos superiores a ninguém. Somos diferentes, somos indivíduos. Não precisamos provar nada para ninguém a não se a nossa fé. Se tivermos que nos importar com quem está ao nosso ado que nos importemos em fazer o bem.

- Mas minha filha tudo isso eu te ensinei.

- Sim pai. O senhor me ensinou. Mas sem ter um proposito. Esse ensinamento se tornou sem objetivo. Eu poderia ou não fazer.

- Mas qual é o objetivo então, meu amor?

- Se quisermos viver bem e termos dias felizes façamos o bem sem ter para quem. Mesmo que não reconheçam. O DEUS que tudo vê te dará em troca a paz. E nenhum outro deus pode dar a paz, nenhuma divindade, nenhum santo ou entidade. Nem ser vivo ou morto pode te dar a paz.

- Isso é verdade. Quando meu pai. Disse que você teria que ir embora. Eu enlouqueci e resolvi que iria embora com você para qualquer outro lugar que eu não precisaria ser príncipe ou rei de lugar nenhum só precisaria de você. Mas ele ameaçou ira a sua vida e me deixar vivo solitário para que eu aprendesse a obedecer. Então eu pensei que ele te mandaria de volta para o seu povo onde você viveria com seu pai. Ele me mandou para a caça e quando voltei soube de tudo o que ele fez. Com as minhas mãos tentei mata-lo e o que eu consegui foi feri-lo gravemente, a consequência foi deixar meu pai entrevado, paralitico, sem andar para sempre. Eu quase o matei. Eu não conseguia perdoa-lo e nem ter pena dele por tudo o que te fez.

- Veja. Ele não me fez mal. Você sim que fez mal a ele e a você também.  Deixa-me te fala como era a história do homem do livro que HANA começou a ler para mim: ele era reto, sincero, temente a DEUS e se desviava do mal. Ele conseguia não deixar o mal entrar dentro dele mesmo quando o mal o cercava. Ele perdeu os dez filhos com a queda de sua casa. Vieram seus inimigos e roubaram seu gado que era muito extenso de ovelhas, bois, jumentas, e até camelos ele tinha. E era da quantidade de sete mil para cima. E ele ainda ficou muito doente, de uma doença feia, mas que não o matava. Ele que aconselhava a muitos e por muitos era conhecido estava envergonhado com seu estado de calamidade. Em nenhum momento ele se revoltou, nem levantou acusação contra DEUS que promete sempre proteger os filhos Seus.

Ele poderia aproveitar a existência dos por quês e encostar DEEUS na parede ou tirar a vida do primeiro que ele encontrasse. Como eu fiz. Mas não. Ainda apareceram três amigos que fizeram acusa-lo. Mas em toda essa tragédia que ele estava passando era para ele vê que tinha esquecido de olhar para DEUS como DEUS. ele estava com medo de que DEUS se afastasse dele por causa das coisas que ele já possuía. E estava se esquecendo         que DEUS é para ser amado não pelo o que ELE ode fazer ou nos dá. ELE é para ser amado pelo que já nos deu e por quem ELE é. PAI BONDOSO DEUS AMOROSO. DEUS sabia que JÓ era um homem que se desviava do mal, reto e sincero de coração. E por isso permitiu que ele perdesse tudo que o próprio DEUS tinha dado para ele. Para que o temor que JÓ tinha por DEUS fosse maior do que o temos de perder o que DEUS deu. E quando JÓ entendeu a lição DEUS restituiu tudo em dobro para JÓ.

- Simples assim?

- É. Com o DEUS verdadeiro é desse jeito.

- Então foi isso que aconteceu com você?

- Sim. E tem que acontecer com você também, meu amor. Entender a lição para que DEUS venha nos restituir tudo em dobro.

- E qual é a lição?

- Você ainda não entendeu pai?

- Não me explica aí. A lição de JÓ foi temer a DEUS acima de todas as coisas. E para vocês?

- Ama-LO. Amar a DEUS mais do que todas e qualquer coisa. Amar a DEUS mais que tudo e todos. Ontem à noite quando vi aquelas mulheres dançando. Eu vi que elas dançavam contando uma estória. Quando eu dançava era para guerra e para a morte de alguém. Posso dança e contar com os meus gestos o quão maravilhosa é a vida que eu tenho.

    E com isso começou JINAKI ASMAHANI a dançar dentro da cabine e com isso a noite chegou. Era o primeiro dia de viagem.

  Enquanto JINAKI ASMAHANI ia falando de seu DEUS e o quanto ELE é maravilhoso a viagem se tornava suave. Mas quando eles mudavam de assunto ou estavam separado, o mar se agitava o enjoo chegava e novamente os reunia na cabine onde JINAKI voltava ao mesmo assunto: “DEUS”.

  Assim os meses se passaram e chegaram na África.

  Ao avistar de alto mar a sua terra amada JINAKI ASMAHANI tirou seu quimono e se jogou no mar e foi nadando ate chegar em terra cega.

  E ao pisar em terra JINAKI ASMAHANI chorou como uma criança.

E voltou para dentro da água da praia e nadou ate a embarcação de novo. Onde a tripulação não sabia mais o que fazer se ia atrás dela se descia o barco para ele irem para praia, se davam atenção ao rei e príncipe que ali ainda estavam ficaram completamente perdidos. E JINAKI ASMAHANI de dentro da água gritando;

- Isso é que é banho. Isso que é banho de verdade. Banho é assim que se toma. Banho com liberdade. Isso é banho de negro. O banho da liberdade. Antes mesmo que tardia.

   E nesse momento JINAKI ASMAHANI olha para sua tribo sem nem saber ainda o que lhe esperava.








 

 

 

 

 










 

 

 A REFORMULAÇÃO

O fim e o recomeço não são fácies.

 




   Quando o barco de seu marido e pai se achegaram de JINAKI dentro da água ela pediu seu quimono e ao sair das águas ela se vestiu novamente.

    O povo que avistou o navio se aproximando foram se aglomerando na praia, quando JINAKI ASMAHANI se jogou nas areia claras da praia e chorou, mas novamente voltou para água. Teve pessoas que saíram correndo e retornaram com a rainha de CANDACE.

 No momento que a rainha de CANDACE chegou à praia JINAKI ASMAHANI já estava de pé, vestida e ao lado de seu pai e marido.

- JINAKI é você mesma?

  Perguntou a rainha admirada com o que via.

  Vendo JINAKI ASMAHANI a rainha de CANDACE se inclinou reverenciando sua sogra.

  A rainha se aproximou de JINAKI ASMAHANI e a endireitou e disse;

- Uma princesa de CANDACE não é encurvada. Se levante minha filha e seja muito bem vinda ao retorno de seu lar.

  E as duas se abraçaram.

- Povo de CANDACE a princesa JINAKI ASMAHANI e meu filho BABU juntamente com seu sogro rei da BARUNDI o rei BOMANI estão de volta vão recebe-los com bastante alegria. Eles voltaram. JINAKI ASMAHANI voltou. BABU a trouxe de volta.

   E toda a tribo se movimentou com uma alegria estonteante que parecia que o sol estava brilhando mais forte naquele dia. Uns iam correndo na frente e cavando onde iria ser feito o cervo e os legumes assado na brasa. Outros subiam nos coqueiro e outras plantas do pomar em busca de frutas. E ainda tinha aqueles que foram se arrumar iria ser noite de dança então os enfeites seriam indispensáveis.

Estavam todos felizes. BABU com seus braços erguidos para o ar como um vencedor grita:

- JINAKI voltou. A minha JINAKI está de volta. A princesa JINAKI é nossa outra vez.

  O povo ao redor de JINAKI acabavam lhe conduzindo para uma das choupanas da aldeia. Mas JINAKI ASMAHANI ao chegar na porta perguntou:

- Essa é a tenda de seu pai?

  A rainha de CANDACE responde:

- Ela foi. Mas agora é de vocês.

- Mas onde está o rei AKI?

- Meu marido AKI está na tenda ao lado.

- Leve-me o ate. Quero vê-lo.

- Não. JINAKI ASMAHANI, você não precisa vê-lo agora. Você vai ter bastante tempo para isso.

- Por favor. Quero vê-lo.

  Com toda a insistência de JINAKI ASMAHANI e a sua permanência sem entra na sua tenda. Sua sogra e seu filho resolvem acompanha-la até o lugar em que se encontra o seu sogro, o rei AKI.

  Ele estava em uma tenda escura onde jovens virgens cuidava dele com ervas e folhas secas e cantarolando musicas tristes.

  Novamente JINAKI ASMAHANI para na porta da tenda e olha para dentro e quase não vê nada. Olha para seu marido e para sua sogra que tenta se justificar.

- Desde que você foi banida de nossa tribo, levou consigo a nossa felicidade. BABU deixou seu pai desse jeito e ele foi destituído de seu cargo. Ele não é mais o nosso rei. BABU não quis assumir o posto de vencedor ate te trazer de volta. Mas agora a alegria vai voltar as nossas vidas. Você esta de volta.

- Acedam-me tochas. Quero quatro tochas acessa aqui em minhas mãos. Mandem que essas jovens parem com essas musicas fúnebres. E quero isso agora.

- Foi só você pisar na África que você o seu normal. Que bom que você voltou meu amor, minha vida.

  BABU falou isso erguendo JINAKI no ar e rodando como se fosse um troféu.

   Levaram até a tenda onde estava o pai de BABU e colocaram em quatro pontos dentro da tenda onde deu para iluminar bastante o ambiente o sogro de JINAKI se encontrava. Com a claridade ao qual o sogro de JINAKI já não estava mais acostumado e naturalmente fechou ainda mais os olhos e se virou para o lado da esteira onde estava deitado, dando as costas para todo aquele falatório e tumulto na porta da choupana.

- AKI. Olha quem está aqui. Vire-se AKI e veja quem está de volta.

  Quando o sogro de JINAKI se vira e vê JINAKI ASMAHANI de pé ao seu lado ele tenta se levantar e cai deitado de novo. A admiração foi tão grande que suas mãos começaram a tremer.

   Foi nesse momento que JINAKI ASMAHANI se ajoelha e toca em seu sogro e lhe diz:


- Por favor, meu sogro, rei AKI de CANDACE me perdoe por tudo o que aconteceu? Foi bom para eu ter ido para o Japão verdadeiramente  eu aprendi bastante. O senhor tinha toda razão. Por isso eu estou te pedindo o seu perdão.  BABU venha. Se ajoelhe aqui perto de mim. Fale com seu pai. Diga para o seu rei que não era nada disso que você queria que acontecesse. Fale. Fale com o seu pai o quanto você o amo. Diga para ele o quanto você se arrepende do que fez. Fale BABU.

  E o príncipe BABU se retirou da tenda. Sua mãe foi atrás dele e apenas colocou a mão em seu ombro. BABU de cabeça baixa e olhos fechados resolveu voltar e encontra sua mãe de braços aberto. Os dois choram juntos. E BABU volta ate seu pai. E as lágrimas dos dois falou mais alto que qualquer pedido de perdão.

    E o rei AKI recebe o seu filho que se ajoelha ao lado de sua mulher acompanhado de sua mãe e os quatro se abraçam e choram. E nesse momento toda a tribo de CANDACE e o rei de BARUNDI se alegram.

- Eu não tenho o que te perdoar meu filho, BABU. Eu não tenho o que te perdoar minha filha, JINAKI ASMAHANI. Eu é que tenho que ser perdoado por vocês. Eu agi muito errado e por isso fui destituído do meu posto de rei de CANDACE. Merecidamente. Perdoe-me meu filho e minha filha, me perdoe minha esposa e rainha de CANDACE?

- Eu te perdoe meu rei. E preciso também do seu perdão. Libere para mim o seu perdão. E assim também aconteça com o senhor, meu rei e seu filho, meu esposo, BABU.

- Então ficamos assim. Eu te perdoou e vocês me perdoam.

- Claro, meu pai. Vamos nos perdoar. Para que seja aniquilado todo o mal. E começarmos um novo. Bem melhor que o primeiro.

- Posso fazer uma oração pelo senhor?

- O que?

- Quero orar a DEUS. eu creio que ele pode te tirar desse sofrimento de doença que o senhor se encontra.

- O que? Eu não estou entendendo?

- Está bem. Deixe-me apenas falar com DEUS. Vou pedir a ELE que venha agir por misericórdia e te restitua a saúde.

- JINAKI.

- BABU. Eu creio no poder que DEUS tem e quando eu li e ouvi que ELE restituiu em dobro a JÓ. Eu creio que ELE tem poder para fazer isso acontecer com o seu pai também.

- Ah! É isso que você quer fazer minha jovem.

  Com um meio sorriso no rosto o rei AKI se afastou de sua nora e disse:

- O DEUS que você conheceu no Japão pode ate ter te mudado conforme estou vendo. E ELE pode ate ter poder para me curar. Mas eu não mereço.

- Eu vou orar mesmo assim. Por que esse é o desejo do meu coração. E em meus planos você faz parte. Ajudando-me a criar os seus netos. E não vai poder fazer isso em cima dessa cama.

E JINAKIA ASMAHANI começou a orar bem baixinho e de repente as lágrimas começaram a rolar em seu rosto que estava voltado para o chão. O pranto embarcava sua voz. JINAKI ASMAHANI se endireita e levanta a voz num forte clamor e voltasse com o rosto sobre o peito de seu sogro deitado naquela esteira de palha.

- Venha quero que o senhor venha comer do assado comigo lá fora essa noite.  

   JINAKI ASMAHANI ficou com a mão estendida para seu sogro.  BABU nessa hora pergunta para sua esposa:

- Esqueceu que ele não anda mais, por minha culpa?

- Você pelo menos consegue perdoa-lo e se perdoar pelo que você fez?

- Sim. Eu o perdoei de coração e pedi perdão também de coração.

- Se você consegue perdoa-lo receber de seu pai o seu perdão. Então DEUS consegue fazer seu pai sair dessa esteira andando. Quem sabe dança! Vamos aí rei AKI. Agora é com o senhor. Levanta e vamos para festa.

   Nesse momento JINAKI ASMAHANI começa a cantar acompanhada de palmas uma canção bem animada e vai se levantando dos seus joelhos e vai em direção ao pátio no meio da tribo. E juntando-se a ela o povo que estava na porta da tenda do rei AKI e mais toda a aldeia. Naquele momento. Naquele exato momento começou a festa na tribo.

  Até que de repente JINAKI interrompe a música fazendo sinais com as mãos para os rapazes da percussão.

- Não. Não. Não iremos falar assim quando cantarmos. Falaremos:

“só existe um DEUS.”

   E toda a aldeia cantou alegremente acompanhando JINAKI ASMAHANI com a canção modificada.

  Subitamente ouvisse um grito.

  Foi à rainha mãe de BABU.

  Novamente a musica para. E todos olham para a rainha com seu esposo de pé ao seu lado.

  O povo não sabia se pula, se dançava. Eles estavam frenéticos. A rainha que estava de braços dado ao rei AKI, o soltou deixando ele meio que bambeando ainda. Tentando meio que se equilibrar ela foi ao encontro de JINAKI ASMAHANI e lentamente a rainha foi se curvando diante de JINAKI ASMAHANI e a jovem foi acompanhando sua sogra que não parou e continuou a descer até ao chão e beijou os pés de JINAKI ASMAHANI. E todo o povo vibrou.

  JINAKI ASMAHANI deu um pulo. Parecia que tinha visto uma cobra bem venenosa perto dela e que precisaria ser muito rápida.

- Pare! O que está fazendo?

- Se meu marido e meu filho conseguiram se perdoar entre si. E você conseguiu fazer meu marido sair daquele leito de atrofia. Eu sou eternamente grata. Eu te adoro.

  Novamente o povo se exalta.

  Mas JINAKI ASMAHANI. Abaixa-se coloca a mão no queixo e olha sua sogra bem nos olhos e diz pausadamente para que ela entenda tudo o que ela vai dizer em meio ao entusiasmo de todos da tribo.

- Eu não sou digna de adoração. Porque eu não sou deus. E sim. Foi um milagre que aconteceu aqui na tribo hoje. BABU e AKI se perdoarem e o rei AKI voltar a andar. E esse milagre quem fez foi o DEUS que a tribo estava cantando. A gratidão é para ELE e a adoração também é para ELE.

- Sim. Então a partir de hoje. Adoraremos ao DEUS de JINAKI ASMAHANI. Você concorda BABU? O que você acha AKI?

- Sim. É claro. ELE me curou.

- Com certeza. Tudo que vem de minha princesa. Do meu amor. Minha vida só pode ser boa. Bom não ótimo. Coisa dos deuses.

- Não é assim.

- É como então. É só nos dizer um nome. E colocaremos ali junto dos outros um altar para ELE também.

- Não é desse jeito. ELE é único. Não tem como eu explicar assim. Eu levei tempo para aprender. Aprender não... Para reconhecê-LO. E levarei tempo também para explicar sobre ELE a vocês.

  JINAKI ASMAHANI falou mesmo com toda aquela confusão e os que puderam ouvir, ouviram e pediu para ser levada para sua tenda. Ela ia passando cumprimentando a cada pessoa que ela reconhecia. Chegou ate a distribuir abraços aos mais íntimos. Ate conseguiu chegar a sua tenda. Para na porta ela ficou admirada.

- Está assim desde o dia em que soube que iria te busca. Essa tenda é nova. Construí com minhas próprias mãos. Desde a seleção das madeiras, das folhas que cobrem toda nossa cabana. Sente o cheiro JINAKI? Parece que acabei de colhê-las. Mesmo sem saber que o povo do Japão morava em casas forradas. Eu senti de forrar a nossa. Olha como ficou gostoso. Nossos filhos vão poder engatinhar sem se ferir. É a choupana mais linda de toda África. Não é a casa mais linda de todo o mundo. E será a mais feliz. Meu amor. Minha vida.

  JINAKI ASMAHANI chorou. Parecia que não lhe restava forças. Suas pernas estavam tremulas. Seu rosto estava branco e seus olhos arregalados como um japonês jamais conseguiria ficar. BABU a impediu que caísse ao chão. Segurou a fortemente em seus braços e a tomando no colo entrou em seu ninho de amor.

  Não teve quem não aplaudisse. Voltou à loucura total na aldeia. Tinha gente gritando, outros chorando, gente se abraçando outros chamando pelo nome de seus conjugues. Mas todos aplaudiram.

  As tendas não tinham portas. E já estava cheia de mais a tenda de BABU e JINAKI ASMAHANI. Mas BABU pediu que o povo se dedicasse para logo mais a noite. Ele prometeu que JINAKI ASMAHANI dançaria. E todos foram para os seus afazeres com mais alegria ainda.

   A família real almoçou naquele dia com seus parentes e amigos, enquanto a tribo estava empenhada com os preparativos para a festa que continuaria a noite ou sabe lá quando iria terminar.

Já era tardezinha. Quando JINAKI ASMAHANI fez um pedido ao seu marido:

- BABU. Peça que me levem para a choupana onde vivamos antes de tudo acontecer?

- Para que meu amor? Nem sei se aquela tenda ainda existe.

- Peça que jovens me acompanhem até. Quero ver como estar.

- Então vamos. Eu mesmo te levo.

- Não. Quero que umas cinco jovens e uns rapazes também. Acompanhem-me.

- Mas porque isso. JINAKI?

- Você tem que confiar em mim. BABU. Nada pode ser construído em cima do medo, insegurança ou desconfiança.

- Mas eu ainda estou traumatizado. E tenho medo de perder você de novo.

- Meu amor, minha vida. Eu estou aqui. Eu voltei para a África. Isso foi o mais difícil. Agora é só aproveitar por que o resto vai fácil. E eu quero fazer uma surpresa para você.

- Ah! Então é isso? Vou agora mesmo chamar as pessoas para te levarem até lá. Amor.

  Mesmo em meio a todo o tumulto que estava acontecendo na aldeia: a presença do rei BOMANI de BARUNDI, a recuperação do rei AKI e a reconciliação em família. O povo não deixou passar despercebido o jeito em que JINAKI ASMAHANI estava vestido. As mulheres tocavam no quimono, as crianças entravam por de baixo da roupa da princesa. Teve gente que até lambeu o tecido.

   Eles nem imaginavam o que JINAKI ASMAHANI teria em seu coração para apresentar durante a festa. A tal surpresa para seu esposo.

   As jovens que estavam com JINAKI na choupana onde ela escolheu para se arrumar, longe da aldeia. Lugar onde ela e BABU passam sua lua de mel.

  As horas estavam se passando e os lobos da floresta avisavam que a lua já estava bem aparente no céu. E nada de JINAKI ASMAHANI e as jovens voltarem.

- Vou lá.

- Não. Você não. E se você for vai se arrepender.

- Ela está demorando muito. Vai que aconteceu alguma coisa.

- Sim. Aconteceu algum japonês veio atrás de JINAKI que não pagou os biscoitinhos da sorte que ela comeu esses anos todos no Japão.

   E com essa brincadeira a rainha tentava descontrair BABU que já estava segurando a cabeça de tão nervoso. Todos estavam deslumbrantemente lindos. Toda a tribo de CANDACE estava impecável. Parecia que tudo estava perfeito, menos o atraso de JINAKI.

- Não vou esperar mais. Mamãe!

- Não vá meu filho.

- O deixe ir. Está muito ansioso.

  E foi BABU com alguns jovens guerreiros junto a ele pela densa e escura mata adentro. Mas foi por caminho diferente. JINAKI ASMAHANI pediu que um dos jovens que estava com ela fosse à frente e pedisse que começassem a musica, pois ela queria já chegar dançando. O jovem chegou a encontrar o grupo que acompanhava BABU, mas por não saber do que se tratava prossegui com seu objetivo.

  O céu da África é conhecido como o mais estrelado, mas o dessa noite estava descomunal.

  A musica começou e toda a tribo se acomodou esperando para ver o que JINAKI ASMAHANI estaria aprontando com aquele pessoal todo. Os músicos estavam muito empenhados parecia ate que tinham combinado e ensaiado tudo dias antes.

 - Olhem. Naquela direção. Luzes.

  Gritou a rainha e logo após sussurrou no ouvido do rei AKI. Tomará que seja BABU antes ou junto com JINAKI.

  Todos olharam na direção do clarão para onde a rainha apontava. A aldeia estava em completo silêncio, com exceção dos músicos que a partir desse momento sua dedicação foi maior.                      JINAKI ASMAHANI aparece.

   A jovem vai lentamente, como que se contasse os seus passos. Sues olhos percorria o rosto de cada pessoa. Parou diante do trono de seus sogros. Pediu um maior silêncio, dessa vez ate dos músicos.

  JINAKI ASMANAHI olha para seu pai que lhe retribui com um sorriso ela começa a cantarolar. E se movimenta como uma folha em uma árvore. Sem muito sair do lugar com gestos singelos e uma melodia muito suave. JINAKI ASMAHANI vai dando movimento a dança e dando alguns passos e rodopios ela vai dançando para seu povo uma das danças que ela viu e memorizou do Japão.

   Os olhos de todos nem piscavam eles que já tinha os seus olhos grandes agora estavam arregalados.

   JINAKI ASMAHANI estava com seu quimono e seu par de tamancos para a surpresa de todos. JINAKI ASMANAHI cantarolava e dizia:

- Eu fui para um país que me ensinou que tudo o que se acontece na vida tem que ser aproveitado por que tem um proposito. E que se eu hoje estou vestida assim é porque eu hoje sei o que é respeitar os outros, principalmente a mim mesma.  Mas eu sou quem sou e nunca deixarei de ser quem eu nasci para ser. Não me forjarei e nem me forçarei a ser quem agradaria a outros que eu fosse. Só procurarei ser melhor a cada dia. Não andarei com uma japonesa sendo eu uma africana. Para que você também não se veja influenciada a andar como uma estrangeira em seu próprio país em meio ao seu povo, seus parentes e familiares.  Mas eu andarei como eu tenho que andar e ser como:Princesa JINAKI ASMAHANI de CANDACE filha de BOMANI de BURUNDI casada com BABU filho do rei AKI de CANDACE. Princesa de CANDACE.”.

Nesse momento JINAKI ASMAHANI para  olha para os músicos e diz:


- Toque uma musica bem alegre. Uma musica africana.

  Ela abre seu quimono e deixa cair ao chão e começa a dançar como uma mulher Himbá. E toda a tribo fica olhando maravilhado. Foi à hora em que BABU chega à aldeia correndo.

JINAKI ASMAHANI não estava vestida mais com o quimono, mas também não estava nua. Seus cabelos estavam diferentes por causa dos produtos eu ela conservou em usar, produtos que as mulheres do Japão a ensinaram a usar. Mesmo que ainda parecesse uma africana JINAKI ASMAHANI estava muito diferente. Em seu cabelo não havia argila vermelha ao invés disso ele estava brilhando como nunca, ela colocou em um de seus braços e seu pescoço um colar que parecia com os mesmo que as mulheres NDEBELE usam que são consideradas as mais belas da África do Sul.  Em sua orelha JINAKI ASMAHANI colocou da tribo das guerreiras Hamer, brincos entalhados em madeira. Tirou seus tamancos depois da representação da coreografia japonesa e da história que contou.       E JINAKI ASMAHANI dançou representando a todas as mulheres do mundo inteiro. Nessa dança JINAKI estava expressando a liberdade que uma mulher deve de ter, seja ela branca ou negra. Seja ela plebeia ou da realeza. 

  E quando JINAKI ASMAANH viu seu esposo parado, ela se virou em direção a ele. E perguntou:

- BABU, filho do rei AKI, Príncipe de CANDACE. Na presença de seu pai rei AKI, eu JINAKI ASMAHANI te pergunto: Você me aceita como sua nova-velha esposa? Agora meio japonesa meio africana. Um pouco dócil e mais nem tanto selvagem. Uma senhora e uma cortesã. Sua esposa e uma guerreira. E futura mãe de seus filhos.

  BABU não respondeu nada. A tribo toda ficou em silêncio. O homem ficou congelado no lugar parecia morto.

Ate que seu pai grita do seu trono:

- Está errada JINAKI ASMAHANI. Não é desse jeito e nem do primeiro jeito que foi feito. Mas podemos acertar agora. Venha ate aqui BOMANI rei de BURUNDI. Você tem uma perna só mais está andando melhor do que eu que estava paralitico do pescoço para baixo. Venha. Embora eles já tenham consumado o acordo e o pano branco foi manchado d vermelho. Mas eles ainda não têm filhos. Vamos refazer somente para reforçar por que o que manda nesse trato é o amor dos dois.

Quando BOMANI rei de BURUNDI se aproximou o rei AKI falou:

- BOMANI rei de BURUNDI a sua filha é esposa de meu filho BABU você tem alguma objeção?

- Não. Rei AKI de CANDACE. O tempo em que fiquei com seu filho no navio e naquele país e aprendi a ama-lo. Eu já gostei dele desde o dia em que o conheci, quando foi a BURUNDI com sua mãe a rainha e tomou JINAKI ASMAHANI como sua princesa e esposa. Eu vinha sempre à costa de suas terras e espiava os dois e via que minha filha estava feliz. Não queria atrapalhar, nem me meter, então, por isso eu sempre vim escondido. E foi muito fácil espiar a sua terra. Eu BOMANI rei de BURUNDI não tenho nenhuma objeção com a união de JINAKI ASMAHANI e BABU.

- Então venha BABU. Responda a pergunta de sua esposa.

- Mas é claro que sim. Todos já sabiam o que eu iria dizer. Eu nem sei se JINAKI pergunta por que tem duvidas ou por que quer que eu declare em alta voz diante de todo o mundo. “Eu BABU príncipe de CANDACE sou o homem mais feliz desde o dia em que fui a BURUNDI para honra o acordo de meu pai rei AKI de CANDACE com o rei BOMANI de BURUNDI e trousse para casa como minha esposa e minha princesa JINAKI ASMAHANI que é o meu amor e minha vida. E com ela passarei os dias que me restarem felizes e com muitos filhos”.

  O rei AKI abaixo a cabeça como quem não acreditasse no finalzinho da declaração de seu filho.

  Com essa declaração a festa voltou a se animar todos aplaudiam e dançavam. BABU se aproximou de JINAKI ASMAHANI e a abraçou embalando-a de um lado para outro. Ate que JINAKI o empurra e vai dançando com o povo da aldeia.  E essa alegria foi por toda a noite.

   JINAKI ASMAHANI continuou a dançar e seu marido foi se sentar ao lado de seu pai e mãe, os rei de CANDACE. E chamou seu sogro para se juntar a eles. Mas antes de chamar seu sogro seu pai pediu que trouxesse JINAKI ate ele, pois já queria se retirar. O cansaço não o permitia ficar nem mais uma hora acordado. E quando JINAKI ASMAHANI chegou bem perto de seu sogro reclinando seu ouvido em sua boca para ouvir melhor, seu sogro lhe disse:

- JINAKI ASMAHAN. Peça a BABU para que aceite me suceder ainda estando eu vivo. Bem na verdade, voltar a andar foi muito bom. Mas sei que não durarei muito mais tempo. Eu fui um homem muito ruim. E por isso se recebi de você e de meu filho o perdão. Já é o bastante para minha vida toda. Eu pedi que ele assumisse o trono. Mas quando eu pedi isso era para ele não ir atrás de você. E como você pode ver ele não aceitou. Mas desde que eu fiquei entrevado CANDACE está sem rei, sem governante. E um povo não pode ficar assim. Então antes que eu vá para minha tenda, fale com ele e anunciaremos ainda essa noite.

- Claro. Meu rei. Falarei com meu esposo. E seja o que ele falar aceitaremos. Não é mesmo?

- Não JINAKI ASMAHANI. Eu não tenho outro filho homem. Nem tenho idade para fazer mais nenhum. BABU é o meu decimo e único. Por isso ele tem que aceitar. É destino dele.

- Meu sogro. Destino nenhum manda em BABU. Quem manda é DEUS e o desejo de seu coração. Por isso estou falando com o senhor. Se BABU quiser te suceder e for da vontade soberana de DEUS. Assim como ELE te fez andar, ELE pode te dar saúde para continuar a governar e ate de ter mais filhos. Olha para o senhor não está mais em uma esteira no fundo escuro de uma tenda com aquelas carpineiras esperando a sua morte chegar.

- JINAKI se preocupe em falar com BABU o que eu perguntei e não se intrometa com a sua opinião. BABU tem que ser rei de CANDACE queira você ou não. E você também tem que não somente aceita-lo como rei de CANDACE e se portar como uma das rainhas de CANDACE.

- Eu sei que não serei rainha enquanto sua esposa viver. E respeito muito isso.

- Mas eu não estou falando de minha esposa. Ela não poderá dar filhos a BABU. Estou falando de outros acordos. Com outras tribos. A África é muito grande e quanto mais aliados melhor. Você ouviu seu pai dizer que espionava as nossas terras com facilidade.

- Não. Vai ser necessário, BABU se casar com outras princesas. Nós tomaremos contar melhor daquilo que nos pertence. E eu darei muitos filhos a BABU.

- Você é muito linda JINAKI ASMAHANI, mas é amaldiçoada. Não sei como ainda vive. Deve ser amaldiçoada, mas resistente ou persistente. Vocês ficaram juntos por mais de um anos e não fizeram filho nenhum. O que mudou?

    A noite ainda não tinha acaba. A festa estava linda em tudo, além do que JINAKI ASMAHANI imaginara em todo o tempo em que passou no Japão.

    Além de todas as assolações que a nossa jovem passou ainda teve seus conflitos, seus monstros interiores: OS POR QUES?

“Por que não engravidei?

Por que BABU não fez nada para que eu ficasse com ele?

Por que o rei AKI me via como uma afronta para ele?

Por que eu estou aqui?

Por que tudo isso está me acontecendo?”.

  E mais uma vez JINAKI ASMAHANI tem a oportunidade de responder os “por quês” que a aterrorizava Começando no próprio Japão e deu continuidade quando chegou a seu país com a sua mudança não era somente exterior. Mas ainda era o primeiro dia.

- Meu rei AKI, meu sogro. Está diante do senhor a mulher que o senhor sempre quis para seu único filho e seu sucessor. A mulher que DEUS forjou em outro país, mas sendo a mesma pessoa. E que o próprio DEUS vai dar testemunho de mim. Assim como ELE deu testemunho de JÓ.

  E JINAKI ASMAHANI foi ate o seu esposo e falou ao seu ouvido o que importava que ele soubesse da conversa que ela teve com o seu pai. BABU se levantou foi até o pai, se ajoelhou e aceitou o pedido do monarca.

  O rei AKI pediu silêncio e toda a tribo obedeceu a seu rei.

  E com os devidos rituais simbólicos foi feita a substituição do rei AKI pelo BABU o mais novo rei de CANDACE. Que passou a ter as honrarias e o louvor de seu povo.

  O rei AKI ainda teve que dar os méritos merecidos a esposa de BABU que mesmo com a rainha ainda em seu posto. Ela também passou a sentasse junto a seu marido no trono de CANDACE.

  E com isso o rei AKI se despediu de seu cargo monárquico de CANDACE e foi levado para sua tenda na companhia de sua esposa anda rainha de CANDACE.

  O povo não parou de festejar. À tarde quando foi JINAKI ASMAHANI para a choupana no meio do mato onde passara à lua de mel a intenção não era apenas de se vestir maravilhosamente e vir preparada para apresentar uma bela dança.

  Ela arrumou tudo na choupada. Limpou, decorou com flores e frutos. E pediu ao seu marido, agora rei da CANDACE que a acompanhasse por que dormir com a celebração toda iria ser impossível ate mesmo por que o sol já estava aparente e com todo o seu esplendor.

 Os dois não deixaram que ninguém os acompanhasse ate o ninho de amor e ainda foi proibido que os incomodasse.

 Mas não foi bem o que aconteceu. Quando o sol passou do meio dia.  

 







 

 

 

 

 




 18º capítulo

SURREAL

Onde foi sonho e onde foi realidade.
















No rosto de JINAKI ASMAHANI não dava para decifrar se ela estava acreditando que estava vivendo um sonho ou se tinha acordado de um pesadelo. Por muito tempo ela ficava olhando para seu marido e em tudo que possível ela colocava a mão ia tocando só para confirmar se realimente estar ali e se é de verdade mesmo.

O sol não quis esperar ninguém querer dormir  ele foi logo dando o ar da sua graça parecia que também estava com saudades de JINAKI ASMAHANI.

BABU chegava fazer umas dancinhas de tanta felicidade. Nem na sua lua de mel ele estava tão empolgado. Bem na verdade ele estava era muito nervoso pois era sua primeira vez.

Mas ele acabou sem querer estragando a surpresa de JINAKI. Ele acabou vendo o que ela fez com a cabana que estava toda abandonada.

E mesmo assim ele pede sua esposa que espere por alguns instantes. Que era só para ele coloca-la em seus braços e leva-la para dentro do ninho de amor.

Enquanto isso na aldeia a festa não teve pausa. Mas para o pai de JINAKI o rei BOMANI que também estava longe de casa por muito tempo a saudade e satisfação de trabalho pronto fez com que ele quisesse voltar para BURUNDI.

O responsável pela aldeia o pediu para que ficasse. E obedecendo ordens de BABU mandou que guerreiros o acompanhasse até a sua tenda, principalmente por que o rei de BURUNDI tinha bebido um pouco de mais da conta.

Mesmo sem ele querer dois dos melhores guerreiros de CANDACE foi com o rei BOMANI pela floresta na intensão de chegar em BARUNDI bem cedo. 

Pelo caminho s três foram emboscado pela tribo de pigmeus.  O fracasso foi fatal para os três. Mesmo com os melhores guerreiros não tiveram nem tempo para tentarem se defender. Esse é um dos povos mais desprezíveis da África. Eles vivem completamente isolados sem socialização com nenhum outro grupo. Principalmente por que eles comem de tudo. Até seres humanos como eles.

JINAKI ASMAHANI estava com seu esposo vivendo o seu tão sonhado dia do retorno. o dia em que estaria nos braços de seu amado esposo, em seu país com o seu povo e principalmente: "livre para fazer o que quisesse". Ela estava feliz de novo, algo que parecia impossível. Ela poderia ser ela mesma. Mas sem deixa o que de melhor ela aprendera.

JINAKI ASMAHANI estava sem argila em seu corpo, por que esse processo é demorado, leva quase um dia inteiro. Então ela estava apenas com o banho de defumador para espantar os insetos e deixar um cheirinho bom no corpo. Na volta para a África no navio, ela arrumava um jeito de tomar seu banho diariamente. Então ela olhou para seu pés e viu que estavam cheios de barro e sua rede estava tão limpinha que ela chamou BABU para irem tomar um banho de cachoeira antes de dormir.

E com isso as horas se passaram ate que o casal foi a cachoeira tomaram banho e voltaram novamente para a tenda se era mais do meio dia.

E quando eles chegaram em sua choupana estava cheio de gente esperando por eles.

- Mas o que aconteceu? Eu já não tinha falado que não queria ver ninguém. O que foi que fez com que quase toda a tribo me desobedecesse? Aconteceu alguma coisa com meu pai?

- Com seu pai não. Rei BABU.

- O que foi, então?

JINAKI ASMAHANI não quis saber o que estava acontecendo, foi logo entrando para dentro da tenda. Esse era o jeito dela. Rei era só seu marido. Ela era princesa. Mas dava para ver que JINAKI ASMAHANI não era mais a mesma que saiu da África para aquelas terras desconhecida. Ela agora também era desconhecida de seu povo. Ainda usa tecido sobre quase seu corpo todo. E a sua pela estava sempre na cor natural. Mesmo que olhando para todas as coisas como se fosse a primeira vez que visse. Ela não olhava ninguém nos olhos quando falava, seu olhar estava para baixo como as mulheres do país de onde ela veio.

Quando BABU entrou na tenda ela estava de joelhos e olhos fechado.

- JINAKI.

- Xiiii.

BABU ficou parado olhando sem entender o que estava acontecendo com sua esposa. Mas a sua voz estava tremula e seus olhos marinados. Ele que estava em pé na porta da tenda foi ao encontro de sua esposa que ainda estava ajoelhada. Ele se ajoelhou também e falou novamente o nome de sua mulher. Que colocou o dedo indicador nos lábios de seu marido e fez de novo:

- Xiiii.

- JINAKI eu não sei se você ouviu o que me disseram. Mas fala comigo.

Ela continuou sem falar nada e nem abriu os olhos.

- Por favor. Meu amor. Minha vida. Não fique assim. Você não é assim.  

- Meu DEUS. Como é difícil orar com você impaciente desse jeito! Vai se acostumando. Você vai ter que sempre esperar eu terminar de falar com meu DEUS. E se isso te incomoda o melhor a fazer é conhece-LO e passar a orar junto comigo para não ter brigas.  

- Você não está sabendo o que aconteceu, não é? Por isso você está agindo assim, Não é?

- O que aconteceu?


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 A MORTE

Sua ultima inimiga e sua sombra.

 


 JINAKI ASMANAHI não conheceu sua mãe e nunca saberá como era sua aparência verdadeiramente. O que ela tem de sua mãe é o gênio e a dança. Agora mas do que nunca a sua dança pareceria com a dança de sua mãe, por quê a sua dança deixou de seu para morte e passou a ser uma dança que comemora a alegria, a vida.

E a morte de sua mãe fez com que seu pai se dedicasse na sua criação. JINAKI  quando criança nunca podia cair ou se quer ficar doente. Onde sue pai estava ele queria que ela estivesse junto. Não confiava JINAKI a ninguém. Nem a seus avós. Quando ela teve tamanho para segurar uma catana o próprio rei a ensinou a lutar. Mas ele com uma perna só e JINAKI ASMAHANI cada dia que passava se aperfeiçoava mais e mais. O rei BOMANI se viu obrigado a pedir que um de seu guerreiro adestrasse a jovem e torna-la em uma arma marcial. 

O rei BOMANI sempre dizia para JINAKI ASMAHANI que ela nunca poderia ser reprovada. Ela teria que ser a melhor em tudo. Ninguém poderia sentir pena dela por não ter a sua mãe por perto. Ela foi criada para ser alto-suficiente em tudo.

E em tudo JINAKI ASMAHANI correspondeu ao seu pai que tinha muito orgulho de sua filha. Quando ele soube que antes de ir para o Japão tinha deixado um guerreiro morto. Ele falou com BABU:

- Vamos esperar. JINAKI ASMAHANI arrumará uma maneira de voltar para casa.

BABU tinha quase matado o pai por causa do que ele fez com sua esposa.  entrou no meio da mata e foi parar em BURUNDI. Chegando lá s colocou de joelhos e implorou o perdão ao seu sogro por ter falhado como marido. Ele não protegeu JINAKI e não sabia coo fazer para busca-la. 

O rei BOMANI disse para BABU que ele ficasse e esperasse por JINAKI. Ela voltaria. E se fosse para CANDACE e soubesse que BABU estava em BURUNDI iria para lá.

- Vamos esperar. Se JINAKI quiser ela vai voltar . Eu criei a minha filha para não depender de ninguém. Principalmente de mim que sou um invalido.

Até que um dia parece um jovem de CANDACE e avisou que um navio com homens parecidos com os que levaram JINAKI estaria atracado na baia de CANDACE e JINAKI ASMAHANI não estava nele.

BABU se desesperou. Saiu correndo e foi ao encontro daqueles homens na praia. interrogando de um a um até chegar ao capitão. E esse era um dos poucos mareantes que sabiam falar de maneira que desce para o aflito BABU entender.

Quando o rei BOMANI chegou em CANDACE, ele olhou para BABU que estava de cabeça baixa e tocando em seu ombro disse:

- JINAKI ASMAHANI está morta ou não quis voltar?

- Nem um nem o outro, meu sogro. Minha esposa é cativa no Japão do jeito que meu pai pediu e pagou para que ela viesse a ser.

- BABU. Escuta o que eu estou a dizer. JINAKI ASMAHANI está morta ou não quis voltar. Minha filha se quisesse voltar ela teria achado uma maneira. Ela já teria aqui.

- Então. Ela não me perdoa. Ela não me ama mais. Por isso não quer mais voltar. Meu pai tinha razão. O país lá é tão bom que ela que sempre soube escolher. Escolheu fica de vez e não voltar mais.

- Não a minha filha. Ela honra os seus compromissos e estar casada com você é um deles e nunca me deixar descer a sepultura com os olhos abertos e ser a ultima pessoa que eu veria e o ultimo gole de água seria ela que colocaria em minha boca. Fizemos esse voto antes de vocês se casarem. Pensei que ela te amando do jeito que ama esqueceria. mas enquanto ela estava em CANDACE ela sempre ia a BARUNDI me ver e me dava água e lembrava do nosso voto. Estranhei quando ela demorou a aparecer e quando pensei em procurar saber o que estava acontecendo você veio e me contou.

- Naquela noite quando cheguei com a caça na aldeia. Vi todos me olhando estranho. Minha mãe veio ao meus pés implorando que tivesse calma. Olhei para o horizonte e o navio ia sumindo já bem longe. Não sei como minha voz conseguiu sair e minha mãe entender o que eu dizia e eu perguntava: 

- Onde está minha mulher?

- Meu filho. Seu pai a deportou.

- Onde está JINAKI? Minha mãe.

- Está naquele navio.

BABU enlouqueceu e como um leão partiu para a tenda de seu pai. E assim como JINAKI antes de ser expulsa ele lutou com os guerreiros de seu pai, o rei. E com um golpe apenas ele deixou o rei, seu pai, entrevado em uma cama. Isso até JINAKI voltar. Ela falou com o DEUS que ela conheceu no Japão e milagrosamente ele voltou a andar com isso e mais a reconciliação de BABU e seu pai e o pedido de perdão de JINAKI e seu sogro fez da festa de retorno dela junto com seu marido e seu pai ser completa.

JINAKI ASMAHANI estava vivendo a sua realidade por que pesadelo ela viveu naquelas terras estrangeiras. Aqui seu berço ela estava em casa. Então nada de ruim poderia acontecer.

Mas com a ração de BABU e daquelas pessoas que estava em pé diante deles, ela sentiu como se estivesse num daqueles dia de inverno do Japão onde a noite era eterna e o sol tinha medo de aparecer. Pela primeira vez BABU via no rosto de JINAKI ASMAHANI a expressão de medo. No mesmo instante em que perguntou ela se encolheu seus ombros, seguro forte uma mão com a outra e olhou para o chão como as indefesas mulheres japonesa. 

- JINAKI. BOMANI foi morto. Pelo povo pigmeu.

E quando BABU deu essa noticia para JINAKI os homens que estava presente nesse momento se alvoraçaram e pediu justiça pelo monarca morto. Eles queria sangue por sangue.

BABU tentou acalma-los dizendo que resolveria no dia seguinte. Que agora o que ele teria mesmo que fazer era consolar a sua esposa.

- Mas, BABU, tenho certeza que JINAKI ASMAHANI também vai querer vingar ao seu pai. 

Falou AZIZA uma das mulheres que sempre acompanhou JINAKI para todos os lugares desde que casou, era uma dama de companhia, essa moça dizia que morreria por JINAKI e tentou fazer isso quando ela foi levada embora. Ela e lançou no mar atrás da embarcação.

Foi quando quase se afogou um dos guerreiros a salvou e hoje é seu esposo.

- Não. Eu não sou mais assim. Não eu não vou agir segundo o meu coração só por que eu amava meu pai. Agora eu sei que existe ALGUÉM que o ama mais do que eu. Deixou que ele cuidasse de mim e ate fosse no Japão me buscar. Mas agora que eu conheço esse ALGUÉM, meu pai pode descansar em paz.

- Descansar? Eu não estou te entendendo. Ele morreu. E uma morte bárbara. Ele foi comido por outros homens, nem por animais selvagens foi, foi por gente como a gente. Eles esquartejaram o seu pai, vivo ou morto e depois o comeram.

JINAKI ASMAHANI repetiu o que mais fazia no Japão nos seus momentos de tristeza. Ela se jogou no chão e chorou.

- Eu sei. Eu também imagino isso. Mas eu também sei que nem nesse momento horrível. DEUS não se esqueceu ou abandonou meu pai. Não importa como tenha sido a maneira em que a morte chegou ate meu pai o importante era que ele já tinha conhecimento do verdadeiro DEUS e que ele está com ELE agora. E voltarmos a nos encontrar. BABU ne leve para BARUNDI quero velar o meu pai com o seu povo e se você permitir que em CANDACE também tenha a reverencia que meu pai merece.

Na mesma hora BABU voltou com JINAKI para a aldeia e comunicou ao seu pai que concordou com o pedido de JINAKI. Os dois foram para BARUND. O pai e a mãe de BABU também foram, assim como muitos da tribo do rei BABU.

Ao chegarem em BARUNDI já era de tardezinha e como o povo já sabia o acontecido estavam esperando por JINAKI.

- GARAI, Meu tio. O senhor que sempre ajudou muito ao meu pai em todos os momentos de sua vida. Te peço mais essa ajuda. Por favor não derrame sangue pelo fato ocorrido. Não mate a ninguém que tenha participado da morte de meu pai. Eu matei um homem e sei muito bem o peso de se tirar uma vida. Governe esse povo como um bom rei e na noite de hoje a festa seja a mais linda e dançarei como nunca.













 

 

 A DANÇA

A luta continua só muda os passos.


 

 

 

 A noite chegou em BURINDI diferente da noite que passou em CADANCE. Ate a festa era inaudita. Não era o primeiro luto na aldeia de BARUNDI. Mas dessa vez o povo estava calado, não havia canto, nem o som oco dos troncos tocados pelos músicos.

Mas novamente não faltou ninguém, nem criança nem velhos. Ate o momento em que JINAKI ASMAHANI se coloca no centro da aldeia.


Ela estava vestida com seu quimono. E usa um coque em seu cabelo e ate os tamancos ela colocou.

Olhou para os músicos e tentou fazer um passo de dança. Mas talvez tenha se desiquilibrado ou mais uma vez se lançou ao chão e o choro não lhe deixou levantar.

BABU ia ao seu encontro, mas foi detido  pelo tio de JINAKI.

Ate que a jovem dá um grito e se levanta rascando a roupa e nua dança no meio de seu povo, no meio de sua aldeia.

Algo muito extraordinário acontece: um vento forte parecendo um redemoinho levanta a poeira no meio da aldeia e raios aparecem no céu. 

Com o vento veio a chuva, a jovem cai ao chão se deixando ser molhada, segurando o barro
que se formava na palma de sua mão e ela passa por todo o corpo.

JINAKI ASMAHANI continua dançando. E as pessoas começam a correr para suas tendas. 

E o tio de JINAKI solta BABU e vai ate ela:

- É assim que você é. Você e nunca será como nenhuma daquelas mulheres que você viu lá de onde você veio. Por que iguais aquelas existem muitas, mas igual a você só existe uma que é a princesa de CANDACE, esposa de BABU rei de CANDACE, filha de BOMANI e agora rainha de BARUNDI.

 O tio e  BABU  levantam JINAKI levando-a para dentro da tenda maior onde todos estavam reunidos. Acenderam um fogueira bem no centro na direção de um ponto mais alto da tenda onde havia uma abertura e um segundo telhado era um liberador de fumaça e qualquer outros tipo cheiros e deixava a luz.

Na África o calor era intenso de sete a oito meses por dia e quando vinha a época das chuvas era bem intensas também a sorte é que há muitos rio que secam durante o verão e sempre é o suficiente para que eles sejam cheios novamente. Mas é necessário um bom abrigo por que as chuvas são constantes e muito pesadas. O clima que a noite esfria normalmente, nos dias de chuva são gelados também.

A s tribos constroem essa enormes tendas com esses exaustores e ate janelas para abrigarem a maioria da população da tribo.

Quando JINAKI entrou amparada por seu esposo e tio, sua amiga foi ao seu encontro e as demais mulheres da tribo as acompanharam. Levaram JINAKI para uma parte da tenda e começaram um tratamento.

Primeiro deram um banho de fumaça por várias horas, com a ajuda da chuva o que não faltava era argila mole para cobrir o corpo e os cabelos. Enrolaram um tecido na cintura de JINAKI e colocaram os cordões e brincos com uma verdadeira mulher africana.

- Você não é branca. Você tem a pele vermelha por causa da argila, mas você é negra e cheira como a floresta por onde você passa e a mata te abraça. Você é de BURUNDI de nascença e de CANDACE por matrimonio. Você é nossa rainha por herança e nossa princesa de CANADACE. Não precisa ser outra, muito menos melhor do que já é e nós, o seu povo, não queremos que seja de outra maneira.

- Mas quem escolhe sou.

Falou JINAKI ASMAHANI ainda de cabeça baixa deixando se ser modelada pelas mulheres de sua tribo.

- Mas você tem razão. Minha amiga AZIZA. Uma vez me forçaram a fazer coisas que eu não queria fazer. E acabou que tudo o que fiz me ensinou a ser quem sou hoje. Me forçaram a fazer coisas ruins que eu pensava ser a única solução e ate a minha salvação, me forçaram a fazer coisas boas que eu  não conhecia e nem imaginava o quanto seria bom para mim. Eu sei que a África te ensina a ser decidido e autossuficiente.  Mas olhando para além de nossas aldeias, de nossos povos existe um mundo muito maior do que imaginamos.

Nesse momento todos na tenda se calaram para ouvir o que JIANKI ASMAHANI estava a falar:

- Isso que aconteceu com meu pai e com os de mais guerreiros. Não é para acontecer. Somos tribos de poucas pessoas e tribos separadas por motivos se o menor sentido. Se não houver casamento não nos unimos, nem tão pouco nos ajudamos. Brigamos por coisas que não fomos nós que os fizemos e nos achamos "dono". Não fomos nós quem fizemos a mata, cachoeira, os rios, o imenso mar, nem nenhuma das criaturas que habitam em todos esses lugares.  Mas chegamos a tirar vida por essas coisas que tem UM dono realmente. Eu tirei a vida de um homem. Tiraram a vida de meu pai e de quatro homens. Isso não é certo. Não é para ser desse jeito. Mas enquanto pensarmos que somos mais autossuficiente e decididos do que os outros e superiores a qualquer um não seremos melhores nem diferentes daqueles da tribo que comeram o meu pai e seus guerreiros.

BABU que estava parado olhando para sua mulher dá um passo a frente e pergunta:

- Então o que fazer para sermos diferentes?

 O costume das duas tribos de JINAKI ASMAHANI era quando houvesse um velório durante um tempo determinado o povo se reuniria e falariam sobre o morto. Tirariam um tempo para chorar, sorrir, comer, cantar. Aquele período determinado seria para a dedicação ao morto.

Dariam banho no corpo do defunto, separariam o prato de comido para o morto todas as vezes que os participantes do velório fossem comer e no final quem quisesse ser enterrado com o morto poderia. Isso era uma das coisas que pouco aconteciam e criança não tinha esse direito de escolha; mas quem nem quisesse ir ao velório também poderia não ir. Assim como pegar algo que tivesse no poder do morto e pertencesse a outro. Também o cônjuge escolher outro parceiro no velório mesmo ou voltar para tenda dos parentes abandonado a antiga e muito mais coisas que era resolvidas no velório.

- Uma das coisas que eu aprendi com meu pai era que devemos lutar pelo que queremos. Meu pai chegou a perder uma parte de seu corpo e não se desprestigiou em nada. Ele andava lado a lado com sua dificuldade. E quando eu apresentei a ele o DEUS que eu conheci. Eu vi um homem que era independente reconhecer que somos como grão de areia da praia, como pó. Pequeninos. E a sua vida mostrou isso que quando ele foi mordido e ficou lutando para não morrer, recorremos a tudo o que conhecíamos, pedimos a todas as entidades que houvesse no céu e no inferno. O próprio XAMÃ declarou não haver mais nada a fazer a não ser preparar a festa do velório. E olha quanto tempo se passaram. Todos nós sabemos que minha mãe subiu a montanha onde temos o costume de dizer que de lá dá para tocar o céu. E de lá ela orou. Do mesmo modo que eu orei para que meu sogro voltasse a andar. Quando ela voltou para choupana ela pediu ao XAMÃ que fosse embora. Quem ficou lá com a minha mãe sabe que ela limpou todas as oferendas e obrigações que ela tinha arriado. Ela falava com o único e verdadeiro DEUS. Ela tinha tanta convicção que ELE seria o único a mudar a situação se ELE quisesse, que ela quando desceu promoveu uma festa onde todos pensavam que meu pai chegaria carregado já sem vida e foi uma grande surpresa vê-lo entrar caminhando embora não fosse com as duas pernas mas por conta própria.  Não foram todas as pessoas com quem eu falei que conheciam o DEUS que hoje eu conheço. A maioria deles também conheciam a muitos pseudo deuses e filósofos. Homens que se destacaram por sua beleza, força, inteligência, riqueza, titulo  ou qualquer coisa assim foram intitulados deuses a si próprios o outros os exaltaram a tal. Sua imagens foram registradas em pintura ou estatuetas ou ate mesmo inventadas. Tem os animais que e ate que nunca existiram rotulados como deuses e isso para homens também. Mas sendo que para criar tudo o que vemos e somos só precisou de um único e verdadeiro DEUS.

- E quem ele é?

Perguntou o rei AKI que se juntou a tribo BURUNDI com sua esposa e alguns de CANDACE.

- Qual o nome dele? Qual a sua especialidade? Como ele é? Como Saber se ele é deus de verdade? E por que os outros não são.

- A quantos deuses o senhor pediu para voltar a andar?

- A todos os que eu conheço.

- E quando eu cheguei o senhor ainda não tinha andado. Foi da vontade desse DEUS de quem falo que o senhor voltasse a andar.

E nesse momento todos os que estavam na grande tenda se manifestaram com aplausos, com assobios e confirmações.

- O nome dELE é DEUS.

- O que? Que falta de imaginação, de criatividade.

- Sim, você falou tudo meu tio. Todas as coisas os nomes foram imaginados pelo homem. e com isso o homem se achou tão importante que pensou que poderia também imaginar um deus. E por isso saiu o homem a imaginar que tudo e qualquer coisa poderia ser deus. A sua especialidade é fazer tudo perfeito. Podemos reparar na própria natureza que há um equilíbrio, uma harmonia e que tudo contribui para a subsistência ate os dias de hoje. 

- Como você conheceu ELE?

- Eu já te falei. BABU. Voltando do mosteiro que meu sogro pagou aqueles homens para que me levasse. Mosteiro esse que eu só passei uma noite e de lá eu não aprendi nada. Foi um lugar interessante. Mas muito frio e as pessoas pareciam de gelo. Todas faziam as mesmas coisas juntos e sempre em silêncio. Eles se trancavam olhando  para dentro de si próprios e se isolavam de tudo e todos. Voltando de lá paramos eu e o policial FUYUKI que me acompanhava em uma fazenda. A dona dela se chamava HANA e quando ela me viu não foi como os de mais moradores do Japão. Essa mulher falou:Kami wa shōsan sa remasu. Que quer dizer " DEUS seja louvado.". HANA me apresentou a esse DEUS e eu tive o contato verdadeiro com ELE quando...


  

  


 





 

 

 

 

 

 

 

 20º capítulo

O SOL VOLTOU A BRILHAR

 





JINAKI ASMAHANI não era mais como antes, diferente em toda sua maneira de agir, surpreendentemente outra pessoas. Mesmo vendo que toda a aldeia se alvoraçava e que seu tio e marido não paravam de gritar que até os seus sogros já estava do lado de fora da tenda. JINAKI ASMAHANI continuava sentada sobre as pernas de joelhos, uma hora olhava para fora da tenda outra hora olhava para o chão.

BABU entra correndo e ajoelha até JINAKI e lhe chama para ver o que estava acontecendo no meio do arraial. Ele segurava forte em seus braços e a sacudia com eloquência, chegando ate a baba do tamanho que era o seu descontrole.

- Calma. BABU. Você é rei de CANDACE tem que manter a postura.

- Não agora meu amor. Não diante do que está lá fora.

- então deixe me ir ver o que está acontecendo.

JINAKI se soltou das mãos de seu esposo e foi ate um canto da tenda onde de uns panos ela se vestiu como se fossem quimono. Só aí ela foi para o lado de fora da tenda.

O povo fez uma círculo e todos parados olhavam em silêncio para o centro do círculo, chegava ser difícil até para a própria JINAKI se aproximar. BABU que saiu da tenda após JINAKI a acompanhava e quando chegaram bem perto da multidão com sua forte voz pediu ao povo que recuassem e deixassem JINKI ASMAHANI passar.

O povo abriu caminho e JINAKI pode ver seu tio aos planto abraçado com o corpo de seu irmão, mas ainda vivo.

De onde JINAKI ASMAHANI estava ali mesmo ela caiu de joelhos e orou ao DEUS que ela tinha conhecido no Japão.

Enquanto JINAKI ASMAHANI de joelho orava e sua voz ia aumentando conforme o tempo passava. Ela se levantou e foi ao encontro do tio e do pai que estavam no meio da aldeia. Até que alguém vai a seu encontro e se jogando ao seus pés impede de prosseguir.

Era o XAMÃ de BURUNDI agarrado aos pés de JINAKI ele falava varias coisas ao mesmo tempo que não dava nem para entendeu uma palavra sequer. O XAMÃ acaba derrubando JINAKI ao chão. Ela com um movimento rápido consegue se desvencilhar do homem que lhe agarrava os pés e firmada sobre as duas pernas  curvadas e as duas palmas das mãos no chão JINAKI ASMAHANI ficou em posição de ataque e todos ficaram acompanhando admirados pois JINAKI ASMAHANI ainda vestia o quimono que se rasgara nas pernas deixando os joelhos a mostra como o movimento brusco que ela fez. 

O XAMÃ estava infeliz se sentia inútil  uma vez que a sua rainha agora tinha poderes comparados com os dele. E que ele não previu nada do que estava acontecendo e muito menos sabia o que fazer com a situação que estavam vivendo. Ele só quis desesperadamente  se desculpar perante sua rainha e piorando a situação ele acabara de joga-la ao chão.

- Eu sabia que rei BOMANI de BURUNDI não tinha morrido, embora, todos estivesse reunido aqui por uma noite inteira como que se em um velório que não tinha cara de velório. Ninguém estava chorando o morto. Do morto quase que não se era falado. Por mais que o seu corpo não estivesse entre nós, mas não ficou nada tratado das coisas e famílias do morto. Em eu vi que o rei BOMANI não estava morto.

- Então por que me atacou?

- Eu não quis te ferir minha rainha-princesa. Eu só queria te pedir que me perdoasse. Por ter falhado como seu guia, seu XAMÃ.

- Você não falho. Hoje não. Você só não me falou a verdade quando eu era pequena. Você errou quando me ensinou outro caminho que não era o caminho da verdade. Mas desde que voltei você fez muito bem em ficar calado e somente ouvindo a verdade.

JINAKI ASMAHANI foi levantada por seu marido e pelos guerreiro que partiram em direção do XAMÃ,  mas já estava tudo calmo. BABU levou JINAKI ate seu pai. Ajoelhando-se próximo a ele, ela disse:

- Pai, você chegou em casa. pai você está em sua casa. Papai você conseguiu voltar.

BOMANI abre os olhos e vê a sua filha olhando para ele e choraram os dois juntos.

O rei AKI nesse momento repreende o povo que começaram a chorar.

- Parem com isso. Disse o rei. O rei BOMANI  está vivo, então não temos motivos para chorar. Levem-no para dentro da sua choupana e cuidem dele enquanto festejaremos mais uma chance que esse homem teve de vida. Não iremos desperdiçar a comida que era para o velório por que ele está vivo.

Enquanto o rei AKI falava quatro mulheres, sem contar as crianças se aproximam do rei e ainda chorando pergunta:

- E os nossos maridos e pais? Que estavam acompanhado o rei BOMANI para o retorno para cá. Onde eles estão? Também estão vivos?

- Não sei. Pergunte a JINAKI ela é que é a sua rainha-princesa e XAMÃ agora. Vá até ela e pergunte.

Aquelas pessoas se dirigiram a JINAKI ASMAHANI que estava dentro da tenda de seu pai cuidando dele. todas elas se ajoelharam perante JINAKI que se ajoelhou junto com elas. E perguntaram por seus maridos em pranto.

JIANKI ASMAHANI ficou calada de joelho junto aquelas mulheres e crianças. 

Lembrou da família que ela deixara órfã. E fechando os olhos bem forte ela falou com DEUS em favor daquelas pessoas, acabando de orar disse para elas:

- Eu não sei ainda o que de verdade aconteceu. Meu pai está aqui de volta, DEUS sabe o quanto eu queria isso. Mas confesso que não pedi nada à ELE. E meu pai ainda não disse nada. Vamos esperar ele melhorar um pouco e perguntaremos.

- Não esperaremos. Mandaremos que guerreiros venham vasculhar toda a florestas, os vários caminhos que ele poderiam ter percorrido para chegar até aqui. E só sossegaremos quando soubermos de alguma coisa. E eu quero saber quem falou que eles tinha sidos comidos. Quero que me tragam aqui que espalhou isso.

Falou BABU saindo de dentro da tenda onde colocaram o seu sogro.

- Fiquem aqui comigo. Lá fora o povo estará festejando, mas vocês podem estar aqui e juntos pediremos a DEUS que conceda o desejo de vossos corações e ELE vos concederá. 

- Peça você, minha rainha. Você não é a nossa rainha-princesa XAMÃ?

- Não. Não sou rainha. Meu pai está vivo. Não sou XAMÃ. Pois eu creio no DEUS VIVO. Por que só os vivos podem fazer alguma coisa boa. Quem está morto não pode fazer nada.

- Mas você está viva e fez seu sogro andar e agora deu vida ao seu pai de novo. E disse que foi você quem deu vida ao seu pai por isso você nasceu.

- Não é nada disso. Isso não é verdade.

- É sim. Foi seu sogro quem disse e você também.

- Eu não falei isso. Pare. Você não entendeu nada.

- Traz o meu marido de volta. Dá vida a ele como você fez com seu pai. Diga a ele para vir ate nós.

- Pare de dizer isso. Você está louca. Você é muito burra e não entende nada do que eu falo.

- Não foi só eu que entendi assim. O povo todo viu que você curou seu sogro. O XAMÃ disse que agora ele era inútil agora que você tem todo esse poder. É por isso que você se veste desse jeito e foi para longe. Foi para voltar e ser a nossa deusa assim como o seu pai que duas vezes morreu e voltou. Seu pai é mais forte que a morte.

- Para. eu estou te mandando cala, mulher. e sei que não é de ti mesma que falas. Mas tentas confundir a mente de todos que te escutas. Mas assim como eu conheço a voz do DEUS verdadeiro. Agora também sei quando eu o Mentiroso que fala. Assim como aprendi a falar com DEUS. Também aprendi repreende o inimigo. 

JINAKI ASMAHANI se aproximou da mulher que falava com ousadia e lhe impôs as mãos sobre a cabeça e ordenou:

- Todo espirito mentiroso que achou lugar nesse coração ferido ouça a minha voz que te ordena que saía dessa mente agora. Deixe essa mulher em paz. Não te dou permissão para que fale através dela e de ninguém aqui nessa aldeia. Vá para bem longe de BURUNDI e CANDACE. E serva do DEUS VIVO te ordeno vá embora.

Para espanto de todos a mulher se sacudia enquanto JINAKI ASMAHANI fala e quando ela parou a mulher caiu ao chão. Perguntando o que havia acontecido. Todos olhavam assustados para a JINAKI e se aproximavam ainda amedrontados da mulher. E JINAKI disse:

- Vocês viram o que aconteceu aqui? Vocês viram o que aconteceu com essa mulher foi por causa da ... 

Enquanto JINAKI ASMAHANI falava a chuva sessou e o sol apareceu rompendo as nuvens.

 














 A REVOLTA DA INCOMPREENÇÃO


Dentro da tenda onde estava o rei BOMANI o povo estava todos prestando a atenção no que acontecia em volta de JINAKI ASMAHANI e esqueceram do rei.

JINAKI ASMAHNAI ainda com as mãos sobre a cabeça da jovem que olhava para JINAKI com os olhos arregalados mas estava como que se hipnotizada por tudo o que JINAKI falava. E as demais pessoas que estava naquele lugar começaram a gritar e se sacudiam como que um frenesi coletivo e falando o nome de JINAKI se balançava e jogavam-se ao chão.

Até que JINAKI novamente fala em alta voz e todos voltam sua atenção para ela: 

- Parem! Parem com isso. O DEUS que eu agora conheço que fez meu sogro voltar a andar e que permitiu que meu pai aqui estivesse no meio de nós. ELE não divide  a glória que é para ser devotada para ELE com ninguém. Então se querem adorar a alguém adorem a ELE por que ELE é DEUS. A tristeza no coração dessa mulher acabou permitindo que uma revolta crescesse como um urso quando fica em pé aumentando o seu tamanho. Assim como ninguém mais poderá conter esse urso sobre os seus pés assim também esse sentimento. Mas eu vou orar. E o DEUS a quem eu aprendi a amar, assim como ELE domina o meu coração a de fazer, não só com essa mulher mais com todos os que estão nessa aldeia e se ELE trouxe o meu pai de volta é por algum motivo, então que ELE complete a obra e meu pai fique bom logo para que possamos saber o que de verdade aconteceu com ele. Silêncio, falarei com meu DEUS.

DEUS que fez e conhece a cada estrela nos céu, cada ser vivo no fundo do mar e todas as criaturas nas entranhas da terra. Que se manifesta para mim de maneiras surpreendentes e me faz sentir o seu domínio e sua paz. Que com sua precisão acompanha a cada criatura que TU formaste e nunca deixa de nos ouvir quando pedimos por socorro. Mesmo sendo tolice de nossa parte por que o SENHOR cuida de nós com muito selo, mas nos deixamos levar por sentimentos obscuros que escondem o seu rosto. O SENHOR é a nossa luz. Que essa luz venha iluminar as mentes obscurecidas pelo medo, tristeza , dor e falta de intimidade com o SENHOR. Que o SENHOR que é a própria luz que ilumina o mundo que vivemos seja por nós reconhecido e adorado. Que as mentes seja abertas e os olhos TE veem e entendamos os seus planos para nossas vida. que possamos e passemos a sentir as suas mãos que nos guarda, nos guia e nos mantem segundo a sua vontade. Hoje. A partir de "hoje", não andaremos mais errantes como se não conhecemos mais quem TU és, não nos prostraremos mais diante daquilo que nos mesmos construímos ou inventamos só adoraremos ao único e verdadeiro DEUS que é o nosso SENHOR e DEUS. Eu TE louvo por meu pai estar aqui. Eu TE engrandeço por tudo o que fizeste e me sujeito a SUA soberana vontade e  me rendo ao seus pés. 


Quando JINAKI ASMAHANI acabou de falar com DEUS o silêncio era esmagador. Toda a aldeia estava do mesmo jeito que JINAKI: de joelhos e olhos fechados como pensamento elevado à DEUS.

O tio de JINANKI ASMAHANI se colocou de pés em meio ao povo ainda de joelhos e disse:

- A partir de hoje; o povo BURUNDI adorará ao DEUS da princesa JINAKI ASMAHANI princesa de CANDACE filha de morto que apareceu vivo rei BOMANI, nora do ex- aleijado rei AKI que é pai do marido de JINAKI o rei BABU.

- Com base na sua declaração, rei-interino AZAZI,  eu, rei BABU, também decreto o DEUS de JINAKI ASMAHANI: DEUS de CANDACE.  

E o povo foi ao delírio.

- Princesa JINAKI ASMAHANI. Para que adoremos precisamos saber qual é o nome desse DEUS?

- Podem chama-LO como vocês quiserem. De ÚNICO por que ELE é de verdade o ÚNICO DEUS. Podem chama-LO  de VERDADEIRO por que a verdade está n'ELE, bem na verdade ELE é o VERDADEIRO DEUS. Podem chama-LO de PROTETOR, POROT-SEGURO, AMPARO, AMIGO, AMADO, SENHOR, DEUS, CRIADOR e PAI. Tudo o que aprendemos desde que nascemos até o dia de hoje foram estórias que nos contavam  de sombras que cercavam ao DEUS ONIPOTENTE, ONIPRESENTE, ONISCIENTE. E hoje você ouvem falar do ALTÍSSIMO DEUS e parem de chama-LO de "DEUS de JINAKI" e eu para  de chama-LO de "DEUS de HANA". kkkkkk  

- Veremos se o seu pai está em condições de ser removido para CANDACE e você cuidará dele de nossa tribo e quando ele estiver melhor, eu pessoalmente o trarei de volta. Mas como não vai ter mais velório CANDACE voltará para seu lugar. E as duas tribos voltaram ao normal.

- Normal não; meu sobrinho e rei de CANDACE. Nada mais será como antes. Antes de JINAKI ir para aquele país e agora na volta de vocês para o nosso país. Muitas coisas aconteceram, muitas coisas se passaram e muitas coisas mudaram. Sinto que é um novo para o nosso povo e isso será para melhor.

Foi a partir desse dia que o povo de CANDACE e o povo de BURUNDI se aprofundou em conhecer o DEUS VERDADEIRO. Mudaram dos mitos em que viviam de terem vários deuses, tiraram de suas aldeias e bosque os postes-ídolos, imagens e nunca mais fizeram oferendas a ninguém, nem coisa alguma. Viva ou morta. Que já tivesse vivido ou que foi apenas imaginado.  Para o conhecimento que JINAKI ASMAHANI tinha em seu coração. A maior parte do tempo em que esteve no JAPÃO, JINAKI ASMAHANI esteve na fazenda de HANA com o policial FUYUKI. E todos os dias eles estudavam intensamente o pergaminho sagrado que HANA possuía: O LIVRO.

Os reis que estavam presentes e lúcidos e BARUNDI decidiram passar o resto daquele dia com os preparativos para o regresso para CANDACE que aconteceria ao amanhecer.

JINAKI e outras mulheres voltaram aos cuidados do rei BOMANI.


 

 

 

 





 

 

 


 

 

  21º capítulo

O QUE DEUS PODE FAZER

 

- Mas vó! Eu só queria saber se a história do homem negro que foi samurai era verdadeira ou não?

- Calma, meu amor.  Eu vou chegar nele. Primeiro eu tenho que te contar desde o inicio para que você saiba que é verdade.

- Então ele existiu mesmo?

- Sim conforme estou te contando. JINAKI ASMAHANI viveu no segundo século depois de CRISTO. Foi para o Japão a mando de seu sogro.

- Sim. Até ai, eu entendi. Mas o samurai negro nasceu no século quinze, vó? Ele era japonês, africanos, o que ele era?

- Deixa eu terminar de te contar. JINAKI ASMAHANI voltou com seu esposo, seus sogros, as pessoas que era de CANDACE e foram para o velório de seu pai e o próprio pai de JINAKI ASMAHANI que não morreu. Bem na verdade, ele durou por muitos anos ainda. Ele pegou  os filhos de JINAKI ASMAHANI no colo. E ela teve muitos com o rei BABU. Quem morreu mesmo foi os seus sogros. Primeiro o rei AKI. Voltou a ficar entrevado em uma cama, mas agora por um outro motivo de doença e juntando com a velhice. Embora o povo africano vivencie por muitos anos. Depois sua sogra também pelo mesmo motivo. Mas eles ajudaram a BABU e JINAKI ASMAHANI a governarem e educarem seu filhos. De inicio não foi fácil para os povos, tanto de CANDACE como o de BURUNDI mudar suas tradições, a amiga de JINAKI desde a sua infância perguntou:

- Como iremos nos vestir iguais a vocês? Sentiremos muito calor com esses panos todos sobre o corpo todo! E não somente não somos acostumadas a ter esses panos sobre nós como também não queremos.

- Amiga. Sinto que essa duvida não somente é sua como de muitos mais de nossa África. Mas se souberes para que vestir-se desse jeito passará a não sentir mais o calor. Lembra que no meu primeiro ano em que retornei fiquei seriamente doente por pensar que poderia ficar sem usar da argila que cobre nossas peles? KKKK. Foi difícil para mim também. Tivemos que fazer um buraco bem grande na minha tenda e dá um jeito para vedar por que eu queria tomar banho  quente de imersão. KKKKK. Não queria tomar mais os banhos de fumaça. KKKKKK. Ai. Meu DEUS! E fui voltando e me condicionando. O que eu vivia com o que eu aprendi a viver. Praticando o que eu acha ser bom para minha vida toda. E cobrir partes do meu corpo foi uma das coisas que eu aprendi duramente. Tirei a vida de um homem e quase matei um outro. E como eu não quero mais causar mal a ninguém eu estou pedindo à DEUS que me controle em tudo que pode prejudicar quem me ver ou ouvir. E digo para você só DEUS mesmo para ir me moldando não mais como um punhal que fere e que mata, mas sim como um leque que refrigera a alma abatida. Por isso eu digo que se você vê em você qualquer coisa que possa incomodar a quem convive com você, por DEUS, você pode tirar de sua vida para agrada-LO. Mas nem DEUS vai te obrigar. ELE nos dá o privilégio de escolha.

- Até nisso esse DEUS é bom. Não é?

- Sim. Em todo o tempo e em tudo ELE é bom.

- Diferente dos deuses que nós tínhamos antigamente. Por que quando nascíamos não nos devam o privilégio de escolha ao tirar o clitóris e deformaram a nossa genitália.  E quando víamos crianças sendo sacrificadas ou até mesmo animais. Foram muitas coisas que passamos e nos deixaram marcas profundas. Muitas delas até aparentes e as piores eram justamente aquelas que não estavam a mostra.

- Você então está vendo o quanto é bom seguir a esse DEUS?

- Sim. Agora também passei a ser encorajada a pedir a ELE diretamente, do jeito que você nos ensinou.

- Que bom! Que você está pedindo.

- Ah! Eu não vou te dizer, não. Você vai ri de mim.

- E daí se eu ri de você. Se você já está pedindo a DEUS e se for da vontade DELE, ELE vai te conceder. Então se eu ri ou não, não vai mudar em nada. 

- Então eu vou te dizer. Eu quero ter a experiência que você teve.

- Qual? A de ir para o Japão?

- Não. Eu estou fazendo um desafio a DEUS. Se foi ELE mesmo quem fez o teu sogro andar, seu pai sobreviver ao ataque dos leões na mata, que todo mundo falou que foram os pigmeus quem os tinha atacado. E se foi ELE que te abençoou abrindo sua matre duas vezes? Então eu quero...






JINAKI ASMAHANI desde o dia em que voltou para CANDACE com sua família a mudança foi grandioso e ela glorifica a DEUS por tudo o que lhe aconteceu: " a recuperação de seu sogro e do seu pai foi algo assim sobrenatural, seu pai contou para toda a a...

JINAKI ASMAHANI desde o dia em que voltou para CANDACE com sua família a mudança foi grandioso e ela glorifica a DEUS por tudo o que lhe aconteceu: " a recuperação de seu sogro e do seu pai foi algo assim sobrenatural, seu pai contou para toda a aldeia o que aconteceu com ele e os quatro homens que o acompanhava: Os quatro homens erram o caminho por causa da embriagues foram parar num local onde uns leões espreitavam alguns búfalos. Estavam cantando e carregando o rei  BOMANI. Quando os guerreiros   viram os leões e os búfalos em pleno estouro correram juntos. Uns morreram pisoteados e devorados por leões e outros foram diretamente devorados. E o rei que foi largado pelos homens que o carregavam com o susto caiu em uma ribanceira que era mais próxima da aldeia de  BURUNDI do que outra coisa. Dando assim condições do rei conseguir chegar a aldeia sozinho e com vida. E dizia que não tinha muito o que contar pois pouco viu do que aconteceu e ainda estava bêbado. Ouviu muita gritaria e os uivos dos leões, ficou a metade do dia seguinte esperando para ver se alguém daria sinal de vida ou gritasse pelo seu nome, como nenhum dos dois aconteceu. Apoiando nas árvores, caindo e levantando DEUS o conduziu ate a sua aldeia; onde ele encontrou o povo celebrando o seu velório por que na verdade ele acabou levando muito tempo para chegar a aldeia.

JINAKI ASMANAHI continuou a falar de DEUS para o seu povo e fez um pedido ao seu esposo que ela fosse julgada pela morte do guerreiro que ela matou antes de ir para o Japão. De inicio seu esposo não concordou uma vez que ele era o rei da aldeia. Mas com a insistência de JINAKI ASMAHANI, ela conseguiu como pena pelo seu crime a prisão domiciliar e serviços comunitários que era justamente ela ensinar religião para crianças e adultos.

JINAKI ASMAHANI enquanto estava reclusa foi impossibilitada de usar seu titulo de princesa, mas foi agraciada por DEUS com suas duas gravidez e acima de tudo: a visita de seu amigo FUYUKI."

Uma embarcação, dentre tantas outras, veio do Japão para fazer a sua comercialização rotineira mas dessa vez ela não levou ninguém em especial mais sim trouxe, o policial FUYUKI.

- JINAKI, olhe quem foi deixado  pelos navios japoneses trouxeram?

- Quem! Mas não são navios japoneses não são parra deixar somente mantimentos e objetos? 

- Sim. JINAKI ASMAHANI. Se eu não tivesse assuntos pendente com você eu estaria agora de joelhos dobrados na sala da fazenda ouvindo HANA me ensinar sobre a lição de vida que existe no LIVRO SAGRADO.

Quando JINAKI se vira e olha, vê de pé junto de seu marido o seu amigo, que encontra JINAKI ASMAHANI vestida de joelhos dobrado como quem estivesse orando.

Como sempre agora já não tão agiu, JINAKI com um só movimento se levanta e vai rapidamente na direção do policial, para diante dele olha bem em seus olhos e se curva reverenciando o amigo.

Para sua surpresa FUYUKI não se curva não com suas mãos apruma a jovem amiga e lhe dá um abraço. 

Os meses se passam desde de que FUYUKI chegou a aldeia de CANDACE. JINAKI continua com sua prisão domiciliar, mas o jovem policial acompanhava o rei BABU para todos os lados e corrigia alguma coisa que JINAKI tivesse falado a mais ou a menos da história de JÓ e tudo o que os dois viveram no Japão.

A jovem amiga de JINAKI ASMAHANI era quem dava assistência a esposa do rei encarcerada e em um desses dias após preparar o banho diário e a colocação do quimono na amiga, ela faz uma revelação:  "Eu estou fazendo um desafio a DEUS. Se foi ELE mesmo quem fez o teu sogro andar, seu pai sobreviver ao ataque dos leões na mata, que todo mundo falou que foram os pigmeus quem os tinha atacado. E se foi ELE que te abençoou  abrindo sua matre duas vezes? Então eu quero me casar  com FUYUKI. Eu tenho pedido a DEUS e já tenho visto algo acontecendo.

- Ah! Amiga. Eu também! Tenho percebido o jeito que ela te olha. E que você ficam sempre muito juntos. Que legal. Os meus maiores amigos apaixonados.     Quem diria que você iria se apaixonar pelo FUYUKI?  Tivemos que te implorar para tomar conta dele por que eu estava de resguardo e ele sofreu bastante também nos primeiros meses dele aqui na África. Teve malária, febre amarela, desidratação, diarreia, intoxicação. E outras doenças que já nem me lembro mais, as primeiras doenças que ele teve eu já até esqueci. 

- Nem eu sei como pude me apaixonar por um homem mais fraco do que eu e branco igual a raiz da aipim e com as doenças ficou mais magro do que era quando chegou aqui. Só convivendo mesmo para vê o quanto ele é bom e bonito. Você acredita?

O espaço entre a conversa das duas era preenchido com a rizada que explodia em meio as lembranças.

- É não foi fácil para o meu amigo FUYUKI... Assim conforme   não foi fácil para mim também os anos em que passei no Japão.

A tristeza ainda ronda JINAKI ASMAHANI quando as lembranças a fazia voltar para onde ela nunca quis ter ido.